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Se a inês sabe disto

A União Europeia e a precariedade laboral

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Há uma coisa na Comissão Europeia que se chama Direção-Geral para os Assuntos Económicos e Financeiros. É bom que haja, que convém que alguém pense nestes assuntos. Ora esta coisa acaba de publicar um estudo onde conclui que "existe espaço" para despedimentos nos contratos sem termo (vulgo efectivos), defendendo a sua liberalização em Portugal e Espanha: "Há espaço para ir mais longe em reformas que reduzam a proteção laboral excessiva nos contratos permanentes em países como Portugal e Espanha".

É curioso. A Comissão Europeia acaba de felicitar o governo português e a maioria de esquerda por resolver o grave problema dos precários e em simultâneo está "preocupada" pela rigidez da legislação laboral em Portugal, que torna os despedimentos sem justa causa especialmente difíceis.

Ora deixa cá ver se eu entendo: A Comissão Europeia congratula-se por o governo português procurar acabar com o trabalho precário, mas defende o trabalho precário. Ó cum caralho, eu seja cego se percebo alguma coisa! Eu vou escrever isto outra vez, a ver se lá vou devagarinho: A comissão Europeia elogia o esforço de Portugal em acabar com os contratos de trabalho precários, aqueles sem vínculo, em que um gajo pode ser posto no olho da rua a qualquer momento, mas recomenda que os gajos que tenham um trabalho com um contrato, aqueles gajos que deixaram à bocadinho de ser precários e estão por um momento felizes da vida e descansados quanto ao futuro, possam ser despedidos sem justa causa de forma igualzinha a como eram quando eram precários. É pá, deve ser de mim, porque isto deve ter uma lógica filha da puta que só eu é que não entendo!

Ou então são os gajos da Comissão Europeia, todos altas carolas, que não vêem um boi do que se passou nos últimos anos e não entendem que em Portugal, que é o que eu conheço que não sou muito viajado, a facilidade com que se desped(e)ia gente, foi causa próxima para o aumento exponencial do desemprego e para os piores resultados económicos de que há memória, mas isso para quem sente regularmente necessidade de ingerência nas políticas dos estados-membros a mando talvez, digo eu que às vezes parece que ando distraído mas não ando, dos grandes interesses económicos, pouco interessa, o que interessará mais é a voz do dono.

Com a actual legislação, ainda com "recomendações" da troika enxertadas, portanto altamente tóxica, o emprego foi aumentando paulatinamente, as coisas estão a melhorar, devagar é certo, mas estão, portanto o que se impõe é expurgar o que a troika exigiu que se incluisse na legislação laboral e andar para a frente, cagando nos senhores da Europa, que o que querem mais é que os pequenos estados e principalmente os do sul, se lixem.

Se não fosse sério, eu diria que aqueles senhores serão certamente formados em "alcoólicas e bagaceiras", tal a forma toldada como vêem aquilo que lhe está à frente dos olhos: Portugal ultrapassou a crise, contra tudo aquilo que recomendavam, passando-lhes um enorme atestado de incompetência e só um gajo com uma ganda bubadeira pode vir defender o que se provou estar completamente errado.

Só há uma conclusão lógica e que me pode convencer: Foi com vinho a martelo!

3 comentários

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Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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