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Se a inês sabe disto

Cagar ou não cagar, eis a questão

Tive nos últimos dias dois encontros imediatos com a CP (Comboios de Portugal):

O primeiro, uma viagem de Lisboa, Oriente, a Loulé. A composição saiu com algum atraso, devido à espera de ligação com outra que vinha do norte, mas aparte esse pequeno contratempo, foi uma viagem excelente. A carruagem é cómoda, climatizada, com wifi, os bancos bastante confortáveis. Até o vagão restaurante, embora pouco espaçoso, é agradável. Nada agradáveis são os sanitários após alguns quilómetros percorridos, mas um gajo mija de pé (por isso aquilo fica tudo mijado, claro), já as mulheres têm alguma dificuldade em fazê-lo, por isso, coitadas, lá têm que andar de wc em wc até encontrar um em que os salpicos não abundem. Em resumo, apesar do cheiro, dizem-me, que eu não tenho olfacto, nota bastante positiva para a CP.

Já o segundo encontro foi hoje. Fui esperar os meus pais a Santa Apolónia, vindos de Tomar. Cheguei com alguma antecedência e uma enorme vontade de satisfazer duas necessidades prementes. Cabeça no ar procurando os dois bonequinhos característicos e lá estavam eles, do lado esquerdo da gare. Entrei num espaço de cafetaria, sala de espera e ao fundo os benditos lavabos. Aproximei-me com algum aperto, já à rasquinha mesmo e vi uma cancela, toda iluminada, com torniquete e tudo, mas a minha aflição já me tinha torrado o cérebro e a capacidade de raciocínio estava tão em baixo, que empurrei a cancela com alguma brusquidão e qual não foi o meu espanto quando percebi que aquele jogo de luzes era de apenas duas, verde e para mal dos meus pecados, vermelho que foi a que me impediu de entrar no local onde "todo o cobarde faz força", com a velocidade que a situação de emergência exigia.

Agora imaginem se eu não tivesse negado a moedinha ao gajo que me descobriu um lugar para estacionar ( sócio, não tenho moedas, pá - acho que o vi primeiro que ele, tal a pedra com que o gajo estava), se não tivesse 50 cêntimos para me abrir a passagem para o paraíso, o que sucederia...

Portanto, em resumo, dentro de um comboio Alfa Pendular, um gajo pode mijar a latrina à vontade, prejudicando os outros passageiros, mas na gare, enquanto espera pelo início da viagem, ou porque não suportou o pivete na casa de banho da carruagem e precisa de mijar ou cagar , paga 50 cêntimos e é se quer bufar.

Pois, eu estava tão à rasquinha que se desse uma bufa... Isso!

Aqui pra nós, louva-se a medida, espera-se que dentro de 150 anos, a este ritmo, o buraco nas contas da CP esteja tapado. Ou então esta é mesmo uma medida de merda que não lembra ao diabo e os senhores administradores da CP bem que podem limpar o cu a um caco naquela parte do dia em que ligam o intestino grosso ao cérebro.

Quando me dirigi, já com os meus pais, em direcção ao carro vejo o "arrumador carocho", que se me dirige e diz "mano, arranja-me uma moedinha?" "ó pá, tu vais gastar essa merda em droga, não tenho!" "não, mano é para ir ali à casa de banho". E eu sou lá gajo para impedir um agarrrado de cagar como um lorde?

À boleia da casa rolante

O tempo que isto andou a ser preparado...

É hoje, é amanhã, agora não dá porque eu tenho isto, depois para mim não dá porque tenho aquilo... Não imaginam o que é conciliar a agenda de uma multidão de gente. Três pessoas!

Mas a coisa deu-se e numa sexta à tarde, depois do trabalho, lá pegámos na casa rolante que alminha caridosa e amiga nos fez o favor de emprestar (obrigado Paulinha e Diogo), dicas entendidas... Bom, deixemos pormenores embaraçantes para trás, que isto é o registo de coisas boas, dicas entendidas dizia eu (mais ou menos, pronto), lá saímos da Ericeira com rumo a norte, objectivo Picos da Europa. A vontade de sair era tanta que a primeira etapa foi um esticão enorme até à praia de... Areia Branca! Não comecem a rir, por favor, era já noite e tendo uma casa com rodas para descansar e dormir, não faz qualquer sentido circular de noite, de modo que com os olhos treinados para qualquer eventualidade, alguém viu uma churrasqueira e o primeiro jantar foi frango, comido a ouvir o mar e regado com um belo tinto. Não há registo fotográfico, porque como não se via o mar, não fazia muito sentido ter fotos sem imagens, não é? Isso é para artistas e nós é mais comer e buer .

Bom, mas se no primeiro dia quase nem aquecíamos o motor da fragoneta, no segundo fizémo-nos à estrada que nem doidos! Por aí acima até Vigo, que foi um tiro! Chegámos ao final do dia, que estava nublado e frio, ventoso junto ao mar como podem constatar pelas fotos, onde pensámos em pernoitar, mas o spot indicado na aplicação móvel não era do nosso agrado e no estacionamento em frente à praia, avisou-nos o senhor do talho do Dia onde fomos comprar jantarinho, que a polícia não deixava aparcar. Ora toca de olhar para o GPS e encontrar algum sítio nas Rías Baixas onde estívessemos à vontade e fosse agradável. Opinião daqui e dacoli (quem sofre mais é quem leva o bolo-rei na mão, que mais parece um catavento. Vai para ali, não, vai para acolá... vocês entendem-me, n'é?) lá chegamos a um local excelente onde estacionámos a voiture e a Isabel pôs o jantar a andar, um cordeiro estufado que ficou no fogão enquanto fomos mandar umas cañas abaixo. A comidinha estava no ponto quando chegámos, tinha começado a chover (a noite foi bastante chuvosa, ainda ali chegaram ares do Leslie). Estacionámos a dois metros da água, como podem ver pelas fotos, numa localidade de nome Moaña. Recomenda-se, como se recomenda toda a área das Rías Baixas, com as suas reentrâncias, as suas baías, os viveiros de mexilhão e de ostras às centenas em cada local. Quanto ao marisco, peço desculpa por não ser entusiasta, mas quem está habituado a coisa boa...

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Adiante. A noite como disse foi chuvosa, mas o dia amanheceu limpo e com temperatura amena, chegando o sol a aparecer radioso. Próxima etapa, Pontevedra, seguindo sempre pela costa, onde chegámos por volta da hora de almoço, pretexto para umas tapas e um Albariño e mais cañas e uma voltinha pela cidade, claro.

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- Então e agora vamos para onde?

- Olha vi aqui no folheto do turismo que há um festival de marisco em Ogrove.

- É pá, e onde é que é isso? (como se isso importasse alguma coisa, mas fica sempre bem perguntar...)

E lá fomos para Ogrove, para o festival do marisco. Pela costa, sempre pela costa que o sol estava lindo e o mar uma delícia para a vista. Foi tão fácil estacionar junto ao recinto que até dissemos que deviam estar à nossa espera. E estavam. Provavelmente para os ajudar a carregar o material. Eu já disse que o marisco espanhol, pronto, tem lá as suas particularidades que eu não gosto de ser maldizente, mas um gajo chegar a um festival do marisco e aquilo ter acabado de fechar portas, é um galo do camândrio! Olha, fomos às imperiais, para vingança! E como ali já tínhamos visto o que (não) tínhamos de ver, ala para Santiago! Chegámos também cedo, a aplicação tinha vários locais para estacionar a carripana, mas ou o cabrão do GPS estava doido, ou sei lá, mandáva-nos sempre para parques de estacionamento subterrâneos, o que calcularão não é o mais apropriado para uma viatura daquelas... Bom, voltas e voltas que nos deram um conhecimento de guia profissional depois, lá encontrámos um local muito bom, no campus universitário a cerca de 500 metros da catedral, sossegado, que se verificou ter apenas um inconveniente, durante a noite: Choveu e como estávamos sob as árvores, a água caía em pingas amodes assim como bolas de golfe e a noite foi um pouco agitada, mas sem problema de maior. Tínhamos a recordação, de uma visita anterior há mais de 25 anos, das tascas próximo da catedral e dos petiscos e foi para onde embicámos. Pronto, foi o único barrete, mas vivendo e aprendendo... Desde camarões ao alho vindos directamente do pacote dos congelados, a ameijoas com molho de guizado, imaginem como estava o polvo e o resto que já nem me lembro do que foi. Safaram-se as patatas, vá lá...

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Lembram-se que vos disse lá atrás que o nosso destino era os Picos da Europa, portanto havia que seguir, que o tempo não estica e a distância é muita, mas como na passeata nocturna por Santiago nos ofereceram um folheto sobre Finisterra, conforme o pensámos, melhor o fizémos e toca de fazer um "desviozinho" (andar a passo de caranguejo a bem dizer) ao ponto mais ocidental de Espanha, à Costa da Morte, ao Cabo Finisterra, onde viemos a saber (vivendo e aprendendo) termina qualquer peregrinação a Santiago, de modo que vinte e quatro horas por dia se vêem peregrinos a subir e descer a encosta até ao marco Zero de Santiago, a pé ou de transporte.

Pelo caminho, que se fazia hora disso, fizemos um almocinho a bordo, "dentro de água" em Muros, que, acho que já vos disse, sempre que possível a viagem foi feita pela costa. E junto à costa também, demos de caras com uma maravilha, um rio que desce em cascata até quase ao mar, donde dista nem 500 metros, em Ézaro, antes de uma povoação com um nome esquisito, CEE. Coisa estranha...

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Aí, na CEE, abastecemo-nos no supermercado e seguimos então para o Cabo Finisterra, já a noite se fazia anunciar. Apesar da curta distância, o dia foi-se rapidamente e chegámos lá acima, ao farol, já a noite tinha ganho a disputa, como podem verificar pelas fotos:

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Se por acaso fizerem uma viagem com um meio de transporte semelhante a este que nos deu boleia, saberão que há que encher o depósito de gasóleo, mas também o depósito da água e despejar o das águas sujas, bem como a cassette do wc. Para o gasóleo há as bombas de gasolina mas isso já devem saber, para as restantes tarefas há locais próprios que terão que procurar, mas há parques gratuitos que possuem estas facilidaddes e algumas bombas de gasolina também. Vem isto a propósito do estacionamento para pernoitar; É conveniente não descurar estes pormenores e a segurança. No Verão há sempre mais companhia, mas também há menos espaço livre para estacionar, logicamente. Nesta viagem e nestes locais junto ao mar, com muitos portos e marinas, foram estes os locais preferencialmente escolhidos e não nos demos mal. A partir daqui deixámos o mar (viríamos a encontrá-lo na paragem seguinte, na Corunha e depois de mais uma maratona, em Gijon), mas nunca tivémos dificuldade em estacionar em segurança.

Feito este "compasso de espera" (como se diz na gíria futebolística), siga a viagem. Depois de dormirmos no porto de Finisterra, ali mesmo à babuge do mar, saímos em direcção à Corunha, por AE (quase todos os que aqui vierem dar uma cuscada saberão, mas em 90% das AE não se paga portagem. Como cá, sim...), foi relativamente rápido, são cerca de 100km. Estacionámos num parque próprio, o único em que pagámos para estacionar, mas que ficava mesmo no centro e almoçámos umas "merdas". que estavam boas, por acaso! Como a Corunha pouco tem para ver e já por lá tínhamos andado, ganhámos coragem para nos pormos ao caminho até Gijon, que apesar de ser feito por AE, não deixam de ser quase 300 km. 400 e qualquer coisa km com o bolo rei nas mãos (desde Finisterra) não mata, mas desmoraliza um bocado, de modo que tivemos que afogar as mágoas numas garrafas de cidra e nuns bocadillos, enquanto dávamos uma volta nocturna pelo centro. A casa ficou numa ponta da cidade, junto à praia, bem acompanhada por mais uma dúzia de "comadres". Sítio muito bom, com um parque de merendas muito limpo que de Verão deve estar lotado, mas onde uns aceleras andaram até às tantas a fazer rallye...

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Pequeno almoço tomado, dia de rumar directamente aos Picos. De Gijon a Cangas de Onís, onde almoçámos (um entrecosto que fez a espanholada andar toda de nariz no ar) e depois uma saltada a Covadonga e subida aos lagos. Quero dizer-vos que a impressão que tinha dos Picos era de que eram grandes e imponentes, mas quando lá estivémos na outra viagem que referi lá atrás, fui de carro e a estrada já era estreita. Imaginem agora de autocaravana... Houve uma passageira que teve que mudar de lugar por causa das vertigens. É que aquilo é estreito, muito estreito, mas também é alto, muito alto, com ravinas que... uffffff. Chegámos até ao primeiro lago, a partir daí o guarda florestal aconselhou-nos a não arriscar, porque para além de estreito, provavelmente iríamos já apanhar a noite na descida e contrariadíssimos, principalmente a Mina que adorou ir no lugar do pendura na subida, descemos e novamente passando por Cangas, rumámos a Leon, atravessando os Picos a meio.

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Já se estava fazendo noite e era necessário encontrar lugar para parar a máquina e dormir. Paragem em Oseja de Sajambre para procurar poiso. Uma esplanada, já o dia se queria ir embora, consulta na aplicação por um sítio para parar. A pouco mais de 1 km, dizia, um local onde cabem 5 autocaravanas, sossegado. 'Bora lá, mas antes temos que lanchar, Que é que tem, ai não tenho nada, só bocadillos e tapas e tal. Olha, trás mazé um prato de presunto e queijo e cidra, que a gente trata disso! E assim foi, nem ar apanhou!pagos os 15 Euros pela pratada de jamon serrano e queso de oveja e dos botellas de cidra (de lá veio uma caixa de 12 que já foi toda), vamos lá encontrar o local. Nem dez minutos e lá estava ele. Não era bom, era espectacular!   Imaginem estas três alminhas, sózinhas, no meio de nenhures dentro de uma autocaravana, escuro como bréu, sem se ver um palmo em frente do nariz, a escutar o barulho de um riacho no fundo da ravina, o barulho da bicheza toda, grilos, mochos, ralos, sei lá, uma barulheira que se silenciou de repente e que só foi quebrada durante a noite com o uivo dos lobos. É de facto espectacular!

De manhã apareceram as cabras selvagens, a beber no riacho. Belo aperitivo para o pequeno almoço.

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Partida em direcção a Leon, ainda por estrada de Montanha até à barragem de Riaño, mais um local, já quase no sopé dos Picos, a visitar pela enorme lagoa artificial lá no alto. E pelo caminho,  num pueblo de que não me recordo o nome agora, demos de trombas com uma queijaria artesanal, onde enfeirámos uns belos queijos de ovelha e um requeijão que nos soube pela vida. A distância não é muita, mas atendendo ao tipo de estrada (30/40 km/h em pelo menos metade do percurso de 120km), chegámos a Leon já perto da hora de almoço. As senhoras foram às compras e o motorista foi dando andamento ao almoço, elas compraram umas coisas e almoçámos ali junto ao rio, mais uma vez próximo do centro, dez minutos a pé, num parque grátis apenas para autocaravanas. Visita rápida e já por volta das quatro da tarde pensámos em sair em direcção ao Gerês, à Portela do Homem. São cerca de 250 km, mais coisa, menos coisa, uma boa parte por AE, mas outra é por "caminhos de cabras" e essa parte foi feita já de noite bem cerrada. Bom, fez-se, com recurso ao GPS, mas a "miúda" às vezes é lenta e manda-nos sempre pelo caminho mais curto, que por vezes não é o adequado ao veículo... mas também, só agora me lembrei que não lhe dissemos que íamos de casa às costas! Realmente...

A gente já tinha passado, numa das vezes que saímos pelo Gerês, por umas termas de água quente, mas nunca parámos, o destino era sempre outro, mas a Isabel conhecia, já lá tinha ido em pequena, que o pai era do Gerês e ela tem lá família, gente boa por acaso, e então "embicámos" para o Gerês, mas com a intenção de ficarmos nos Baños. E consultada a aplicação, não falhou, lá estava a indicação de um local para parquear, que foi o que fizemos, já era bem tarde. Jantámos, já nem me lembro o quê e ainda por lá andava gente de roupão na rua a molhar o rabo na piscina de água quente, de acesso livre. Também há umas termas, com hotel e essas coisas das termas que todas elas têm, vocês imaginam...

 

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O dia amanheceu farrusco, mas depressa o sol apareceu com pujança e antes do pequeno-almoço já estava dentro de água. Pensava eu que era madrugador, mas já lá estavam uma meia dúzia de compatriotas, cujo tema de conversa era as adaptações que fizeram nas suas autocaravanas e o custo das mesmas e sem discriminação de género, eles e elas eram (pareceu-me a mim que do assunto nada sei) entendidíssimos na matéria. Mas também, um gajo está de molho em água entre os 80 e os 40 graus (á entrada e à saída), se não quer dar em doido, tem que falar de qualquer coisa.

Banho caprichado, e já depois duma telefonadela para o Gerês, lá fomos ter com os primos da Isabel, a Benvinda e o Abílio que nos receberam em sua casa (que tem uma vista para a serra que é de cortar o pio). Visitar o Gerês com guia é outro luxo e conhece-se recantos que o comum dos turistas nem imagina que existam. A visita terminou a apanhar castanhas, algumas maiores que bolas de golfe.

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Passámos a noite aí e logo pela manhã uma directa até Tomar, que era preciso trazer os pais para casa. E de repente já era Domingo e já tinham passado nove dias. 

Mil duzentos e oitenta quilómetros depois, estávamos na Ericeira de novo, sem qualquer problema ou avaria, depois de uma aventura para a qual gostaria de ter engenho para contar de melhor forma, mas parece-me que conseguiram ver aqui um bocadinho duma semana muito bem passada.

A quem estiver tentado, recomendo. Com este itinerário tão extenso em tão pouco tempo talvez não, mas uma coisa mais perto, um fim de semana prolongado, aconselho vivamente. É uma experiência diferente, mas interessante.

 

Nota final 1: Caso interesse, a aplicação que melhor nos serviu foi a park4night (play store da google), tem indicações precisas, localização georeferenciada e encaminhamento por gps.

Nota final 2: Mais uma vez os nossos agradecimentos à Paulinha e ao Diogo, por nos terem emprestado a máquina. A quem interessar, eles alugam. Se for caso disso, é só perguntarem aqui nos comentários e deixarem o mail, para contacto.

Nota final 3: Desculpem o arranjo das fotos, mas têm tamanhos e formas diferentes e a habilidade não é muita...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinco dicas para quem vai ao Porto!

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Há duas semanas eu e três amigos decidimos mudar de ares e dar um saltinho até ao Porto. A intenção ia pouco mais além do que perdermo-nos em conversas, na calmaria dos passeios nas margens do Douro. Optámos por isso, de comum acordo, "fugir" do habitual roteiro turístico. A magia de cada viagem reside na forma como nos apetece vivê-la e foi isso que fizemos. Até porque o encanto desta cidade, não mencionando a óbvia riqueza cultural e arquitectónica, deve-se também à cordialidade das pessoas, ao charme da vida nocturna, à gastronomia e à simples contemplação de um entardecer à beira-rio, bem no centro histórico da cidade. Por tudo isto, pretendo apenas partilhar convosco algumas dicas desta pequena romaria à Cidade Invicta, que podem não ser as mais excitantes, mas que a nós nos encheram a alma...

 

Estadia

Se há cidades que oferecem múltiplas opções de estadia o Porto é sem dúvida uma delas. Apetecía-nos ficar numa casa onde pudéssemos cozinhar porque já tínhamos planeado duas grandes patuscadas (embora não as tenhamos concretizado). Numa rápida pesquisa pelo Google, encontrei um apartamento que pelas fotos pareceu-me bastante acolhedor. Como reunía todas as condições que pretendíamos, em 5 minutos estava tudo marcado. Quando lá chegámos fomos recebidos pela proprietária, a Manuela, que, sem lamechices, conquistou-nos em poucos segundos. De uma simpatia extrema, tratou de cada cantinho daquela casa para que ali nos sentíssemos como em nossa casa. O detalhe da velinha de cheiro acesa na casa-de-banho, as bolachinhas e o café na mesa da cozinha à nossa espera, a decoração moderna e tão, mas tão acolhedora, deu-nos a certeza de que tínhamos feito a escolha certa. Embora fique a meia hora a pé do centro da cidade e a dez minutos da estação de metro, a casa da Manuela será com toda a certeza um sítio onde vamos voltar. Fica a dica e se quiserem o contacto dela peçam-me através do email seainessabedisto@gmail.com

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Se esta não é a melhor francesinha do Porto...

 

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Por sugestão da Manuela, o nosso primeiro jantar foi no Café Santiago. Queríamos estrear o roteiro gastronómico com uma francesinha e ela assegurou-nos que, para não haver desilusões, este seria o sítio indicado. E como ainda tínhamos tempo, lá fomos de casa a pé para o centro já a pensar em derreter as calorias do jantar. Assim que lá chegámos, o primeiro bom sinal de que aquilo se calhar era mesmo bom é que tínhamos uma fila de espera imensa à nossa frente. Por nós tudo bem! Pedimos uma imperial (ou um fino, como se diz para aquelas bandas) e decidimos que dali já não saíamos. Meia hora depois estávamos sentados com o sr. Alfredo a servir-nos. E mesmo com a casa cheia, ainda houve tempo para ficarmos ali com ele um pouco à conversa. E assim ficou apresentado o ambiente familiar que ali se vive. Quanto à francesinha...asseguro-vos que é a melhor que já provei. Aconselho-vos a dar uma espreitadela no site para ficarem a saber tudo sobre a história desta casa, os prémios recebidos e a descrição detalhada da confecção desta iguaria que se revelou uma perfeita sintonia de sabores. 

 

E para dançar, como é?

Não é de agora que considero a noite do Porto uma das mais apelativas. E há de tudo, para todos os gostos! Nos últimos anos surgiram novos espaços e outros renovaram-se. Certo é que, na baixa, não há um bar cuja decoração nos seja indiferente. São quase todos dotados de um charme que não é para qualquer cidade. É para aquelas que prezam a boa diversão, em espaços onde cada detalhe é criteriosamente estudado para proporcionar noites memoráveis. Embora tenhamos andado a saltitar por várias "capelinhas", fiquei rendida a três espaços: É pra Poncha, numa das ruas das Galerias de Paris, onde me apaixonei pela poncha de tangerina, The Gin House, na Rua Cândido dos Reis, o sítio ideal para dançar e saborear um gin de excelência e finalmente o restaurante/bar Galeria de Paris, um antigo armazém de tecidos decorado com objectos inimagináveis...até um Fiat 500 está pendurado na parede. Quando forem ao Porto não deixem MESMO de visitar este espaço. Garanto-vos que vale a pena. Quase todos os bares por onde passámos são frequentados por várias gerações. E não há ali qualquer desconforto por isso. Bem pelo contrário! Talvez porque é fácil perceber que existe entre todos uma coincidência de intenções: a diversão genuína! 

 

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  É Pra Poncha

 

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  Restaurante/Bar Galeria de Paris

 

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  The Gin House

 

 

E voltamos à gastronomia...

Numa das noites em que saímos um pouco mais tarde de casa, não nos apeteceu propriamente jantar de faca e garfo. Tínhamos ouvido falar da sandes de pernil com queijo da serra derretido, da Casa Guedes, e não pensámos duas vezes. É uma tasca na verdadeira acepção da palavra e à moda antiga. Mas daquelas que merecem distinção. O pão vem tostado, o pernil mais bem temperado não podia ser e o queijo da serra derretido no meio dessa mistura vem mesmo a propósito para presentear o paladar. A acompanhar com o vinho da casa ou um fino, só posso mesmo recorrer à mais comum das expressões: "é de comer e chorar por mais". Fica na Praça dos Poveiros, nº 130. 

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E como não podia deixar de ser, o vinho do Porto

 

Entre tantos passeios a pé e experiências gastronómicas, pouco tempo nos restou para saborearmos calmamente um vinho do Porto no cenário indicado. Ainda assim decidimos atravessar para o lado de Vila Nova de Gaia, mesmo para o coração da zona histórica, nas margens do rio Douro, e tentar visitar uma das muitas caves do Vinho do Porto que por ali existem. Fizemos algumas tentativas mas devido à hora tardia, foi impossível visitar as maiores e mais conhecidas. Fomos então desafiados a entrar na cave Porto Augusto's uma vez que a visita, além do preço ser bastante acessível, era bem menos demorada que as outras uma vez que se trata de uma empresa familiar. E em boa hora aceitamos embarcar nesta pequena aventura. O nosso guia, o Luís, não podia ter sido mais simpático e expert na matéria. No final da visita fomos convidados a fazer uma prova dos vários vinhos produzidos por esta marca e ficámos agradavelmente surpreendidos. Sugiro que espreitem o site para conhecerem todos os detalhes sobre o Porto Augusto's.

 

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Finalmente, obrigada Isabel, Débora e Paulo pela excelente companhia. 

Fria?

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Foi chegar, ver, despir a -shirt, deixar os chinelos e mergulhar, que ali não há tempo para hesitações. Bom, passados alguns minutos tive que tirar as mãos de dentro de água e plantá-las ao sol, mas garanto-vos que o meu eczema no dedo médio da mão direita, apenas com uma visita, apresenta melhoras. Ficámos espantados com a quantidade de carros estacionados, para uma segunda-feira, mas aquilo era "gente e povo" que nem vos conto.

A água é excelente e perdoem a "sem-vergonhice", há aquela parte que não tem pé em que se pode nadar à vontade (obrigado mestre Jacob), que é o melhor de tudo. Parafraseando Octávio Machado, "vocês sabem do que é que eu estou a falar"... Apenas um reparo, que confesso é de ignorante: Todas as infra-estruturas estão no concelho de Ourém (que se candidatou a fundos comunitários e fez um excelente trabalho - a nascente brota naquele concelho), por que carga de água Tomar não leva por diante um plano de pormenor para desenvolver a "parte de cá" da nascente? Se existir, façam o favor de o referir na caixa de comentários, mas parece-me que há ali muito potencial, assim as autarquias ( a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal ) estejam interessadas em investir e deixar margem a quem queira arriscar neste nicho de negócio. Calculo que haverá condicionantes em termos de reservas agrícola e ecológica, mas haverá sempre forma de conciliar todos os interesses, o ambiental, o dos investidores e o dos utentes e ainda o dos cofres dos municípios e do fisco, com a dinâmica que ali pode ser criada.

A propósito, os berbigões no Galfurra estavam de se lhe tirar o chapéu!

A minha passagem por Veneza...

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Hoje apeteceu-me remexer nas poucas fotos que tirei quando estive em Veneza. Fui em trabalho e não houve muito tempo para conhecer a cidade, como ela merece ser conhecida. Tem a fama de ser a mais romântica do mundo! E, de facto, Veneza desperta paixões. Entre um passeio de gôndola ou um simples café no Florian, é mesmo difícil resistir ao charme deste lugar. Aliás, foram poucas as cidades que, até hoje, tiveram o condão de inspirar tantos poetas, tantos filmes, tantas lendas... Apesar do foco no turismo, para os românticos continua a ser um lugar ímpar, onde o pôr-do-sol no Grande Canal tem um encanto especial. Para os mais racionais, a "cidade das gôndolas" pode ser apenas um lugar que nasceu e cresceu sobre uma laguna. Menos poética, esta designação não lhe retira a grandeza da arquitectura e a forma inteligente como os venezianos construíram e embelezaram uma cidade sobre um fundo lodoso. 

A Piazza di San Marco é o coração e a alma de Veneza. E disso não restam dúvidas! Conta-se que quando Napoleão viu esta cidade pela primeira vez, chamou-lhe "o mais belo salão da Europa". E eu concordo! Um passeio nocturno por esta praça é uma experiência que transcende qualquer expectativa. Os famosos Caffé Florian e o restaurante Quadri, com orquestras permanentes, presenteiam-nos com uma deliciosa "competição" entre si. Surpreendeu-me o facto de, numa praça atolada de pessoas, prevalecer o respeito pelos artistas e não se ouvir mais do que um burburinho de fundo. 

A cidade está cortada por canais e é através dos mesmos que chegamos a qualquer ponto de Veneza. O maior de todos, o Grande Canal, é cruzado pelas pontes Degli Scalzi, Rialto e Accademia. Nas suas margens existe um sem número de palacetes, erguidos nos séculos XVII e XVIII, que narram, detalhadamente, a história e extravagâncias desta cidade. 

E como não podia deixar de ser, na terra das gôndolas é imprescindível que passemos pela experiência de passear numa delas. Mas atenção! Para evitar surpresas, tentem combinar previamente um desconto com o gondoleiro. É que o preço de uma hora de passeio pode atingir valores verdadeiramente exorbitantes. E, por norma, esse valor não inclui o acompanhamento musical. Por isso, certifiquem-se bem de todos os detalhes antes do embarque para que o romantismo da coisa não se transforme num pesadelo. 

De resto, os vaporettos são o meio de transporte mais comum por aqui. Mas para quem não domina o italiano, que é o meu caso, nem sempre a aventura de circular neste meio de transporte corre pelo melhor. As paragens têm todas nomes parecidos e muito facilmente vamos desembarcar à outra ponta da cidade. Existe a alternativa dos barcos-táxi mas é uma opção bem mais dispendiosa, principalmente a partir das 20:00. 

No último dia de viagem ainda tive tempo de conhecer a ilha de Lido, a famosa praia dos ricos e famosos. Uma das zonas mais luxuosas da cidade, serviu de cenário ao filme "Morte em Veneza". É lá também que acontece o famoso festival de cinema de Veneza. De regresso ao hotel passamos ainda por outra ilha, Murano, célebre pela indústria do vidro. Valeu pela paisagem mas as peças de vidro que se encontram à venda nas imensas lojas de souvenirs são verdadeiramente caras. 

Em suma, é um destino que vale a pena, merece ser conhecido, merece ser descoberto e é pouco provável que não regressem encantados com aquele lugar. 

 

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