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Se a inês sabe disto

Faz o que eu digo...

Lisboa: Ricardo Robles renuncia ao cargo de vereador

 

O rapaz Robles (ainda não percebi se é com um éle ou com dois), fez aquilo que seria o sonho de qualquer um de nós, meu e dos estimados leitores deste também estimado blogue.

O que fez o rapaz Robles (com ou sem dois éles), foi investir num prédio que a Segurança Social detinha em Alfama, ali mesmo em frente ao museu do fado (se interessar, no Largo do Terreiro do Trigo) e que estava a cair de podre. Tinha lá inquilinos! Sim, a Segurança Social era dona de um prédio, cujas fracções alugava e que estava impróprio para habitar. Tanto estava impróprio para habitar que o rapaz Robles (sim, os éles...), logo que adquiriu o imóvel, em leilão, aberto a quem quizesse licitar, pela quantia de trezentos e qualquer coisa mil Euros, foi de imediato notificado pela câmara de Lisboa a fazer obras de recuperação e restauro. Obras onde gastou um pouco mais de seiscentos mil Euros. Parece que terá indemnizado um ou outro inquilino, outro levou a coisa para o litigioso e um outro aceitou ficar com novo contrato, ao que consta por um valor razoável. Gastou pois o rapaz Robles (chiu! já chega de éles...) a quantia significativa de quase um milhão de Euros, numa operação bancária que envolveu um empréstimo, que está a pagar, ao que consta sem atrasos, ao banco que lha concedeu.

Os caros e caras leitores e leitoras (sim, nós aqui também valorizamos e muito os nossos leitores e leitoras), acharão que não há aqui nada de ilegal e como disse lá em cima, até não enjeitariam estar no lugar do rapaz, sobretudo depois de se saber que o imóvel esteve à venda por quase seis milhões de Euros. Dizem as más línguas e algumas virgens puritanas (e outras virgens não tão puritanas, mas vá...) que o valor real do imóvel seriam cerca de dois milhões e meio de Euros, portanto o resto será especulação.

A bem dizer, eu também tenho uma casa para vender (está aí numa agência se houver alguém interessado...) e se me derem, um "supônhamos" dez, eu não vendo por cinco, n'é? Ou seja, é essa coisa do mercado que dita o preço e a minha casa que já foi avaliada por quinhentos mil, hoje vale dois terços disso.

O que fez o rapaz Rob... uf, que chatos, combinamos que será apenas com um éle, ok?! o que fez o rapaz Robles então? Pois limitou-se a fazer o mesmo que eu, dirigiu-se a uma imobiliária, terá feito um contrato de exclusividade, que as imobiliárias também não brincam em serviço e não prescindem dos seus de três a cinco por cento do valor da venda, e a imobiliária, que deve perceber mais de imóveis e dos seus preços que o rapaz Robles, achou que o valor de 5,7 Milhões de Euros pelo imóvel seria o valor justo. Por acaso até ninguém lhe pegou, por azar do rapaz Robles, mas que até aqui não se vislumbrou qualquer ilegalidade, ai isso é clarinho como água.

Então qual a polémica com isto tudo? Pois, se eu vender a minha casa (oxalá não demore muito), não haverá ninguém, nem sequer o gajo do jornal local que vive à pála da publicidade paga pela câmara (que se lixe, a imprensa local tem que sobreviver, n'é?), que publicite a transacção, nem queira saber quanto me custou ela a construir, nem quanto paguei de juros ao banco, até porque eu, apesar de condenar a especulação imobiliária e o lucro desenfreado dos fundos imobiliários, não ando a gritar por aí as minhas convicções. Já o rapaz Robles, fez da especulação imobiliária o seu cavalo de batalha na última campanha eleitoral para as autarquicas, onde foi eleito vereador para a câmara de Lisboa, demonstrando grande ferocidade a condenar os que se aproveitam do boom turístico para ganhar este mundo e o outro com casas nas zonas nobres da capital do "império".

Perguntarão os leitores, "mas então o rapaz Robles não pode vender o prédio com a mais-valia que o mercado ditar?"

Pode.

Mas não deve!

 

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