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SE A INÊS SABE DISTO!

SE A INÊS SABE DISTO!

29 de Março, 2018

O país da matança

Edmundo Gonçalves

Para quem ficou a pensar que ia ler alguma discorrência sobre a tradicional matança do porco, vai ter que esperar algum tempo que hoje vamos falar de outras mortes violentas.

Já aqui prestei homenagem a Marielle Franco, a vereadora do Rio de Janeiro executada há duas semanas.

Chega agora a vez de falar de Lula da Silva. Depois da tentativa de assassinato político, encenada em julgamentos fantoches alicerçados em provas sem qualquer fundamento (um apartamento que terá recebido que se provou não ter sido sequer sua propriedade), aconteceram já duas tentativas de assassinato à séria. A primeira, há uns dias, quando se verificou que um carro carregado de explosivos seguia o carro do ex-presidente e anunciado candidato à presidência do Brasil; A segunda, ontem, quando dois autocarros da comitiva de Lula foram baleados, no estado do Paraná. Felizmente não houve mortes a lamentar, mas os dois autocarros onde seguiam os jornalistas e convidados, foram atacados à bala. Lula saiu ileso, porque, talvez por precaução, seguia numa viatura ligeira, bem vigiada.

Depois do golpe de estado contra Dilma (Um parêntisis para afirmar que Dilma teve o mandato cassado apenas porque usou uma ferramenta corriqueira e legal por exemplo nos países da União Europeia, que foi a de alocar verbas do orçamento para rubricas para onde não estavam consideradas, sem desvios, sem roubos, sem nada na manga. Foi, a maioria considera-o, um golpe de estado), Ora depois deste golpe anti-democrático, perpretado por gente da direita mais reaccionária do Brasil, Temer incluído, essa direita revanchista, saudosista, com trejeitos ainda do tempo dos coronéis, que tinha sido remetida ao silêncio pelas políticas sociais de Lula, que tiraram mais de 80 milhões de brasileiros da pobreza absoluta conferindo-lhes direito a um salário, que criaram uma classe média com dinheiro e não apenas de estatuto, que colocaram o país, que até aí estava na bancarrota, no grupo dos dez mais ricos e poderosos do Mundo, essa direita fascista encontrou no processo de corrupção Lava Jato, forma de implicar Lula e por simpatia atacar o governo de Dilma. Sabemos o desfecho e como se chegou a ele. Com o que esta direita apoiada nos militares, que intervencionou o Rio de Janeiro com tropa de elite, reprimindo não os traficantes, mas o povo que clama por pão e justiça, não contava, é que mesmo desacreditado na "justiça", Lula é o candidato que segue isoladíssimo na frente nas sondagens para as presidenciais de Outubro próximo e tudo têm feito, com a conivência de juízes amigos, que tão céleres são a julgar os supostos crimes de Lula como são lentos a julgar os amigos, alguns acusados precisamente dos mesmos crimes, para impedir Lula de se apresentar a eleições.

O que esta direita podre que dominou o Brasil durante vinte anos (1964-1985) depois do golpe militar pretende, é o regresso ao passado. Convém ser rigoroso e não culpar apenas os militares pelo golpe de 1 de Abril de 1964; A mesma direita que hoje quer chegar ao poder a todo o custo, foi a que apoiou e nalguns casos liderou o golpe. Falamos dos grandes proprietários rurais, da burguesia industrial paulista,  grande parte da classe média urbana (que na época andava pelos 35% da população total do país) e o sector conservador e anti-comunista da igreja católica. E o Brasil viveu vinte anos que o fizeram regredir quase ao tempo da escravatura. Depois apareceu Tancredo Neves em '85 que abriu uma fresta e daí até às directas foi ainda um processo enorme de luta nas ruas, que culminou com a eleição de Lula, após três tentativas falhadas, devido ao sistema de cooptação (eleição indirecta).

Lula liderou o Brasil durante oito anos. De Janeiro de 2003 a Janeiro de 2011 e colocou os programas sociais no topo da agenda durante as duas campanhas e depois no palácio do Planalto. Desde o início, o seu principal objectivo era erradicar a fome. Criou o programa Fome Zero, que reúne uma série de programas com o objetivo de acabar com a fome no Brasil, incluindo a construção de cisternas na região do Sertão (onde chove quando o rei faz anos), além de ações para minimizar o flagelo da gravidez na adolescência, fortalecer a agricultura familiar, distribuir uma quantidade mínima de dinheiro para os pobres e muitas outras medidas.

O maior programa de assistência, no entanto, foi o Bolsa Família, que se baseou num programa Bolsa Escola, que estava condicionado à frequência escolar, introduzido pela primeira vez em Campinas. Aos poucos, outros municípios e estados adoptaram programas idênticos.  Henrique Cardoso federalizou o programa em 2001. Em 2003, Lula formou o Bolsa Família combinando o Bolsa Escola com subsídios adicionais para alimentos e gás de cozinha. Para avançar com o programa e para que lhe fosse reconhecida a verdadeira importância revolucionária que detinha, foi criado previamente um novo ministério, o Ministério do Desenvolvimento Social e Erradicação da Fome. 

O programa Bolsa Família foi elogiado internacionalmente. O Fome Zero iria ter um orçamento do governo e aceitar doações do sector privado e organizações internacionais. 

Juntamente com projetos como o Fome Zero e o Bolsa Família, outro incontornável e importante programa do governo Lula foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O PAC tinha um orçamento total de cerca de  650 mil milhões de Reais (cerca de 156MM€ ao câmbio actual)) até 2010 e era o principal programa de investimentos do governo Lula. O objetivo era fortalecer a infra-estrutura do país e, consequentemente, estimular o setor privado e criar mais empregos. 

E é mais ou menos isto que incomoda os coronéis da actualidade. A perda de privilégios e a confrontação de gente mais letrada que deixou de ser miserável e defende os seus direitos sem medo e com a barriga cheia. Para quem não sabe, dá outro conforto e muito mais ânimo, lutar com a barriga aconchegada. Vergar um miserável é fácil.

José María Aznar, ex-primeiro ministro espanhol, insuspeito porque de um partido de direita, terá sido o primeiro a entender o que se passa hoje no Brasil, pelo menos publicamente. Foi o primeiro a avisar Lula de que o iriam tentar matar. Tinha razão!

 

Supremo do Brasil decide quinta-feira recurso de Lula para impedir a sua prisão

 

 

27 de Março, 2018

Porque hoje é o Dia Mundial do Teatro

Patrícia Teixeira

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Hoje celebra-se o Dia Mundial do Teatro. Infelizmente, para a maioria dos profissionais do palco, esta data está bem longe de reunir o mínimo de argumentos para que seja festejada com a alegria que todos desejaríamos. Apesar do Governo ter anunciado há dias um aumento de 15 para 16,5 milhões de euros de dotação para a criação artística no decorrer deste ano, o CENA–STE, sindicato que representa os trabalhadores dos espectáculos, música e audiovisual não considera a medida suficiente. E com todo o respeito que tenho pelas pessoas que lutam diariamente por esta causa, decidi transcrever, em jeito de homenagem, uma mensagem inspiradora que o actor John Malkovich dedicou a esta arte durante uma conferência, na UNESCO, em Paris, no dia 22 de Março de 2012. 

"Sinto-me honrado por ter sido convidado pelo Instituto Internacional de Teatro ITI da UNESCO para prestar uma homenagem ao 50º aniversário do Dia Mundial do Teatro. As minhas breves palavras serão dirigidas aos meus camaradas, colegas de teatro.
Que o vosso trabalho seja convincente e original. Que seja profundo, tocante, contemplativo e único. Que nos ajude a reflectir sobre a questão do que significa ser humano, e que essa reflexão seja abençoada com o coração, sinceridade, franqueza e graça. Que supere a adversidade, a censura, a pobreza e o niilismo, como muitos de vocês certamente serão obrigados a fazer. Que todos vós sejam abençoados com talento e rigor para nos ensinar sobre o batimento do coração humano em toda a sua complexidade, a humildade e curiosidade para tornar este o trabalho das vossas vidas. E dêem o melhor pois será apenas esse vosso melhor, e mesmo assim somente em raros e breves momentos,  que vamos conseguir enquadrar a mais básica das perguntas..."como vivemos?" Boa Sorte e vão com Deus".

John Malkovich

27 de Março, 2018

Férias escolares

Edmundo Gonçalves

 

Regressava do almoço para o trabalho (em regra almoço em casa) e oiço a menina da rádio do carro dizer que, a propósito de nesta época os miúdos estarem em casa, de férias, é preciso muita imaginação para os entreter.

Confesso que me vieram à cabeça os meus tempos de criança e jovem e as férias, as da Páscoa e as outras e dei comigo a tentar lembrar-me se a minha mãe (que trabalhava em casa, era doméstica - que raio de adjectivo - e agora já está reformada e continua a trabalhar em casa) se ocupava muito a entreter-me e não tenho grande memória de que tal tivesse acontecido. Não que ela não pudesse, ou que não estivesse habilitada, ou mesmo que não quisesse. Eu é que não queria! Ora não querem lá ver, férias e eu a "aturar" a minha mãe. Era o aturavas! Férias era sinónimo de rua o dia inteiro, futebol até cair p'ró lado, jogos e apanhada e "chinchada" à fruta que ia havendo, consoante a época do ano.

Hoje a preocupação daquela radialista, jovem mãe, era como entreter o rebento nas férias, como há cinquenta anos o da minha e das outras mães era como fazer-nos almoçar e regressar a casa ao final do dia.

Consumidor compulsivo de ficção ciêntífica desde o início da adolescência, não me ouvirão nunca contrário à evolução tecnológica que permite que hoje os meus netos, ela com quatro e ele com dois anos, dominem um smartphone ou um tablet como eu nunca consegui driblar os meus adversários, no campo improvisado na estrada onde o trânsito escasso (havia apenas um automóvel na terra e as carroças moviam-se lentamente) permitia a realização de excitantes derbys de muda aos seis e acaba aos doze.

Não será culpa da evolução tecnológica o confinamento das crianças às suas casas. É certo que as redes sociais e os jogos conduzem a um certo isolamento, mas o que importa aqui saber é se os jogos, as consolas, o isolamento são a causa ou a consequência e a mim parece-me que são mais a consequência de muita coisa, a primeira das quais me parece ser a insegurança, mais real que imaginária, que os pais têm e que os leva a, para protecção dos filhos, não lhes permitirem usufruir da rua. A rua, a maior faculdade da vida, viu-se aos poucos despovoada dos risos, das gargalhadas, das travessuras dos seus mais genuínos ocupantes e foi morrendo lentamente, tendo sido aos poucos ocupada por gente com outros sentimentos e opções, que impede agora que os seus legítimos donos, as crianças, a ela voltem.

Não há hoje um pai que, conscientemente e não apenas nas grandes cidades deixe, de ânimo leve, que a sua cria vá à rua brincar só, ou com outras crianças. A desculpa dos pais é a de que "ele/a não larga a consola, que hei-de fazer?" mas lá no fundo fomentam a sua utilização, com o terror de os verem querer sair de casa para brincar com os amigos. Porque é hoje inseguro para as crianças brincar na rua. E a culpa não é do aumento do número de carros, porque o número de jardins e outros espaços de recreio aumentou exponencialmente, havendo hoje uma enorme oferta com imensa qualidade para que as crianças não fiquem fechadas em casa. Felizmente não chegámos ao extremo dos EUA, onde nem nas escolas as crianças e os jovens estão em segurança, mas a rua é hoje um lugar perigoso para as nossas crianças.

O que é certo é que os horizontes que a realidade virtual lhes proporciona, sendo importantes para a sua vida, não os vacina contra as bactérias e vírus com que a vida os armadilha. Esses apenas os apanham na rua e só os apanhando, contra eles criam os anti-corpos necessários para lhes resistirem e sobreviver. O conhecimento adquirido à volta da tecnologia pode ser importante e será certamente, numa sociedade cada vez mais competitiva, mas ter sujado as mãos na terra, ter escutado os pássaros cantar, eventualmente ter roubado algum ninho ou comido fruta alheia, ter rasgado as calças numa queda de bicicleta, ter rachado a cabeça fruto duma pancada duma pedra voadora numa luta de rua, pode não ensinar a liquidar milhares de "inimigos" numa qualquer aldeia imaginária (que será metaforicamente a selva da sua vida adulta), mas vacina contra imensos males de hoje, entre eles a falta de escrúpulos e de lealdade e onde tudo se compra e ajuda a conservar o velho hábito de fazer e conservar amigos. O melhor do mundo, logo a seguir às crianças.

 

Boas férias.

26 de Março, 2018

Informação inútil

Edmundo Gonçalves

Lembra-se de olhar com ar trocista para aquelas turistas inglesas ou americanas, quase sempre, que ainda vão pontuando com a sua sandalinha todo-o-terreno, adornada com um soquete alvo como a neve e dar por si a sorrir com ar trocista? Pois esqueça todo o seu preconceito contra e saiba que as raínhas do tal street style, que já haviam trazido em 2017 para a rua a moda da meia pela canela conjugada com sandália, voltam a atacar este ano.

E desde as sapatilhas às sandálias, dos stilettos às botas, elas estão de volta, desta vez com modelos ainda mais ousados que vão desde a aplicação de cristais a bordados florais e a estampas divertidas.

Será que não estará na altura de arriscar também e deixar de lado o preconceito? Afinal há peúgas e peúgas, como pode comprovar pela foto abaixo, de uma das Kardashians (se não souber quem são não perde nada, mas assim numa pincelada, fazem parte duma família americana que não produz a ponta dum corno, que tem um reality show num canal de tv que lhes dá visibilidade e milhões) em Cannes, na passadeira vermelha, ou pela rapariguinha da minha idade que se lhe segue, que parece estar ali para as curvas (com passagens várias por oficinas de recauchutagem é certo, ao contrário cá do je! ). Tem ainda mais alguns modelos giros, mas convenhamos que um pouco caros para a quantidade de matéria-prima. Já sabe, num chinês qualquer perto de si, ou numa feira da terra, há com a mesma qualidade e muito mais barato, sem o perigo de a deixar ficar descalça.

Ah! para o caso de não ter estado atenta, não foram referidas as meias de algodão com as icónicas raquetes de ténis. Já percebeu que essas estão proibidas, até com sapatilhas! Fique então com as imagens e se gostar, ouse.

 

 

A atriz combinou um par de meias transparentes e delicadas na cor borgonha com sapatos pontiagudos de salto alto. Meias coloridas dão um toque especial de uma forma muito subtil

 

23€ (pronto, colar aquelas bolinhas dá trabalho...)

High Heel Jungle (Pastel Pearl Sock) P.V.P. 23€

6,49€ (não vale a pena perder tempo a ir ao chinês)

ASOS (Glitter Sock with Flower Embellishment) P.V.P. 6,49€

 

65,04€ (fuja! procure a loja chinesa mais próxima)

Rachel Comey (Hynde Tulle Socks in Pink) P.V.P. 65,04€

 

8€ ( nem cara, nem barata, mas na feira...)

Nasty Gal (You've Blossomed Embroidered Socks) P.V.P. 8€

 

5,17€ (o mesmo que o modelo anterior, corra à feira!)

Berkshire (Plus Rose Floral Sheer Ankle Socks) P.V.P. 5,17€

 

25 de Março, 2018

Tomar fica mais doce em Abril!

Patrícia Teixeira

 

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Legenda da foto: Cornucópia

É verdade meus amigos. De 1 a 30 de Abril, Tomar será o destino mais doce de Portugal. Durante um mês,18 pastelarias da cidade reúnem-se numa mostra que dá a provar, imaginem só, mais de 30 doces locais e conventuais. Serão Espadas de D. Gualdim, Barrigas de Iria, Pimpinelas, Estrelas de Tomar, Janelinhas do Capítulo, Nabantinos, Telhas do Convento e muitas delícias celestiais e seculares a servir de tentação. Pela montra daquelas pastelarias passarão também doces com nomes tão provocadores quanto Beija-me Depressa ou Bolos de Cama.

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Legenda da foto: Beija-me Depressa

A doçaria tomarense, quase toda feita à base de gemas de ovos, açúcar e amêndoa, tem uma longa tradição de inspiração conventual. Das suas receitas destacam-se as singulares Fatias de Tomar, um doce de ovos e açúcar que, diz a lenda, era a sobremesa preferida dos frades do Convento de Cristo. Saibam, a título de curiosidade, que as famosas Fatias de Tomar são confecionadas apenas com gemas de ovo batidas e cozidas em banho-maria, numa panela concebida para o efeito, fabricada exclusivamente na cidade templária. 

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Legenda da foto: Castanhas doces com mimo de noz

Esta 10.ª edição da mostra de doçaria tomarense promete uma verdadeira viagem no tempo, na qual é difícil resistir à tentação e ao pecado da gula. “De Tomar e dos Conventos” é uma iniciativa do Município de Tomar, em parceria com as pastelarias locais. E atenção... 25 de abril, a mostra de doçaria sai para a rua. É dia de “Doce Passeio Doce”, no qual as pastelarias da cidade expõem e vendem as suas especialidades na Praça da República, das 15h00 às 18h30. Acho que irá valer a pena uma visita a esta mostra. 

 

Pastelarias aderentes:

A Rosa – Café dos Artistas, Rosa 1, Rosa 2, Rosa 3, Estrelas de Tomar, Legenda Medieval, Padaria Combatente, Açúcar ao Quadrado, Palco d’Especiarias, Pic-Nic Alameda, Pic-Nic São João, Pimpinela do Nabão, Requinte, Templária, Tomar Tropical 1, Tomar Tropical 2, Tomar Tropical 3, Tomar Tropical 4 (antigo Café Rialto).

 

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24 de Março, 2018

Melasma: Tenho boas e más notícias!

Patrícia Teixeira

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Não pretendo alongar-me neste post com explicações médicas sobre o que causa o melasma porque, para começar, por muito que se leia sobre o assunto na internet, só um dermatologista, através de exames, pode efectivamente determinar a causa exacta desta doença de pele. Depois, porque quem sofre de melasma, como eu, deve estar mais interessada na cura do que propriamente na sua origem. Pois bem. Vou contar-vos a minha experiência com esta doença que não mata, não dói, não é contagiosa, mas incomoda e não é pouco! Ter de acordar e deitar-se todos os dias com manchas escuras na pele, quer queiramos quer não, mexem um bocadinho (para não dizer muito), com a auto-estima! É que ou bem que andamos com carradas de base de manhã à noite para tentar disfarçar a coisa, ou temos de estar psicologicamente preparadas para os mais variados olhares de soslaio ou até mesmo perguntas de desconhecidos que dispensávamos perfeitamente. Mas adiante...

Vou começar pela boa notícia...finalmente, e ao fim de uns 4 anos a padecer deste problema, posso dizer-vos que estou praticamente livre das manchas. Por isso, pessoas que sofrem do mesmo mal, não desanimem porque é possível voltarem a ter uma pele com bom aspecto. Agora a má notícia...para conseguirem o mesmo, preparem-se e mentalizem-se que é preciso investir algum capital em tratamentos. Percam a esperança de que as centenas de truques e segredos que lemos nos mais variados blogs e chats onde supostas "especialistas" sobre o assunto garantem que esfregar a face com limão e bicarbonato de sódio é o remédio perfeito para acabar de vez com o melasma. Porque não é!  E este é apenas um entre muitos dos estúpidos conselhos que fui lendo ao longo do tempo em que acreditei que podia tirar as manchas com tratamentos caseiros. Experimentei um pouco de tudo e gastei até algum dinheiro com cremes despigmentantes, óleo de mosqueta, etc, etc. Alguns atenuaram mas nada removeu o melasma na totalidade.

Ao fim de algum tempo decidi então investir algum dinheiro e consultar um dermatologista que, para início de conversa, avisou-me que na maioria dos casos o melasma é crónico. Ou seja, existe uma boa percentagem de pessoas que conseguem livrar-se das malditas manchas mas se depois não tiverem cuidado no dia-a-dia, elas podem reaparacer de um momento para o outro. Basta que passemos uma tarde na esplanada a apanhar sol sem protector solar. Com factor 50, pelo menos. Embora sejam raros, existem também casos em que o dermatologista não consegue remover totalmente as manchas, a não ser que recorra a peelings muito abrasivos que, a meu ver, deviam ser evitados. Mas a maioria dos casos tem tratamento. Na minha situação em particular, o dermatologista optou por tratamentos menos invasivos e em duas sessões de dermabrasão química parcial da face, aliadas ao tratamento simultâneo com três cremes, consegui voltar a sair de casa sem base. Perdoem-me não mencionar aqui o nome desses cremes mas seria um acto irresponsável da minha parte. Porque foi-me explicado pelo médico que cada caso é um caso e cada tipo de pele tem uma reacção diferente aos tratamentos. Além de só termos acesso a eles através de receita médica, são bastante abrasivos e em certos dias causaram-me até uma inflamação na face. Por isso, aceitem o meu conselho e não se aventurem em experiências que resultaram com a amiga ou a vizinha. Se não tiverem mesmo possibilidade de fazer os tratamentos de dermabrasão, basta que partilhem essa questão com o dermatologista e ele certamente terá outras opções mais baratas, talvez também mais demoradas, mas que ajudam pelo menos a atenuar o problema. Depois, é não esquecer que para o resto da vida não podemos sair de casa, faça chuva ou faça sol, sem o protector solar factor 50. E isto é regra fundamental. 

Se tiverem dúvidas ou questões que queiram colocar-me a  respeito deste tema, terei todo o gosto em esclarecer-vos. Basta que comentem o post ou enviem as vossas dúvidas para o email seainessabedisto@gmail.com.

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