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Se a inês sabe disto

A estrada e os acidentes

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Ouvi, enquanto vinha a conduzir, portanto numa telefonia que equipa o carro, uma notícia que me deixou aparvalhado.

Dizia o senhor Secretário de Estado da Protecção Civil, que uma das muitas medidas que estão a pensar implementar para reduzir a sinistralidade nas estradas, é a inibição do sinal de telemóvel no interior das viaturas.

Eu cagava-me já aqui todo a rir, se o ridículo desta afirmação não tivesse sido dito como se de uma coisa séria se tratasse. 

Repito o que escrevi no primeiro parágrafo: Ouvi a notícia numa telefonia que equipa de série o carro. Ora diz o senhor que "as soluções mãos livrers podem limitar o uso da mão, mas não resolvem o problema da distração". Este gajo não sabe os pulos que eu dou quando vou no carro a ouvir um relato do Sporting e a coisa não está a correr bem. Isso comparado com uma chamada telefónica feita com o mesmo sistema que usa a telefonia para me dar música ou informação, é coisa de meninos e motivo para parar na berma mais próxima.

Quer o governo baixar os sinistros nas estradas e as mortes daí resultantes. Não faz mais que a sua obrigação, mas antes de aventar medidas parvas e completamente falhas de sentido, que tal começar por nos dizer a nós, condutores e peões:

- Quais os pontos críticos nas vias e como pensa resolver as incorformidades, eliminando o risco;

- Que pensa fazer em relação ao piso de grande parte das EN, eles próprios factor intrínseco para a ocorrência de sinistros;

- Que pensa fazer em relação à inexistência ou deficiente ou em condição degradada, da sinalização horizontal e vertical;

- Onde ocorrem a maior parte dos acidentes mortais e em que circunstâncias, se em meio urbano, se em estrada ou auto-estrada;

- Quantos dos sinistros foram causados por excesso de velocidade por tipo de via (urbano, EN e AE).

Resolvendo estes assuntos e ao procurar dados para informar condutores e peões, ficará o Estado em condições de procurar minimizar o flagelo das mortes nas estradas.

Sabe-se, por exemplo, que 54% das mortes ocorreram dentro das localidades. Se assim é, há que tomar medidas e então se o problema é a distracção, acabam-se com as telefonias dentro das localidades, perdão com os telemóveis com sistema mãos-livres, perdão com os carros, perdão com os peões, perdão com o trânsito...

Vamos deixar de ser ridículos, senhor Secretário de Estado. Drones e helicópteros para controlo de velocidade nas auto-estradas? A sério? E se houver um acidente grave na auto-estrada, quanto tempo demorará um helicóptero a sério, daqueles que levam acidentados, a chegar ao local do acidente? E o drone, não causará distracção ao condutor e até aos restantes ocupantes da viatura, condicionando a condução?

Reduzir a velocidade dentro das localidades é imperioso, devia ter sido uma medida tomada há muito, mas com sentido e sabendo-se o que se está a fazer. Uma via não "pede" 30 Km/h em toda a sua extenção, assim como as passagens de peões devem ser bem sinalizadas e a sinalização semafórica deve ser implementada e programada para evitar que se ultrapasse a velocidade permitida.

As estradas municipais são um cancro, na maior parte dos municípios. Que tal obrigar as câmaras a investir na segurança rodoviária e a repavimentar as suas vias?

As estradas nacionais não apresentam um estado de saúde muito melhor que as municipais. Que tal em vez de se começar já por colocar radares, logo a facturar contra-ordenações leves e graves e muito graves, se procurar tratar da vergonha que são a maior parte dos pisos das EN?

Que tal tratar de obrigar os concessionários das auto-estradas a fazer a sua manutenção preventiva, no sentido de evitar pontos negros e pisos que nalgumas delas e nalguns troços, mais parecem picadas e aumentar o limite de velocidade, em locais que o permitam, em mais 10 ou 20 km/h?

Que tal não dar o espectáculo abjecto de ver passar nas AE uns carros com luzes azuis pequeninas a piscar, excedendo largamente o limite de velocidade, só porque lá dentro vai um membro do governo?

Que tal orientar a política de segurança nas estradas para a prevenção e não para a repressão?

Olha e já agora, porquê permitir que os carros andem mais que a velocidade permitida por Lei?

Mas já percebemos, o problema é do telemóvel e das mãos-livres. Olhe, senhor Secretário de Estado, não se esqueça do GPS... Para não se desorientar, claro!

Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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