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Se a inês sabe disto

As mulas

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Deyse Ricarte é um nome de que nenhuma das pessoas que vai ler este post, tal como eu antes, alguma vez ouviu falar.

Esta brasileira morreu por estes dias num hotel de Lisboa por overdose de cocaína, que terá ingerido para tráfico, acondicionada em cápsulas de plástico. Esta mula (nome pelo qual são conhecidas as pessoas que utilizam este método para tráfico de estupefacientes), foi uma daquelas que teve "sorte", chegou ao hotel e só morreu porque uma das cápsulas se terá rompido, provocando-lhe a referida overdose.

Digo que teve sorte, porque certamente viajando no mesmo avião viria outra pessoa, que terá sido anonimamente indicada, que foi interceptada pela polícia e terá esperado em S. José pela saída natural das cápsulas.

É este o modus operandi das redes de tráfico, vêm sempre duas ou mais mulas e há sempre uma sacrificada, aquela a quem sai a fava da ida para a fila do SEF, a quem enviam para o hospital e depois para a prisão. As outras normalmente têm a sorte de passar e de esperar num quarto de hotel barato que a natureza faça o seu trabalho. A Deyse Ricarte foi a sortuda a quem saiu a fava, a miúda da favela, pobre, que viu neste aliciamento a oportunidade de uma vida melhor para si e para a sua família, parA quem teve ainda tempo de gravar um vídeo dizendo-lhes que os amava.

Enquanto isso, uns barões vão enriquecendo. E influenciando políticos e governos. E destruindo vidas e famílias a juzante destas mulas.

A questão é esta, concretamente: Não estará na altura de pensar seriamente na despenalização disto tudo?