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Se a inês sabe disto

Estou fodido!

 

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Perdoem o vernáculo do título, mas há estados de espírito que não podem ser descritos de outra forma.

Assisti ontem a uma reunião de uma Assembleia Municipal surrealista e onde todo o sentido democrático e de responsabilidade e de compustura esteve arredado de alguns membros que, sendo eleitos pelo povo de um concelho, deveriam ter a obrigação de, nas suas decisões, ter em conta os interesses maiores desses mesmos eleitores e por conseguinte munícipes e consumidores de água.

Façam os caros leitores o favor de fazer (passe a redundância) este exercício simples: Os senhores têm uma empresa que fornece determinado serviço, que está dependente do fornecimento de uma entidade terceira. Essa entidade aumenta o produto que os senhores vendem aos vossos clientes em 4%. O que fariam os senhores? Provavelmente a maioria de vós repercuteria isso no preço final. Pois os SIMAR, os Serviços Intermunicipalizados de Loures e Odivelas, que para além de recolherem os resíduos sólidos urbanos e de colectar os esgotos, fornecem água aos dois concelhos, vão fazer incidir na factura da água um valor de 1,4%, correspondente ao valor da inflacção, assumindo como sua quota-parte os 2,6% que perfazem os 4% em que a EPAL lhes aumentou a água que lhes fornece.

Para não vos massar muito, o que estava ontem em causa era a aprovação dos documentos provisionais (ou seja, aprovar a forma como as receitas dos SIMAR podem ser utilizadas, uma vez que o "orçamento" já havia sido previamente aprovado na Câmara Municipal e não carece de fiscalização da AM), onde, apesar de assumirem um valor de mais de dois milhões de Euros naquele aumento de que vos falei atrás, apresentam o maior investimento dos últimos anos, concretamente na rede de águas, com previsão de intervenções de fundo em Sacavém, Santo António dos Cavaleiros e Loures, zonas onde os problemas de abastecimento têm sido mais complicados, dada a vetustez das condutas, algumas com mais de sessenta anos.

Os SIMAR são uma empresa intermunicipalizada gerida pelos concelhos de Loures e Odivelas. A Câmara de Odivelas é gerida pelo Partido Socialista, com maioria absoluta, e a de Loures pela CDU, com maioria relativa. Este "orçamento" foi construído em conjunto pelos dois municípios e como já disse, foi aprovado em ambos os executivos municipais.

O que me deixa fodido (e mais uma vez perdoem o vernáculo), é que o Partido Socialista de Odivelas em Assembleia Municipal seguiu o sentido de voto da câmara e votou favoravelmente, mas em Loures, contrariando o que aconteceu na câmara, em que deixou passar o documento, votou contra. Está no seu direito, obviamente. Não pode é, hipocritamente, aduzir como motivo o aumento de 1,4% nas tarifas, quando não o contrariou na Câmara Municipal. Isso é má fé, é pulhice, é baixa política, é o vale tudo, é a sacanice, é a revanche por uma derrota num concelho que foi provavelmente o único onde o PS perdeu votos, é o nepotismo de um indivíduo que ocupa vários cargos e distribuiu outros pelos familiares e que sempre esteve contra a criação dum serviço público intermunicipal em detrimento da privatização dos ex-Serviços Municipalizados de Loures.

No meio disto tudo, não passam pelos pingos da chuva os presidentes das Juntas de Freguesia de Sacavém e Prior Velho e Santo António dos Cavaleiros e Frielas, autarquias onde estava previsto grande parte do investimento na rede de águas, ambos eleitos pelo PS e que votaram contra, também. Saberão os seus fregueses que continuarão a ter as falhas de água recorrentes por tempo indeterminado e que quem foi eleito para defender os seus interesses, se esteve marimbando para eles, envolvendo-se numa trica partidária? Ficam, também eles, muito mal na fotografia!

Desculpem a pessoalização do post, isto provavelmente não vos interessará absolutamente nada, mas isto é o espelho de grande parte da "classe política" que nos "governa": Gente que nunca fez a ponta dum corno na vida, que emergiu das juventudes partidárias promovido pelos pais (o deste disse, quando o fulano foi eleito vereador, que já tinha a reforma garantida), pelos familiares, pelos amigos, para perpetuar os interesses deles e dos seus e viverem todos à sombra do grande chapéu da Democracia.

Democracia? Democracia o Caralho!

Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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