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Se a inês sabe disto

E lá prenderam o homem

As primeiras horas de Lula na cadeia

 

Com a negação do habeas corpus interposto pelos seus advogados, Lula lá foi dentro.

Não sem que antes proferisse um extenso discurso na sede do seu antigo sindicato, de onde saiu para a vida política.

Um discurso carregado de simbolismo e com destinatários directos: Os juízes do tribunal federal que lhe negaram o que está constitucionalmente previsto (convem recordar que à luz da lei, Lula está inocente, visto que há um recurso para um tribunal superior, não tendo por isso a sentença que o condenou a 12 anos e um mês transitado em julgado e não podendo ser preso por isso mesmo) e aos seus apoiantes.

A ambos reafirmando que é inocente (é tão verdade como o facto de o tribunal não ter apresentado quaisquer provas da sua culpabilidade em julgamento. Em Portugal nunca seria condenado, para se ter uma ideia da coisa, porque compete à acusação o ónus da prova), aos primeiros reforçando a sua determinação em demonstrar essa sua declarada inocência, numa posição de aberto confronto, legal mas principalmente político, porque este "julgamento" tem tudo de político e nada de legal. Não se tivesse Lula declarado candidato às presidenciais de Outubro próximo e não haveria julgamento sequer. Aos segundos dando alento e afirmando-se disponível para lutar ao seu lado por um Brasil melhor.

Ao afirmar, quase no final do discurso que  “Já não sou um ser humano, sou uma ideia e uma ideia não pode ser aprisionada. Um ser humano, sim. "Todos vocês vão virar Lula." Eles têm de saber que a morte de um combatente não pára a revolução”, deu um sinal para a luta aberta, que vai ter lugar, cedo ou tarde.

Aguardemos pelos próximos capítulos, e ver o que sai  do acampamento montado junto à cadeia de Curitiba onde se encontra.

Entretanto Temer, indiciado e com um extenso rol de provas em poder do ministério público continua presidente, depois do golpe de estado contra Dilma.

É o Brasil e os seus políticos, não se surpreenda.

O país da matança

Para quem ficou a pensar que ia ler alguma discorrência sobre a tradicional matança do porco, vai ter que esperar algum tempo que hoje vamos falar de outras mortes violentas.

Já aqui prestei homenagem a Marielle Franco, a vereadora do Rio de Janeiro executada há duas semanas.

Chega agora a vez de falar de Lula da Silva. Depois da tentativa de assassinato político, encenada em julgamentos fantoches alicerçados em provas sem qualquer fundamento (um apartamento que terá recebido que se provou não ter sido sequer sua propriedade), aconteceram já duas tentativas de assassinato à séria. A primeira, há uns dias, quando se verificou que um carro carregado de explosivos seguia o carro do ex-presidente e anunciado candidato à presidência do Brasil; A segunda, ontem, quando dois autocarros da comitiva de Lula foram baleados, no estado do Paraná. Felizmente não houve mortes a lamentar, mas os dois autocarros onde seguiam os jornalistas e convidados, foram atacados à bala. Lula saiu ileso, porque, talvez por precaução, seguia numa viatura ligeira, bem vigiada.

Depois do golpe de estado contra Dilma (Um parêntisis para afirmar que Dilma teve o mandato cassado apenas porque usou uma ferramenta corriqueira e legal por exemplo nos países da União Europeia, que foi a de alocar verbas do orçamento para rubricas para onde não estavam consideradas, sem desvios, sem roubos, sem nada na manga. Foi, a maioria considera-o, um golpe de estado), Ora depois deste golpe anti-democrático, perpretado por gente da direita mais reaccionária do Brasil, Temer incluído, essa direita revanchista, saudosista, com trejeitos ainda do tempo dos coronéis, que tinha sido remetida ao silêncio pelas políticas sociais de Lula, que tiraram mais de 80 milhões de brasileiros da pobreza absoluta conferindo-lhes direito a um salário, que criaram uma classe média com dinheiro e não apenas de estatuto, que colocaram o país, que até aí estava na bancarrota, no grupo dos dez mais ricos e poderosos do Mundo, essa direita fascista encontrou no processo de corrupção Lava Jato, forma de implicar Lula e por simpatia atacar o governo de Dilma. Sabemos o desfecho e como se chegou a ele. Com o que esta direita apoiada nos militares, que intervencionou o Rio de Janeiro com tropa de elite, reprimindo não os traficantes, mas o povo que clama por pão e justiça, não contava, é que mesmo desacreditado na "justiça", Lula é o candidato que segue isoladíssimo na frente nas sondagens para as presidenciais de Outubro próximo e tudo têm feito, com a conivência de juízes amigos, que tão céleres são a julgar os supostos crimes de Lula como são lentos a julgar os amigos, alguns acusados precisamente dos mesmos crimes, para impedir Lula de se apresentar a eleições.

O que esta direita podre que dominou o Brasil durante vinte anos (1964-1985) depois do golpe militar pretende, é o regresso ao passado. Convém ser rigoroso e não culpar apenas os militares pelo golpe de 1 de Abril de 1964; A mesma direita que hoje quer chegar ao poder a todo o custo, foi a que apoiou e nalguns casos liderou o golpe. Falamos dos grandes proprietários rurais, da burguesia industrial paulista,  grande parte da classe média urbana (que na época andava pelos 35% da população total do país) e o sector conservador e anti-comunista da igreja católica. E o Brasil viveu vinte anos que o fizeram regredir quase ao tempo da escravatura. Depois apareceu Tancredo Neves em '85 que abriu uma fresta e daí até às directas foi ainda um processo enorme de luta nas ruas, que culminou com a eleição de Lula, após três tentativas falhadas, devido ao sistema de cooptação (eleição indirecta).

Lula liderou o Brasil durante oito anos. De Janeiro de 2003 a Janeiro de 2011 e colocou os programas sociais no topo da agenda durante as duas campanhas e depois no palácio do Planalto. Desde o início, o seu principal objectivo era erradicar a fome. Criou o programa Fome Zero, que reúne uma série de programas com o objetivo de acabar com a fome no Brasil, incluindo a construção de cisternas na região do Sertão (onde chove quando o rei faz anos), além de ações para minimizar o flagelo da gravidez na adolescência, fortalecer a agricultura familiar, distribuir uma quantidade mínima de dinheiro para os pobres e muitas outras medidas.

O maior programa de assistência, no entanto, foi o Bolsa Família, que se baseou num programa Bolsa Escola, que estava condicionado à frequência escolar, introduzido pela primeira vez em Campinas. Aos poucos, outros municípios e estados adoptaram programas idênticos.  Henrique Cardoso federalizou o programa em 2001. Em 2003, Lula formou o Bolsa Família combinando o Bolsa Escola com subsídios adicionais para alimentos e gás de cozinha. Para avançar com o programa e para que lhe fosse reconhecida a verdadeira importância revolucionária que detinha, foi criado previamente um novo ministério, o Ministério do Desenvolvimento Social e Erradicação da Fome. 

O programa Bolsa Família foi elogiado internacionalmente. O Fome Zero iria ter um orçamento do governo e aceitar doações do sector privado e organizações internacionais. 

Juntamente com projetos como o Fome Zero e o Bolsa Família, outro incontornável e importante programa do governo Lula foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O PAC tinha um orçamento total de cerca de  650 mil milhões de Reais (cerca de 156MM€ ao câmbio actual)) até 2010 e era o principal programa de investimentos do governo Lula. O objetivo era fortalecer a infra-estrutura do país e, consequentemente, estimular o setor privado e criar mais empregos. 

E é mais ou menos isto que incomoda os coronéis da actualidade. A perda de privilégios e a confrontação de gente mais letrada que deixou de ser miserável e defende os seus direitos sem medo e com a barriga cheia. Para quem não sabe, dá outro conforto e muito mais ânimo, lutar com a barriga aconchegada. Vergar um miserável é fácil.

José María Aznar, ex-primeiro ministro espanhol, insuspeito porque de um partido de direita, terá sido o primeiro a entender o que se passa hoje no Brasil, pelo menos publicamente. Foi o primeiro a avisar Lula de que o iriam tentar matar. Tinha razão!

 

Supremo do Brasil decide quinta-feira recurso de Lula para impedir a sua prisão

 

 

As palavras dos outros

ONU condena assassínio de vereadora brasileira Marielle Franco

 

Com a devida vénia, na íntegra o artigo de Alexandra Lucas Coelho, no Sapo, com antecipadas desculpas pela extensão do texto:

 

  1. O Rio de Janeiro conhece a morte violenta. Conhece as balas perdidas, os tiroteios, os ajustes de contas, as execuções. E quem vive na favela conhece isso desde que nasceu, diariamente. Sabe que é muito possível vir a morrer assim, tem muitos lutos, muitas mortes. Uns quinhentos anos de mortes violentas, sobretudo negras, sobretudo pobres.

Foi esta cidade que há um mês se viu ocupada por militares, a mando de um presidente da república não-eleito, alegadamente para fazer face ao crime. Depois do golpe na presidência, o golpe na cidade que é a cara do Brasil. O crime de Estado tem esta tradição de se justificar pelo crime. O presidente não-eleito, Michel Temer, assinou essa ocupação. O Rio de Janeiro é desde então uma cidade ocupada, num país ocupado. Todos os dias algo se soma ao horror. Chegam amigos de lá, ou mensagens de amigos, vejo as notícias, horror atrás de horror.

E ontem, 14 de Março, aconteceu uma morte violenta que imediatamente se tornou o espelho em que o Rio se viu, o Brasil se viu, os brasileiros pelo mundo se viram, e quem ama o Brasil, em geral. Toda a morte violenta é horrível, mas algumas, raras, são uma visão colectiva do horror. Foi isso que aconteceu esta quarta-feira à noite. A morte de Marielle Franco é um espelho voltado para a cara do Brasil. E para todos nós.

  1. Marielle faria 39 anos em Julho. Nasceu na Maré, o complexo de favelas que qualquer recém-chegado pela primeira vez ao Rio de Janeiro pode ver pela janela, ao vir do aeroporto para o centro. Chama-se Maré porque aquilo eram águas da baía da Guanabara. Os primeiros moradores moravam em barracas de palafita, ou seja, assentes em estacas, sobre a água. Eram sobretudo nordestinos, vindos por causa da construção da Avenida Brasil, a grande via terrestre de entrada no Rio de Janeiro. Hoje, a Maré é uma sequência de favelas, coladas umas às outras, ao longo da Avenida Brasil. Tornou-se também um dos centros fervilhantes de toda uma nova geração que cresceu com os governos Lula. Lá estão o Observatório das Favelas e mil e um projectos, lutando diariamente no meio da violência, do descaso do Estado que originou o avanço do tráfico, e do abuso do Estado com o argumento de deter o tráfico. Este é o berço de Marielle, assim ela se dizia: “cria da favela”.

Nasceu então favelada, negra, mulher. Três circunstâncias que no Brasil tendem a andar juntas. Sobre o começo da adolescência, disse numa entrevista: “Fui catequista e isso vai me compondo também quanto formação, e é importante falar disso porque é uma parte que está presente em meu lugar.” Depois: “Com 17 para 18 anos é um período que estou indo muito a baile, sendo adolescente da favela que curte baile, torcida, farra, fugir da igreja pra ir pro baile…”

Uma menina como tantas na Maré. Em 1997 terminou o ensino médio, a seguir estudou numa escola pública à noite, a seguir tentou fazer um Pré-Vestibular Comunitário, preparação para a universidade. “Seguindo a maioria das meninas da favela, não fugindo a regra: engravidei com dezoito anos. Então eu largo estudos porque mesmo com a mãe ajudando, não tinha como deixar, o foco era cuidar da criança e não tinha ali esse lugar de um pai presente que assumisse suas responsabilidades.”

Foi trabalhar, deixando a filha muito cedo na creche. “Esse lugar da mulher que tem seis meses de aleitamento exclusivo mais férias, eu não tive isso. Com três meses, a Luyara foi para creche.” Mas é a própria existência da filha que a faz não desistir de estudar: “O estigma era que eu iria ser mulher de bandido ou cometer delitos. Mas, no final, o que a Luyara me dá é uma estrutura, um sentido de que eu deveria ir estudar e conseguir sustentá-la e criá-la de uma maneira melhor.”

Marielle voltou ao pré-vestibular e conseguiu entrar na PUC como bolseira integral. A PUC (Pontífica Universidade Católica) é a universidade privada mais prestigiada do Brasil, caríssima para quem não tem bolsa. Lá estudam muitos dos mauricinhos e patricinhas, como são chamados os filhos da elite. Mas conheci de muito perto várias Marielles no boom de acesso à universidade dos anos 2000, jovens, negras, da favela. Uma das minhas amigas no tempo em que lá morei era justamente bolseira integral da PUC, de Ciências Sociais, como Marielle. Digo era porque está mais do que formada, a mil e na luta.

Sobre o tempo da PUC, Marielle falou assim: “Sempre fui política, no sentido mais amplo. Quando entrei na PUC, em 2002, o meu lugar era de reivindicar direitos, naquele momento só para a minha comunidade e para mim. Cheguei muito arredia, ainda tomada pela sensação de pertencimento à favela. Eu me distanciava muito das patricinhas, dos mauricinhos, porque afinal eram de outra classe e outra renda. Mas aprendi a lidar com a diversidade. Fiz amigos, amigas. Tenho lembranças muito boas.” Sendo que o quotidiano não era mole, não. “Não vivi a PUC em sua completude. Eu já era mãe, então houve épocas em que trabalhei em dois horários. Não vivi o movimento estudantil. Só o campus que era impossível de não viver, porque sou apaixonada por ele, mas também era para sentar e resolver algum trabalho ou para estudar mesmo.”

Tornou-se socióloga. Depois veio a fazer mestrado na UFF (universidade pública, Niterói) com uma tese sobre Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, analisando especificamente as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), então em expansão. Mas aí já estava mergulhada na política.

  1. O que levou Marielle a mergulhar na política foi uma bala perdida em 2005, que matou uma amiga próxima, na Maré. Tornou-se uma activista pelos direitos humanos e contra intervenções violentas na favela. Em 2006 estava na campanha que elegeu Marcelo Freixo para a assembleia estadual, pelo PSOL (socialistas ex-comunistas). Freixo tinha-lhe dado aulas no pré-vestibular, conheciam-se daí. Ela tornou-se assessora dele na assembleia, depois passou à Comissão de Direitos Humanos, e em 2012 tornou-se coordenadora.

Faltava Marielle ir a votos. O que aconteceu na eleição de 2016. Ela esperava uns 6000 votos, disse. Teve 46.502, fazendo uma campanha como feminista, negra, gay, contra a violência policial. A quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro.

A 16 de Fevereiro deste ano, quando Temer assinou a ocupação militar do Rio, Marielle foi uma das vozes críticas.

A 28 de Fevereiro, foi nomeada relatora da Comissão da Câmara de Vereadores, criada para acompanhar a intervenção do exército.

A 10 de Março, denunciou o aumento da violência de Estado depois da ocupação e, de forma contundente, violência policial no bairro suburbano de Acari. “O que está acontecendo agora em Acari é um absurdo! E acontece desde sempre! O 41° batalhão da PM [Polícia Militar] é conhecido como Batalhão da morte. CHEGA de esculachar a população! CHEGA de matarem nossos jovens.”

A 13 de Março, anteontem, escreveu no Twitter: “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”

Ontem foi executada.

  1. Há gravações de Marielle a falar ontem. Ela tinha ido a uma iniciativa na Lapa, centro do Rio: “Jovens Negras Movendo as Estruturas.” Basta ver um pouco para achar o carisma, a força, a beleza. Aquela carioca que em pouco tempo deu corpo a um lema: o lugar da mulher é onde ela quiser. Marielle saiu da Lapa no carro guiado por Anderson Pedro Gomes, de 39 anos, um morador do subúrbio do Rio que se tornara motorista de Uber, e estava a cobrir a baixa por acidente do motorista habitual de Marielle. Na zona do Estácio, bairro central do Rio, um carro emparelhou com o deles, pelo menos nove tiros foram disparados. Morreram Anderson e Marielle, com várias balas na cabeça. Não houve roubo.
  1. O choque do Rio, do Brasil e por aí fora não é só o choque da morte súbita, violenta. Mariella não foi só morta de forma violenta, como Anderson também foi. Foi executada — tudo indica, e é isso que parece tão assustador — por ser tudo o que era: mulher, negra, favelada, gay, socialista, eleita pelo voto, activa contra a ocupação militar e a violência policial no Brasil de 2018. Todas as mortes não são iguais, todas as mortes são diferentes. Algumas mortes são também, de facto, colectivas. Na dor, na angústia, no medo, na raiva, e é isso que está a acontecer.

No momento em que escrevo, milhares de pessoas ocupam a praça da Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro. Há protestos marcados em série, incluindo em Portugal (onde à hora a que escrevo estão também marcadas concentrações). A primeira urgência é que o crime seja esclarecido. E para onde o crime aponta é o nó do Brasil: o que são e significam a Polícia Militar, o Exército, a nostalgia da ditadura, as máfias que sustentam os usurpadores da democracia, esse buraco negro que é o fascismo, o fascismo.

Caetano Veloso pegou no violão e gravou para Marielle aquela sua canção que diz: “Estou triste, tão triste / e o lugar mais frio do Rio é o meu quarto.” Por absoluto acaso vi isso no Facebook logo depois de um poema na morte de Marielle que para mim ecoa aquele índio sonhado por Caetano (“virá que eu vi”). Está assinado “Micheliny Verunschk, 15 de março de 2018, a manhã seguinte à execução de Marielle Franco.”

 

Uma mulher descerá o morro

como se descesse de uma estrela

uma mulher seus olhos iluminados

suas mãos pulsando vida e luta

sob seus pés a velha serpente

[a baba as armas a covardia de sempre].

uma mulher descerá o morro

as inúmeras escadarias do morro

os muros arames que separam o morro

e pisará o chão desse país sem nome

desse país que ainda não existe

desse país que interminavelmente não há

uma mulher descerá o morro

tempestade é o vestido que ela veste

uma mulher descerá o morro

e ainda que seu sangue caia

ferida incessante no asfalto do Estácio

e ainda que anunciem sua morte

[e sim, ainda que a comemorem]

esta mulher ninguém poderá parar.

 

Não me saem da cabeça estas palavras: e pisará o chão desse país sem nome, desse país que ainda não existe.

Sem o ainda estamos todos mortos. Acredito totalmente nesse país.

Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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