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SE A INÊS SABE DISTO!

SE A INÊS SABE DISTO!

30 de Agosto, 2018

A borla do Costa

Edmundo Gonçalves

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O governo apresentou uma medida que visa isentar em 50% no desconto para o IRS, aqueles que se ausentaram do país por "proposta" de Passos Coelho, que se bem se lembram, convidou os portugueses, concretamente os jovens quadros, a emigrarem. Ora para aqueles que entre 2011 e 2015 tenham vivido fora de Portugal, o governo acena-lhes com um desconto no IRS, como disse no início, de metade, caso queiram regressar nos próximos dois anos.

A medida, assim numa primeira apreciação parece positiva. Sendo o objectivo fazer regressar gente jovem com formação superior, seria de aplaudir. 

Há no entanto algumas questões que gostava de colocar e que me parecem dever ser esclarecidas:

1- Durante quanto tempo vigorará esta isenção;

2- Porquê apenas para quem saiu entre 2011 e 2015 e não por exemplo desde 2008, o início da crise?

3- Garante o governo empregos a quem queira regressar e também impoprtante empregos com estabilidade?

Estas são questões importantes não apenas para quem queira regressar, mas para quem não quis sair. Não podemos esquecer que apesar do êxodo de quadros, muitos houve que não quiseram deixar o país, aguentando o barco. E a esses, o que oferece o estado, penaliza-os com a taxa completa de IRS? E aos que estão fora e que queiram regressar, oferecerá o estado (e as empresas que os irão absorver) os mesmos ordenados que auferem no exterior, que sabemos ser bastante superiores ao que se paga por cá?

Em resumo, esta poderia ser uma bela medida, se não vivêssemos num país de baixos salários e onde a mão-de-obra qualificada, com formação superior ou não, não se visse obrigada a sair para ver recompensado o seu valor.

Arranjem lá o país com ordenados decentes, paguem às pessoas valores que não as condenem a uma vida de endividamento constante (a casa, o carro, a faculdade dos filhos, os electrodomésticos, as férias, e coisas básicas como a roupa que vestem e a comida) e verão que não é preciso descontos nos impostos para que as pessoas regressem e as outras não saiam. É uma dica...

 

20 de Agosto, 2018

Quando um não é um nim

Edmundo Gonçalves

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Confesso que não sou poliglota por aí além, sei castelhano que baste para não ficar mal visto em Espanha e francês e inglês que me permitem manter uma conversação normal.

Mas sei cada vez menos português!

Quando eu era miúdo e os meus pais ou avós me diziam "NÃO", aquilo queria dizer apenas e só simplesmente não.

Não, era não e pronto!

Depois vieram os tipos que fazem as leis e a carrada deles que as interpreta (e que comem todos da mesma gamela) e hoje um não, que a maior parte das vezes já é um "NIM", corre o sério risco de ser um "SIM".

Para que conste, eu prefiro o tempo em que era miúdo.

 

Publicado originalmente aqui.

16 de Agosto, 2018

Quéque vai fazer este fim-de-semana?

Edmundo Gonçalves

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Está de férias e anda por aí a laurear a pevide na zona centro, pelos lados de Tomar e não sabe o que há-de comer no Sábado ou no Domingo? Há imensas opções ali à volta, já se sabe, mas os senhores do tempo dão subida de temperatura, coisa assim parecida com aquela onda de calor de há quinze dias e eu aconselhava a que não se "amandassem" para o leitão, o cabrito ou o borrego, que pode ser complicado de digerir.

Sem qualquer interesse que não apenas o de ser o sócio n.º 16 da colectividade e de fazer parte da grande (em talento e número) e harmoniosa equipa que irá tratar de preparar, servir e levar até aos visitantes todas as iguarias que viu no cartaz ali em cima, sugiro que passe por S. Miguel e tire todas as dúvidas que eventualmente possa ter sobre a qualidade do produto e da sua confecção e opte por uma refeição mais ligeira, que o seu estômago agradece. Do mar ao prato, cumprindo todas as regras de higiene e segurança alimentar. Passe por lá, atreva-se!

16 de Agosto, 2018

I Dreamed A Dream - A diva partiu

Edmundo Gonçalves

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Aretha Franklin foi considerada a maior cantora de todos os tempos pela revista Rolling Stone.

Para lá da carreira musical, Aretha tornou-se também numa das vozes mais relevantes da América Negra e um símbolo da igualdade racial. 

Morreu hoje, aos 76 anos, a raínha do Soul.

 

 

 

 

14 de Agosto, 2018

Este vício estranho de matar mulheres

Edmundo Gonçalves

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Vamos a pouco mais de metade do ano e já estão contabilizados 16 assassinatos de mulheres pelos seus "companheiros" (a palavra está entre aspas por razões óbvias, como facilmente se entenderá), quase tantos como os registados no ano passado, vinte. Os assassinos estão mais selectos este ano, a arma mais utilizada é a faca. Já foi bem pior, se há alguma legitimidade ou fará algum sentido utilizar o termo, uma vez que há registo de 45 casos em 2014, o que quer dizer que a linha descendente que vinha sendo registada, com 30 casos em 2015 e 22 em 2016 e os tais 20 o ano passado, começou a inverter o sentido. Das 16 mulheres que foram assassinadas desde Janeiro, 11 mantinham “relações de intimidade” com o homicida - que era marido, companheiro ou namorado. Só num caso o agressor era um ex. Em quatro situações, tratou-se de filhos que mataram as mães.

Sinceramente não sei o que poderão ou deverão fazer as autoridades, quando as vítimas não querem e a maior parte das vezes não podem, sinalizar a violência de que vão sendo alvo. Não sendo entendido na matéria, o que me salta à vista é que deste grupo de mulheres, uma parte delas estava numa faixa etária acima dos 65 anos, havendo uma outra parte noutra compreendida entre os 36 e os 50 anos, seis no primeiro caso, cinco no segundo, o que revela que as restantes cinco vítimas estavam abaixo desta faixa etária.

Se para as mulheres mais velhas pode haver ainda algum motivo que faça compreender o seu silêncio, fruto de uma educação em que o homem era o senhor (quem não se lembra daqueles azulejos ridículos mas sintomatizantes duma mentalidade vigente que diziam "cá em casa manda ela, mas nela mando eu"?), já é menos compreensível que as mulheres mais jovens silenciem a violência de que são vítimas. É certo que só quem vive a situação sabe os seus contornos, mas não deixa de ser também revoltante que a grande maioria dos assassínios tivessem ocorrido dentro de casa (15), um lugar onde supostamente se estaria em segurança.

Conforme afirmei, não sei o que podem fazer as autoridades, mas sei que este é um problema que deve começar a ser tratado desde o berço e não está a ser, como é disso exemplo também a violência entre jovens namorados, que é uma realidade que se pode ver até nas escolas.

Angelina, Céu, Margarida, Marília, Vera, Silviana, Nélia, Maria, Albertina, Maria de Lurdes, Ana, Arminda, Margarida C., Etelvina, Olga e Ni, esta é a minha singela homenagem...

06 de Agosto, 2018

O preço da mensagem

Edmundo Gonçalves

 

É este mês que o Ministério da Solidariedade e da Segurança Social vai actualizar mais uma vez o valor das reformas mais baixas, vulgo de miséria.

Este fim de semana vi uma carta emitida pelo sr. ministro Vieira da Silva, com todos os considerandos sobre este aumento extraordinário, tecendo argumentos à bondade e justiça deste aumento, que são reais e fazem sentido, “principalmente aqueles que durante vários anos, entre 2011 e 2015, não tiveram nenhum aumento de pensões” e que “assim terão melhores condições para enfrentar as dificuldades da vida e para poderem ter maior nível de bem-estar”, diz o sr. ministro. Ora a carta que eu vi (vi, ninguém me contou) anunciava um aumento extraordinário de um Euro e sessenta e oito cêntimos (1,68€). Se isto é um aumento que ajuda a ter melhores condições para enfrentar dificuldades da vida, vou ali à mata fazer aquilo que os leitores muito bem sabem e volto de imediato.

O que entristece, confesso, é não só a miséria deste aumento (que faz parte de um aumento global de 10€ neste ano de 2018, por iniciativa do PCP na Assembléia da República, já agora), mas o comentário que o acompanha quase sempre: "é sempre melhor, mesmo sendo pouco, que retirarem". Sim, a memória é curta, mas há bem pouco tempo andaram a cortar fatias a reformas de miséria, para pagar uma crise que os velhos não criaram e da qual nada beneficiaram.

Por último e voltando ao título do post, o valor do envio desta carta, estava lá o "porte pago" no envelope, foi certamente mais caro que os miseráveis 1,68€ do aumento daquela pensão. Mas há que dar uma "colher de chá" aos amigos dos CTT, certo?

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