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Se a inês sabe disto

Eu, pagador, me confesso

 

Fiz aqui assim de repente umas contas de merceeiro e deixando de lado os últimos censos, considerando que somos dez milhões de alminhas neste pequeno rectângulo à beira-mar plantado, nesta coisa da intervenção do Estado nos bancos (BPN, BES, BPP e BANIF - e ainda a CGD) tocou-nos a cada um dos dez milhões, até agora, entrar com a módica quantia de dois mil Euros (em média, que isto é como os frangos, cada um come dois por mês, mas há alguns que nunca os cheiram) para ajudar a tapar os diversos buracos. Para resolver um problema causado por meia dúzia de vigaristas, o Estado enterrou vinte mil milhões de Euros (com zeros é ainda mais impressionante: 20.000.000.000,00€ e em "dinheiro português" então nem imaginam: 4.009.640.000.000.000$00) naquelas "instituições". Tempos houve em que uma Instituição era uma organização credível e respeitada, hoje há instituições que são a nossa desgraça, entre elas alguns bancos e os filhos da puta que os dirigiram, se me perdoam o palavrão (dirigiam, obviamente, que filhos da puta será porventura elogio).

Dizem, o governo e algumas eminências pardas, que a pretensão, legítima, que todos temos de saber quem são os gajos que com a conivência dos banqueiros se serviram do dinheiro e se esqueceram de o devolver, porá em risco a confiança no sistema bancário. É p'ra rir! Então depois de um buraco de vinte mil milhões causado por gestão danosa e caloteirice, acham que ainda há alguém que confie no sistema bancário e nos banqueiros? Não fosse obrigatório ter conta no banco para tudo, desde receber o ordenado, até pagar a conta da água e levantar dinheiro e porque a casa lá está hipotecada, e a maioria do pessoal recebia o dinheirinho no envelope como antigamente e guardava-o debaixo do colchão. Confiança no sistema... pfffff! Vigarice pegada, é o que é. Aliás, este argumento da confiança e de não se querer divulgar a lista dos caloteiros, cai pela base quando foi o próprio Estado, há anos, a elaborar uma lista, regularmente actualizada, de grandes devedores ao fisco. Consta que a coisa resulta e a malta vai arranjando soluções para ir pagando os calotes, portanto o argumento não colhe.

E no que me diz respeito, sempre saberia quem foi o corno que se gozou dos meus dois mil Euros (que foram bem mais, já que há quem não tenha pago a ponta dum corno). Não mos devolverão nunca, mas sempre lhe posso chamar vigarista, gatuno, ladrão e filho da puta com todas as letras, que não corro o risco de que o gajo, tadinho, sentindo-se ofendido na sua honra, me processe.

 

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