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Se a inês sabe disto

Água fria que o sol aqueceu

 

Chegámos a Caneças em 1981.

As ruas do bairro eram ainda de terra e a água e a electricidade eram "da obra" e assim se mantiveram por algum tempo, não sei precisar.

Em 1981 nós tínhamos 21 anos e o meu ordenado era todinho para a prestação do apartamento da Rua de Timor , Lote 8, 2.º Dt.º. Dezassete contos e duzentos, por um apartamento que custou dois mil e cem contos. É ridículo estarmos a falar destes valores (à volta de 85 Euros e dez mil e cem Euros) depois de termos vendido uma casa por um valor muito simpático, que nos custou a construir, quinze anos depois, em 1995, cerca de vinte mil contos (cem mil Euros). Para quem for mais novo, para perceber um pouco as coisas, a inflacção cavalgava a 30% ao ano. O meu ordenado de 17.200$00 em 1981, um belo ordenado diga-se, era em 1990 de cerca de 150.000$00, cento e cinquenta contos.

Adiante, que já estão situados.

1981 e ainda durante alguns anos, era o tempo de se telefonar para caneças e marcar o 980 e atender a "menina" e nós pedirmos "ligue-me à Teresa Paula, fáxavor" e a resposta ser "não vale a pena que ela não está em casa, ainda agora liguei para lá e não atendeu". Ou seja, a telefonista conhecia as pessoas e sabia os números (o nosso era o 9801696) de praticamente todos os assinantes.

Foi ali que nos dedicámos à vida em sociedade, à colectividade, na Junta de Freguesia, no Botafogo, nos Bombeiros, na Creche 25 de Abril, na Marcha de Caneças, pro bono, em prol da comunidade, foi ali que encontrámos gente de quem ficámos amigos, uns mais chegádos outos menos, como é natural. Não podemos deixar de referir a Teresa Paula, que nos cuidou dos filhos como se fossem dela. A Celeste, a irmã, A Crisanta e o Albano, um casal maravilha e muito sui géneris que se identificava em qualquer ajuntamento por um assobio; As manas Lélé e Nana e o Lóis e o Quim da Nana, porque havia o Quim da padeira, e o Virgílio ("nunca trabalhou só agora é que avariou") infelizmente falecido e o "eterno" tesoureiro do Botafogo (sério e de boas contas), O Figueiredo das bicicletas, sei lá, o Ti Mário, amigo do peito, o irmão Zé Vargas, o Carlos Costa e a Clara do Céu, o irmão Luís do Céu, ainda hoje um grande amigo. O António Maria Balcão, um homem do Alentejo com um coração do tamanho do Mundo, o Galvão e a sua calma, também um homem extraordinário, a Sara Sacavém. O Kekas e a Cila, amigos verdadeiros e o Domingos Tomé e a Maria Adélia, de quem sentimos uma anorme saudade, que foram um caso raro (e "são", apenas com o Domingos agora) de uma profunda amizade improvável. E os nossos vizinhos destes últimos 23 anos, uns mais que outros, gente boa e simpática, a Adélia e o Joaquim, o António e a esposa, o Ilídio que anda mais por Angola, mas sempre que regressa é um compincha de horas de conversa (ele fala...), o "brasuca" Tiago, um mago das electricidades nos automóveis e o Paulo e o Chico e a D.ª Antónia, o meu colega de emprego Luís, o Rui que me foi tratando dos carros ao longos dos anos, enfim, queria ser breve na despedida, mas vão ficar muitas pessoas a quem devemos alguma coisa, esquecidas neste postal.

Foram 38 anos de vida numa terra que nos deu dois filhos e já dois netos, plenas de actividade política e associativa, à qual demos o melhor de nós próprios, onde fizemos amizades profundas e, como não podia deixar de ser, talvez algumas inimizades, faz parte... Não deixa de ser chato quando as más-línguas vêm dos nossos e nisso fomos bem castigados, mas sempre mantivemos a mesma postura e a nossa forma de encarar as coisas, sem palas e com espírito crítico. Se pensaram que nos prejudicaram, descansem, só nos retiraram algum peso de cima.

Não saímos com mágoas, valorizamos antes as pessoas, as verdadeiras amizades que fizémos, os miúdos que "vimos" nascer e crescer e que se fizeram mulheres e homens, que isso é o que realmente conta.

Começamos agora uma nova etapa da nossa vida, numa nova terra, num sítio que adoramos, voltando ao início. Sem filhos, uma casa nova e novas perspectivas. Bom, com filhos adultos e com netos, que se hão-de pendurar na casa dos pais e dos avós, mas isso a gente até agradece.

Raios, que eu deveria escrever tanto, que tanto haveria para escrever, mas depois os meus amigos não liam e o que se pretende é que pelo menos sintam um pouco da nossa nostalgia e ao mesmo tempo do entusiasmo de uma nova fase que esperamos seja melhor que a anterior.

Isto resumido, mesmo espremido, é isto: 38 anos e parece que foi ontem que lá chegámos, com o nosso Honda 360...

Festival do Ouriço-do-Mar está de regresso à Ericeira

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E já vamos para a 4ª edição. Os cozinheiros sempre o desejaram. Os conhecedores do mar sempre o procuraram. Os locais que têm a sorte de tê-lo como produto local sempre o respeitaram. E quem o provou raras vezes não se rendeu ao sabor intenso e único de um ouriço-do-mar. Por tudo isto e porque as edições anteriores deste evento foram um sucesso, a Ericeira volta a receber mais um Festival Internacional do Ouriço-do-Mar da Ericeira, entre 23 de março e 08 de abril de 2018.

Como em todos os anos, esta será mais uma oportunidade rara para marcar um primeiro encontro com uma das iguarias marítimas mais desejadas do momento ou aprofundar uma relação já existente. Será possível ver de perto a forma como é cultivado, produzido e comercializado através de visitas e palestras com oradores especialistas – ou confirmar o compromisso com um produto que provavelmente vai conquistar-nos para sempre. 

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Logo no dia 23 de manhã, destaque para as jornadas técnicas, com a presença de investigadores nacionais e internacionais, um show cooking, nos dias 24 e 25 de março à tarde, no Mercado Municipal da Ericeira com cozinheiros conceituados, como Vasco Lello, Rodrigo Castelo, Bertílio Gomes, Marco Martini, José Pinheiro, entre outros e uma mostra gastronómica com a possibilidade de experimentar as sugestões dos 22 restaurantes aderentes durante todos os dias do festival.

O projeto Go Foodies participará com a iniciativa Vamos à Maré (idas na maré vazia à praia de Ribeira de Ilhas acompanhadas pelo cientista Ricardo Melo para observação, identificação e apanha de ouriços-do-mar e algas).

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Desde a sua primeira edição, em 2015, que o Festival Internacional do Ouriço-do-Mar da Ericeira pretende valorizar um produto muito especial que, cada vez mais, contribui para a chamada economia do mar ao estar relacionado com temas tão actuais e importantes como preservação de recursos, biotecnologia e biodiversidade. Mas, acima de tudo, a missão do festival é divulgar uma iguaria que, apesar de já estar no nosso coração, queremos sempre conhecer melhor. Não faltem!

Go Foodies segue viagem para Madrid

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Depois de um primeiro evento de lançamento realizado nos Açores, com o menu 5 Algas 5 Cientistas 5 Pratos, a Go Foodies World Tour prossegue a sua rota com uma primeira paragem internacional. A cidade escolhida foi a capital espanhola, nos dias 22, 23 e 24 de Janeiro – data da realização daquele que é um dos eventos gastronómicos de maior importância do país vizinho, o Madrid Fusión (e que conta com a participação de conceituados chefs portugueses).

Alinhada com este certame gastronómico de impacto não só europeu como mundial, a Go Foodies World Tour vai instalar-se no restaurante M29 (o restaurante do Hotel Miguel Angel by BlueBay) para apresentar 3 jantares, nos três dias acima indicados, com um menu criado por Nuno Nobre em parceria com o premiado chef Manuel Prats que foi um dos chefs internacionais convidados na 1ª edição do Festival do Ouriço-do-Mar, realizado na Ericeira. Serão 5 pratos protagonizados pelo ouriço-do-mar e o seu principal alimento, as algas. A harmonização vínica ficará a cargo do produtor português Joaquim Arnaud e Quinta dos Plátanos. Além da excelência de um menu totalmente dedicado ao mar – tema central desta Go Foodies World Tour – os jantares terão um acompanhamento científico em parceira com a Algae4us para uma maior consciencialização da crescente importância das algas à mesa e do respeito que um produto tão nobre como o ouriço-do-mar merece – tema que será certamente aprofundado na 4ª edição do Festival do Ouriço-do-Mar, a realizar na Ericeira em Março de 2018, e que conta também com a organização e expertise da Nuno Nobre Consultoria.

Um encontro de saberes e sabores, ingredientes e savoir faire que pretende aproximar cada vez mais, gastronómica e culturalmente, dois países que partilham muito mais que uma península.

 

Há novidades gastronómicas!

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O projecto Go Foodies, sobre o qual já falámos algumas vezes aqui no blog, foi apresentado em 2017 e agora vai iniciar, em 2018, uma programação regular e mundial, eu diria que irresistível, para todos os apaixonados pela gastronomia. O tema que se apresentou como imprescindível e unificador não podia ser outro: o mar! E o tanto que ele nos dá.

Assim sendo, impunha-se agendar uma World Tour, que levasse esse nosso mar a algumas das cidades mais importantes do mundo. A digressão começa já no próximo dia 18 de Dezembro, data em que se realizará um evento Go Foodies que terá como protagonistas as algas dos Açores. Realizado in loco, pretende unir a observação, a apanha e a interpretação de um produto que é cada vez mais valorizado, tanto dentro como fora de Portugal. Combinando a expertise dos maiores cientistas da área no nosso país com a degustação, haverá um jantar temático intitulado 5 Algas, 5 Cientistas, 5 Pratos que promete ser tão didáctico quanto delicioso. 

No mês seguinte é a vez de Madrid receber – por altura da realização do mega evento gastronómico Madrid Fusión 2018 – entre os dias 22, 23 e 24, a “nossa” Ericeira e um dos produtos mais incríveis que o seu mar nos traz: o ouriço-do-mar. Em colaboração com o já famoso Festival do Ouriço-do-Mar, que se realiza todos os anos na Ericeira, serão organizados três jantares, com base nesta iguaria cada vez mais apreciada pelo mundo fora. Como sempre acontece nos eventos Go Foodies, haverá ainda uma apresentação científica (onde não faltarão referências à cada vez mais importante questão da sustentabilidade) do produto. 

Com presença também garantida no âmbito da Alimentaria 2018, no mês de Abril, em Barcelona, e com uma série de outros eventos já agendados pela Europa e pelo mundo, o Go Foodies World Tour vai marcar o próximo ano com eventos que prometem aproximar os portugueses ainda mais do seu mar e dar a conhecer fora de portas o porquê desta intensa relação nacional com tudo o que o oceano nos dá. Sem dúvida, um projecto que vamos acompanhar. 
 

Na Ericeira há um lugar onde se come mesmo bem!

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Ali meio escondido na zona onde atracam os barcos de pesca da Ericeira, na Praia dos Pescadores, existe um restaurante com estreita ligação ao mar. Até no nome. O Snack-Bar Clube Naval da Ericeira é, para nós cá da terra, o cantinho do Paulo e da Almerinda. Há uns anos era quase o segredo mais bem guardado para os moradores da vila, um lugar de eleição para petiscar e passar horas à conversa com os amigos, o único lugar aberto noite dentro para que os pescadores pudessem sair para o mar de estômago reconfortado. Sempre num ambiente descontraído, com janela aberta para o mar, esse cantinho ganhou fama e tornou-se também uma referência fora de portas. Mas o charme e o carisma mantiveram-se intactos. Isso garanto-vos! Mérito do casal que fez nascer esta casa e agora também da Vanessa, a filha de ambos. 

Beneficia de uma localização privilegiada, é certo! Mas não fosse a ementa uma deliciosa viagem pelos sabores mais tradicionais, isso pouco valia. Embora, por razões óbvias, os pratos de peixe sejam a aposta forte do menu do dia, existe quase sempre uma opção de carne. A raia frita com açorda de ovas, confesso, é dos meus pratos favoritos. E a técnica da Almerinda no preparo desta iguaria não é para todos.

Se quiserem saber qual é a ementa do dia, basta fazerem uma visita à página oficial do restaurante aqui. Está sempre actualizada. O espaço é pequeno, acolhedor e a decoração foi recentemente renovada. É provável que em certos dias tenham de esperar para conseguir mesa, mas garanto-vos que vale a pena. Deliciem-se com as imagens...

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