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SE A INÊS SABE DISTO!

SE A INÊS SABE DISTO!

13 de Dezembro, 2017

Os filhos de deus

Edmundo Gonçalves

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Eu confesso, passe a imprecisão, que não dou muito para o peditório das religiões e que considero que todas elas, baseando-se na crendice e em factos não cientificamente provados, não passam de reminiscências de um passado de ignorância científica, que há muito a humanidade deveria ter conseguido ultrapassar. Não conseguiu, não há nada a fazer, uma vez consolidada e bem a liberdade de expressão e religião (aliadas a outras que fomos conquistando e de que nem nos damos conta, por as darmos por adquiridas). Não é legítimo a ninguém pretender coartar o direito de outrem à sua fé, que apesar de a propaganda dizer que alimenta, infelizmente não mata a fome a ninguém.

Bom, não mata é uma forma de expressão (a fome, quer-se dizer), que há por aí muito milhar de desocupado a viver à conta da fé dos outros. Uns há um par de milhares de anos, outros há muito menos tempo, mas não com menos eficácia. Destes, tem-se destacado um brasileiro de seu nome Edir Macedo Bezerra, que desde o final dos anos setenta, altura em que fundou a igreja universal do reino de deus (IURD), já convenceu nove milhões de incautos a que chama fiéis, espalhados por 182 países. Para o acolitarem nesta hercúlea tarefa, tem 320 bispos e cerca de 14 mil pastores, que mais não servem que para procederem à colecta em favor do chefe da quadrilha, que é hoje considerado o pastor mais rico e poderoso do Brasil e com um património superior a mil milhões de dólares.

Em 1989 chega a Portugal e rapidamente conquista as simpatias de gente que (novidade...) estava desacreditada das igrejas existentes, com a católica à cabeça, mais não seja porque é ainda a que arrasta mais fiéis. Abriu um "tasco" na Estrada de Benfica e muito pouco tempo depois comprou o cinema Império, ali à Alameda Afonso Henriques. Certamente os trinta milhões de Euros de colectas que factura por ano livres de impostos em Portugal apenas, não serão alheios a isso e cá para mim devem fazer corar de vergonha (inveja não porque é pecado mortal, dizem) a igreja católica. Ainda tentou comprar o Coliseu do Porto, mas felizmente a massa crítica da Invicta mobilizou-se e impediu a compra/venda do imóvel.

A charlatanice é pródiga em caçar os incautos e também e talvez principalmente, os deserdados da vida, aqueles que menos têm e menos esperança têm de vir a ter alguma coisa, seja dinheiro, seja afecto, seja amor,  por isso esta e outras igrejas rapidamente proliferam e se espalham como um vírus, já que as igrejas tradicionais não respondem (nunca foi vocação delas fazê-lo) às necessidades de quem a elas acorre e delas acaba por se desiludir. E assim Edir Macedo Bezerra construiu um império. Deixem-me que vos diga que com muito mais inteligência (ou xico-espertice se quiserem, talvez herdada de algum antepassado português) que a igreja católica: Esta para construir o império que possui, as mais das vezes recorreu ao roubo, às negociatas, aos jogos de interesses, a invasões, à ameaça de excomunhão e por aí fora. Edir (re)inventou o dízimo também já usado pela igreja católica, mas tornou-o voluntário, ele conseguiu até convencer os menos lúcidos e esclarecidos de que o dinheiro era obra do diabo, coitado, que está lá tão sossegado no Inferno, dizem, e que nada melhor havia que confiarem na IURD para que ao mesmo tempo que lhes levavam o dinheiro, lhes tiravam o diabo do corpo.

Bom, a determinada altura do ano de 1994, Edir decide fundar uma obra social a que dá o nome de Lar Universal, destinado a "acolher" crianças ali deixadas pelos fiéis. Não seria grave, se o fim fosse esse. No entanto estas casas em Portugal precisam de ser legalizadas junto da Segurança Social e isso não aconteceu durante cerca de nove anos, período durante o qual, pasme-se, a própria Segurança Social e até os tribunais, enviaram crianças retiradas às famílias para uma casa para todos os efeitos, ilegal.

A abertura desta casa tem um fim muito preciso e cruel e custa a crer que apenas passados vinte anos estas coisas venham a público, numa reportagem que ainda agora se iniciou, emitida pela TVI. Eu disse cruel e reitero: Estas crianças eram recolhidas no Lar Universal unicamente com o propósito de serem adoptadas pelos pastores da IURD, que a determinada altura Edir decidiu que fossem castrados (vasectomias sob coacção é praticamente o mesmo, que foi o que ordenou que fizessem, em clínicas de vão de escada, ao arrepio da Lei, que impede o acto a menores de 25 anos e sem filhos). Este "lar" passou a ser o entreposto de crianças que foram raptadas, não há que ter medo das palavras, e enviadas para os mais diversos países do Mundo, onde existem delegações da IURD. Vejam os leitores como Edir quis queimar etapas no crescimento e implantação da sua igreja: A sua concorrente mais forte impede os seus bispos e sacerdotes de se casarem, ele foi mais longe, impediu-os de ter filhos! Os bispos e sacerdotes da igreja católica ainda podem mijar-fora-do-penico e terem o azar de procriarem (e quantos por aí há, filhos de digníssimos representantes de cristo na terra), os seus bispos e pastores podem dar vazão à vontade sexual, que as consequências serão nulas.

Consta que os seus "netos" terão sido escolhidos "por catálogo" neste "Lar", que foram para os Estados Unidos e que um deles faleceu recentemente, o mais novo de três irmãos, dois rapazes e uma menina, cuja mãe apenas pediu auxílio para a guarda das crianças enquanto estava no seu trabalho. Virão aí mais episódios, certamente com revelações escabrosas, portanto queria deixar um conselho a quem se indignou (e bem, eu sou um dos que) com o saque à Raríssimas, que não deixe de indignar-se, com a mesma veemência, com as actividades desta autêntica quadrilha que actua sob a capa da bondade, mas ao que se dedica é à prática da extorsão, da crendice, da alienação e do rapto de menores para a prossecução dos seus fins, o enriquecimento ilícito do seu pastor-mor, Edir Macedo Bezerra, também ele, já agora, um filho de deus...

12 de Dezembro, 2017

Um brinde ao Natal

Patrícia Teixeira

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Estamos novamente naquela altura do ano em que andamos de trás para a frente com uma enorme lista de nomes de familiares e amigos a quem queremos oferecer uma lembrança. Mas quase sempre esta azáfama vem acompanhada da dúvida sobre o que oferecer às pessoas que nos são queridas? A pressão para surpreender é grande mas há ideias que são sempre seguras. E se é verdade que há presentes que exigem um conhecimento profundo da pessoa a quem se destina – roupa, perfume, calçado – há outros que funcionam sempre. É o caso de chocolates, certos acessórios e, claro, vinhos. Para quem é apreciador, obviamente! A Companhia Agrícola do Sanguinhal propõe este ano um pack especial Quinta de São Francisco composto por um Quinta de São Francisco Colheita Tardia 2010, um Quinta de São Francisco Licoroso Doce (20 anos) e uma Quinta de São Francisco Aguardente Vínica Velha. Na minha opinião, perfeito para quem gosta de vinhos doces. Mas há também outras sugestões para quem preferir oferecer apenas um vinho. Existem três altamente recomendáveis por quem percebe do assunto: O Quinta de São Francisco, com 12 meses de estágio em madeira, o Quinta do Sanguinhal Reserva, com 18 meses de estágio em madeira e o Quinta das Cerejeiras Grande Reserva, com 24 meses de estágio em madeira, ambos vinhos de guarda produzidos apenas em anos excepcionais.

Outra grande notícia é que nem temos de sair de casa para adquirir estes presentes. Basta encomendá-los na loja online (www.vinhos-sanguinhal.pt) e – supresa! – também recebemos um presente: em compras superiores a 60 euros recebemos um voucher que nos dá direito a uma visita e prova no Enoturismo Quinta do Sanguinhal. Uma oportunidade única para conhecer ao vivo o local onde tudo acontece! Fica a sugestão.

11 de Dezembro, 2017

Raríssimo

Edmundo Gonçalves

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Nesta coisa de IPSS's estou à vontade, fui presidente de uma durante 25 anos, pro-bono. Ou seja, vinte e cinco anos de trabalho em prol de famílias e crianças sem qualquer remuneração ou benefício que não fosse o de ter que avalizar eventuais recursos ao crédito bancário em situações de maior aperto ou na aquisição de bens ou serviços com recurso à banca. Convém enfatizar que, de acordo com a legislação, os dirigentes destas instituições são solidariamente responsáveis pelas dívidas contraídas e em caso de incumprimento, serão accionados os meios de cobrança, chegando aos coercivos, se for caso disso, do património pessoal. Nunca chegámos a isso felizmente, eu e os meus colegas de direcção ao longo de todos aqueles anos. Deixei de ir de férias pelo menos dois anos, para que pudessem ser pagos os subsídios às trabalhadoras, colocando na instituição o meu subsídio e o da minha mulher. A propósito, foi dinheiro que nunca voltou, mas não é agora que o reclamo e já estou a falar muito de mim, quando o que quero é falar do papel das IPSS's por esse país fora.

Há legislação aplicável que não importa agora estampar aqui, mas que quem estiver interessado pode consultar, que define muito bem o que são e para o que servem estas organizações, bem qual o estatuto dos seus dirigentes.

Há milhares, talvez, de IPSS's no país, que se dedicam a resolver os mais variados problemas e necessidades das populações, sendo que em grande parte dos casos, são a única oportunidade de acesso a uma vida digna, a cuidados de saúde, a desporto de qualidade, a educação infanto-juvenil, a creches, a cuidados geriátricos, etc., etc.

As IPSS's foram na sua génese e continuam a ser, a forma de os cidadãos intervirem de forma próxima, activa e com qualidade, respondendo às necessidades das populações e chegando onde o Estado se exime de proporcionar o que é sua obrigação.

Em regra estas instituições vivem "com a corda na garganta", ou seja, vivendo da boa vontade dos seus dirigentes e recebendo muito poucos apoios do Estado, a saúde financeira da maior parte delas, das que não se fala porque não têm implantação e visibilidade nacionais e que recolhem por isso muito menos apoios, é muito débil.

A questão essencial é no entanto esta: Porque terão os cidadãos que se mobilizar para dar corpo a uma responsabilidade que é ou deve ser, em primeira mão, do Estado? É ao Estado que compete tratar dos nossos velhos, é ao Estado que compete tratar dos nossos bébes e das nossas crianças, é ao Estado que compete enfim a responsabilidade pelo trabalho que milhares de instituições se vêm obrigadas a fazer por omissão desse mesmo Estado absentista. Que para se sentir menos mal, paga. Nalguns casos uma miséria por trabalho especializado e que exige muita delicadeza e dedicação. A questão, repito, é porque são necessárias as IPSS's, quando o que elas fazem é responsabilidade total do Estado.

Quando se exime da sua responsabilidade, pagando, o Estado está ao mesmo tempo a transferir dinheiro de todos nós. Eu não tenho dúvida de que esse dinheiro na imensa maioria dos casos é bem utilizado e certamente é curto para as necessidades, sendo raríssimas as ocasiões em que há aproveitamento ilegal, imoral, o que quiserem, da situação de privilégio de se ter a "mão na massa". Sendo graves todas as situações que possam ser conhecidas (e as que o não são, obviamente), há que fazer cumprir a Lei. O que em Portugal também é rarissímo. 

07 de Dezembro, 2017

O incendiário

Edmundo Gonçalves

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O Kim Jon qualquer coisa tem andado a queimar imenso combustível, todos sabemos, na experimentação de mísseis que consigam atingir o coração dos Estados Unidos, a quem consideram o seu inimigo principal. Parece-me, já aqui o escrevi, que isso não passa de fogo de palha e que o que a Coreia do Norte quer é atenção e ajuda dos seus amigos e vizinhos.

Não poderemos por isso considerá-lo um verdadeiro incendiário, será mais aquele tipo que faz uma queimada que por qualquer eventualidade se pode descontrolar e por isso temos que o ter debaixo de olho.

Já o Trump fia mais fino.

Esta bizarria de reconhecer Jerusalém como capital de Israel (que o é de facto, mas isso são outros quinhentos), ultrapassa já em muito o fogo controlado, é uma afronta à proibição de deitar foguetes. 

Com a entrada em vigor de uma decisão que vem do já longínquo governo de Clinton (de 1985) e que por razões politicamente avisadas, foi sendo adiada, Trump conseguiu virar contra si todos os holofotes, dos mais moderados aos mais radicais, da esquerda à direita, dos cristãos aos muçulmanos e até aos judeus (excluído o governo sionista de Israel). Hoje já os grupos radicais islâmicos iniciaram mais uma intifada e já se ouve o troar das armas em Jerusalém e na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e em Hebron e em Al-Bireh e tumultos na Turquia e no Paquistão e na Tunísia.

Desde que foi eleito, Trump não tem feito mais que atirar gasolina para as fogueiras que lhe aparecem pela frente (e algumas que ele próprio vai ateando) e qual elefante em loja de artigos de porcelana, tem partido o que, apesar de tudo, os seus antecessores foram aguentado com pinças. Neste caso a paz possível numa zona do Mundo tão volátil que ao menor sopro, ateia.

Qual Nero, Trump delicia-se com o fogo e se até hoje as suas diatribes têm tido poucos efeitos colaterais, desta vez corremos o risco, todos, de ali se iniciar algo mais que uma guerra por um pedaço de território.

Felizmente alguns americanos começam a ver o buraco onde se meteram e já ontem um senador do seu partido (Republicano), propôs uma moção para o impeachment do presidente. É certo que foi recusada até pela esmagadora maioria dos Democratas, o que demonstra também um pouco a forma como aquela gente olha para o Mundo; Mas agindo como se nada fosse com eles, correm no entanto o risco de um dia, quando este Nero dos tempos modernos deitar fogo à sua própria casa, poder ser tarde demais.

 

05 de Dezembro, 2017

Parabéns Tomar pela distinção!

Patrícia Teixeira

 

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O Município de Tomar recebeu a distinção de Autarquia Familiarmente Responsável, pela segunda vez consecutiva, galardão atribuído pelo Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis. Esta distinção reconhece as melhores prácticas de apoio social disponibilizadas às famílias de Tomar, sobretudo com serviços de proximidade às populações mais vulneráveis, tendo presente a dimensão da sustentabilidade e responsabilidade familiar.

Depois de analisados os projectos e actividades realizados pela edilidade no apoio às famílias, o Observatório evidenciou os apoios sociais na área da educação (subsídios escolares e bolsas a alunos do ensino superior), o Centro de Apoio à Família, o Cartão do Idoso, a Universidade Sénior, a disponibilização de habitação social, o Banco Local de Voluntariado, as tarifas sociais no fornecimento de água, a cedência de equipamentos e o apoio à organização de eventos e atividades, os protocolos estabelecidos, bem como o apoio no funcionamento das parcerias, nomeadamente a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e Rede Social, entre outros. O Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis entregou na passada quarta-feira ao vice-presidente da Câmara Municipal de Tomar, Hugo Cristóvão, a bandeira verde, que foi hasteada esta segunda-feira nos Paços do Concelho.

O galardão é o reflexo e o resultado das estratégias, opções e políticas sociais que têm sido implementadas e desenvolvidas nos últimos anos em prol do apoio às famílias do concelho. Para o Município, este é um estímulo e um compromisso para continuar a implementar políticas e estratégias que tornem Tomar um concelho mais solidário e corresponsável.

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04 de Dezembro, 2017

Independências "a la carte"

Edmundo Gonçalves

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Portugal é o país da Europa e certamente estará entre poucos no Mundo, com as fronteiras estabilizadas há mais tempo. Passaram-se 768 anos desde a conquista definitiva do Algarve aos mouros (1249, com D. Afonso III).

Apesar das peripécias para a defesa da conquista, o território foi-se mantendo uno, à excepção da amputação do território de Olivença (anexado por Espanha em 1801) e da tentativa de separação em dois por Napoleão, que teria por objectivo agregar o país com Espanha. Após o 25 de Abril de 1974, apareceram uns movimentos independentistas, que contudo tiveram pouca expressão, nomeadamente nos Açores e no Algarve, este em particular de impacto residual.

Isto quer dizer que a malta vai rogando pragas a quem nos vai uma vezes governando, outras desgovernando, mas tem sido inflexível no orgulho de ser português e na defesa do país enquanto território e entidade e identidade próprias.

Ora, hoje saiu nas notícias que uma tal de "Assembleia Nacional Andaluza", um grupo independentista da Andaluzia, proclama hoje precisamente, ainda que simbólica e virtualmente, a independência da República Federal da Andaluzia. Cá por mim...

Já não é "cá por mim", porque, sem perguntar o que quer que seja aos seus habitantes e naturais, esta rapaziada inclui o Alentejo e o Algarve nesta coboiada (e ainda o norte de Marrocos), sendo que o Alentejo é mais além-Tejo, já que Almada já seria "istrangeiro".

Pelo que atrás expus, parece-me que os nossos compatriotas alentejanos e algarvios ( e os da Baixa da Banheira, ora! ) têm bastamente demonstrado que se sentem bem com o seu país e que esse país é Portugal, independentemente do(s) rumo(s) que que ele vai tendo ao longo dos anos e das épocas.

Olhando um pouco para as pretensões da Al-Kaeda, esta maltinha da Andaluzia estará a facilitar-lhes o caminho, já que um dos seus "cavalos de batalha" é a reconquista do Al Andaluz, curiosamente o território que esta malta da ANA quer tornar uma república independente.

Portanto, se os andaluzes quiserem a sua independência, estejam à vontade, mas se quiserem incluir os alentejanos e os algarvios (e a malta da Moita e de Alcochete), perguntem-lhes, é o mínimo a que a cortesia obriga.

 

Notas finais:

1- Da bandeira gosto, tem riscas verdibrancas...

2- Olha agora um gajo para comer um choque frrrite, ter que mostrar passaporte... Por supoesto, coño.

3- Não quero ferir susceptibilidades, mas mais uma vez se faz aqui uma distinção entre o Baixo e o Alto. Os "compadris" percebem.

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