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Se a inês sabe disto

O inimigo público

 

A gente já sabe, "há que séculos", quem manda na política interna e externa dos amaricanos: Os lobbys! Como o do armamento, com a força de milhares de milhões de dólares, por exemplo.

Ora, depois da pantomima encenada com a Coreia do Norte, que não levou a nada (como era previsível), senão à assinatura de alguns contratos de biliões com fornecedores de armamento, e do criminoso bombardeamento na Síria, que terá esgotado o stock de mísseis, obrigando a mais uns milhões para o repôr, anunciava-se um perigoso período de paz que poderia colocar em maus lençóis as empresas fabricantes de armas.

Vai daí, ainda antes do encontro histório com King Jon-Un, Trump decidiu rasgar o acordo nuclear com o Irão, não fosse haver um período de acalmia belicista, que poderia ser embaraçoso para o governo dos Estados Unidos, não fossem os amaricanos perceber que o Mundo também gira se houver paz e se todos os povos viverem em harmonia e, principalmente, que o Mundo não pensa, a cada minuto, invadir e aniquilar o seu país e a eles próprios. 

Felizmente desta vez a guarda pretoriana, isto é, a França e a Inglaterra (e também a Alemanha), talvez porque sentiram que os seus povos não estiveram lá muito de acordo com aquela coisa da Síria, se estão a portar decentemente e não alinharam na pândega. É que desta vez a coisa fia mais fino: Se na península da Coreia há países amigos (Coreia do Sul, desde logo, mas também o Japão) e uma intervenção atómica, ou até uma guerra convencional, seria um risco pelos danos colaterais, no Irão a largada de uma ou duas "ameixas", até seria benéfico para os interesses americanos, porque amigos, amigos, há ali assim a Arábia Saudita, que já fica do outro lado do Golfo, de modo que à volta estão quase apenas países na órbitra de Moscovo e o Iraque. Talvez que o que o faça parar, seja mesmo esta proximidade com os amigos dos russos, já que Putin demonstrou não brincar em serviço e não estará disposto a permitir que quase à porta de casa, haja qualquer tipo de fogo-de-artifício. E há que ter alguma deferência para com quem o elegeu, direi eu, que as suspeitas da ingerência dos russos na eleição de Trump, são cada vez mais certezas

A sandice é tanta que esta decisão foi até ao arrepio da informação das agências de espionagem americanas (CIA, FBI e mais aquelas todas que aparecem nos filmes de Hollywood com nomes que não lembra ao diabo), que garantem que o Irão está a cumprir o acordado em 2015. O que só prova que de cada vez que há algo dentro de sua casa que corre mal (e sem têm corrido mal tantas coisas, em que as mais simpáticas são a mudança de servidores como quem muda de camisa e consoante concordam ou não com ele), nada melhor que uma ameaça de guerra contra uns facínoras que atentam contra a soberania do povo americano e o "our way of life", seja lá o que isso for. 

A Europa, que assinou este acordo também, conjuntamente com a Rússia e a China, tentou a todo o custo evitar esta decisão. Percebe-se, o espectro de uma nova guerra de grandes proporções no Médio-Oriente, ameaça trazer para o continente a restante população da zona, com as graves consequências previsíveis, já vistas com o que tem vindo a acontecer nos últimos anos.

Pode parecer ainda um assunto de somenos, mas o lobby do petróleo não está desatento, portanto preparem-se para pagar ainda mais caro os combustíveis, porque o crude vai continuar a sua escalada até preços insuportáveis, com consequências devastadoras para as economias mais fracas. Por falar nisso, que raio, veio-me logo ao pensamento o nosso país, vá-se lá saber porquê...

Não deixa de ser irónico, ainda que sem qualquer piada, que os fundamentos para esta tomada de posição, sejam uns relatórios com mais de quinze anos apresentados pelo primeiro-ministro de Israel (outro gajo simpático!) que correspondiam a um programa nuclear clandestino, do conhecimento de todos e abandonado há muitos anos. Qualquer semelhança com o anúncio, por Colin Powel, da existência (falsa, como se veio a comprovar sem qualquer sombra de dúvida) de armas de destruição massiça na posse de Saddam Hussein, é mera coincidência.