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SE A INÊS SABE DISTO!

SE A INÊS SABE DISTO!

25 de Setembro, 2017

Crónica da morte de uma viagem imagina(ria)da

Edmundo Gonçalves

O destino andava há anos a ser adiado.

Finalmente seria desta que nos deslocaríamos a Cuba, quatro parceiros cuja cumplicidade funciona por sinais de fumo: A Patrícia, a Isabel, a Mina e moi mêmme.

A expectativa era elevada e a ansiedade enorme. Depois veio o furacão e "comeu-as"...

Com tal pontaria, a viagem estava marcada precisamente para começar na semana em que o Irma decidiu arrasar as Caraíbas, deixando Havana neste estado:

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E lá tivemos que adiar o raio da viagem.

Contudo, como as férias já estavam marcadas, havia que arranjar destino alternativo e foi isso que decidimos precisamente: Ir sem destino!

Saída no Sábado à hora a que deveríamos estar a aterrar no aeroporto José Martí, para que o espírito fosse semelhante. Até demos sinal de partida do aeroporto Humberto Delgado, para que a mímica fosse perfeita.

E lá partimos, rumo a sul, com a primeira paragem em Montemor, para uma bela bifana. Digo-vos já que as melhores são as do bar da rodoviária, mas pronto, fui eu que embirrei parar noutro sítio e ficámos assim  um bocadinho "augados". Adiante! Paragem seguinte em Mértola para comprar um belo pão alentejano e ala em direcção a Altura, onde ficámos. Olhem que a água do mar continua quente! E as conquilhas, fresquinhas que até dói.

Não havia que perder tempo e dois dias depois, ala para Ceuta, depois duma travessia (sem furacões) de Tarifa. Olhem, não atravessem por ali, vão até mais para leste um pouco e atravessem em Algeciras, que a saída por Ceuta (para Marrocos) é muito mais fácil. O raio dos marroquinos fazem de tudo para nos sacar dinheiro logo à saída do ferry e as voltas que se tem que dar para conseguir fugir da alfândega são ainda um bocadinho piores que as do Marão, antes das auto-estradas e do túnel.

Ao fim de mais de uma hora, lá nos vimos livres daquela malta e ficámos por ali, que a noite aproximava-se. Tânger é uma cidade cosmopolita e com a confusão de trânsito de todas as cidades árabes, onde ninguém respeita ninguém, por isso o objectivo era a garagem do hotel e dar uma volta pela medina e trincar qualquer coisa. Tarefa difícil para quem aprecia boa comida, mas com um pouco de boa vontade, lá nos desenrascámos...

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O objectivo seguinte foi Rabat, mais uma cidade louca, onde andam uns loucos sentados ao volante de montes de lata com rodas, uns Mercedes com trinta anos e mais, que enchem até não haver mais lugares ao colo e que buzinam como doidos, fazendo com que o barulho seja assim parecido com o do Poço da Morte da Feira Popular, mas com mais perigo.

No entanto no caminho para lá chegarmos, que percorremos junto à costa, há praias de caír de cú, a perder de vista, mesmo a convidar para tirar toda a roupita e mergulhar. Se pensam que estou a mentir, é ver isto:

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De saída de Rabat, o destino foi Marraquexe, uma viagem rápida por uma estrada com um belo piso, sem descurar no entanto sempre o limite de velocidade, que a polícia de trânsito faz-se notar e em quantidade. Deixámos Casablanca para o regresso. Chegámos ao final do dia, como a foto seguinte bem ilustra:

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Dois dias, melhor, dia e meio e ala p'ra cima, rumo a Mazagão, antiga possessão portuguesa (entre os séc. XV e XVIII), célebre pela sua fortaleza, construída pelos portuguesas no início do séc. XV e considerada a mais bem conservada de todas as que Portugal foi construindo ao longo da costa africana até à Índia. Aí sim, a estrada era um pouco manhosa, pela montanha e os cerca de 200 Km foram complicados, mas valeu a pena, para ver isto:

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Dia seguinte e saída para Casablanca, que decidimos não visitar, porque o tempo se estava a esgotar, tendo feito directo o trajecto até Tânger e saido de Tarifa para Algeciras e Gibraltar. Vimos um macaco, que era o objectivo, que os ingleses já não autorizam o trânsito automóvel até eo cimo do rochedo, vai-se até um terço e volta-se para trás e já lhe podemos chamar um figo! Para quem conhece, aquelas ruas estreitas onde apenas cabe um carro e com dois sentidos e olhando para baixo, arrepia um pouco... E não se come nada de jeito! De tal forma que já ao cair do dia partimos.

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E saimos em direcção a Cádiz e ao Porto de Santa Maria, onde ficámos dois dias, com água com uma temperatura excelente e onde se pôde dar vazão à gula, lançando-nos ao pata negra e às tapas e ao vinho e às cañas, bafejados por um sol maravilhoso.

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Para terminar, Sevilha.

Mais tapas e cañas e flamenco em Triana na Casa Anselma, uma matrona à antiga, que geme mais que canta e cujo objectivo é verificar que os clientes consomem, mas que faz um ambiente muito agradável, apesar de estarem no local provavelmente quatro vezes mais pessoas que a lotação permitida, entre espanhóis, obviamente, portugueses, ingleses, franceses e... não sei se deva dizer... catalães.

Noite bem dormida, visita pela enésima vez aos locais emblemáticos, por a meio do percurso termos encontrado familiares que visitavam Sevilha pela primeira vez e depois de almoço, saída para regresso a casa. Não fomos ao aeroporto, que estávamos já estourados, mas também, cerca de 2700 Km depois a vontade era mesmo encontrar o nosso querido sofá.

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 Esperemos que lá para Março não se lembre nenhum furacão de nos estragar a viagenzita... 

 

Nota: Algumas referências desta viagem são um puro exercício de imaginação. Se vos disser que os kilómetros se ficaram pelos 1800, conseguem perceber o que é fictício e o que é real?

 

16 de Setembro, 2017

E que tal assistir a um concerto mistério?

Patrícia Teixeira

 

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No arranque do ano lectivo 2017-2018, a Transdev decidiu surpreender os estudantes de todo o país, ao anunciar um "Concerto Mistério" gratuito de uma banda emergente em 2017. Convenhamos que tem uma certa graça aceitarmos o desafio de ir a um espectáculo sem fazer a menor ideia do que vamos ver e ouvir em palco. E é tão arriscado quanto desafiante. O evento será realizado no dia 11 de Novembro, numa cidade à escolha dos estudantes.

Para participar nesta campanha, os clientes Transdev com passe estudante terão de registar os seus dados em transdev.pt, onde, desde o dia15 de outubro, podem votar na sua cidade preferida. "Nos próximos 30 dias, vamos desvendar no nosso facebook várias curiosidades sobre a banda mistério. Para já, apenas podemos assegurar que é reconhecida como uma das bandas emergentes deste ano e é claramente dirigida ao público estudante", revela Joana Abreu, responsável de Marketing da Transdev.

No dia seguinte ao fecho do período de votações, a 16 de outubro, o nome da cidade eleita para receber o 1º 'Concerto Mistério Transdev' será anunciado, no facebook oficial da Transdev Portugal.

 

 

15 de Setembro, 2017

Ardeu a Relva

Edmundo Gonçalves

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 Foto: LUSA

 

Enredado numa teia onde ficaram já presas algumas pessoas que vieram a atingir lugares de relevo na sociedade e na política portuguesas, o comandante nacional da protecção civil demitiu-se ontem, após o ministro do ensino superior e o presidente do politécnico de Castelo Branco terem mandado instaurar um inquérito à sua licenciatura.

Confirmado pelo próprio, o canudo foi obtido graças a umas equivalências atribuídas pela experiência profissional e por formação obtida em Portugal e no estrangeiro, na área da protecção civil, curso que obteve com 90% de equivalências e apenas com 4 exames. O senhor diz que foi frequentando o politécnico durante alguns anos, mas cá p'ra mim terá demorado tanto tempo, à espera que conseguisse uma nova possibilidade de mais uma equivalência. Mas isto sou eu, que já vi uma licenciatura tirada ao Domingo e outra só porque alguém foi membro de um governo.

Há-de haver neste país de (às vezes) faz de conta, muita gente que conseguiu uma licenciatura à custa de equivalências e provavelmente com toda a legitimidade.

Mandaria no entanto o mais elementar bom senso que aqueles que se aproveitaram do sistema se reduzissem  ao anonimato e se eximissem de ocupar cargos públicos, que como se sabe, cedo ou tarde acabam por ser escrutinados, mais não seja por algum adversário ou algum concorrente ao lugar, que isto a gente somos todos amigos mas não deixamos de viver na selva... Mas não, quem com tanta facilidade atropela as regras, sente-se imune à crítica e ao julgamento e tanto mais confiante, quantos mais anos se vão passando. Até que um dia o céu lhes cai em cima e a realidade, amarga, lhes demonstra que a justiça tarda mas não falha.

Protecção civil não é nada a minha área, de modo que não questiono a capacidade técnica do ora demissionário CONAC para o exercício do cargo; Provavelmente até estará tecnicamente habilitado, não necessitando da licenciatura para o exercício da função, senão por exigência legal e aí é que a porca torce o rabo: Ele e alguém com ele, queriam que ele ocupasse aquele cargo, mas, azar dos Távoras, ele precisava de uma licenciatura para tal. Ora, tal como Sócrates, Vara, Relvas e saibamos lá mais quantos, foi escolhido o caminho aparentemente mais fácil, uma licenciatura que acaba por ser fictícia, ou ilegítima, se quiserem.

Não sei bem porquê, mas parece-me que não tendo sido o primeiro, não será o último caso deste género.

14 de Setembro, 2017

Só faltamos nós

Edmundo Gonçalves

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Pelo terceiro ano consecutivo, Ashley Graham, uma modelo "plus size" (esta mania de adjectivar tudo, que me irrita), participou no desfile da semana da moda de Nova Iorque, mais uma vez em lingerie e desta vez passando uma linha criada por si própria para a marca Addition Elle (o que eu percebo disto!).

A circunstância deste desfile é sinal de que as marcas começam a prestar atenção ao comum das mulheres, que não sendo todas 3XL, não são contudo o espelho das manequins que as casas de moda estavam habituadas a exibir, tendo chegado ao extremo da quase anorexia.

É ainda com algum sentimento de espanto que se assiste a um desfile deste tipo, mas parece-me que os/as estilistas bem como as marcas, devem começar a ter em conta não só o mercado, mas principalmente o bem-estar das pessoas.

Conquistado que está o espaço nas passereles para as modelos mais cheínhas, ou menos pele e osso se quiserem, a minha questão é p'ra quando modelos masculinos que saiam do estereótipo dos modelos andróginos, que aquilo não se sabe de que sexo são...

É altura de as marcas e os estilistas pensarem também na rapaziada com o peito um pouco descaído. Pronto, não digo que se apresentem em cuecas, mas um fatinho com um bom corte e de bom tecido, faz milagres. É que tal como as mulheres não são anorécticas na sua generalidade, os homens também não são aqueles pãezinhos sem sal que evoluem no tablado.

Barriguinhas ao poder, já!

13 de Setembro, 2017

Se o Tony Carreira fosse o único a plagiar...

Patrícia Teixeira

 

 

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Isto do Ministério Público se ter lembrado agora de processar o Tony Carreira por plágio (e fazer disso um alarido daqueles que se ouve na China), não sei se me dá para rir ou simplesmente para considerar só estúpido. É que, meus senhores, para começar surpreende-me bastante o facto de só agora terem descoberto a "pólvora". O Google, por exemplo, há vários anos que divulga a lista discriminada dos plágios e respectivos autores. E se fosse só o Tony estávamos nós bem! Neste blog, por exemplo, há mais de um ano publiquei o texto que se segue...

Sinceramente, os plagiadores que se entendam com o Ministério Público. Quanto a mim, continuo a achar o Tony o maior. Que pague o que tem a pagar, se tiver de fazê-lo, mas que não deixe Portugal e o mundo sem os seus "Sonhos de Menino". 

"Foi esta a minha reacção quando ouvi, pela primeira vez, há uns anos, o tema "Joana", na voz do cantor alemão Peter Wackel. Estava a passar férias numa estância de ski, em Engelberg (Suíça), e embora não fosse novidade que parte dos grandes êxitos do Marco Paulo são versões de outros cantores (um facto assumido pelo próprio), confesso que não consegui evitar aquela euforia de quem parece que descobriu a pólvora. No mesmo dia, bastou uma rápida pesquisa na internet para ficar a saber que, afinal de contas, não existe só a Joana do Marco e a Joana do Peter. A versão original deste tema foi lançada em 1985 pela voz de Roland Kaiser. E para o caso de nunca terem ouvido nenhuma das versões, aqui estão elas:

Peter Wackel (2008)

Roland Kaiser (1985)

13 de Setembro, 2017

Um pouco de justiça

Edmundo Gonçalves

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O governo e os partidos que o apoiam (PCP, BE e PS), estão a discutir a possibilidade de os trabalhadores independentes terem uma fatia do seu rendimento isenta de IRS.

Atendendo a que a maioria dos recibos verdes são casos flagrantes de relações com vínculo hierárquico, parece-me de toda a justiça uma medida deste teor.

Segundo as primeiras notícias, os trabalhadores independentes que cobram até 8850 Euros anuais (mínimo de existência), ficarão isentos de IRS; Em rigor, hoje um trabalhador independente que facturar 8500 Euros (valor actual que o governo quer aumentar para o valor acima descrito), descontará, deduzidos 250 Euros para despesas gerais familiares (as facturas da água, electricidade, etc.), descontará, dizia, 675 Euros para o IRS. Com a medida proposta este imposto deixará de ser pago. De salientar que se um trabalhador independente facturar acima deste valor anual de 8850 Euros, terá que pagar IRS no remanescente deste valor, ou seja, pagará IRS pelo valor que ultrapassar 8850 Euros/ano.

Esta medida é de importância para aqueles trabalhadores independentes que passem recibos a mais que uma empresa, uma vez que um trabalhador que passe recibos verdes a uma única entidade pode já optar pelas regras de tributação da categoria A e, dessa forma, ser abrangido pelo referido mínimo de existência.