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Se a inês sabe disto

Este vício estranho de matar mulheres

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Vamos a pouco mais de metade do ano e já estão contabilizados 16 assassinatos de mulheres pelos seus "companheiros" (a palavra está entre aspas por razões óbvias, como facilmente se entenderá), quase tantos como os registados no ano passado, vinte. Os assassinos estão mais selectos este ano, a arma mais utilizada é a faca. Já foi bem pior, se há alguma legitimidade ou fará algum sentido utilizar o termo, uma vez que há registo de 45 casos em 2014, o que quer dizer que a linha descendente que vinha sendo registada, com 30 casos em 2015 e 22 em 2016 e os tais 20 o ano passado, começou a inverter o sentido. Das 16 mulheres que foram assassinadas desde Janeiro, 11 mantinham “relações de intimidade” com o homicida - que era marido, companheiro ou namorado. Só num caso o agressor era um ex. Em quatro situações, tratou-se de filhos que mataram as mães.

Sinceramente não sei o que poderão ou deverão fazer as autoridades, quando as vítimas não querem e a maior parte das vezes não podem, sinalizar a violência de que vão sendo alvo. Não sendo entendido na matéria, o que me salta à vista é que deste grupo de mulheres, uma parte delas estava numa faixa etária acima dos 65 anos, havendo uma outra parte noutra compreendida entre os 36 e os 50 anos, seis no primeiro caso, cinco no segundo, o que revela que as restantes cinco vítimas estavam abaixo desta faixa etária.

Se para as mulheres mais velhas pode haver ainda algum motivo que faça compreender o seu silêncio, fruto de uma educação em que o homem era o senhor (quem não se lembra daqueles azulejos ridículos mas sintomatizantes duma mentalidade vigente que diziam "cá em casa manda ela, mas nela mando eu"?), já é menos compreensível que as mulheres mais jovens silenciem a violência de que são vítimas. É certo que só quem vive a situação sabe os seus contornos, mas não deixa de ser também revoltante que a grande maioria dos assassínios tivessem ocorrido dentro de casa (15), um lugar onde supostamente se estaria em segurança.

Conforme afirmei, não sei o que podem fazer as autoridades, mas sei que este é um problema que deve começar a ser tratado desde o berço e não está a ser, como é disso exemplo também a violência entre jovens namorados, que é uma realidade que se pode ver até nas escolas.

Angelina, Céu, Margarida, Marília, Vera, Silviana, Nélia, Maria, Albertina, Maria de Lurdes, Ana, Arminda, Margarida C., Etelvina, Olga e Ni, esta é a minha singela homenagem...

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