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SE A INÊS SABE DISTO!

SE A INÊS SABE DISTO!

05 de Setembro, 2017

Esta coisa complicada da PAZ

Patrícia Teixeira

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 Edmundo Gonçalves

 

Andam os norte-coreanos nas ruas dando vivas, eufóricos, porque o seu exército, melhor o exército do seu país, fez finalmente um teste com uma bomba de hidrogéneo. Para os leigos na matéria, uma bomba de hidrogéneo é assim como um topo de gama das bombas de destruição maciça e a ser verdade, porque temos que dar um "pequeno" desconto à propaganda do regime de Pyongyang, é um enorme avanço na capacidade destrutiva do país. Isto se os norte-coreanos, a ser verdade a existência da bomba, a conseguirem colocar num míssil intercontinental e que este tenha capacidade de reentrar na atmosfera sem se desintegrar. Melhor será não termos a experiência, à cautela.

 

Para percebermos para que quer a Coreia do Norte um arsenal nuclear, será necessário perceber que ele faz parte dum plano de preservação do regime que vive dificuldades endémicas, entre elas a ameaça permanente da fome, causado pelo isolamento a que se votou, desde a guerra da Coreia e a divisão do país. E também fruto da intolerância de outros países para com o regime. Digamos que com a ameaça da guerra, a Coreia do Norte encontrou um meio de conseguir viver em relativa paz e ao mesmo tempo alimentar o povo e mantê-lo feliz e contente, enquanto vai fazendo acordos que acaba por rasgar, para começar tudo de novo.

 

Com esta ameaça, que a mim me parece precoce mas que um destes dias será uma realidade, à velocidade com que anunciam evolução no arsenal nuclear, entram em pânico o Japão e a Coreia do Sul. E na Coreia do Sul é que bate o ponto! O grande inimigo da Coreia do Norte são os Estados Unidos (e vice-versa, convém não esquecer a história), de quem o governo diz cobras e lagartos e de quem vende a imagem de que querem a invasão do país e a mudança de regime. Talvez não andem muito longe da verdade, por isso a presença dos americanos abaixo do paralelo 38, no sul da penísula, em socorro e ajuda dos seus amigos, é entendido como uma provocação e pretexto para a corrida armamentista, que como vimos já chegou a um estádio que pode ser de não retorno.

 

Entretanto a ONU lá vai aprovando sanções que de nada têm valido, entre cortes nas exportações e nas importações, também porque o maior parceiro comercial, a China, por onde passam mais de 90% das transações, se tem oposto ao corte de fornecimento de petróleo, com o argumento, válido na minha opinião, de que sectores fundamentais para a sobrevivência dos norte-coreanos, como a agricultura por exemplo, seriam seriamente afectados. Contudo, sem petróleo, os foguetes não sairão dos silos e esse é o grande objectivo dos que querem mais sanções.

 

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos, estão na iminência de vender milhares de milhões de dólares de material de guerra à Coreia o Sul, a juntar aos cerca de cinco mil milhões que lhes venderam entre 2010 e 2016. Isto, pelos vistos se os norte-coreanos não serão lá grande coisa, provavelmente terão as suas razões. Ancoradas em ameaças parvas e temerárias, é certo, mas...

 

Neste meio tempo os russos lá vão aconselhando cautela e pedindo para que não haja rendição às emoções (já têm chatices que cheguem ao pé de portas, com a anexação da Crimeia e as relações conturbadas com a Ucrânea) e os chineses dizendo que não permitirão uma guerra na península, quem sabe porque lhes interessa talvez manter em funcionamento centenas de fábricas de têxteis na Coreia, a que só basta juntar a etiqueta Made in China.

 

Neste cenário, ou muito me engano, ou tudo ficará na mesma, ou até talvez com uma pequena mudança: Os ricos ficarão mais ricos e os norte-coreanos provavelmente irão passar um pouco mais de fome. Até se "passarem", um dia.

E assim vai o Mundo, como se ouvia, nos documentários ao intervalo nos cinemas, no regime fascista em Portugal.

04 de Setembro, 2017

O que é que o Avante tem?

Patrícia Teixeira

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Porque ele participa activamente nesta festa, era óbvio para mim que fosse o Edmundo Gonçalves, também autor deste blog, a escrever sobre o tema. Para ele foi mais óbvio pedir-me que o fizesse. Porque foi a minha estréia como espectadora do Avante, porque sou imparcial quanto às motivações políticas inevitavelmente entranhadas nesta iniciativa e talvez porque a intenção seja mesmo essa...mostrar, sem filtros, que a tal "festa dos comunistas" é, afinal, a festa mais despreconceituosa e democrática a que já assisti. 

Para começar ali somos tratados por camaradas. E cada um interpreta isto da forma que bem entender. Os camaradas são os afiliados do mesmo partido político e cá na minha terra não é diferente. Mas no dicionário da Língua Portuguesa e no conceito das pessoas com quem convivo, os camaradas são também os amigalhaços, aquela "seita" do companheirismo e da amizade. E foi isso mesmo que ali senti. O Avante pode até ser a forma como o PCP vê o mundo. Mas se lá formos dar uma espreitadela, não querendo dar um ar romântico à coisa, prevalece um espírito quase enternecedor de solidariedade nacional e internacional. Aliás, justiça seja feita, esta festa não se fazia, independentemente do orçamento, sem uma componente muito importante de militância, de trabalho voluntário. 

Estão ali representados os distritos de Portugal e alguns países que todos os anos rumam à Quinta da Atalaia, na Amora (Seixal), para colaborar na festa. Há naturalmente iniciativas políticas espalhadas por todo o lado mas só lá vai quem quer. De resto, existem para mais de 80 barraquinhas, espaços de refeição e petiscos, animação, artesanato, concertos e tudo o que precisamos para sair dali de barriga e coração bem aviados. Em nenhuma outra festa, e acreditem que sou "batida" em festivais e eventos do género, tinha dado de caras com uma sintonia tão grande entre as gerações que por ali passam. Há gente com mais de 80 anos e há bebés de colo. E por falar nisso, o desporto também já é uma tradição enraizada no Avante. Este ano existiram cerca de 30 modalidades, desde as mais radicais, como a escalada, às mais tradicionais, como a malha e os matraquilhos. Para os mais pequeninos, foi criado um espaço bastante arborizado com insufláveis, pinturas faciais, yoga para crianças, jogos de água, além de música e teatro dedicado aos mais pequenos.

Não querendo alongar-me muito mais no assunto, até porque só lá estive um dia e falo-vos apenas do que vi, o que retirei do Avante é que ali não há sombra de desconforto possível por estarmos rodeados de pessoas com ideais políticos diferentes dos nossos. Devia haver, isso sim, uma abertura e humildade para reconhecer que só gente com muita convicção consegue levar avante uma festa desta dimensão. Dotada de um civismo e capacidade de organização louvável. Os comunistas trabalham ali por convicção e, até onde sei, de graça. Se no final disto tudo sobra muito dinheiro para o partido, acho lindamente, fizeram por merecê-lo! Ao longo de 41 edições , quer se queira quer não, passaram e ultrapassaram com sucesso todos os obstáculos.  Esta festa convenceu-me!  Parabéns ao Partido Comunista Português por não aproveitar o pretexto para tentar convencer nem manipular opiniões de quem não está para aí virado e parabéns aos milhares de pessoas de outras cores políticas que participaram e ajudaram a transformar mais uma edição do Avante num sucesso. É importante enxotar estereótipos e esta festa é ideal para isso. Adorei, e voltarei com toda a certeza para o ano!

 

 

 

01 de Setembro, 2017

Por uma vez, “bola”

Patrícia Teixeira

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Encerrou ontem mais um período de transferências no futebol europeu. Este espaço não está fadado para a “bola”, mas não posso deixar passar em claro a pornografia descarada e sem controle “parental” que grassa por essa Europa fora. É certo que hoje grande parte dos grandes clubes europeus são empresas cotadas em bolsa e detidas por magnatas e príncipes das arábias, “carregadinhos de papel”, mas não deixa de incomodar os valores que se vão conhecendo de transferências de jogadores.

Se há uns anos a transferência de Ronaldo de Manchester para Madrid por perto de 100 Milhões de Euros tinha rebentado com a escala, apesar de um ou outro desvario, as coisas acalmaram. Se considerarmos acalmia transferências por números entre 20 e 50 M€. Houve apenas uma “pequena” loucura no ano passado, a transferência de Paul Pogba da Juventus para o Manchester United (por 105M€) e outra já anterior, de Gareth Bale (por 100M€) do Tottenham para o Real Madrid. Bale que é agora cobiçado pelo MU, que estará disposto a pagar a mesma quantia que pagou à Juve pelo francês Pogba, 105M€ aos espanhóis.

No entanto este início de época tem sido o mais louco de todos, com o príncipe do Qatar e dono do PSG (Paris Saint-Germain) a pagar em cash 222 Milhões de Euros ao Barcelona pelo brasileiro Neymar Jr. Esta louca operação financeira (o desporto aqui deixou de contar), criou uma enorme bola de neve, uma vez que o Barcelona, órfão do brasileiro, logo a seguir se chegou à frente com 105M€ pelo francês Ousmane Dembelé de apenas 20 anos e que evoluía nos alemães do Dortmund, igualando a segunda mais cara transferência de sempre e prometendo não ficar por aqui. Já antes o Manchester havia contratado Romelu Lukaku ao Ewerton por 84,5M€, que não perdeu tempo em gastar o dinheiro, contratando o islandês Gylfi Sigurdsson ao Swansea por 50M€,  ao passo que o Chelsea gastou com as chegadas de Álvaro Morata do Real Madrid 65 M€ e de Tiemoué Bakayoko do Mónaco 40 M€. Mónaco que, talvez pelo facto de ter sido campeão francês na época passada destronando o PSG, tem sofrido uma enorme razia já que para além de Bakayoko, perdeu ainda Benjamin Mendy e Bernardo Silva para o Manchester City, por 57,5M€ e 50M€, respectivamente, correndo ainda o risco de perder a estrela a despontar, Kylian Mbappé, de apenas 18 anos, por quem o PSG está disposto a pagar a soma também ela estratosférica de 180 M€  e sem contar com saídas de menor dimensão.

Se França tem sido um furacão, o epicentro deste tem sido Inglaterra, onde chegaram 14 das 25 maiores transferências deste defeso. Para além dos nomes que já referi atrás, chegaram às ilhas Alexandre Lacazette do Lyon para o Arsenal de Londres, por 53 M€, Kyle Walker, dando um pulo de Londres para Manchester, saindo do Tottenham para o City por 51M€, Salah, da Roma para o Liverpool, por 42M€, Ederson, do Benfica para o MCity, por 40M€, Davinson Sánches do Ajax para o Tottenham, pelos mesmos 40M€ e fechando com António Rudiger por 35M€ da Roma para o Chelsea.

Assim numas contas de merceeiro, estamos a falar de 1 Bilião e 115 Milhões de Euros por 16 transferências (1,115B€, Mil Cento e Quinze Milhões de Euros), como disse lá atrás, pornográfico e atentatório da dignidade de milhões de pessoas que na Europa vivem abaixo do nível de pobreza. Sobretudo porque estes não serão os números reais, a esta quantia há que acrescentar os impostos e os ordenados dos jogadores em causa, elevando a fasquia talvez para o dobro destes números. Por apenas dezasseis transferências. Juntem-se todas abaixo dos 35 Milhões e algumas acima desse valor que ficaram por referir ( André Silva saiu do Porto para o Milão por 38M€, p.e.) e chegaremos facilmente a números estratosféricos.

Este post foi escrito e terminado cerca das 12.00 horas de ontem, 31 de Agosto, ou seja, ainda com 12 horas para os clubes poderem negociar, o que poderá ter alterado em muito estes números. Apesar de tudo, o futebol continuará a ser um desporto que encherá estádios e as pessoas continuarão a pagar, algumas com sacrifício, para ter o prazer de ver os seus ídolos em campo.

É que como disse um dia Bill Shankly, jogador e depois treinador de futebol inglês, “o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso.”

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