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SE A INÊS SABE DISTO!

SE A INÊS SABE DISTO!

31 de Agosto, 2017

Auto e pára o baile

Patrícia Teixeira

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Texto de Emundo Gonçalves

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Os trabalhadores da Autoeuropa estão hoje em greve. Isto é notícia, é o homem que mordeu o cão, o santo graal de qualquer jornal ou jornalista, já que desde a sua existência, há cerca de vinte e seis anos, excepto para greves ditas nacionais, apenas houve uma paralisação naquela empresa, apontada como um caso de sucesso na relação empregador/empregado.

Ao que consta, as razões dos trabalhadores prendem-se com o alargamento do horário de trabalho, obrigando à prestação de trabalho durante três em cada quatro Sábados, com uma compensação monetária significativamente inferior ao que aufeririam se esse trabalho fosse feito de forma extraordinária. Eu cá estou à vontade para falar nisto, visto que de 1980 a 1990 trabalhei numa empresa que praticava um horário com trabalho ao Sábado. Havia no entanto uma pequena nuance, havia descanso suplementar às Segundas e os Sábados tinham um acréscimo de 50% no vencimento. Este horário vigorava durante um mês, sendo depois substituído por um dito normal, de 2.ª a Sexta-feira (havia mais dois horários, um totalmente nocturno e outro semi, o que permitia que a empresa, um grande estaleiro naval, funcionasse 24 horas sem interrupção). 

Aqui o que está em causa, segundo os trabalhadores, não é tanto a (pequena) compensação financeira, mas o facto de apenas terem um fim de semana completo de quatro em quatro semanas, o que se reflectirá na sua qualidade de vida e das suas famílias, já que a sua vida está organizada em função da situação actual. Nestas grandes empresas, onde existem comissões de trabalhadores fortes, é normal os sindicatos terem um papel aparentemente secundário, deixando o protagonismo da representação  dos trabalhadores à sua comissão. Foi o que aconteceu durante todos estes anos, em que aparentemente se viveu uma paz laboral que permitiu à empresa e aos trabalhadores viverem sem grandes sobressaltos. Há no entanto uma máxima que sempre defendi, eu que também fui dirigente sindical e membro de comissões de trabalhadores e que é a de que a ocupação dos lugares não é eterna, sob pena de o foco do nosso trabalho, a defesa intransigente de quem representamos, se ir perdendo no esfumar do tempo. A Autoeuropa, sendo uma empresa com berço alemão, privilegia o relacionamento leal com os representantes dos trabalhadores. É assim na Alemanha, onde nas médias e grandes empresas, em regra há um elemento do sindicato do sector na administração, o sindicato é um parceiro, nunca um inimigo e creio que eles têm obtido resultados visíveis. Na Autoeuropa o relacionamento tem-se feito através da comissão de trabalhadores. Como disse é normal e já agora, legítimo. Legítimo no entanto é também os trabalhadores não estarem de acordo com as propostas da CT e segundo o que se lê nos jornais, esta terá feito um pré-acordo com a administração da empresa, que os trabalhadores consideraram lesivo dos seus interesses. E que fizeram os elementos da CT? Pois ao invés de se chegarem à frente e junto da administração darem conta do chumbo daquilo que tinham pré-acordado e quiçá até levar uma nova proposta para discussão, imagine-se, demitiram-se! Eu cá não sou de teorias da conspiração, mas aqueles senhores eram da CT só nas horas boas? Só para o tempinho do remanso? Quando foi preciso bater o pé fugiram? E agora, depois de se demitirem da sua obrigação e para a qual foram eleitos, estão todos enxofrados com os sindicatos por estes terem apenas dado voz aos interesses que os trabalhadores querem ver defendidos? Há um tal de Chora, que esteve 20 anos, 20! como coordenador da CT e que todos os jornais e televisões querem ouvir, que se reformou no início deste ano, que tem a opinião de que isto não passa de um assalto dos sindicatos à comissão de trabalhadores. O homem, que se reformou porque diz, já estava farto de “trabalhar”, certamente estará senil. Alguém lhe explique que aquilo está desocupado, os seus antigos companheiros fugiram com o rabo à seringa, deixaram os seus colegas ao “deus-dará”, a casa está devoluta, abandonaram o carro, defraudaram o voto que neles depositaram. Eu, não querendo ser duro, diria que se acomodaram, voltando à minha teoria de que as pessoas não são detentores dos cargos, estão nos cargos. Enquanto se justificar e a sua eficácia e o seu entusiasmo o permitirem. E não vale a pena Chorar, quando se abandona por opção.

Entretanto o bom senso prevaleceu e a administração e os sindicatos resolveram voltar a reunir para encontrar uma solução para o problema. Com responsabilidade de ambas as partes supõe-se. Sem Chor(a)os.

29 de Agosto, 2017

Só NOS é que sabemos

Patrícia Teixeira

 

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Há por aí uma empresa pública que responde pela sigla SPMS (Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, por extenso) e que ao que se pode aduzir, deverá coordenar as compras nesta área, supõe-se que de forma optimizada e defendendo os interesses do Estado, como qualquer funcionário público está obrigado por dever de lealdade.

Ora acontece que, ao que consta, cinco altos quadros daqueles serviços entre eles um membro do conselho de administração, foram passear à China. Eu acho que fizeram bem, eu também adorava ir de férias à China. Pena eu não ter dinheiro para isso, que o meu ordenado de simples funcionário de uma autarquia não dá para tanto, mas que gostava de ver o rio Amarelo, ai isso gostava.

Já quem fez uma viagem às cores e andou numa roda viva, foram os nossos cinco amigos e amigas dos SPMS, que visitaram o maior hospital do Mundo, o que se justificava, dada a sua aptidão profissional. Por mera coincidência, tudo o que é electrónica naquela unidade é fornecido pela gigante Huawei (cuja fábrica também visitaram. Já que lá estavam...), que também por feliz coincidência é parceira da NOS, que fornece equipamento e serviços ao SPMS.

Então e o que é que isso tem a ver? Nada de importante, se levarmos em conta que até à oriental viagem os SPMS tinham, nos dois anos anteriores, contratado 49 mil Euros com a parceira nacional da Huawei e que nos dois anos seguintes os valores saltaram para os 490 mil Euros. Partindo do princípio que toda a gente é inocente até prova em contrário, até podemos admitir que os contratos efectuados por estes senhores e senhoras eram os que melhores condições ofereciam à organização para a qual trabalham e a quem devem lealdade, mas o simples facto de viajarem à pála da Huawey por interposta NOS, deixa-os numa posição fragilizada e leva-nos a pensar que, eventualmente, a viagenzinha "all inclusive" teve alguma coisa a ver com a preferência pela NOS.

Mas não me levem a mal, isto aqui só para NOS, é só um "supônhamos". Ou um triste fado...

28 de Agosto, 2017

Será o melhor sushi do mundo?

Patrícia Teixeira

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Sukiyabashi Jiro é um dos melhores restaurantes de sushi de Tóquio. E contra isso parece não haver grande argumentação possível. O chef Jiro Ono, proprietário do restaurante, tem 87 anos, já conquistou três estrelas Michelin e foi reconhecido pelo governo japonês como "tesouro nacional" e "mestre", pela contribuição que oferece à culinária japonesa. O espaço onde tudo acontece é minúsculo, com lotação para dez pessoas e a decoração simples e minimalista. Aliás, até fica meio escondido no subsolo, mais exactamente na estação de metro de Ginza.  

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Os pratos do chef Ono são a prova mais óbvia de que as aparências realmente iludem. As peças de sushi são apresentadas ao cliente de forma simples, sem enfeites, mas o que é essencial está lá: o sabor, o peixe mais fresco, o arroz cuidadosamente seleccionado e cozido e o corte perfeito. Cada degustação tem um custo aproximado de 200 euros. E se tiverem intenção de lá ir é bom que reservem com, pelo menos, um mês de antecedência. E não se desiludam se ao fim de meia hora ficarem despachados desta experiência gastronómica. É que esse é o exactamente o tempo necessário para, segundo o chef, degustar cada iguaria com calma, e a seguir dar lugar a outro. As peças de sushi vão sendo postas no prato pelo chef, uma a uma, e ele aconselha que não as deixemos repousar tempo demais :"perde-se grande parte da essência do sabor", justifica. Conta quem lá esteve que é uma das experiências mais enriquecedoras para o paladar. Aqui fica o documentário Jiro Dreams of Sushi, caso queiram conhecer mais detalhadamente a história deste chef e deste espaço tão afamado a nível internacional, bem como detalhes a respeito da confecção de cada peça.

 

 

25 de Agosto, 2017

Cartaz do The BPM Festival já está fechado

Patrícia Teixeira

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A edição europeia inaugural do The BPM Festival continua a crescer com a adição dos últimos 30 artistas a participar no alinhamento. A primeira reunião dos principais artistas e nomes em afirmação da electrónica alternativa, que decorre entre 14 e 17 de Setembro, em Portimão e Lagoa, mantém-se fiel à fórmula única do The BPM Festival, com programação em diversas salas a começar de dia e a prolongar-se noite dentro. Esta
primeira edição receberá mais de 170 produtores e DJs, assim como mais de duas dezenas de showcases durante quatro dias e quatro noites, em sete salas e clubs singulares na costa algarvia.

Desde os nomes globalmente requisitados como Art Department, Hot Since 82, Jamie Jones, Jackmaster, Loco Dice, Nastia, Nicole Moudaber, Paco Osuna, Pan-Pot e Seth Troxler aos fundamentais e pioneiros da música de dança underground como Carl Craig, Danny Denaglia, Dubfire, Paul Kalkbrenner, Richie Hawtin e Victor Calderone, The BPM Festival: Portugal será, na zona sudoeste da Europa ocidental, anfitrião para um
contingente de produtores e DJs impossível de ignorar. A par dos nomes de topo da cultura do dance floor, esta edição receberá ainda nomes familiares como Detlef, Hector, Lauren Lane, Nathan Barato, Nitin, Richy Ahmed e tantos outros que têm crescido com o festival, de ano para ano, ao longo da última década.
Além do alinhamento de luxo, The BPM Festival: Portugal vai ainda promover mais de 20 showcases e eventos de música de dança reconhecidos mundialmente. Depois de quatro edições a promover a sua noite pejada de estrelas do dance floor, o Portimão e Lagoa verão YA’AH MUUL hosted by Deep House Amsterdam chegar a novos níveis com um takeover de três palcos, assim como o regresso das festas de encerramento This Is The
End e The BPM Festival Official Closing Party. Depois de uma digressão europeia esgotada no início do ano, Paul Kalkbrenner, inovador incontornável do techno germânico, estreia tanto no BPM como em Portugal o seu projecto ao vivo Back To The Future, uma nova abordagem, mais actual e com toques futuristas, às suas primeiras experiências com música electrónica de dança. Também em estreia no BPM, haverá eventos curados por Gia Sai, pelo festival Neopop, e de Adam Shelton com a editora One Records, do produtor e DJ Subb-an. Para além de vários eventos produzidos pelo próprio festival, alguns ainda por anunciar, a edição portuguesa do festival BPM receberá ainda os regressos das festas
Akbal Music, All Day I Dream, ANTS, Deeperfect, Detroit Love, Do Not Sit On The Furniture, Don’t Be Leftout with Visionquest hosted by XLR8R, elrow, FORM Music, Kaluki, Nick Curly presents TRUST, Social Experiment, Numero 00, Paradise, Stereo Productions, Vatos Locos e Warung hosted by Ibiza Voice.

Os passes gerais para The BPM Festival: Portugal e bilhetes para eventos específicos estão, desde já, à venda no site do festival (www.TheBPMFestival.com/tickets) e sujeitos à lotação do evento. O passe geral para o evento inclui entrada em todos os eventos BPM com prioridade nas filas e entrada garantida nos mesmos (dependendo, apenas, da lotação legal de cada sala). O mapa do festival está, também e desde já, disponível para consulta (em baixo). Viagens, acomodação e pacotes de bilhetes com tudo incluído estão disponíveis através do parceiro oficial Choice Holidays, membro da Association of British Travel Agents (ABTA) e companhia certificada pela Air Travel Organisers’ Licensing (ATOL).

Bilhetes gerais para o The BPM Festival: Portugal de terceira fase já à venda em
www.TheBPMFestival.com/tickets

24 de Agosto, 2017

É p’ró menino e p’rá menina

Patrícia Teixeira

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Texto de Edmundo Gonçalves

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A Porto Editora claudicou. Esteve mal!

Falo da edição de uns manuais de exercícios destinados aos meninos, em azul, e às meninas, em rosa. Ao que consta, salvo algumas diferenças de pormenor (exercícios dirigidos a cada um dos géneros), a dificuldade e complexidade dos trabalhos propostos é semelhante. O que me incomoda nesta onda do politicamente correcto, é que se seja tão fundamentalista que um dia destes temos uma sociedade composta apenas por hermafroditas.

Se alguém está preocupado com o género feminino, elas são já a maioria das estudantes universitárias e com melhores resultados e das licenciadas, portanto estão bem e recomendam-se. O que esta onda esquece é que há coisas que são dos homens e outras que são das mulheres, naturalmente, por questões fisiológicas e morfológicas. Não tenho notícia de que qualquer homem tenha sido mãe, apesar de muitos gostarem de o ser eventualmente. E nas profissões mais duras é raro encontrar mulheres, porque a sua morfologia não está desenhada para trabalhar com “pá e pica”. Há excepções? Pois há, daí haver tanto desejo de mudança de sexo, gente quenão se sente bem no seu corpo e se sente mais do “outro lado”, o que prova que afinal há diferenças de género e não vem nenhum mal ao mundo que os meninos continuem a ser meninos e as meninas continuem a ser meninas, ou que troquem, se for isso que o seu cérebro lhes diga, mas miscigenar não, obrigado. Os homens serão homens e as mulheres serão mulheres, não me parece que seres híbridos tragam grande coisa à espécie, aliás nestes milhares de anos de evolução não tem sido esse o caminho que a raça tem seguido. Senão pensem, esse caminho evolutivo seria o fim das relações, já que cada um se bastaria a si próprio, mas não vamos por aqui…

É hoje raro o homem que não faça tarefas em casa que eram consideradas apenas femininas há meio século. Se algum dos géneros evoluiu no “bom sentido”, no sentido da igualdade, foi o masculino, como era sua obrigação, admito. A igualdade na dignidade, oportunidade, etc. faz todo o sentido, é um imperativo social, mas cada um com o seu passado evolutivo.

No entanto, para que os que leiam esta crónica despretensiosa pensem um pouco, quem é que lá em casa trata das reparações, das obras, de trocar a lâmpada, de meter combustível no carro e de o lavar, por exemplo?

-Ah! Mas isso são coisas de homens, responderão. Ai sim?...

23 de Agosto, 2017

A ver se percebi bem

Patrícia Teixeira

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O governo, representando o Estado, dono da CGD (Caixa Geral de Depósitos) paga a uma denominada comissão de remunerações o valor de 155 mil euros, pouco mais que duzentos e setenta e oito salários mínimos, composta por três pessoas, o presidente e dois vogais. Podem os estimados leitores pensar deste modo: mas até nem é muito dinheiro, uma média de pouco mais de cinquenta mil Euros anuais para cada um dos três elementos, o que dividido por 14 meses dará uma média mensal a rondar os três mil e setecentos Euros. Mas… Há sempre um mas não é?  Este valor é para o máximo de dez reuniões. Dez reuniões, meus caros, o que altera tudo! Quinze mil e quinhentos Euros por reunião, sendo que o presidente recebe um pouco mais que a simples divisão por três. Mesmo que a puta da reunião (desculpem o mau francês) dure um dia, sete horas de trabalho, são setecentos e trinta e oito euros para cada um, por cada hora passada na árdua tarefa. Não refere se há direito a senha de almoço, mas com umas mãos tão largas, vai daí… Ou então fazem a coisa da parte da manhã e a empreitada sairá por uns míseros mil quatrocentos e setenta e seis Euros à hora. Nem o Ronaldo!

E o que é que de tão importante faz esta comissão? Pois determina os salários dos órgãos sociais da CGD, bem como dos colaboradores com estatuto diretivo que reportam diretamente ao conselho de administração ou a qualquer das suas comissões.

A pergunta simples que qualquer um de nós contribuintes e que ajudamos a pagar este balúrdio, faz é a seguinte: Não haverá no raio do ministério das finanças um grupo de gente com capacidade para fazer este trabalho? Será assim tão difícil calcular os vencimentos dos administradores da CGD? Que os privados tenham uma qualquer comissão de peritos para esta função, admite-se, não têm uma estrutura por detrás, mas o ministério das finanças, senhores?

A mim nem me interessa saber quais os critérios que levam ao valor dos vencimentos propostos, mas será que o recente aumento de comissões a pagar pelos clientes e o encerramento de balcões que tanta falta fazem a algumas populações do interior, é factor relevante para lhes atribuir mais uns pozinhos? Provavelmente conta.

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