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SE A INÊS SABE DISTO!

Sabiam que Agatha Christie era surfista?

Agora que os surfistas puderam voltar finalmente ao mar nada mais a propósito do que dar-vos a conhecer, para os que ainda não sabiam, de uma informação muito curiosa. É que Agatha Christie, a escritora britânica que todos conhecemos pelos seus romances policiais era também uma amante do surf como comprovam as fotos.

Em 1922, durante uma expedição de 10 meses na companhia do marido, um pioloto inglês de nome Archibald Christie, Agatha viajou pelo Hawai, Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e África do Sul. Numa dessas viagens, decidiu começar a praticar surf, mais precisamente nas ondas da Cidade do Cabo, em África do Sul. A sua estreia neste desporto foi detalhadamente descrita nas cartas que escrevia semanalmente para a sua mãe, e também na auto-biografia, "The Grand Tour". Eis o excerto:

"Como os meus conhecimentos de geografia eram fracos, nunca tinha percebido que a Cidade do Cabo estava numa península e, por isso, fiquei muito surpreendida quando saí do comboio e me encontrei outra vez ao pé do mar. Havia pessoas a tomar banho, o que me encantou. Tinham pequenas pranchas curvas com as quais deslizavam sobre as ondas. Ainda era muito cedo para o chá. Fui até ao pavilhão de banhos e, quando me perguntaram se queria uma prancha, disse-lhes: ‘Sim, por favor’. O surf parece ser muito fácil. Mas não é. E não digo mais. Fiquei furiosa e praticamente atirei a prancha para longe. Mas decidi que voltaria na primeira oportunidade para tentar outra vez. Não me dava por vencida. Por engano, acabei por dar mais uma volta na prancha e fiquei felicíssima. O surf é assim. Ou ficamos furiosamente a praguejar ou totalmente satisfeitos com nós próprios. Por vezes foi doloroso, mas no geral foi um desporto fácil e muito divertido ". 

 

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A primeira tatuadora reconhecida nos Estados Unidos

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Maud Stevens Wagner nasceu no Kansas, Estados Unidos, em fevereiro de 1877. Com poucos anos de vida estreou-se nas artes circenses, como trapezista e contorcionista. Era nómada por obrigação, rebelde por opção! Em 1904 conheceu Gus Wagner, um tatuador que se apresentava como “o homem artisticamente mais marcado da América”. Tinha 264 tatuagens e morreu de amores quando viu Maud pela primeira vez. E foi quase recíproco. À troca de alguns ensinamentos sobre técnicas de tatuagem, a jovem circense aceitou um encontro romântico com ele. Casaram algum tempo depois! Da união nasceu Lovetta. Maud acabou por deixou o circo e decidiu aprimorar, com o marido, uma técnica artesanal de tatuagem, conhecida como “handpoked”, onde o desenho é criado, ponto por ponto, sem o uso de máquinas eléctricas. Ela acabou por ser reconhecida como a primeira tatuadora americana. Preferia desenhos patrióticos, animais (macacos, borboletas, leões, cavalos, cobras), árvores e a imagem de mulheres. Tatuou também o seu próprio nome no braço esquerdo. Entrou para a história mas acabou por falecer, em janeiro de 1961, com 83 anos, sem nunca ter assistido à verdadeira abolição do preconceito contra a arte de tatuar.

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Justiça em alta?

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Confesso que sou muito céptico em relação a condenações de poderosos, em processos-crime ou outros, pelo histórico deplorável de décadas de favorecimento, encobrimento, impunidade e conivência mais ou menos encapotada de quem ajuíza (deveria ajuízar) para com quem deveria ser julgado com imparcialidade e no cumprimento das regras e Leis vigentes, que, coitadas, tanto foram atropeladas durante tanto tempo.

Pode parecer ilusão, pode-se pensar que será apenas para inglês ver, mas parece que o paradigma está a alterar-se. 

Neste momento, por razões diversas, um ex-primeiro ministro, o ex-maior banqueiro do país e dois juízes desembargadores, estão a ser investigados pela justiça, para além de outros poderosos.

Provavelmente nem o mais optimista dos leitores desta página, há meia dúzia de anos, se atreveria a pensar que isto pudesse vir a acontecer, quanto mais num tão curto espaço de tempo.

Por enquanto tudo está ainda no campo da investigação e qualquer destes investigados é, à luz da Lei, presumivelmente inocente; No entanto, como dirá o Povo, onde há fumo há fogo e permito-me deduzir que ao avançar para tão complicados quanto mediáticos processos, a investigação não se exporia ao ridículo de acusar gente tão poderosa, até porque lhe compete a ela, investigação, demonstrar a culpabilidade dos ora constituídos arguidos, como a Lei determina e eu acho que deve ser, sem que tivesse algo de muito sólido.

É comum dizer-se que existe uma justiça para os ricos e outra para os pobres. Sem dúvida e exemplos disso são mais que muitos, desde logo pelo acesso à própria justiça, que sendo caro, impede os que têm menos posses de a ela aceder, mas essa é outra face da justiça, importante, mas que nada tem a ver com este facto novo. Hoje a investigação, nomeadamente a Polícia Judiciária, instrui casos bastante bem fundamentados e deduzo que com basta prova, que se sustentarão solidamente em julgamento, presumo.

Os mais pessimistas poderão temer que tudo se fique por águas de bacalhau, mas mesmo que assim aconteça, que o Estado não consiga provar a acusação deduzida, foi ultrapassada uma barreira que parecia ser impossível de transpôr. Hoje os poderosos sabem que também lhes pode tocar a eles serem investigados, e condenados se forem culpados; Pode parecer qualquer coisa sem importância, mas a mim parece-me uma verdadeira revolução.

Recalcamento?

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Peço desculpa pelo mau francês, mas depois de ter lido partes do acórdão que ilibou o boneco animado que um dia já foi ministro da cultura deste país, do crime de violência doméstica, não posso chegar a outra conclusão: A juíza terá levado, algures durante a sua infância ou adolescência, nos cornos! E é de tal forma grave, que a deferência demonstrada para com o "senhor professor", só será comparável à obediência a que porventura terá sido obrigada pelo progenitor, o que terá condicionado a sua forma de ver o mundo.

Este acórdão será comparável talvez apenas com o do juíz Moura, o tal que acha bem que uma mulher adúltera seja sovada e quiçá, se o "ofendido" for disso, lapidada até ao último suspiro. Esta juíza Ferrer, de quem foi pedida excusa pela acusação e até pelo ministério público (o que provavelmente será caso de Guiness - o livro, não a cerveja), não lhe fica atrás e atira com algumas pérolas como: “...uma mulher destemida e dona da sua vontade”, pelo facto de não ter ido imediatamente à polícia ou à medicina legal, é prova de que não houve agressão, já que alguém com aqueles predicados era o que faria de imediato, ou "a senhora procuradora diz que não tem (Bárbara) de se sentir censurada. Pois eu censuro-a! É que se tinha fundamento para se queixar, devia tê-lo feito", (quando a queixosa disse ter tido vergonha de admitir que era agredida) enveredando por uma conclusão de alguém que não vê um boi do que é o crime de violência doméstica, comprovado quando Ferrer, que sempre tratou (embevecida) o arguido por "senhor professor" e a queixosa por "Bárbara", larga esta pérola: "Causa-me alguma impressão a atitude de algumas mulheres (vítimas de violência), que acabam mortas".

Para a juíza Ferrer, além do crime de ser “uma mulher destemida e dona da sua vontade”, Bárbara é ainda condenada pelo crime de ter "vergonha".

E para fundamentar de forma sólida e irrepreensível este acórdão, que não fica nada a dever ao do Neto de Moura, a juíza Ferrer chama aos autos as declarações prestadas pela agredida nas revistas ditas "sociais". Que como todos sabemos, o que mais espelham é a realidade e a verdade! E então como a agredida disse um dia a uma revista que era feliz no seu casamento, vai de tomar isso como verdade absoluta e fazer destas "declarações" a prova irrefutável de que Barbara estaria a mentir.

A Ferrer sofre de um qualquer recalcamento, é uma conclusão a que se chega, talvez porque ela própria se reveja lá no fundo, coitada, no calvário que Bárbara passou e também ela, “uma mulher destemida e dona da sua vontade”, tenha "vergonha" de admitir que foi de alguma forma agredida. Um dia, numa entrevista, dirá que é feliz com os seus gatos, porque lá no fundo, a agressão de que foi vítima, não a deixou confiar num homem. 

E despedir-se-á com um "Heil!"...

 

 

Nota1: Noutro julgamento, Manuel Maria Carrilho foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão, pelo mesmo crime de violência doméstica, praticado depois do casamento (e outros crimes associados) contra a mesma Bárbara Guimarães. Com outro juíz, claro está.

Nota2Ferrer foi rigidamente educada pelo pai, militar, com quem visitava o campus, aprendeu a montar a cavalo e que vigiava a sua aprendizagem. É apoiante confessa do nazismo e de algumas figuras do regime fascista alemão, chegando a ter fotos de algumas delas no seu gabinete. Segue religiosamente os jogos da selecção alemã e ambiciona acabar os seus dias na Alemanha. Vive com a Frida, uma gata e trata de mais uma vintena de felídeos.

Nota3: Na leitura da sentença, sem que tivesse qualquer prova que o confirmasse, a juíza Ferrer considerou provada a acusação de Carrilho de que a ex-mulher é alcoólica, proferindo: "Este tribunal alerta: a existir, efectivamente, um problema instalado e antes que ocorram danos irreparáveis para próprios e terceiros inocentes, cumprirá, reconhecê-lo com objectividade, enfrentá-lo com medidas de apoio e solucioná-lo". Isto sim, é duma mulher destemida!

Nota4: Em Fevereiro de 2016, acusação e ministério público invocaram falta de imparcialidade e pediram a excusa da juíza, prevendo um resultado tendencioso. Foi o que veio a acontecer. Quod erat demonstrandum.

 

Como transformar uma van numa habitação

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De livre vontade jamais abandonaria o conforto da minha casa para morar numa van. Nunca tive espírito nómada e duvido que quem o faça, a páginas tantas, não sinta falta de um porto seguro, de comodidades que é impossível encontrar numa "habitação portátil", por muito bem apetrechada que seja. Mas a ideia de passar uns dois meses a viajar pela Europa nesse contexto passa-me recorrentemente pela cabeça. Vai daí, resolvi partilhar convosco a história de Zach Both. É inspiradora quanto baste para fazer-nos, pelo menos, sonhar com ela...

Aos 23 anos Zach Both trabalhava em Boston como director de arte para uma star-up de impressão de arte em 3D. Gostava do que fazia mas passar o dia sentado numa secretária causava-lhe uma espécie de "nervoso miudinho permanente", como ele gosta de descrever. Sempre sonhou ser cineasta e era esse agora o plano que se seguia. Um dia, no meio do balanço entre os prós e os contras de trocar a estabilidade por uma vida de risco, assistiu a um vídeo do alpinista Alex Honnold, que reside numa van personalizada e viaja de montanha em montanha. Deu-se o click! No final de 2014 investiu 3900 dólares numa van Chevrolet Express e, com a ajuda do pai, transformou aquilo que era um mero bloco de ferrugem numa verdadeira casa sobre rodas. 

Em Julho de 2015 iniciou a viagem em direcção ao oeste americano. Na mala pouco ou nada levou! Na rota incluiu vários pontos dos Estados Unidos numa aventura que baptizou de  "cool creative roadshow". A intenção era viajar e, sobretudo, ir colaborando com artistas locais em curtas-metragens. E como em todas as boas aventuras, também nesta houve percalços e situações inusitadas. Ficou preso em estradas no meio do nada, sem combustível, e passou o Natal com uma família que conheceu em Washington. No fundo, viajou por onde quis e bem lhe apeteceu. 

Mas como é óbvio, na vida real nem tudo acontece como nos guiões cinematográficos. Percebeu que ia ser difícil encontrar apoio para os seus projectos cinematográficos nos meios rurais e decidiu mudar o rumo da história. Foi para Los Angeles onde começou a trabalhar em networking e fez um curta-metragem, "Unseen, Unknown". Com uma grande diferença em relação à maioria dos cineastas...depois das gravações, Zach nunca ficou num estúdio, atrás de uma secretária, a editar o filme. Subia até ao Parque Nacional Joshua Tree ou até às montanhas acima de Santa Barbara, na Califórnia, e foi de lá, na sua van, que editou o filme, num computador portátil. A paisagem inspiradora deu-lhe pontos de vista que a secretária de um escritório em Boston jamais poderia dar. Não deixem de passar pelo site The Vanual, criado por Zach, que serve de manual online, com todas as etapas de transformação de uma van. Muito prático e mesmo bem conseguido!

Hit the road Zach...

 

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FOTOS: ZACH BOTH