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Se a inês sabe disto

A culpa é do Daniel Oliveira?

Ponto prévio: Um pedido de desculpas aos visitantes do blog, pela falta de assiduidade que se tem verificado por aqui, por parte dos autores.

Adiante. 

Temos vindo a assistir, concretamente na TVI, estação líder de audiência até há quinze dias, a um caminho e a uma linha editorial que nos deve, aos democratas em geral, deixar preocupados. A coberto da guerra pelas audiências, a TVI está a revelar uma linha de rumo bastante delicada, contudo claramente de orientação populista. Veja-se os convidados de Goucha no programa das manhãs. Sabendo-se que o público das manhãs e das tardes é muito mais influenciável (porque mais idoso, porque menos culto, porque mais discriminado, porque mais receptivo a boatos e situações de alarme), a TVI tem apostado em combater a ultrapassagem da SIC com a contratação de Cristina Ferreira, com convidados e reportagens que tentam explorar o que de pior o ser humano tem, a inveja e fazer a elegia de regimes e pessoas e situações, com a justificação torpe de que em Democracia se deve permitir tudo, que remetem para um passado do país de tão triste memória. Reclamar a vinda de Salazar, o próprio ou um clone, e do seu regime fascista (convém chamar os bois pelos nomes, para que não haja dúvidas da parte de quem lê este texto), é querer regressar a um passado de tão má memória para quase todos os portugueses que viveram sob o seu jugo e que têm bem presente o que era viver na mais abjecta miséria. 

É fácil vender a quem nasceu em Liberdade e Democracia um discurso populista e é por aí que a TVI tenta reconquistar as audiências, ao avançar no dia e a chegar ao jornal das oito, com reportagens tendenciosas, sem contraditório e com alvos concretos: Homens e mulheres de esquerda, em posições relevantes, que podem eventualmente ter cometido alguma irregularidade ou ilícito e que são sujeitos, na praça pública, a um julgamento público inaceitável num estado de direito que se preze. Não me argumentem com a liberdade de imprensa ou editorial e com a investigação jornalística, quando toda a acção tem um fito, um objectivo claro, que é fazer política e seguindo a voz do dono, tentar fazer cair executivos.

O exemplo de Sócrates, goste-se ou não do homem (eu não gosto, sou insuspeito) e a  invasão da sua privacidade de que foi alvo à porta da nova casa, na Ericeira, é abjecta e um exemplo claro do que atrás disse.

Ontem calhou na rifa Bernardino Soares e a Câmara de Loures. A propósito da contratação de uma empresa unipessoal (uma aberração de um qualquer governo do PS ou PSD) detida pelo genro de Jerónimo de Sousa. Quem viu a reportagem fica a "saber" que houve um nítido favorecimento a uma pessoa/empresa com uma ligação íntima ao secretário-geral do PCP, partido que ganhou as eleições em Loures e que legitimamente exerce o poder na autarquia. A edição da peça é digna do melhor de Kafka. Ao presidente da câmara não é dada a oportunidade do contraditório, o "jornalista" interrompe qualquer resposta no início da frase e o que prevalece é o intuito claro de causar mossa, nem que para isso se apanhe Jerónimo de Sousa completamente desprevenido (Jerónimo de Sousa que recebe de ordenado pouco mais de 700 Euros como secretário-geral do PCP - o restante entrega ao partido, como alguns leitores saberão -  vive em Pirescouxe numa casa alugada e nem carro próprio tem, nem um chaço) e se lhe "amande" com uma pergunta insidiosa, insinuante, provocatória (tentando obter alguma reacção menos calma).

Não fui mandatado, mas como conheço o processo vou tentar esclarecer os leitores: A câmara de Loures tinha um contrato de prestação de serviços com duas empresas cujo objecto (do contrato) era a manutenção e conservação dos abrigos (vulgo paragens dos autocarros). Quando esses contratos terminaram, por achar que os valores eram elevados, a câmara de Loures entendeu abrir concurso com consulta a três empresas para executar este serviço. Ora acontece que quem apresentou o menor preço (factor essencial) foi uma empresa em nome individual, portanto legal, portanto com condições de efectuar um contrato com uma entidade pública porque não tem dívidas nem ao fisco, nem à segurança social, titulada por uma pessoa que é genro do secretário-geral do PCP. Parece-me que a suspeita de favorecimento levantada descaradamente na reportagem (e que o "jornalista" foi antecipadamente anunciando, vi e ouvi eu com estes que a incineradora há-de tratar), cai por terra com a transparência do processo. Conforme dispõe a Lei, é público e está publicado, tal como todos os trâmites até se chegar à assinatura do contrato. Resta acrescentar que com a reformulação deste contrato, a autarquia poupou 15% no valor que pagava às duas anteriores empresas, portanto podem os lourenses estar descansados com os destinos do seu dinheiro, que a câmara gere e gere bem e com parcimónia (as contas de gerência bem o demonstram e também são públicas e publicadas).

Voltando ao início deste texto, como diz na reportagem Jerónimo de Sousa, não vale tudo e o que está a acontecer com a Media Capital, proprietária da TVI, é que para reconquistar o seu poderio, logo mais receitas de publicidade e de chamadas de valor acrescentado (a sua maior fonte de receita, segundo os R&C anuais), a TVI está a recorrer a métodos que julgava ultrapassados no Portugal (apesar de tudo) democrático: A perseguição, a calúnia, a apologia de ditadores e da ditadura fascista, dar a palavra a fascistas e xenófobos, a fazer o que a extrema-direita nunca conseguiu, desde os tempos do MIRN, que é usar a democracia para promover os anti-democratas.

Lá no título eu pergunto se a culpa é de Daniel Oliveira, por ter sido o homem da ideia de contratar Cristina Ferreira e que causou o terramoto na TVI, mas claramente que não. Os axaques de direita e de totalitarismo estão lá, até na exploração dos seus trabalhadores das novelas, que lhes dão tanto dinheiro (técnicos e actores), que trabalham 12 horas por dia, de sol a sol portanto, como no tempo do fascismo!

Por mim, audiências, zero! Vão-se foder!

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