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SE A INÊS SABE DISTO!

SE A INÊS SABE DISTO!

30 de Abril, 2017

Fátima, altar do Mundo

Patrícia Teixeira

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Sinal dos tempos, ou influência da abertura da igreja ao Mundo como deseja Francisco, o Papa que tenta limpar as teias de aranha e o caruncho a uma casa que parou no tempo desde João XXIII e as recomendações saídas do concílio do Vaticano II, que continuam, a maior parte delas, por aplicar?

A Vista Alegre arroja nesta escultura de estilo clássico, em cristal, com o peso de 2, 07kg e uma altura (comprimento, para quem preferir…) de 24cm.

O preço no site da VA é de 128,00 €.

Para um objecto representativo que pode proporcionar tantos e tão bons momentos de reflexão, não me parece nada por aí além, contando que olhando com outra atenção para esta nossa senhora, adivinham-se extraordinários milagres, sobretudo se a oração for convicta, em retiro individual, ou com a companhia certa.

Tem alguns pequenos inconvenientes, já que não admite pressas nas preces: Não pode ir ao micro-ondas, nem à máquina de lavar! Mas não há nenhuma contra-indicação a mergulhar-se em água quente ou a colocar-se no frio, ou sequer à lavagem com um sabão neutro.

Pessoal, eu acho que está na hora de rezar…

29 de Abril, 2017

Bicagas, o final

Patrícia Teixeira

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Texto de Edmundo Gonçalves

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(podem ler a primeira parte da crónica aqui)

Álvaro ficou de novo nas lonas e teve que regressar às origens. Mas dessa vez, ao negócio de venda de lotaria, juntou o de engraxador. Montou banca no Restauração, o café frequentado pelos professores do Colégio Nun’Álvares, que ficava mesmo ali ao pé, na parte nova da cidade. Por curiosidade, na mesma praça havia o Académico, frequentado pelos estudantes. Ambos ainda hoje têm porta aberta.

Mais uma vez, um ano ou dois depois da tragédia da bancarrota, Álvaro foi bafejado pela sorte. Outra cautela premiada, permitiu-lhe de novo voltar ao nível de vida a que estava habituado. Touradas, restaurantes, táxi para aqui e para ali, uma chusma de gajos à volta sempre, a comer e a beber à sua conta e as fatiotas, último grito, compradas sempre no Noel, que era quem ditava a moda em Tomar. Bicagas era o príncipe Rainier de Tomar! Passou até a usar chapéu, claro no Verão, mais escuro no Inverno. Uma figura! Simpática, sempre. Como costuma dizer-se, por detrás de um (grande) homem, está sempre uma (grande) mulher (ou vice-versa, não venham já com machismos, fáxavor!). Aqui o homem era grande apenas no tamanho e ela nem sequer. De modo que se um deles fosse orientado, a coisa poderia ter-se composto e teriam uma vidinha sem sobressaltos. Nada disso, à velocidade com que veio, esta nova batelada de dinheiro desapareceu “enquanto o diabo esfregava um olho”.

Ora, lá voltou o Álvaro de novo às cautelas. No entanto estes altos e baixos na sua vida trouxeram-lhe uma nova realidade, provavelmente consequência do resultado de não ter sabido administrar o que de bom lhe aconteceu, o alcoolismo. Depois dessa segunda falência, Bicagas passou a beber e o seu aspecto foi-se deteriorando a olhos vistos, até que num desafortunado dia, vindo de comboio do Entroncamento onde foi vender jogo, não se sabe bem como, à chegada a Tomar caiu e a composição ceifou-lhe uma perna.

Com mobilidade reduzida, em cadeira de rodas, era-lhe difícil deslocar-se e exercer a sua profissão. Foi então que teve o rasgo da sua vida: Procurou o Cavalo de Pau e deu-lhe sociedade nas cautelas. Ele fixou ponto de venda novamente no Restauração e o Manel fazia a volta pela cidade, sendo que fazia uma perninha de engraxador quando regressava à base. A sociedade foi de tal modo profícua e o entendimento entre os sócios era tal que, um dia, quando deu por “ela”, Bicagas tinha começado também a dividir a mulher com o Cavalo de Pau… O álcool foi-lhe dando cabo da saúde e não durou muito.  Bicagas é a prova provada de que o dinheiro traz felicidade. Mas também prova que sem cabecinha, essa felicidade pode ser efémera e acabar em tragédia.

Mas aposto convosco que enquanto durou, enquanto gastou à tripa forra, Bicagas foi o homem mais feliz à face da Terra. E se pensarmos bem, o graveto não vai p’rá cova co’a gente…

 

 

28 de Abril, 2017

Tomar dá a provar mais de 50 receitas de sopa

Patrícia Teixeira

 

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No dia 6 de maio, a partir das 12h30, regressa à cidade templária o Congresso da Sopa. Este evento, que se realiza pelo 24.º ano consecutivo, é uma iniciativa do Município de Tomar, em parceria com mais de 30 restaurantes, associações e produtores de vinho locais.

Os ingredientes são irresistíveis: boa comida e bebida que podem ser saboreadas numa ilha! É o que acontece neste Congresso da Sopa, que tem lugar no Mouchão Parque, uma ilha verdejante em pleno rio Nabão, onde podem ser degustadas mais de cinco dezenas de especialidades, acompanhadas pelos deliciosos néctares da região.

A sopa é a vedeta seja ela confeccionada a partir de uma receita tradicional e apreciada em todo o país ou de uma experiência arrojada que surpreende o palato. Entre mais de meia centena de propostas, o difícil será escolher. À espera dos visitantes estão a sopa de peixe, a sopa da pedra, o caldo de enguias, a sopa de lampreia, a sopa de leitão, a sopa de castanha com cogumelos, a sopa de abóbora com gengibre, o creme de cenoura com crocante de farinheira, entre muitas outras.

Há ainda sugestões com nomes originais, como a sopa de corno, que se espera que caia bem no estômago e no espírito! E, já a abrir o apetite para a Festa Templária, que se realiza entre 6 e 9 de julho, dá-se a provar a sopa medieval.O Congresso da Sopa é uma das maiores e mais populares tradições da cidade de Tomar, mas continua com o mesmo vigor com que nos anos 90 veio revolucionar o universo das festividades gastronómicas em Portugal, criando um verdadeiro culto em torno da sopa. Neste evento, os “congressistas” entregam-se ao apelo dos sabores e à consciencialização da necessidade de uma alimentação saudável.

Esta iniciativa tem um cariz solidário, uma vez que as receitas de bilheteira revertem para o Centro de Integração e Reabilitação de Tomar (CIRE).

 

Informações úteis

 

Bilhete geral: 5€

Crianças 6 - 12 anos: 2€

Famílias (2 adultos e 2 crianças): 12€

Kit do Congresso da Sopa (copo, tigela, colher e guardanapo): 3€. É possível trazer de casa e poupar este valor.

Os bilhetes estão à venda no Posto de Turismo de Tomar e no CIRE.

Fotos: Câmara Municipal de Tomar

 

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Congresso da Sopa (1) - créditos Câmara Municipa

 

 

(Divulgação de Press Release)

 

 

28 de Abril, 2017

Às sextas com os Tachos

Patrícia Teixeira

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Receita de Edmundo Gonçalves

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Bacalhau em cama de caldo verde salteado

 

Mais uma proposta simples, mais uma vez para dois.

 

Ingredientes:

1 posta de bacalhau demolhado

1 saco de caldo verde

1 dente de alho

1dl de azeite

Sal e pimenta

2 ovos

Farinha de trigo

 

Preparação:

Retirar todas as espinhas e peles do bacalhau. Picar o dente de alho muito fino e juntar a um pouco de azeite num wok e deixar fritar um pouco, adicionando uma pitada de sal e pimenta. Juntar depois o caldo verde e saltear. Utilize tempo a gosto (se mais ou menos cozido). Passar um pouco de pimenta pelo bacalhau e depois passa-lo por farinha. Fritar, virando até ficar louro no restante azeite, em lume brando e retirar. No azeite da fritura do bacalhau, estrelar dois ovos tendo o cuidado de deixar a gema líquida. Servir conforme foto, rompendo a gema e deixando-a misturar-se com o caldo verde. Com este prato vai bem um vinho tinto encorpado, pelo bacalhau mas também pelo alho. Sugiro um Vinha Maria Ana.

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26 de Abril, 2017

Perdida de amores por Meia Dúzia de bisnagas!

Patrícia Teixeira

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Fotos: Retiradas do site oficial da marca

 

Não há sabor igual ao de uma compota caseira e isso é ponto assente! Aqueles doces que nos remetem aos cheiros e sabores da infância, quando não resistíamos a mergulhar o dedo na panela para prová-lo, ainda a escaldar. São memórias que preenchem o coração, alimentam a alma e que eu, felizmente, ainda tenho a sorte de poder reviver.

E se é bem verdade que há sabores insubstituíveis, não é mentira que há ideias tão originais que nos conquistam na mesma medida. Um dia destes fui convidada para um jantar de tapas em casa de uma amiga. Na mesa estavam quatro bisnagas de alumínio que mais pareciam de tinta acrílica. Mas afinal eram compotas. E como se não bastasse a minha euforia típica sempre que dou de caras com este tipo de produtos gourmet, ainda descobri que aquelas, em particular, foram especialmente elaboradas para saborear com queijo e presunto. Mesmo não sendo propriamente o sabor tradicional das compotas a que estamos habituados, conquista por isso mesmo...pela fusão de sabores pouco prováveis mas que resultam surpreendentemente bem. Tendo em conta que esta marca portuguesa, que nasceu de um projecto comum de dois irmãos, o Jorge e a Andreia Ferreira, já existe há algum tempo, é bem provável que já se tenham cruzado com a MEIA.DÚZIA. No meu caso foi mesmo amor à primeira degustação. Este formato de embalagem, em alumínio, dispensa o uso de colheres ou facas para barrar e os doces não ficam expostos ao ar após a abertura. 

Quando cheguei a casa dei uma espreitadela no site da marca e descobri uma série de outros produtos, tudo em bisnagas, (chás, mel, chocolates, licores e, claro, as compotas) que, apesar de ainda não ter experimentado, parecem ser tudo de bom! A marca, já recebeu várias distinções a nível nacional e internacional (informação disponível no site).

 

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25 de Abril, 2017

1974

Patrícia Teixeira

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Eu estava em casa, na Dr. Joaquim Jacinto, só tinha aulas à tarde no Liceu Nacional de Tomar, que ficava ali junto à rotunda e aos “Estaus”, andava no “segundo” ano, creio. A televisão tinha aqueles horários esquisitos, pelo menos o “segundo canal” não funcionava durante todo o dia. A esta distância, 43 anos, acho que emitia de manhã até às 14 ou 15 horas e depois voltava ao fim da tarde. No “segundo canal” dava umas séries juvenis francesas e americanas, algumas delas com alguma piada. Nesse dia 25 de Abril, estava programada a passagem de mais um episódio de Daktari, uma série americana passada na África Oriental e cujos protagonistas eram um leão vesgo e uma macaca; Ou seria de Skippy, uma australiana que tinha um canguru e um miúdo que assobiava com uma folha de uma planta qualquer, por protagonistas? Confesso que a memória já me atraiçoa e a convicção em Daktari não é a mesma desde há dois minutos…

Bom, o que eu sei é que “acendi” a televisão para assistir à série e aquilo tinha ainda àquela hora, p’raí 11 horas, a mira técnica. Nem sequer o tão célebre “pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos”, que lá colocavam quando havia algum directo e o assunto não agradava ao regime. Passava-se qualquer coisa, a televisão devia estar avariada, devia ser “lá deles”. Eu estava quase nos 14 anos, não ouvia muito rádio, exceptuando os relatos dos jogos do Sporting, de modo que fui esperando que a emissão se iniciasse, de volta de um Tintin, provavelmente, ou de um Falcão.

Por volta do meio dia o meu pai veio almoçar e trazia com ele um exemplar de “O Século”, onde se dava conta do que acontecia e vinha todo sorridente. Nesse dia esse já desaparecido jornal haveria de imprimir um ror de edições, quase cada uma a cada comboio que chegava.

“Veterano” da distribuição de panfletos da UEC no liceu (impressos numa vietnamita, num segredo tão bem guardado que ninguém lá em casa soube até então, apesar de todos jogarmos no mesmo “clube”), embora bastante jovem, aquilo tudo embora fosse novidade (como para todos, quase), não era assunto desconhecido, tinha acontecido o levantamento das Caldas dois meses antes, previa-se que algo estava iminente, de modo que apesar de na televisão, que finalmente chegou à hora do telejornal do almoço, dizer para a malta ficar em casa, eu comi na “broa” e ala para o liceu. Não houve aulas, como seria de esperar, mas houve logo ali ajuntamento para tomar conta “daquilo”. A coisa foi entregue aos mais velhos e até final daquele ano lectivo foi um pouco, digamos… caótica, não diferindo do que se passou um pouco por todo o país. 

E pronto, foi um dia de festa, de libertação e de ajuste de contas com o futuro, que nos foi sendo roubado ao longo de 48 anos.

Um futuro que não é bem como a gente sonhava mas enfim,  é incomparavelmente melhor do que o que tínhamos e que nos impingiam.

Com quase 14 anos, lembro-me do primeiro pensamento nesse dia, relacionado com o que se estava a passar: “Já me livrei da guerra!” É que faltavam apenas cinco anos…

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