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Se a inês sabe disto

Cagar ou não cagar, eis a questão

Tive nos últimos dias dois encontros imediatos com a CP (Comboios de Portugal):

O primeiro, uma viagem de Lisboa, Oriente, a Loulé. A composição saiu com algum atraso, devido à espera de ligação com outra que vinha do norte, mas aparte esse pequeno contratempo, foi uma viagem excelente. A carruagem é cómoda, climatizada, com wifi, os bancos bastante confortáveis. Até o vagão restaurante, embora pouco espaçoso, é agradável. Nada agradáveis são os sanitários após alguns quilómetros percorridos, mas um gajo mija de pé (por isso aquilo fica tudo mijado, claro), já as mulheres têm alguma dificuldade em fazê-lo, por isso, coitadas, lá têm que andar de wc em wc até encontrar um em que os salpicos não abundem. Em resumo, apesar do cheiro, dizem-me, que eu não tenho olfacto, nota bastante positiva para a CP.

Já o segundo encontro foi hoje. Fui esperar os meus pais a Santa Apolónia, vindos de Tomar. Cheguei com alguma antecedência e uma enorme vontade de satisfazer duas necessidades prementes. Cabeça no ar procurando os dois bonequinhos característicos e lá estavam eles, do lado esquerdo da gare. Entrei num espaço de cafetaria, sala de espera e ao fundo os benditos lavabos. Aproximei-me com algum aperto, já à rasquinha mesmo e vi uma cancela, toda iluminada, com torniquete e tudo, mas a minha aflição já me tinha torrado o cérebro e a capacidade de raciocínio estava tão em baixo, que empurrei a cancela com alguma brusquidão e qual não foi o meu espanto quando percebi que aquele jogo de luzes era de apenas duas, verde e para mal dos meus pecados, vermelho que foi a que me impediu de entrar no local onde "todo o cobarde faz força", com a velocidade que a situação de emergência exigia.

Agora imaginem se eu não tivesse negado a moedinha ao gajo que me descobriu um lugar para estacionar ( sócio, não tenho moedas, pá - acho que o vi primeiro que ele, tal a pedra com que o gajo estava), se não tivesse 50 cêntimos para me abrir a passagem para o paraíso, o que sucederia...

Portanto, em resumo, dentro de um comboio Alfa Pendular, um gajo pode mijar a latrina à vontade, prejudicando os outros passageiros, mas na gare, enquanto espera pelo início da viagem, ou porque não suportou o pivete na casa de banho da carruagem e precisa de mijar ou cagar , paga 50 cêntimos e é se quer bufar.

Pois, eu estava tão à rasquinha que se desse uma bufa... Isso!

Aqui pra nós, louva-se a medida, espera-se que dentro de 150 anos, a este ritmo, o buraco nas contas da CP esteja tapado. Ou então esta é mesmo uma medida de merda que não lembra ao diabo e os senhores administradores da CP bem que podem limpar o cu a um caco naquela parte do dia em que ligam o intestino grosso ao cérebro.

Quando me dirigi, já com os meus pais, em direcção ao carro vejo o "arrumador carocho", que se me dirige e diz "mano, arranja-me uma moedinha?" "ó pá, tu vais gastar essa merda em droga, não tenho!" "não, mano é para ir ali à casa de banho". E eu sou lá gajo para impedir um agarrrado de cagar como um lorde?

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