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Se a inês sabe disto

Preocupante

 

Já chegou a Itália.

Começa a ser preocupante, no mínimo, a escolha dos eleitores nos países da União Europeia.

Por várias razões, em Espanha, na Alemanha e agora na Itália, bem como antes em Portugal mas com outros contornos completamente diversos, os eleitores deixaram os partidos e os Estados "à nora" para formarem governos estáveis. Se em Espanha e Portugal os resultados foram de modo a impossibilitar a formação de governos saídos dos partidos mais votados, acabou por se encontrar uma solução governativa composta por partidos constitucionais, democráticos e a coisa vai correndo mais ou menos bem. Na Alemanha a dificuldade na formação do governo prendeu-se pela subida a pique da extrema-direita, que ameaça chegar ao poder a breve trecho, o que aconteceu agora em Itália, com o partido de extrema-direita 5 Estrelas, a conseguir a maioria dos votos.

Esta onda de "revivalismo" de direita, revanchista, anti-sistema, racista e xenófoba que já chegou à Austria e à Polónia também, será fruto das políticas anti-sociais, de segregação e de estratificação entre regiões para onde a Europa tem vindo a caminhar nos últimos 10, 15 anos.

A falta de apoio a políticas verdadeiramente sociais, que esbatam o fosso entre os mais ricos e os cada vez mais pobres, a tragédia que é a política externa da UE, nomeadamente nos alvos que tem apoiado no seguimento do favorecimento descarado dos mais fortes e defendendo cegamente os seus interesses, sem o mínimo de preocupação com o bem-estar dos países e principalmente povos extra-comunitários, levou a que lhe caíssem nos braços problemas de muito difícil solução, como o dos refugiados, causa próxima para os resultados eleitorais que vão acontecendo um pouco por todo o lado, onde nem a França, de grande tradição democrata, escapa, com a subida aos píncaros da ultra-direita Frente Nacional e com a quase vitória de Marine le Pen nas presidenciais.

O resultado do 5 Estrelas em Itália é o último capítulo dum preocupante drama que se adivinha na Europa, que ao que parece se esqueceu dos tempos que culminaram na Segunda Grande Guerra. Já quanto a nós (e aos espanhóis), valha-nos a nossa jovem democracia, que permite que uma maioria de nós se lembre bem da ditadura, para não se dar voz a movimentos ultras de direita, fascistas, como aqueles que vão proliferando um pouco por essa Europa. A questão é: Por quanto tempo?