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SE A INÊS SABE DISTO!

Ninónim

 

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Começo por uma declaração, para que se entenda que sou um leigo no assunto de que vou falar a seguir: Tenho formação em silvicultura preventiva, em fogos controlados e contra-fogo e em técnicas de sapador florestal, que apliquei no terreno durante algum tempo enquanto coordenador de equipas de sapadores, mas nada disso me habilita a opinar de cátedra sobre fogos, florestais principalmente. Sei o que sei, que sei que é muito pouco...

Posta a declaração, vem este post a propósito das críticas quase unânimes que os universítários especialistas em fogos lançam quase sempre aos comandos no combate e rescaldo a grandes incêndios, em concreto os dos últimos dois anos.

É minha opinião que o conhecimento científico é uma ajuda de extrema importância para todos os aspectos da vida e será também para o combate aos incêndios florestais, não me restam dúvidas. Daí até choverem críticas ao trabalho dos comandos e dos operacionais, vai uma longa distância que me parece injusta.

Admito que na calma dos gabinetes, a posteriori, seja fácil chegar a conclusões que ponham em causa algumas decisões de quem esteve no terreno, mas já dizia um futebolista sui generis, que os prognósticos só seriam certeiros "no fim do jogo". Provavelmente aqueles decisores no terreno, depois de extintos os incêndios, eles próprios terão chegado à conclusão de que eventualmente a abordagem ao sinistro não teria sido a melhor, mas eram eles que lá estavam e perante as circunstâncias, foram eles que tiveram que tomar decisões, na hora. Na hora, não a meses de distância e com todos os dados em cima da mesa.

Reafirmo, nada contra os catedráticos dos incêndios, o seu conhecimento é extremamente valioso para o combate mas principalmente para a prevenção de fogos, florestais para o caso e deve ser tido sempre em conta em quaisquer decisões sobre política nesta área, mas por favor, que não façam de quem anda no terreno, desde o motorista do auto-tanque ao comandante operacional, gente incompetente com uma mangueira na mão.

Se assim for, que lhes entreguem o comando, para provarem do fel que é andar pela serra a colocar em risco a vida em defesa do património e principalmente da vida dos outros. Provavelmente errarão tão ou mais do que aqueles que lá estiveram...

Água fria que o sol aqueceu

 

Chegámos a Caneças em 1981.

As ruas do bairro eram ainda de terra e a água e a electricidade eram "da obra" e assim se mantiveram por algum tempo, não sei precisar.

Em 1981 nós tínhamos 21 anos e o meu ordenado era todinho para a prestação do apartamento da Rua de Timor , Lote 8, 2.º Dt.º. Dezassete contos e duzentos, por um apartamento que custou dois mil e cem contos. É ridículo estarmos a falar destes valores (à volta de 85 Euros e dez mil e cem Euros) depois de termos vendido uma casa por um valor muito simpático, que nos custou a construir, quinze anos depois, em 1995, cerca de vinte mil contos (cem mil Euros). Para quem for mais novo, para perceber um pouco as coisas, a inflacção cavalgava a 30% ao ano. O meu ordenado de 17.200$00 em 1981, um belo ordenado diga-se, era em 1990 de cerca de 150.000$00, cento e cinquenta contos.

Adiante, que já estão situados.

1981 e ainda durante alguns anos, era o tempo de se telefonar para caneças e marcar o 980 e atender a "menina" e nós pedirmos "ligue-me à Teresa Paula, fáxavor" e a resposta ser "não vale a pena que ela não está em casa, ainda agora liguei para lá e não atendeu". Ou seja, a telefonista conhecia as pessoas e sabia os números (o nosso era o 9801696) de praticamente todos os assinantes.

Foi ali que nos dedicámos à vida em sociedade, à colectividade, na Junta de Freguesia, no Botafogo, nos Bombeiros, na Creche 25 de Abril, na Marcha de Caneças, pro bono, em prol da comunidade, foi ali que encontrámos gente de quem ficámos amigos, uns mais chegádos outos menos, como é natural. Não podemos deixar de referir a Teresa Paula, que nos cuidou dos filhos como se fossem dela. A Celeste, a irmã, A Crisanta e o Albano, um casal maravilha e muito sui géneris que se identificava em qualquer ajuntamento por um assobio; As manas Lélé e Nana e o Lóis e o Quim da Nana, porque havia o Quim da padeira, e o Virgílio ("nunca trabalhou só agora é que avariou") infelizmente falecido e o "eterno" tesoureiro do Botafogo (sério e de boas contas), O Figueiredo das bicicletas, sei lá, o Ti Mário, amigo do peito, o irmão Zé Vargas, o Carlos Costa e a Clara do Céu, o irmão Luís do Céu, ainda hoje um grande amigo. O António Maria Balcão, um homem do Alentejo com um coração do tamanho do Mundo, o Galvão e a sua calma, também um homem extraordinário, a Sara Sacavém. O Kekas e a Cila, amigos verdadeiros e o Domingos Tomé e a Maria Adélia, de quem sentimos uma anorme saudade, que foram um caso raro (e "são", apenas com o Domingos agora) de uma profunda amizade improvável. E os nossos vizinhos destes últimos 23 anos, uns mais que outros, gente boa e simpática, a Adélia e o Joaquim, o António e a esposa, o Ilídio que anda mais por Angola, mas sempre que regressa é um compincha de horas de conversa (ele fala...), o "brasuca" Tiago, um mago das electricidades nos automóveis e o Paulo e o Chico e a D.ª Antónia, o meu colega de emprego Luís, o Rui que me foi tratando dos carros ao longos dos anos, enfim, queria ser breve na despedida, mas vão ficar muitas pessoas a quem devemos alguma coisa, esquecidas neste postal.

Foram 38 anos de vida numa terra que nos deu dois filhos e já dois netos, plenas de actividade política e associativa, à qual demos o melhor de nós próprios, onde fizemos amizades profundas e, como não podia deixar de ser, talvez algumas inimizades, faz parte... Não deixa de ser chato quando as más-línguas vêm dos nossos e nisso fomos bem castigados, mas sempre mantivemos a mesma postura e a nossa forma de encarar as coisas, sem palas e com espírito crítico. Se pensaram que nos prejudicaram, descansem, só nos retiraram algum peso de cima.

Não saímos com mágoas, valorizamos antes as pessoas, as verdadeiras amizades que fizémos, os miúdos que "vimos" nascer e crescer e que se fizeram mulheres e homens, que isso é o que realmente conta.

Começamos agora uma nova etapa da nossa vida, numa nova terra, num sítio que adoramos, voltando ao início. Sem filhos, uma casa nova e novas perspectivas. Bom, com filhos adultos e com netos, que se hão-de pendurar na casa dos pais e dos avós, mas isso a gente até agradece.

Raios, que eu deveria escrever tanto, que tanto haveria para escrever, mas depois os meus amigos não liam e o que se pretende é que pelo menos sintam um pouco da nossa nostalgia e ao mesmo tempo do entusiasmo de uma nova fase que esperamos seja melhor que a anterior.

Isto resumido, mesmo espremido, é isto: 38 anos e parece que foi ontem que lá chegámos, com o nosso Honda 360...

Memória curta

O parlamento europeu reconheceu hoje o usurpador do poder na Venezuela, Juan Guaidó, como "presidente interino legítimo".

Sabemos que a composição do parlamento europeu é uma mistura de credos e religiões e um saco de gatos enorme, onde pontificam até deputados eleitos por partidos declaradamente fascistas, ultra-direitistas e outros "istas" a que se julgava ter posto cobro com o fim da segunda grande guerra. Esta tomada de posição não é , portanto, surpresa. Meia surpresa será o número de votos a favor, cerca de quatro vezes mais que os votos contra, numa votação expressiva e sem margem para quaisquer dúvidas. As notícias não informam qual o sentido de voto dos deputados portugueses (oriundos de vários partidos, CDS, PSD, PS, PCP e BE), mas teria alguma curiosidade em saber do sentido de voto dos deputados dum país que tem na Venezuela cerca de 300.000 compatriotas ou luso-descendentes.

Hoje o ministro da defesa do governo português considera até o envio de tropas para a Venezuela.

O ministro dos negócios estrangeiros, juntando-se a outros colegas da UE, dá um prazo de oito dias para Maduro convocar eleições presidenciais.

Eu queria chamar aqui a atenção para quem faz o favor de ler este postal, que Portugal é um país que se rege por uma constituição que todos estes senhores juraram respeitar (e defender) quando tomaram posse. Está lá, para quem não conheça, no Artigo 7:º no Capítulo das Relações Internacionais no seu n.º1 o seguinte: Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade.

Ora bem, atenta a constituição atrás descrita, sua excelência o ministro da defesa caga-se na lei fundamental do país e vai de avançar com uma posição que nos vincula a todos, sendo que à luz da CRP o país não concorda com ele. Sim, a constituição é uma chatice, mas a frase "cumprir a constituição" e já de si uma redundância, porque constituição é sinónimo de cumprimento. Então concluimos que os senhores ministros que já se manifestaram, tomaram medidas anti-constitucionais e sua excelência o presidente da república deveria fazer o que a constituição o obriga a fazer: Chamar a atenção ao primeiro-ministro (que curiosamente é uma espécie de Guaidó, mas com legitimidade eleitoral, já que o outro não concorreu para presidente) para exonerar estes senhores ministros que envergonham quem entende que a constituição deve ser a pedra basilar porque se rege o país.

O Maduro é um maduro? Talvez seja, talvez tenha feito merda, mas há tanto governante por esse mundo a fazer merda e o PE e os nossos excelsos ministros ninguém os ouviu a piar... Não querem exemplos pois não? É que bastava o genocídio na Nigéria ou na Birmânia para contrapôr, mas fiquemo-nos pela Venezuela, que é só, apenas, o país que tem as maiores reservas de petróleo do mundo e que faz questão de ser ele a tomar conta desse recurso. Pois, não é como certos países que agora se preocupam tanto com a democracia e os direitos dos cidadãos e venderam tudo o que dava lucro ao estado ao desbarato. Alô EDP, alô Portugal Telecom, alô CTT, alô, alô, alô...

O Maduro é um pouco louco? Talvez seja, um gajo que fala com um pintassilgo deve ser um bocado apanhado dos cornos, mas o seu governo e antes o de Chavez, trouxeram a milhões de venezuelanos educação, saúde e sobretudo habitação, acabando com milhares de favelas. Com o dinheiro do petróleo, pois claro, que era da ExxonMobil, da Chevron, da Standard Oil, etc. que têm em comum o quê? Adivinhem... Pois, companhias americanas!

Eu até estou à vontade, como vossências se aperceberam atrás, para dizer que não me revejo naquele tipo de governação, a armar para a alienação, mas há um factor essencial para esta equação que não podemos deixar de emparcelar: Aquilo é na América do Sul, com todos os defeitos e algumas, poucas, virtudes que têm os políticos sul-americanos e salvo raras e honrosas excepções, nascidos dentre o espectro político de dezenas e dezenas de anos de corrupção, crimes contra a humanidade, o diabo a sete. Reparem, se Portugal tem 44 anos de Democracia e ainda é o que é, imaginem uns tipos que desde que se conhecem que são governados por gatunos. Pois, meia dúzia de anos de democracia é muito pouco para consolidar seja o que for e à América do Sul a Democracia chegou há pouco tempo. Sim, teve um início fulgurante no Chile de Allende, mas a esse fizeram logo o "favor" de o assassinar.

E portanto, agora temos novamente o mundo dividido em dois blocos. Dum lado os americanos que levam a reboque os fracos dirigentes europeus, e de outro a China e a Rússia, que não querem ver os seus interesses postos em causa.

E os palermóides dos nossos ministros andam a carnavalar no meio desta merda toda. 

Enxerguem-se, caralho!

À boleia da casa rolante

O tempo que isto andou a ser preparado...

É hoje, é amanhã, agora não dá porque eu tenho isto, depois para mim não dá porque tenho aquilo... Não imaginam o que é conciliar a agenda de uma multidão de gente. Três pessoas!

Mas a coisa deu-se e numa sexta à tarde, depois do trabalho, lá pegámos na casa rolante que alminha caridosa e amiga nos fez o favor de emprestar (obrigado Paulinha e Diogo), dicas entendidas... Bom, deixemos pormenores embaraçantes para trás, que isto é o registo de coisas boas, dicas entendidas dizia eu (mais ou menos, pronto), lá saímos da Ericeira com rumo a norte, objectivo Picos da Europa. A vontade de sair era tanta que a primeira etapa foi um esticão enorme até à praia de... Areia Branca! Não comecem a rir, por favor, era já noite e tendo uma casa com rodas para descansar e dormir, não faz qualquer sentido circular de noite, de modo que com os olhos treinados para qualquer eventualidade, alguém viu uma churrasqueira e o primeiro jantar foi frango, comido a ouvir o mar e regado com um belo tinto. Não há registo fotográfico, porque como não se via o mar, não fazia muito sentido ter fotos sem imagens, não é? Isso é para artistas e nós é mais comer e buer .

Bom, mas se no primeiro dia quase nem aquecíamos o motor da fragoneta, no segundo fizémo-nos à estrada que nem doidos! Por aí acima até Vigo, que foi um tiro! Chegámos ao final do dia, que estava nublado e frio, ventoso junto ao mar como podem constatar pelas fotos, onde pensámos em pernoitar, mas o spot indicado na aplicação móvel não era do nosso agrado e no estacionamento em frente à praia, avisou-nos o senhor do talho do Dia onde fomos comprar jantarinho, que a polícia não deixava aparcar. Ora toca de olhar para o GPS e encontrar algum sítio nas Rías Baixas onde estívessemos à vontade e fosse agradável. Opinião daqui e dacoli (quem sofre mais é quem leva o bolo-rei na mão, que mais parece um catavento. Vai para ali, não, vai para acolá... vocês entendem-me, n'é?) lá chegamos a um local excelente onde estacionámos a voiture e a Isabel pôs o jantar a andar, um cordeiro estufado que ficou no fogão enquanto fomos mandar umas cañas abaixo. A comidinha estava no ponto quando chegámos, tinha começado a chover (a noite foi bastante chuvosa, ainda ali chegaram ares do Leslie). Estacionámos a dois metros da água, como podem ver pelas fotos, numa localidade de nome Moaña. Recomenda-se, como se recomenda toda a área das Rías Baixas, com as suas reentrâncias, as suas baías, os viveiros de mexilhão e de ostras às centenas em cada local. Quanto ao marisco, peço desculpa por não ser entusiasta, mas quem está habituado a coisa boa...

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Adiante. A noite como disse foi chuvosa, mas o dia amanheceu limpo e com temperatura amena, chegando o sol a aparecer radioso. Próxima etapa, Pontevedra, seguindo sempre pela costa, onde chegámos por volta da hora de almoço, pretexto para umas tapas e um Albariño e mais cañas e uma voltinha pela cidade, claro.

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- Então e agora vamos para onde?

- Olha vi aqui no folheto do turismo que há um festival de marisco em Ogrove.

- É pá, e onde é que é isso? (como se isso importasse alguma coisa, mas fica sempre bem perguntar...)

E lá fomos para Ogrove, para o festival do marisco. Pela costa, sempre pela costa que o sol estava lindo e o mar uma delícia para a vista. Foi tão fácil estacionar junto ao recinto que até dissemos que deviam estar à nossa espera. E estavam. Provavelmente para os ajudar a carregar o material. Eu já disse que o marisco espanhol, pronto, tem lá as suas particularidades que eu não gosto de ser maldizente, mas um gajo chegar a um festival do marisco e aquilo ter acabado de fechar portas, é um galo do camândrio! Olha, fomos às imperiais, para vingança! E como ali já tínhamos visto o que (não) tínhamos de ver, ala para Santiago! Chegámos também cedo, a aplicação tinha vários locais para estacionar a carripana, mas ou o cabrão do GPS estava doido, ou sei lá, mandáva-nos sempre para parques de estacionamento subterrâneos, o que calcularão não é o mais apropriado para uma viatura daquelas... Bom, voltas e voltas que nos deram um conhecimento de guia profissional depois, lá encontrámos um local muito bom, no campus universitário a cerca de 500 metros da catedral, sossegado, que se verificou ter apenas um inconveniente, durante a noite: Choveu e como estávamos sob as árvores, a água caía em pingas amodes assim como bolas de golfe e a noite foi um pouco agitada, mas sem problema de maior. Tínhamos a recordação, de uma visita anterior há mais de 25 anos, das tascas próximo da catedral e dos petiscos e foi para onde embicámos. Pronto, foi o único barrete, mas vivendo e aprendendo... Desde camarões ao alho vindos directamente do pacote dos congelados, a ameijoas com molho de guizado, imaginem como estava o polvo e o resto que já nem me lembro do que foi. Safaram-se as patatas, vá lá...

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Lembram-se que vos disse lá atrás que o nosso destino era os Picos da Europa, portanto havia que seguir, que o tempo não estica e a distância é muita, mas como na passeata nocturna por Santiago nos ofereceram um folheto sobre Finisterra, conforme o pensámos, melhor o fizémos e toca de fazer um "desviozinho" (andar a passo de caranguejo a bem dizer) ao ponto mais ocidental de Espanha, à Costa da Morte, ao Cabo Finisterra, onde viemos a saber (vivendo e aprendendo) termina qualquer peregrinação a Santiago, de modo que vinte e quatro horas por dia se vêem peregrinos a subir e descer a encosta até ao marco Zero de Santiago, a pé ou de transporte.

Pelo caminho, que se fazia hora disso, fizemos um almocinho a bordo, "dentro de água" em Muros, que, acho que já vos disse, sempre que possível a viagem foi feita pela costa. E junto à costa também, demos de caras com uma maravilha, um rio que desce em cascata até quase ao mar, donde dista nem 500 metros, em Ézaro, antes de uma povoação com um nome esquisito, CEE. Coisa estranha...

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Aí, na CEE, abastecemo-nos no supermercado e seguimos então para o Cabo Finisterra, já a noite se fazia anunciar. Apesar da curta distância, o dia foi-se rapidamente e chegámos lá acima, ao farol, já a noite tinha ganho a disputa, como podem verificar pelas fotos:

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Se por acaso fizerem uma viagem com um meio de transporte semelhante a este que nos deu boleia, saberão que há que encher o depósito de gasóleo, mas também o depósito da água e despejar o das águas sujas, bem como a cassette do wc. Para o gasóleo há as bombas de gasolina mas isso já devem saber, para as restantes tarefas há locais próprios que terão que procurar, mas há parques gratuitos que possuem estas facilidaddes e algumas bombas de gasolina também. Vem isto a propósito do estacionamento para pernoitar; É conveniente não descurar estes pormenores e a segurança. No Verão há sempre mais companhia, mas também há menos espaço livre para estacionar, logicamente. Nesta viagem e nestes locais junto ao mar, com muitos portos e marinas, foram estes os locais preferencialmente escolhidos e não nos demos mal. A partir daqui deixámos o mar (viríamos a encontrá-lo na paragem seguinte, na Corunha e depois de mais uma maratona, em Gijon), mas nunca tivémos dificuldade em estacionar em segurança.

Feito este "compasso de espera" (como se diz na gíria futebolística), siga a viagem. Depois de dormirmos no porto de Finisterra, ali mesmo à babuge do mar, saímos em direcção à Corunha, por AE (quase todos os que aqui vierem dar uma cuscada saberão, mas em 90% das AE não se paga portagem. Como cá, sim...), foi relativamente rápido, são cerca de 100km. Estacionámos num parque próprio, o único em que pagámos para estacionar, mas que ficava mesmo no centro e almoçámos umas "merdas". que estavam boas, por acaso! Como a Corunha pouco tem para ver e já por lá tínhamos andado, ganhámos coragem para nos pormos ao caminho até Gijon, que apesar de ser feito por AE, não deixam de ser quase 300 km. 400 e qualquer coisa km com o bolo rei nas mãos (desde Finisterra) não mata, mas desmoraliza um bocado, de modo que tivemos que afogar as mágoas numas garrafas de cidra e nuns bocadillos, enquanto dávamos uma volta nocturna pelo centro. A casa ficou numa ponta da cidade, junto à praia, bem acompanhada por mais uma dúzia de "comadres". Sítio muito bom, com um parque de merendas muito limpo que de Verão deve estar lotado, mas onde uns aceleras andaram até às tantas a fazer rallye...

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Pequeno almoço tomado, dia de rumar directamente aos Picos. De Gijon a Cangas de Onís, onde almoçámos (um entrecosto que fez a espanholada andar toda de nariz no ar) e depois uma saltada a Covadonga e subida aos lagos. Quero dizer-vos que a impressão que tinha dos Picos era de que eram grandes e imponentes, mas quando lá estivémos na outra viagem que referi lá atrás, fui de carro e a estrada já era estreita. Imaginem agora de autocaravana... Houve uma passageira que teve que mudar de lugar por causa das vertigens. É que aquilo é estreito, muito estreito, mas também é alto, muito alto, com ravinas que... uffffff. Chegámos até ao primeiro lago, a partir daí o guarda florestal aconselhou-nos a não arriscar, porque para além de estreito, provavelmente iríamos já apanhar a noite na descida e contrariadíssimos, principalmente a Mina que adorou ir no lugar do pendura na subida, descemos e novamente passando por Cangas, rumámos a Leon, atravessando os Picos a meio.

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Já se estava fazendo noite e era necessário encontrar lugar para parar a máquina e dormir. Paragem em Oseja de Sajambre para procurar poiso. Uma esplanada, já o dia se queria ir embora, consulta na aplicação por um sítio para parar. A pouco mais de 1 km, dizia, um local onde cabem 5 autocaravanas, sossegado. 'Bora lá, mas antes temos que lanchar, Que é que tem, ai não tenho nada, só bocadillos e tapas e tal. Olha, trás mazé um prato de presunto e queijo e cidra, que a gente trata disso! E assim foi, nem ar apanhou!pagos os 15 Euros pela pratada de jamon serrano e queso de oveja e dos botellas de cidra (de lá veio uma caixa de 12 que já foi toda), vamos lá encontrar o local. Nem dez minutos e lá estava ele. Não era bom, era espectacular!   Imaginem estas três alminhas, sózinhas, no meio de nenhures dentro de uma autocaravana, escuro como bréu, sem se ver um palmo em frente do nariz, a escutar o barulho de um riacho no fundo da ravina, o barulho da bicheza toda, grilos, mochos, ralos, sei lá, uma barulheira que se silenciou de repente e que só foi quebrada durante a noite com o uivo dos lobos. É de facto espectacular!

De manhã apareceram as cabras selvagens, a beber no riacho. Belo aperitivo para o pequeno almoço.

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Partida em direcção a Leon, ainda por estrada de Montanha até à barragem de Riaño, mais um local, já quase no sopé dos Picos, a visitar pela enorme lagoa artificial lá no alto. E pelo caminho,  num pueblo de que não me recordo o nome agora, demos de trombas com uma queijaria artesanal, onde enfeirámos uns belos queijos de ovelha e um requeijão que nos soube pela vida. A distância não é muita, mas atendendo ao tipo de estrada (30/40 km/h em pelo menos metade do percurso de 120km), chegámos a Leon já perto da hora de almoço. As senhoras foram às compras e o motorista foi dando andamento ao almoço, elas compraram umas coisas e almoçámos ali junto ao rio, mais uma vez próximo do centro, dez minutos a pé, num parque grátis apenas para autocaravanas. Visita rápida e já por volta das quatro da tarde pensámos em sair em direcção ao Gerês, à Portela do Homem. São cerca de 250 km, mais coisa, menos coisa, uma boa parte por AE, mas outra é por "caminhos de cabras" e essa parte foi feita já de noite bem cerrada. Bom, fez-se, com recurso ao GPS, mas a "miúda" às vezes é lenta e manda-nos sempre pelo caminho mais curto, que por vezes não é o adequado ao veículo... mas também, só agora me lembrei que não lhe dissemos que íamos de casa às costas! Realmente...

A gente já tinha passado, numa das vezes que saímos pelo Gerês, por umas termas de água quente, mas nunca parámos, o destino era sempre outro, mas a Isabel conhecia, já lá tinha ido em pequena, que o pai era do Gerês e ela tem lá família, gente boa por acaso, e então "embicámos" para o Gerês, mas com a intenção de ficarmos nos Baños. E consultada a aplicação, não falhou, lá estava a indicação de um local para parquear, que foi o que fizemos, já era bem tarde. Jantámos, já nem me lembro o quê e ainda por lá andava gente de roupão na rua a molhar o rabo na piscina de água quente, de acesso livre. Também há umas termas, com hotel e essas coisas das termas que todas elas têm, vocês imaginam...

 

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O dia amanheceu farrusco, mas depressa o sol apareceu com pujança e antes do pequeno-almoço já estava dentro de água. Pensava eu que era madrugador, mas já lá estavam uma meia dúzia de compatriotas, cujo tema de conversa era as adaptações que fizeram nas suas autocaravanas e o custo das mesmas e sem discriminação de género, eles e elas eram (pareceu-me a mim que do assunto nada sei) entendidíssimos na matéria. Mas também, um gajo está de molho em água entre os 80 e os 40 graus (á entrada e à saída), se não quer dar em doido, tem que falar de qualquer coisa.

Banho caprichado, e já depois duma telefonadela para o Gerês, lá fomos ter com os primos da Isabel, a Benvinda e o Abílio que nos receberam em sua casa (que tem uma vista para a serra que é de cortar o pio). Visitar o Gerês com guia é outro luxo e conhece-se recantos que o comum dos turistas nem imagina que existam. A visita terminou a apanhar castanhas, algumas maiores que bolas de golfe.

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Passámos a noite aí e logo pela manhã uma directa até Tomar, que era preciso trazer os pais para casa. E de repente já era Domingo e já tinham passado nove dias. 

Mil duzentos e oitenta quilómetros depois, estávamos na Ericeira de novo, sem qualquer problema ou avaria, depois de uma aventura para a qual gostaria de ter engenho para contar de melhor forma, mas parece-me que conseguiram ver aqui um bocadinho duma semana muito bem passada.

A quem estiver tentado, recomendo. Com este itinerário tão extenso em tão pouco tempo talvez não, mas uma coisa mais perto, um fim de semana prolongado, aconselho vivamente. É uma experiência diferente, mas interessante.

 

Nota final 1: Caso interesse, a aplicação que melhor nos serviu foi a park4night (play store da google), tem indicações precisas, localização georeferenciada e encaminhamento por gps.

Nota final 2: Mais uma vez os nossos agradecimentos à Paulinha e ao Diogo, por nos terem emprestado a máquina. A quem interessar, eles alugam. Se for caso disso, é só perguntarem aqui nos comentários e deixarem o mail, para contacto.

Nota final 3: Desculpem o arranjo das fotos, mas têm tamanhos e formas diferentes e a habilidade não é muita...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A impunidade gera o desleixo

 

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A impunidade gera o desleixo e a falta de acção punitiva agrava o problema. Esta máxima inventada agora mesmo por mim, aplica-se a muitas situações da vida, mas assenta que nem uma luva à situação caótica da deposição ilegal, indevida e abusiva de resíduos, sejam eles quais sejam, um pouco por todo o lado e um pouco por territórios de quase todos os municípios. Grande parte dos resíduos resultarão, as organizações de recolha já o disseram, de um maior poder de compra dos cidadãos, logo numa maior produção de resíduos e numa deficiente capacidade de resposta nalguns municípios, que estão subdimensionados para a realidade actual, mas é muito responsabilidade dos cidadãos individualmente e também das empresas, principalmente das pequenas empresas de construção civil e das lojas de móveis e remodelações, que impunemente depositam tudo o que é resíduo do seu negócio, ao lado do contentor mais próximo. E isto acontece porque as câmaras municipais se eximem da sua responsabilidade de fiscalizar, por falta de meios humanos a maior parte delas, ou de uma política de efectivo combate à criminalidade (convém lembrar que estas acções de despejos são um crime ambiental à face da Lei) e porque quem legisla não se tem preocupado muito com este problema, grave. Disse atrás que estas deposições, para além de ilegais, são crime, o que quer dizer que o particular ou empresa que for identificado a depositar ilegalmente resíduos, será alvo de um processo contra-ordenacional, que corre trâmites que demoram eternidades a ser resolvidos e os seus autores continuarão impunemente a depositar resíduos da mesma forma.
Se calhar pedia-se a quem legisla uma alteração simples à Lei. Se calhar se se simplificasse a actuação das autarquias junto dos prevaricadores, fazer sentir a quem não cumpre que se for apanhado em flagrante, logo ali, como se faz ao condutor de um automóvel que conduz em excesso de velocidade, se for obrigado a pagar uma coima de valor exemplar e a levantar os resíduos e depositá-los em local apropriado, no limite a apreender-lhe a viatura onde transporte os resíduos, provavelmente as deposições ilegais diminuiriam. Não acabavam, obviamente, que os automobilistas também não deixam de conduzir em excesso de velocidade, mas perante o risco de ficarem sem viatura e o pagamento de algumas centenas, largas, de Euros, pensassem duas vezes em prevaricar. O mesmo serviria para os cidadãos individualmente, que têm hoje, na maioria dos municípios, mecanismos de recolha combinados com as empresas, que a maioria nunca utiliza, precisamente porque se sente impune e no direito de conspurcar o território que é de todos. Até dos cidadãos cumpridores, que não têm que sofrer com a falta de civismo dos seus vizinhos.
Haverá uma outra forma de evitar, talvez, a actuação nefasta de algumas empresas que usam e abusam da deposição ilegal de RCD's (resíduos de construção e demolição) e também empresas de jardinagem e que é revolucionar a política fiscal. Quem recorre aos serviços de um profissional ou pequena empresa para a "obras" lá de casa ou a conservação do jardim, raramente quer factura pelo serviço prestado, porque embora nalgumas circunstâncias o valor seja baixo, não deixa de não levar um acréscimo de 23%. O que acho que devia ser feito a este nível, era a diminuição da taxa de IVA para remodelações e outras intervenções nas habitações até, p.e. 5000€, para 6%. Uma taxa acessível, que o prestador do serviço exigiria cobrar e que seria exactamente o valor que o mesmo pagaria pela deposição em local certificado. Pode considerar-se um valor irrisório pela deposição, mas contabilize-se quanto custa a remoção de uma tonelada de resíduos da rua até chegar ao local de deposição e façam-se contas. Assim de repente: Um camião, dois trabalhadores, combustível, tempo, o custo da deposição e no final ainda provavelmente um trabalhador para varrer os restos.
Não se pretende com isto inventar a roda, mas se todos estiverem interessados em alterar o paradigma, talvez se consiga acabar ou pelo menos minimizar o flagelo que grassa um pouco por todo o país. Se tiver que ser com repressão, que seja!