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SE A INÊS SABE DISTO!

SE A INÊS SABE DISTO!

30 de Julho, 2018

Faz o que eu digo...

Edmundo Gonçalves

Lisboa: Ricardo Robles renuncia ao cargo de vereador

 

O rapaz Robles (ainda não percebi se é com um éle ou com dois), fez aquilo que seria o sonho de qualquer um de nós, meu e dos estimados leitores deste também estimado blogue.

O que fez o rapaz Robles (com ou sem dois éles), foi investir num prédio que a Segurança Social detinha em Alfama, ali mesmo em frente ao museu do fado (se interessar, no Largo do Terreiro do Trigo) e que estava a cair de podre. Tinha lá inquilinos! Sim, a Segurança Social era dona de um prédio, cujas fracções alugava e que estava impróprio para habitar. Tanto estava impróprio para habitar que o rapaz Robles (sim, os éles...), logo que adquiriu o imóvel, em leilão, aberto a quem quizesse licitar, pela quantia de trezentos e qualquer coisa mil Euros, foi de imediato notificado pela câmara de Lisboa a fazer obras de recuperação e restauro. Obras onde gastou um pouco mais de seiscentos mil Euros. Parece que terá indemnizado um ou outro inquilino, outro levou a coisa para o litigioso e um outro aceitou ficar com novo contrato, ao que consta por um valor razoável. Gastou pois o rapaz Robles (chiu! já chega de éles...) a quantia significativa de quase um milhão de Euros, numa operação bancária que envolveu um empréstimo, que está a pagar, ao que consta sem atrasos, ao banco que lha concedeu.

Os caros e caras leitores e leitoras (sim, nós aqui também valorizamos e muito os nossos leitores e leitoras), acharão que não há aqui nada de ilegal e como disse lá em cima, até não enjeitariam estar no lugar do rapaz, sobretudo depois de se saber que o imóvel esteve à venda por quase seis milhões de Euros. Dizem as más línguas e algumas virgens puritanas (e outras virgens não tão puritanas, mas vá...) que o valor real do imóvel seriam cerca de dois milhões e meio de Euros, portanto o resto será especulação.

A bem dizer, eu também tenho uma casa para vender (está aí numa agência se houver alguém interessado...) e se me derem, um "supônhamos" dez, eu não vendo por cinco, n'é? Ou seja, é essa coisa do mercado que dita o preço e a minha casa que já foi avaliada por quinhentos mil, hoje vale dois terços disso.

O que fez o rapaz Rob... uf, que chatos, combinamos que será apenas com um éle, ok?! o que fez o rapaz Robles então? Pois limitou-se a fazer o mesmo que eu, dirigiu-se a uma imobiliária, terá feito um contrato de exclusividade, que as imobiliárias também não brincam em serviço e não prescindem dos seus de três a cinco por cento do valor da venda, e a imobiliária, que deve perceber mais de imóveis e dos seus preços que o rapaz Robles, achou que o valor de 5,7 Milhões de Euros pelo imóvel seria o valor justo. Por acaso até ninguém lhe pegou, por azar do rapaz Robles, mas que até aqui não se vislumbrou qualquer ilegalidade, ai isso é clarinho como água.

Então qual a polémica com isto tudo? Pois, se eu vender a minha casa (oxalá não demore muito), não haverá ninguém, nem sequer o gajo do jornal local que vive à pála da publicidade paga pela câmara (que se lixe, a imprensa local tem que sobreviver, n'é?), que publicite a transacção, nem queira saber quanto me custou ela a construir, nem quanto paguei de juros ao banco, até porque eu, apesar de condenar a especulação imobiliária e o lucro desenfreado dos fundos imobiliários, não ando a gritar por aí as minhas convicções. Já o rapaz Robles, fez da especulação imobiliária o seu cavalo de batalha na última campanha eleitoral para as autarquicas, onde foi eleito vereador para a câmara de Lisboa, demonstrando grande ferocidade a condenar os que se aproveitam do boom turístico para ganhar este mundo e o outro com casas nas zonas nobres da capital do "império".

Perguntarão os leitores, "mas então o rapaz Robles não pode vender o prédio com a mais-valia que o mercado ditar?"

Pode.

Mas não deve!

 

16 de Julho, 2018

As mulas

Edmundo Gonçalves

Imagem relacionada

 

Deyse Ricarte é um nome de que nenhuma das pessoas que vai ler este post, tal como eu antes, alguma vez ouviu falar.

Esta brasileira morreu por estes dias num hotel de Lisboa por overdose de cocaína, que terá ingerido para tráfico, acondicionada em cápsulas de plástico. Esta mula (nome pelo qual são conhecidas as pessoas que utilizam este método para tráfico de estupefacientes), foi uma daquelas que teve "sorte", chegou ao hotel e só morreu porque uma das cápsulas se terá rompido, provocando-lhe a referida overdose.

Digo que teve sorte, porque certamente viajando no mesmo avião viria outra pessoa, que terá sido anonimamente indicada, que foi interceptada pela polícia e terá esperado em S. José pela saída natural das cápsulas.

É este o modus operandi das redes de tráfico, vêm sempre duas ou mais mulas e há sempre uma sacrificada, aquela a quem sai a fava da ida para a fila do SEF, a quem enviam para o hospital e depois para a prisão. As outras normalmente têm a sorte de passar e de esperar num quarto de hotel barato que a natureza faça o seu trabalho. A Deyse Ricarte foi a sortuda a quem saiu a fava, a miúda da favela, pobre, que viu neste aliciamento a oportunidade de uma vida melhor para si e para a sua família, parA quem teve ainda tempo de gravar um vídeo dizendo-lhes que os amava.

Enquanto isso, uns barões vão enriquecendo. E influenciando políticos e governos. E destruindo vidas e famílias a juzante destas mulas.

A questão é esta, concretamente: Não estará na altura de pensar seriamente na despenalização disto tudo?

14 de Julho, 2018

Uma saída em ombros

Edmundo Gonçalves

 

 

 

Voltando um pouco ao tema do meu último post, as corridas de toiros, permitam-me que faça aqui um paralelismo com a tourada que foi a cimeira da NATO, que decorreu nestes dois últimos dias. 

O resumo será curto e será mais ou menos este: O presidente que Putin colocou na Casa Branca (hoje já poucos duvidam da interferência da Rússia nas eleições americanas e na sua manipulação a favor de Trump), exige que os restantes membros da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) aumentem substancialmente as suas contribuições para a organização, mais concretamente que cheguem aos 2% dos seus PIB. E quando os outros lhe fizeram um manguito (apesar de quase todos terem aumentado significativamente as suas contribuições) ele amuou. Em linguagem tauromáquica, encostou-se às tábuas, assim como fazem os mansos que depois atacam à falsa fé e por vezes espetam cornadas mortais. A coisa acabou por se resolver, depois de uma reunião de emergência em que os restantes fingiram que estavam muito incomodados e que se fosse preciso, até deixavam os EUA sós na organização. E, quais cabrestos, lá conduziram o toiro de volta à cimeira. A lide acabou por ser um êxito, havendo direito a duas orelhas, para a Alemanha que ficou na sua de não dar mais dinheiro para armamento e um par de bandarilhas para Trump, que apesar do "traje de luces", levou uma enorme faena dos parceiros europeus.

A vitória dos países europeus membros da NATO foi tão retumbante que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, comemorou de forma tão esfusiante que parece ter-lhe subido o sucesso à cabeça. Bom, o sucesso ou outra coisa qualquer, o certo é que saiu em ombros, pela porta grande. Olé!

 

 

 

 

06 de Julho, 2018

Pelos cornos

Edmundo Gonçalves

Deputados chumbam projeto do PAN para abolir touradas

 

Sou aficionado.

Não sou contudo fundamentalista.

Aprecio corridas de toiros, garraiadas, largadas, de uma forma geral tudo o que se prende com a festa brava, onde pontifica em lugar de destaque a forcadagem.

Entendo e respeito quem não aprecie e até quem seja frontalmente contra.

Não justificarei nunca o meu gosto atacando quem pensa de forma diferente da minha.

Não responderei àqueles que me acusam de bárbaro e conivente com maus tratos a animais na mesma moeda, vivemos num país livre e cada um tem o direito de defender o que achar mais justo. Claro que me incomoda a forma e o modo como eu e os que como eu gostam de corridas de toiros somos tratados por quem está contra, mas as atitudes ficam com quem as toma e pratica.

Somos acusados, os que são aficionados e os que apenas gostam da festa, porque gostamos duma actividade anti qualquer coisa e quaisquer argumentos que utilizemos esbarram sempre na barbárie. É verdade que não vivemos na idade média, os valores são obviamente outros, mas que diabo, acham os anti que quem gosta não se preocupa?

Dizem-me que há estudos que dizem que o facto de as corridas de toiros serem transmitidas na televisão, pode causar problemas psicológicos às crianças que as vêem. Não contesto, contudo, à hora a que são transmitidas as corridas de toiros, não deveriam os pais já ter mandado para a cama as criancinhas? Não, não esperem pelo argumento dos filmes e jogos violentos para contrapôr, apenas coloco aos pais a questão de regras elementares de saúde, que aprendi em pequeno: "Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer", de modo que se esta máxima for cumprida, os meninos estão dispensados das touradas e dos filmes de tiros e bombas. Não estão dispensados das guerras, do genocídio, dos refugiados e das mortes estúpidas de crianças como elas, porque isso passa nos telejornais e aí eles ainda estão à mesa. Olha, outra regra interessante, jantar sem televisão!

Não quero comprar qualquer guerra com ninguém, mas deixem-me lá regalar-me com aquilo que gosto e ir cumprindo uma tradição secular.

 

 

Nota: Entretanto uma proposta de lei apresentada no parlamento pelo PAN (partido pessoas e animais) no sentido de proibir as corridas de toiros, foi regeitada pela maioria dos deputados.

04 de Julho, 2018

De olhos em bico

Edmundo Gonçalves

 

Sairam, tal como Portugal, nos oitavos do campeonato do Mundo, mas deram uma lição de civismo, tal como já haviam feito nos jogos da fase de grupos.

Quem dera ter por cá gente com tanto sentido de responsabilidade e respeito pelo próximo. Lembrei-me de repente daquelas pessoas que, com uma falta de civismo atroz, entulham os espaços junto aos contentores de resíduos sólidos urbanos, por exemplo, ou que fazem despejos ilegais de tudo e mais um par de botas em locais de acesso remoto. 

 

 

 

E os jogadores e staff técnico fizeram tal qual os seus compatriotas, agradecendo ainda pela utilização do espaço (Obrigado. Japão). Chapeux! Je suis Japon!