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Se a inês sabe disto

O contentor negro

 

Uma jovem sem-abrigo, para o caso sem importância mas negra, carregou uma gravidez até ao fim sem que ninguém se apercebesse e deu à luz  junto a um ecoponto ali para a zona de Santa Apolónia em Lisboa, capital da Web Summit (tão moderna...), utilizando um dos contentores para se livrar do fardo que carregou, certamente contra vontade, durante nove longos meses. Desconhece-se quem é o progenitor. As autoridades da zona desconheciam a jovem de 22 anos que era até "bem comportada", já que segundo a Polícia Judiciária, não tem antecedentes criminais. Mas vai ter! Vai agora ser acusada do crime de exposição ao abandono de menor ou de infanticídio.

Vai agora ser até acusada de não ter procurado ajuda durante a gravidêz, quase de certeza. Lá virão aqueles que até dizem que há gente sem-abrigo que é o "estilo" de vida que quer ter e por nada deste mundo quer mudar de vida, que se sentem livres... bah!

Uma jovem de 22 anos, a idade da minha sobrinha Maria (dói um bocadinho mais até por isto, desculpem o egoísmo), sem antecedentes criminais, sem vestígios de consumo de drogas, andará há tanto tempo na rua como aquele que passou sem que ninguém desse por ela e pariu. Segundo os médicos que observaram o recém-nascido é uma criança perfeita, o que revela também muito do que é a raça humana. Quantas mães que vivem com todas as condições e com acompanhamento qualificado, não dão à luz ou são forçadas a abortar gravidezes, essas sim certamente muito desejadas? E esta jovem, sem qualquer acompanhamento, pariu um filho perfeito.

Não deixa de ser imensamente cómico, se não fosse trágico, que após talvez anos a viver na rua, após ter cometido este "crime", a miúda acabe agora por ter um tecto, o da cadeia! Eu diria que ainda bem e que seja condenada pelo "crime" que cometeu, porque se quem devia fazer algo por ela não faz, ao menos os serviços prisionais dar-lhe-ão abrigo por algum tempo. E comida. E roupa lavada. E higiene.

E já agora uma sugestão às entidades de recolha de resíduos: Que tal um contentor preto, para estas situações? É que as igrejas parece já não terem esse papel...