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Se a inês sabe disto

Jornalismo de pacotilha

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Foi detido um canalha que supostamente sequestrou uma criança do sexo feminino em Amora, concelho do Seixal, no Sábado, quando brincava num parque infantil.

A criança já havia sido encontrada num local próximo ao do sequestro, na madrugada de Domingo, sem danos físicos aparentes, segundo testemunhas.

A razão do título deste post tem a ver com a sanha de sangue e voyeurismo que toda a comunicação social emprega na descrição do caso.

Para a maioria dos jornais e canais de televisão, o rapto passa a ser acessório, quando há a possíbilidade, ainda que esta seja ínfima, de a criança ter sido violada.

Eu gostava de saber que interesse terá o público no facto de ter havido abuso sexual e mais, como se sentirão os pais e a própria criança no meio em que vivem, convivendo com este facto. Como conviverá esta criança com os colegas na escola, que como sabemos sabem ser imensamente cruéis?

Vivemos de facto tempos em que vale tudo para ganhar audiência, mas que diabo, onde anda o pudor, a vergonha e mais que tudo, o profissionalismo? Ou vivemos um tempo em que por um prato de lentilhas se vende a dignidade pessoal e profissional, ainda que isso leve a que a vida futura de uma criança possa ficar irremediavelmente marcada?

Podres tempos, estes.

 

Nota final: Para que a cobertura da notícia fosse ainda mais abjecta, só faltou dizer que o rapto foi junto ao local onde se realiza a Festa do Avante... 

 

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