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SE A INÊS SABE DISTO!

SE A INÊS SABE DISTO!

10 de Setembro, 2018

Parabéns ao Sporting

Edmundo Gonçalves

Não fui votar.

A minha indecisão foi resolvida em tempo e o meu apio seria para Benedito. Mas nem sempre somos nós que comandamos o ritmo dos nossos dias, por isso apenas hoje estou em casa e por isso apenas na madrugada/manhã de ontem, Domingo, soube o resultado da eleição.

Ouvi quase nada da declaração do novo presidente do Sporting, ainda estou a colocar o fuso no lugar, mas pareceu-me entender que já prometeu títulos. Nada a opôr, se não fosse para obter títulos, os sócios (ou votos, se quisermos) não teriam confiado nele e na sua equipa, mas parece-me que será assunto a ser tratado com pinças, para evitar erros recentes, que me parece que não virão a ser cometidos, apesar de tudo (pelo menos é o meu desejo e certamente de todos os sócios e adeptos).

Já aqui escrevi que nada me move contra Frederico Varandas como pessoa e que até nutro alguma simpatia por ele, reconhecendo-lhe, na minha humilde ignorância na matéria, capacidade excepcional na sua área profissional, a ver pelo que dele dizem os seus pares. Não lhe dei o meu apoio apenas pelo "lastro" que carregava na lista, não me incomodando a forma como entende dirigir o clube, afinal todas as fórmulas são boas desde que vencedoras e cá estaremos para ver os resultados, que é o que comanda a vida de quem entra num jogo do qual não domina todas as vertentes, porque honesto, porque não entende o jogo sujo como um fim para atingir resultados.

Frederico Varandas foi eleito com uma diferença de votos não correspondente ao número de eleitores. Teve menos pouco mais de mil votos que João Benedito, ou seja, o segundo classificado teve mais eleitores que o vencedor. Não é novidade, já aconteceu noutras eleições e apesar de não retirar qualquer legitimidade aos resultados, abre a porta a uma discussão entre os sócios sobre a busca de uma nova fórmula de distribuição do número de votos, não perdendo de vista o factor antiguidade, mas permitindo que o leque feche de modo a que não haja uma diferença tão grande, sendo que o que eu defendo é mesmo um sócio/um voto, mas admitindo uma solução como a que referi atrás. Este acto de reflexão servirá também para resolver a questão da segunda volta. Felizmente houve uma concentração de votos em dois (três se considerarmos Ricciardi) candidatos e o espectro de uma clivagem que resultaria da eleição de um presidente com pouco mais de 15% dos votos e seria trágico, foi afastado.

Estas são as regras do jogo e com elas Varandas venceu, está portanto no lugar de presidente em pleno direito e a sua vitória é incontestável. Quando refiro está no lugar de presidente, reporto-me ao que li no post do Pedro Correia, onde o nóvel presidente diz que não é o Sporting. Começa bem, não se confundindo com o clube. Que continue, que terá aqui um apoiante tardio (que a exemplo das colheitas tardias de uvas, poderá ser dos bons) e por tardio quero inferir convicto, que o apoio "institucional" tem, a partir da tomada de posse

Ainda assim quem está mesmo de parabéns é o Sporting, que julgo, espero e desejo, com este resultado inequívoco terá começado a fase de cicatrização das feridas abertas no passado recente.

E agora uns dediquem-se ao seu trabalho de dirigir e outros à sua obrigação de apoiar o clube e as suas mais variadas equipas e atletas. Sem que deixem de estar vigilantes, porque a qualquer altura, quando menos esperarmos, isto pode virar-se tudo ao contrário e se à primeira caem todos, à segunda...

 

Publicado também aqui.

07 de Setembro, 2018

É hoje, é hoje!

Edmundo Gonçalves

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Mais logo, ao final da tarde, abriram mais uma vez as portas daquela que é a maior manifestação cultural e política do nosso país, para mais três dias de convívio, espectáculos, boa comida e boa bebida. Se quiser política também há, mas não chateia.

Porque esta é uma manifestação cultural de elevado conteúdo, que abarca todas as regiões do país e até do estrangeiro, através do Espaço Internacional, onde pontificam tasquinhas dos mais variados cantos do globo, hoje quero falar-vos, se por acaso estão a pensar dar um pulinho à Quinta da Atalaia, de um espaço novo na Festa: A Rota dos Sabores, uma viagem pelos sabores e tradições de Loures, onde poderá saborear o que de melhor por lá se produz em queijaria, salsicharia e sobretudo vinhos, com a casta Arinto como cabeça de cartaz. Vai lá ter queijos diversos, chouriço assado e vinho, muito vinho, desde o Prova Régia, ao Quinta da Murta, até ao Morgado de Sta Catarina e aos espumantes da Quinta da Romeira, numa celebração desta casta tão característica da região. Acrescenta-se ainda a esta oferta digna dos deuses, o pão de Montachique, para que o que vai beber não caia no "vazio".

E depois de estar com o estômago aconchegadinho, circule, que o que mais há por lá são coisas bonitas de se ver, dos espectáculos às exposições e da feira do livro às diversões para graúdos e miúdos.

Se nunca foi, atreva-se. Olhe que o Celinho das selfies adora. E esse é insuspeito.

 

 

04 de Setembro, 2018

Jornalismo de pacotilha

Edmundo Gonçalves

algemas.jpg

 

Foi detido um canalha que supostamente sequestrou uma criança do sexo feminino em Amora, concelho do Seixal, no Sábado, quando brincava num parque infantil.

A criança já havia sido encontrada num local próximo ao do sequestro, na madrugada de Domingo, sem danos físicos aparentes, segundo testemunhas.

A razão do título deste post tem a ver com a sanha de sangue e voyeurismo que toda a comunicação social emprega na descrição do caso.

Para a maioria dos jornais e canais de televisão, o rapto passa a ser acessório, quando há a possíbilidade, ainda que esta seja ínfima, de a criança ter sido violada.

Eu gostava de saber que interesse terá o público no facto de ter havido abuso sexual e mais, como se sentirão os pais e a própria criança no meio em que vivem, convivendo com este facto. Como conviverá esta criança com os colegas na escola, que como sabemos sabem ser imensamente cruéis?

Vivemos de facto tempos em que vale tudo para ganhar audiência, mas que diabo, onde anda o pudor, a vergonha e mais que tudo, o profissionalismo? Ou vivemos um tempo em que por um prato de lentilhas se vende a dignidade pessoal e profissional, ainda que isso leve a que a vida futura de uma criança possa ficar irremediavelmente marcada?

Podres tempos, estes.

 

Nota final: Para que a cobertura da notícia fosse ainda mais abjecta, só faltou dizer que o rapto foi junto ao local onde se realiza a Festa do Avante...