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Se a inês sabe disto

Bater com o nariz na porta

 

 

Estava para hoje agendada a visita dos inspectores internacionais que tratam dessas coisas das armas químicas (Organização para a Proibição das Armas Químicas), à Síria, ao local onde o ocidente defende a pés juntos que o governo sírio usou armas químicas. Para causar mais drama, nada como inundar as televisões, os jornais e a rede com imagens ilustrativas.

Não fosse o acontecido no Iraque plasmar-se e não haver armas químicas coisa nenhuma lá na Síria, entenderam os Estados Unidos, a França e o Reino Unido (para o caso de estarem distraídos, sedes de grandes empresas petrolíferas - Exxon, Mobil, BP, Total, entre outras), darem cabo das fábricas (um laboratório, um posto de comando e uma fábrica de gás sarin), dizem eles, onde os filha da puta dos sírios fabricavam aquelas terríveis armas de guerra.

Dizem os do triunvirato, ou troika como queiram, que o ataque foi um êxito. Pois eu não duvido absolutamente nada que foi um enorme êxito, senão pensem apenas nas dezenas de mísseis que foram disparados (eles dizem que foram 103). Imaginam quanto irão facturar os fabricantes de armamento para repôr o stock? (as campanhas eleitorais têm que ser pagas, meus senhores).

Há uma chamadinha à memória dos leitores que é necessário fazer, no entretanto: A Síria combate o Daesh, os talibãs, os Estado Islâmico, o que queiram chamar aos radicais islâmicos, que curiosamente (ou não) foram financiados, treinados e elevados a salvadores de pátrias pelos... americanos! Agora que a Síria está em vias de ter dado cabo da ameaça à sua integridade, inventa-se mais uma manobra de diversão com a pantomima das armas químicas. E a maltinha acredita, como se não estivesse vivo na memória de todos a invasão do Iraque e posteriormente os golpes de estado na Líbia, na Tunísia e no Egipto, que são hoje autênticos paraísos, se comparados com as ditaduras de que os americanos e os ingleses e os franceses os libertaram. Agora, em liberdade, vão-se matando uns aos outros enquanto alguém tem que fazer o favor de extrair o petróleo, pronto, mas o que interessa isso comparado com o Kahdafi e os outros ditadores?

Adiante. Esperava ver nas nossas televisões, a começar pela independente estatal, o horror das populações a serem exterminadas após a libertação de enormes quantidades de químicos letais, resultantes dos bombardeamentos certeiros. Aliás, deveria até haver enorme preocupação pela resultante nuvem tóxica de tão certeiro ataque (e quem lê sobre estas coisas, sabe de como é letal o gás sarin e como se propaga de forma rápida), mas não. Não se deu por conta de que tivesse havido qualquer alteração às condições e qualidade do ar nos céus da Síria e países limítrofes, o que pressupõe que os mísseis americanos ao invés de explodirem implodem e levam uns saquinhos herméticos (tipo aqueles que os donos de canitos devem levar quando passeiam os seus amigos) que sugam as poderosas armas químicas e as armazenam por ordem alfabética e por potência letal. Deste modo, hoje, quando lá chegarem os senhores inspectores, têm o trabalhinho todo feito e será vê-los a confirmar que na prateleira A-2 está um gás tóxico que causa urticária, na A-3 um que causa caganeira, na C-21 um que causa alergia ao ocidente e por aí fora...

Ou então, digo eu que sou adepto de teorias da conspiração, os inspectores vão lá chegar e não encontrarão qualquer arma química e esse era mesmo o objectivo desta santíssima trindade, impedir que se investigasse, porque se sabia que se chegaria à conclusão a que se chegou no Iraque: Não há armas químicas!

Entretanto temos o senhor secretário-geral da ONU a fazer papel de embrulho. A gente sabe que ele poderes tem zero, mas tem boca. Então que a use de forma inteligente e assertiva, que não sirva apenas para dar voz ao dono. E já agora um recadito ao governo português: Compreensão não é uma posição de Estado. Há leis e convenções que deverão ser cumpridas nestas ocasiões, compreender uma agressão militar é posição de calças em baixo, mas para quem ofereceu hospitalidade a três criminosos de guerra nas Lajes, espera-se o quê?

Hoje já, a UE, que viu que não se vai lá com bombas, diz que até está pronta para ajudar à reconstrução da Síria. Claro que com as condições impostas pela Europa. E o Assad come gelados com a testa, 'né?

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