Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Se a inês sabe disto

Água fria que o sol aqueceu

 

Chegámos a Caneças em 1981.

As ruas do bairro eram ainda de terra e a água e a electricidade eram "da obra" e assim se mantiveram por algum tempo, não sei precisar.

Em 1981 nós tínhamos 21 anos e o meu ordenado era todinho para a prestação do apartamento da Rua de Timor , Lote 8, 2.º Dt.º. Dezassete contos e duzentos, por um apartamento que custou dois mil e cem contos. É ridículo estarmos a falar destes valores (à volta de 85 Euros e dez mil e cem Euros) depois de termos vendido uma casa por um valor muito simpático, que nos custou a construir, quinze anos depois, em 1995, cerca de vinte mil contos (cem mil Euros). Para quem for mais novo, para perceber um pouco as coisas, a inflacção cavalgava a 30% ao ano. O meu ordenado de 17.200$00 em 1981, um belo ordenado diga-se, era em 1990 de cerca de 150.000$00, cento e cinquenta contos.

Adiante, que já estão situados.

1981 e ainda durante alguns anos, era o tempo de se telefonar para caneças e marcar o 980 e atender a "menina" e nós pedirmos "ligue-me à Teresa Paula, fáxavor" e a resposta ser "não vale a pena que ela não está em casa, ainda agora liguei para lá e não atendeu". Ou seja, a telefonista conhecia as pessoas e sabia os números (o nosso era o 9801696) de praticamente todos os assinantes.

Foi ali que nos dedicámos à vida em sociedade, à colectividade, na Junta de Freguesia, no Botafogo, nos Bombeiros, na Creche 25 de Abril, na Marcha de Caneças, pro bono, em prol da comunidade, foi ali que encontrámos gente de quem ficámos amigos, uns mais chegádos outos menos, como é natural. Não podemos deixar de referir a Teresa Paula, que nos cuidou dos filhos como se fossem dela. A Celeste, a irmã, A Crisanta e o Albano, um casal maravilha e muito sui géneris que se identificava em qualquer ajuntamento por um assobio; As manas Lélé e Nana e o Lóis e o Quim da Nana, porque havia o Quim da padeira, e o Virgílio ("nunca trabalhou só agora é que avariou") infelizmente falecido e o "eterno" tesoureiro do Botafogo (sério e de boas contas), O Figueiredo das bicicletas, sei lá, o Ti Mário, amigo do peito, o irmão Zé Vargas, o Carlos Costa e a Clara do Céu, o irmão Luís do Céu, ainda hoje um grande amigo. O António Maria Balcão, um homem do Alentejo com um coração do tamanho do Mundo, o Galvão e a sua calma, também um homem extraordinário, a Sara Sacavém. O Kekas e a Cila, amigos verdadeiros e o Domingos Tomé e a Maria Adélia, de quem sentimos uma anorme saudade, que foram um caso raro (e "são", apenas com o Domingos agora) de uma profunda amizade improvável. E os nossos vizinhos destes últimos 23 anos, uns mais que outros, gente boa e simpática, a Adélia e o Joaquim, o António e a esposa, o Ilídio que anda mais por Angola, mas sempre que regressa é um compincha de horas de conversa (ele fala...), o "brasuca" Tiago, um mago das electricidades nos automóveis e o Paulo e o Chico e a D.ª Antónia, o meu colega de emprego Luís, o Rui que me foi tratando dos carros ao longos dos anos, enfim, queria ser breve na despedida, mas vão ficar muitas pessoas a quem devemos alguma coisa, esquecidas neste postal.

Foram 38 anos de vida numa terra que nos deu dois filhos e já dois netos, plenas de actividade política e associativa, à qual demos o melhor de nós próprios, onde fizemos amizades profundas e, como não podia deixar de ser, talvez algumas inimizades, faz parte... Não deixa de ser chato quando as más-línguas vêm dos nossos e nisso fomos bem castigados, mas sempre mantivemos a mesma postura e a nossa forma de encarar as coisas, sem palas e com espírito crítico. Se pensaram que nos prejudicaram, descansem, só nos retiraram algum peso de cima.

Não saímos com mágoas, valorizamos antes as pessoas, as verdadeiras amizades que fizémos, os miúdos que "vimos" nascer e crescer e que se fizeram mulheres e homens, que isso é o que realmente conta.

Começamos agora uma nova etapa da nossa vida, numa nova terra, num sítio que adoramos, voltando ao início. Sem filhos, uma casa nova e novas perspectivas. Bom, com filhos adultos e com netos, que se hão-de pendurar na casa dos pais e dos avós, mas isso a gente até agradece.

Raios, que eu deveria escrever tanto, que tanto haveria para escrever, mas depois os meus amigos não liam e o que se pretende é que pelo menos sintam um pouco da nossa nostalgia e ao mesmo tempo do entusiasmo de uma nova fase que esperamos seja melhor que a anterior.

Isto resumido, mesmo espremido, é isto: 38 anos e parece que foi ontem que lá chegámos, com o nosso Honda 360...

Memória curta

O parlamento europeu reconheceu hoje o usurpador do poder na Venezuela, Juan Guaidó, como "presidente interino legítimo".

Sabemos que a composição do parlamento europeu é uma mistura de credos e religiões e um saco de gatos enorme, onde pontificam até deputados eleitos por partidos declaradamente fascistas, ultra-direitistas e outros "istas" a que se julgava ter posto cobro com o fim da segunda grande guerra. Esta tomada de posição não é , portanto, surpresa. Meia surpresa será o número de votos a favor, cerca de quatro vezes mais que os votos contra, numa votação expressiva e sem margem para quaisquer dúvidas. As notícias não informam qual o sentido de voto dos deputados portugueses (oriundos de vários partidos, CDS, PSD, PS, PCP e BE), mas teria alguma curiosidade em saber do sentido de voto dos deputados dum país que tem na Venezuela cerca de 300.000 compatriotas ou luso-descendentes.

Hoje o ministro da defesa do governo português considera até o envio de tropas para a Venezuela.

O ministro dos negócios estrangeiros, juntando-se a outros colegas da UE, dá um prazo de oito dias para Maduro convocar eleições presidenciais.

Eu queria chamar aqui a atenção para quem faz o favor de ler este postal, que Portugal é um país que se rege por uma constituição que todos estes senhores juraram respeitar (e defender) quando tomaram posse. Está lá, para quem não conheça, no Artigo 7:º no Capítulo das Relações Internacionais no seu n.º1 o seguinte: Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade.

Ora bem, atenta a constituição atrás descrita, sua excelência o ministro da defesa caga-se na lei fundamental do país e vai de avançar com uma posição que nos vincula a todos, sendo que à luz da CRP o país não concorda com ele. Sim, a constituição é uma chatice, mas a frase "cumprir a constituição" e já de si uma redundância, porque constituição é sinónimo de cumprimento. Então concluimos que os senhores ministros que já se manifestaram, tomaram medidas anti-constitucionais e sua excelência o presidente da república deveria fazer o que a constituição o obriga a fazer: Chamar a atenção ao primeiro-ministro (que curiosamente é uma espécie de Guaidó, mas com legitimidade eleitoral, já que o outro não concorreu para presidente) para exonerar estes senhores ministros que envergonham quem entende que a constituição deve ser a pedra basilar porque se rege o país.

O Maduro é um maduro? Talvez seja, talvez tenha feito merda, mas há tanto governante por esse mundo a fazer merda e o PE e os nossos excelsos ministros ninguém os ouviu a piar... Não querem exemplos pois não? É que bastava o genocídio na Nigéria ou na Birmânia para contrapôr, mas fiquemo-nos pela Venezuela, que é só, apenas, o país que tem as maiores reservas de petróleo do mundo e que faz questão de ser ele a tomar conta desse recurso. Pois, não é como certos países que agora se preocupam tanto com a democracia e os direitos dos cidadãos e venderam tudo o que dava lucro ao estado ao desbarato. Alô EDP, alô Portugal Telecom, alô CTT, alô, alô, alô...

O Maduro é um pouco louco? Talvez seja, um gajo que fala com um pintassilgo deve ser um bocado apanhado dos cornos, mas o seu governo e antes o de Chavez, trouxeram a milhões de venezuelanos educação, saúde e sobretudo habitação, acabando com milhares de favelas. Com o dinheiro do petróleo, pois claro, que era da ExxonMobil, da Chevron, da Standard Oil, etc. que têm em comum o quê? Adivinhem... Pois, companhias americanas!

Eu até estou à vontade, como vossências se aperceberam atrás, para dizer que não me revejo naquele tipo de governação, a armar para a alienação, mas há um factor essencial para esta equação que não podemos deixar de emparcelar: Aquilo é na América do Sul, com todos os defeitos e algumas, poucas, virtudes que têm os políticos sul-americanos e salvo raras e honrosas excepções, nascidos dentre o espectro político de dezenas e dezenas de anos de corrupção, crimes contra a humanidade, o diabo a sete. Reparem, se Portugal tem 44 anos de Democracia e ainda é o que é, imaginem uns tipos que desde que se conhecem que são governados por gatunos. Pois, meia dúzia de anos de democracia é muito pouco para consolidar seja o que for e à América do Sul a Democracia chegou há pouco tempo. Sim, teve um início fulgurante no Chile de Allende, mas a esse fizeram logo o "favor" de o assassinar.

E portanto, agora temos novamente o mundo dividido em dois blocos. Dum lado os americanos que levam a reboque os fracos dirigentes europeus, e de outro a China e a Rússia, que não querem ver os seus interesses postos em causa.

E os palermóides dos nossos ministros andam a carnavalar no meio desta merda toda. 

Enxerguem-se, caralho!

A culpa é do Daniel Oliveira?

Ponto prévio: Um pedido de desculpas aos visitantes do blog, pela falta de assiduidade que se tem verificado por aqui, por parte dos autores.

Adiante. 

Temos vindo a assistir, concretamente na TVI, estação líder de audiência até há quinze dias, a um caminho e a uma linha editorial que nos deve, aos democratas em geral, deixar preocupados. A coberto da guerra pelas audiências, a TVI está a revelar uma linha de rumo bastante delicada, contudo claramente de orientação populista. Veja-se os convidados de Goucha no programa das manhãs. Sabendo-se que o público das manhãs e das tardes é muito mais influenciável (porque mais idoso, porque menos culto, porque mais discriminado, porque mais receptivo a boatos e situações de alarme), a TVI tem apostado em combater a ultrapassagem da SIC com a contratação de Cristina Ferreira, com convidados e reportagens que tentam explorar o que de pior o ser humano tem, a inveja e fazer a elegia de regimes e pessoas e situações, com a justificação torpe de que em Democracia se deve permitir tudo, que remetem para um passado do país de tão triste memória. Reclamar a vinda de Salazar, o próprio ou um clone, e do seu regime fascista (convém chamar os bois pelos nomes, para que não haja dúvidas da parte de quem lê este texto), é querer regressar a um passado de tão má memória para quase todos os portugueses que viveram sob o seu jugo e que têm bem presente o que era viver na mais abjecta miséria. 

É fácil vender a quem nasceu em Liberdade e Democracia um discurso populista e é por aí que a TVI tenta reconquistar as audiências, ao avançar no dia e a chegar ao jornal das oito, com reportagens tendenciosas, sem contraditório e com alvos concretos: Homens e mulheres de esquerda, em posições relevantes, que podem eventualmente ter cometido alguma irregularidade ou ilícito e que são sujeitos, na praça pública, a um julgamento público inaceitável num estado de direito que se preze. Não me argumentem com a liberdade de imprensa ou editorial e com a investigação jornalística, quando toda a acção tem um fito, um objectivo claro, que é fazer política e seguindo a voz do dono, tentar fazer cair executivos.

O exemplo de Sócrates, goste-se ou não do homem (eu não gosto, sou insuspeito) e a  invasão da sua privacidade de que foi alvo à porta da nova casa, na Ericeira, é abjecta e um exemplo claro do que atrás disse.

Ontem calhou na rifa Bernardino Soares e a Câmara de Loures. A propósito da contratação de uma empresa unipessoal (uma aberração de um qualquer governo do PS ou PSD) detida pelo genro de Jerónimo de Sousa. Quem viu a reportagem fica a "saber" que houve um nítido favorecimento a uma pessoa/empresa com uma ligação íntima ao secretário-geral do PCP, partido que ganhou as eleições em Loures e que legitimamente exerce o poder na autarquia. A edição da peça é digna do melhor de Kafka. Ao presidente da câmara não é dada a oportunidade do contraditório, o "jornalista" interrompe qualquer resposta no início da frase e o que prevalece é o intuito claro de causar mossa, nem que para isso se apanhe Jerónimo de Sousa completamente desprevenido (Jerónimo de Sousa que recebe de ordenado pouco mais de 700 Euros como secretário-geral do PCP - o restante entrega ao partido, como alguns leitores saberão -  vive em Pirescouxe numa casa alugada e nem carro próprio tem, nem um chaço) e se lhe "amande" com uma pergunta insidiosa, insinuante, provocatória (tentando obter alguma reacção menos calma).

Não fui mandatado, mas como conheço o processo vou tentar esclarecer os leitores: A câmara de Loures tinha um contrato de prestação de serviços com duas empresas cujo objecto (do contrato) era a manutenção e conservação dos abrigos (vulgo paragens dos autocarros). Quando esses contratos terminaram, por achar que os valores eram elevados, a câmara de Loures entendeu abrir concurso com consulta a três empresas para executar este serviço. Ora acontece que quem apresentou o menor preço (factor essencial) foi uma empresa em nome individual, portanto legal, portanto com condições de efectuar um contrato com uma entidade pública porque não tem dívidas nem ao fisco, nem à segurança social, titulada por uma pessoa que é genro do secretário-geral do PCP. Parece-me que a suspeita de favorecimento levantada descaradamente na reportagem (e que o "jornalista" foi antecipadamente anunciando, vi e ouvi eu com estes que a incineradora há-de tratar), cai por terra com a transparência do processo. Conforme dispõe a Lei, é público e está publicado, tal como todos os trâmites até se chegar à assinatura do contrato. Resta acrescentar que com a reformulação deste contrato, a autarquia poupou 15% no valor que pagava às duas anteriores empresas, portanto podem os lourenses estar descansados com os destinos do seu dinheiro, que a câmara gere e gere bem e com parcimónia (as contas de gerência bem o demonstram e também são públicas e publicadas).

Voltando ao início deste texto, como diz na reportagem Jerónimo de Sousa, não vale tudo e o que está a acontecer com a Media Capital, proprietária da TVI, é que para reconquistar o seu poderio, logo mais receitas de publicidade e de chamadas de valor acrescentado (a sua maior fonte de receita, segundo os R&C anuais), a TVI está a recorrer a métodos que julgava ultrapassados no Portugal (apesar de tudo) democrático: A perseguição, a calúnia, a apologia de ditadores e da ditadura fascista, dar a palavra a fascistas e xenófobos, a fazer o que a extrema-direita nunca conseguiu, desde os tempos do MIRN, que é usar a democracia para promover os anti-democratas.

Lá no título eu pergunto se a culpa é de Daniel Oliveira, por ter sido o homem da ideia de contratar Cristina Ferreira e que causou o terramoto na TVI, mas claramente que não. Os axaques de direita e de totalitarismo estão lá, até na exploração dos seus trabalhadores das novelas, que lhes dão tanto dinheiro (técnicos e actores), que trabalham 12 horas por dia, de sol a sol portanto, como no tempo do fascismo!

Por mim, audiências, zero! Vão-se foder!

Eu até pensava que fosse do vinho

A gente era todos sportinguistas.

Combinámos que cada um levava da sua "pinga" nova e cada um levava do que tivesse para "fazer bóia". Ele era nozes, ele era amêndoas, ela era passas de figo, ele era passas de uva, ele era bolos dos santos, ele era castanhas, ele era presunto, ele era queijo. Houve alguém que teve o bom senso até de levar umas romãs e uns diospiros. E pão!

Lá se montou a pantalha e aquilo foi uma continuação do almoço e estava tudo tão entusiasmado nas provas dos brancos e dos tintos, que as três chegaram e quase que nem demos pelo início da partida. O ambiente era bastante húmido, tanto em Viseu, como lá fora na rua, que chovia que Deus a dava e também lá dentro, que a gente bem ia molhando a palavra a bom ritmo.

"É pá, não jogamos nada", lá dizia um mais insatisfeito, ind'aquilo tinha acabado de começar (salvo seja!); "Ó pá, deixa q'eles cansam-se e a gente apanha-os à mão", lá respondia outro mais optimista (e caçador de prato). E o jogo foi decorrendo e o tinto e o branco correndo e a "bóia" fazendo a sua função. "O careca não percebe nada disto, atão o Jefferson, um cepo?" e o rapaz só pra chaterar, vai de centrar com conta, peso e medida, para o... coiso, a mandar lá p'ra dentro. Claro que o desgraçado que teve a infelicidade de proferir aquela frase lapidar, teve que dar a volta à mesa e servir os restantes de mais uma rodada, p'ra castigo, que não se "invoca" assim o nome de Jefferson em vão! Mas logo a seguir, Bruno Fernandes, que nos pareceu naquele momento ter bebido mais que os dez todos juntos que ali estávamos, estrambelhou e deixou fugir uma bola que por culpa de Bruno Gaspar (faziam-lhe falta umas pingas, para arribar) e também de Renan, que ficou nas covas (provando que o que é de encosta é muito melhor), deu o golo do empate para a segunda equipa de Carlos Lopes. Belo golo, por sinal! "Ó pá, tenham calma, que eles cansam-se, já disse"... "Mas agora vem o intervalo e eles descansam", replicou outro que não deixou de lembrar que as brasas estavam prontas para os rins e o fígado de porco. "Mas eu não vou lá, que eu a grelhar é mais ou menos como o Petrovic a defender".  E lá veio a segunda parte, com o rim e o fígado temperados com azeite, alho e vinagre e uma pitada de coentros que alguém disse que não se podiam gastar muito porque "são verdes". Mai'nada! 

Com mais ou menos atenção "é pá, de quem é este? ganda vinho!", e as nozes e as amêndoas a desaparecerem e as castanham a estalarem nas brasas, Jefferson lá fez um dos 527 cruzamentos que costuma fazer mal, mas só que desta vez outra vez bem e o... coiso, aquele rapaz holandês que o Jesus ensinou a andar (ele é que disse, não me venham cá com coisas), catrapimbas lá p'ra dentro outra vez. O gajo que disse mal do Jefferson... pois, outra volta à mesa, p'a não se armar em parvo!

E ainda o gajo não tinha servido todos (alguns mexem-se, para o arbitro repetir, que é que pensam?) já o Bruno Fernandes tinha curado a bubadêra e fez ali uma tramóia com o... coiso, aquele rapaz, pois aquele que o Jesus, sim! e marcou o terceiro assim meio de trivela, só para me chatear a mim e a mais dois ou três que insistíamos em afirmar que o gajo não estava em campo, estava era escondido atrás do tonel (não confundir com Tonel, p.f.).

Estava o Zé a pedir "um branquinho agora, para limpar o palato" (fino, o menino...), quando o Nani, que só para chatear não quis ser o melhor mas quis rimar, ofereceu um golo cantado a Diaby e assim, entre uma passa de figo e uma castanha, já estávamos a vencer 4-1. "Eu não disse que eles se cansavam?" Esse não se cansou, não levantou o cu do banco nem no intervalo, mas só pela tirada filosófica, foi condenado a lavar a loiça (eram os copos e pouco mais) no final, que não acabou com o jogo em Viseu, tenham calma, que a seguir jogava a "nossa" Juve, ou melhor o "Ronaldo FC". 

Tenho a dizer em defesa de todos, que apesar das divergências de opinião, todos os vinhos passaram na prova com distinção e todos somos todos sportinguistas, "à mesma".

E como disse um, "nem c'agente purdesseconte mais ganhando!" É assim, tudo acaba bem quando se ganha 5-1!*

 

*Contem lá com o golo do Ronaldo, s.f.f.

À boleia da casa rolante

O tempo que isto andou a ser preparado...

É hoje, é amanhã, agora não dá porque eu tenho isto, depois para mim não dá porque tenho aquilo... Não imaginam o que é conciliar a agenda de uma multidão de gente. Três pessoas!

Mas a coisa deu-se e numa sexta à tarde, depois do trabalho, lá pegámos na casa rolante que alminha caridosa e amiga nos fez o favor de emprestar (obrigado Paulinha e Diogo), dicas entendidas... Bom, deixemos pormenores embaraçantes para trás, que isto é o registo de coisas boas, dicas entendidas dizia eu (mais ou menos, pronto), lá saímos da Ericeira com rumo a norte, objectivo Picos da Europa. A vontade de sair era tanta que a primeira etapa foi um esticão enorme até à praia de... Areia Branca! Não comecem a rir, por favor, era já noite e tendo uma casa com rodas para descansar e dormir, não faz qualquer sentido circular de noite, de modo que com os olhos treinados para qualquer eventualidade, alguém viu uma churrasqueira e o primeiro jantar foi frango, comido a ouvir o mar e regado com um belo tinto. Não há registo fotográfico, porque como não se via o mar, não fazia muito sentido ter fotos sem imagens, não é? Isso é para artistas e nós é mais comer e buer .

Bom, mas se no primeiro dia quase nem aquecíamos o motor da fragoneta, no segundo fizémo-nos à estrada que nem doidos! Por aí acima até Vigo, que foi um tiro! Chegámos ao final do dia, que estava nublado e frio, ventoso junto ao mar como podem constatar pelas fotos, onde pensámos em pernoitar, mas o spot indicado na aplicação móvel não era do nosso agrado e no estacionamento em frente à praia, avisou-nos o senhor do talho do Dia onde fomos comprar jantarinho, que a polícia não deixava aparcar. Ora toca de olhar para o GPS e encontrar algum sítio nas Rías Baixas onde estívessemos à vontade e fosse agradável. Opinião daqui e dacoli (quem sofre mais é quem leva o bolo-rei na mão, que mais parece um catavento. Vai para ali, não, vai para acolá... vocês entendem-me, n'é?) lá chegamos a um local excelente onde estacionámos a voiture e a Isabel pôs o jantar a andar, um cordeiro estufado que ficou no fogão enquanto fomos mandar umas cañas abaixo. A comidinha estava no ponto quando chegámos, tinha começado a chover (a noite foi bastante chuvosa, ainda ali chegaram ares do Leslie). Estacionámos a dois metros da água, como podem ver pelas fotos, numa localidade de nome Moaña. Recomenda-se, como se recomenda toda a área das Rías Baixas, com as suas reentrâncias, as suas baías, os viveiros de mexilhão e de ostras às centenas em cada local. Quanto ao marisco, peço desculpa por não ser entusiasta, mas quem está habituado a coisa boa...

025.jpg026.jpg

021.jpg022.jpg

Adiante. A noite como disse foi chuvosa, mas o dia amanheceu limpo e com temperatura amena, chegando o sol a aparecer radioso. Próxima etapa, Pontevedra, seguindo sempre pela costa, onde chegámos por volta da hora de almoço, pretexto para umas tapas e um Albariño e mais cañas e uma voltinha pela cidade, claro.

019.jpg020.jpg

- Então e agora vamos para onde?

- Olha vi aqui no folheto do turismo que há um festival de marisco em Ogrove.

- É pá, e onde é que é isso? (como se isso importasse alguma coisa, mas fica sempre bem perguntar...)

E lá fomos para Ogrove, para o festival do marisco. Pela costa, sempre pela costa que o sol estava lindo e o mar uma delícia para a vista. Foi tão fácil estacionar junto ao recinto que até dissemos que deviam estar à nossa espera. E estavam. Provavelmente para os ajudar a carregar o material. Eu já disse que o marisco espanhol, pronto, tem lá as suas particularidades que eu não gosto de ser maldizente, mas um gajo chegar a um festival do marisco e aquilo ter acabado de fechar portas, é um galo do camândrio! Olha, fomos às imperiais, para vingança! E como ali já tínhamos visto o que (não) tínhamos de ver, ala para Santiago! Chegámos também cedo, a aplicação tinha vários locais para estacionar a carripana, mas ou o cabrão do GPS estava doido, ou sei lá, mandáva-nos sempre para parques de estacionamento subterrâneos, o que calcularão não é o mais apropriado para uma viatura daquelas... Bom, voltas e voltas que nos deram um conhecimento de guia profissional depois, lá encontrámos um local muito bom, no campus universitário a cerca de 500 metros da catedral, sossegado, que se verificou ter apenas um inconveniente, durante a noite: Choveu e como estávamos sob as árvores, a água caía em pingas amodes assim como bolas de golfe e a noite foi um pouco agitada, mas sem problema de maior. Tínhamos a recordação, de uma visita anterior há mais de 25 anos, das tascas próximo da catedral e dos petiscos e foi para onde embicámos. Pronto, foi o único barrete, mas vivendo e aprendendo... Desde camarões ao alho vindos directamente do pacote dos congelados, a ameijoas com molho de guizado, imaginem como estava o polvo e o resto que já nem me lembro do que foi. Safaram-se as patatas, vá lá...

027.jpg028.jpg

018.jpg 018.2.jpg

Lembram-se que vos disse lá atrás que o nosso destino era os Picos da Europa, portanto havia que seguir, que o tempo não estica e a distância é muita, mas como na passeata nocturna por Santiago nos ofereceram um folheto sobre Finisterra, conforme o pensámos, melhor o fizémos e toca de fazer um "desviozinho" (andar a passo de caranguejo a bem dizer) ao ponto mais ocidental de Espanha, à Costa da Morte, ao Cabo Finisterra, onde viemos a saber (vivendo e aprendendo) termina qualquer peregrinação a Santiago, de modo que vinte e quatro horas por dia se vêem peregrinos a subir e descer a encosta até ao marco Zero de Santiago, a pé ou de transporte.

Pelo caminho, que se fazia hora disso, fizemos um almocinho a bordo, "dentro de água" em Muros, que, acho que já vos disse, sempre que possível a viagem foi feita pela costa. E junto à costa também, demos de caras com uma maravilha, um rio que desce em cascata até quase ao mar, donde dista nem 500 metros, em Ézaro, antes de uma povoação com um nome esquisito, CEE. Coisa estranha...

017.jpg016.jpg

Aí, na CEE, abastecemo-nos no supermercado e seguimos então para o Cabo Finisterra, já a noite se fazia anunciar. Apesar da curta distância, o dia foi-se rapidamente e chegámos lá acima, ao farol, já a noite tinha ganho a disputa, como podem verificar pelas fotos:

015.1.jpg015.jpg

Se por acaso fizerem uma viagem com um meio de transporte semelhante a este que nos deu boleia, saberão que há que encher o depósito de gasóleo, mas também o depósito da água e despejar o das águas sujas, bem como a cassette do wc. Para o gasóleo há as bombas de gasolina mas isso já devem saber, para as restantes tarefas há locais próprios que terão que procurar, mas há parques gratuitos que possuem estas facilidaddes e algumas bombas de gasolina também. Vem isto a propósito do estacionamento para pernoitar; É conveniente não descurar estes pormenores e a segurança. No Verão há sempre mais companhia, mas também há menos espaço livre para estacionar, logicamente. Nesta viagem e nestes locais junto ao mar, com muitos portos e marinas, foram estes os locais preferencialmente escolhidos e não nos demos mal. A partir daqui deixámos o mar (viríamos a encontrá-lo na paragem seguinte, na Corunha e depois de mais uma maratona, em Gijon), mas nunca tivémos dificuldade em estacionar em segurança.

Feito este "compasso de espera" (como se diz na gíria futebolística), siga a viagem. Depois de dormirmos no porto de Finisterra, ali mesmo à babuge do mar, saímos em direcção à Corunha, por AE (quase todos os que aqui vierem dar uma cuscada saberão, mas em 90% das AE não se paga portagem. Como cá, sim...), foi relativamente rápido, são cerca de 100km. Estacionámos num parque próprio, o único em que pagámos para estacionar, mas que ficava mesmo no centro e almoçámos umas "merdas". que estavam boas, por acaso! Como a Corunha pouco tem para ver e já por lá tínhamos andado, ganhámos coragem para nos pormos ao caminho até Gijon, que apesar de ser feito por AE, não deixam de ser quase 300 km. 400 e qualquer coisa km com o bolo rei nas mãos (desde Finisterra) não mata, mas desmoraliza um bocado, de modo que tivemos que afogar as mágoas numas garrafas de cidra e nuns bocadillos, enquanto dávamos uma volta nocturna pelo centro. A casa ficou numa ponta da cidade, junto à praia, bem acompanhada por mais uma dúzia de "comadres". Sítio muito bom, com um parque de merendas muito limpo que de Verão deve estar lotado, mas onde uns aceleras andaram até às tantas a fazer rallye...

014.jpg013.jpg

 

012.jpg011.jpg

 

 

010.jpg

Pequeno almoço tomado, dia de rumar directamente aos Picos. De Gijon a Cangas de Onís, onde almoçámos (um entrecosto que fez a espanholada andar toda de nariz no ar) e depois uma saltada a Covadonga e subida aos lagos. Quero dizer-vos que a impressão que tinha dos Picos era de que eram grandes e imponentes, mas quando lá estivémos na outra viagem que referi lá atrás, fui de carro e a estrada já era estreita. Imaginem agora de autocaravana... Houve uma passageira que teve que mudar de lugar por causa das vertigens. É que aquilo é estreito, muito estreito, mas também é alto, muito alto, com ravinas que... uffffff. Chegámos até ao primeiro lago, a partir daí o guarda florestal aconselhou-nos a não arriscar, porque para além de estreito, provavelmente iríamos já apanhar a noite na descida e contrariadíssimos, principalmente a Mina que adorou ir no lugar do pendura na subida, descemos e novamente passando por Cangas, rumámos a Leon, atravessando os Picos a meio.

009.jpg008.jpg

Já se estava fazendo noite e era necessário encontrar lugar para parar a máquina e dormir. Paragem em Oseja de Sajambre para procurar poiso. Uma esplanada, já o dia se queria ir embora, consulta na aplicação por um sítio para parar. A pouco mais de 1 km, dizia, um local onde cabem 5 autocaravanas, sossegado. 'Bora lá, mas antes temos que lanchar, Que é que tem, ai não tenho nada, só bocadillos e tapas e tal. Olha, trás mazé um prato de presunto e queijo e cidra, que a gente trata disso! E assim foi, nem ar apanhou!pagos os 15 Euros pela pratada de jamon serrano e queso de oveja e dos botellas de cidra (de lá veio uma caixa de 12 que já foi toda), vamos lá encontrar o local. Nem dez minutos e lá estava ele. Não era bom, era espectacular!   Imaginem estas três alminhas, sózinhas, no meio de nenhures dentro de uma autocaravana, escuro como bréu, sem se ver um palmo em frente do nariz, a escutar o barulho de um riacho no fundo da ravina, o barulho da bicheza toda, grilos, mochos, ralos, sei lá, uma barulheira que se silenciou de repente e que só foi quebrada durante a noite com o uivo dos lobos. É de facto espectacular!

De manhã apareceram as cabras selvagens, a beber no riacho. Belo aperitivo para o pequeno almoço.

007.jpg006.jpg

Partida em direcção a Leon, ainda por estrada de Montanha até à barragem de Riaño, mais um local, já quase no sopé dos Picos, a visitar pela enorme lagoa artificial lá no alto. E pelo caminho,  num pueblo de que não me recordo o nome agora, demos de trombas com uma queijaria artesanal, onde enfeirámos uns belos queijos de ovelha e um requeijão que nos soube pela vida. A distância não é muita, mas atendendo ao tipo de estrada (30/40 km/h em pelo menos metade do percurso de 120km), chegámos a Leon já perto da hora de almoço. As senhoras foram às compras e o motorista foi dando andamento ao almoço, elas compraram umas coisas e almoçámos ali junto ao rio, mais uma vez próximo do centro, dez minutos a pé, num parque grátis apenas para autocaravanas. Visita rápida e já por volta das quatro da tarde pensámos em sair em direcção ao Gerês, à Portela do Homem. São cerca de 250 km, mais coisa, menos coisa, uma boa parte por AE, mas outra é por "caminhos de cabras" e essa parte foi feita já de noite bem cerrada. Bom, fez-se, com recurso ao GPS, mas a "miúda" às vezes é lenta e manda-nos sempre pelo caminho mais curto, que por vezes não é o adequado ao veículo... mas também, só agora me lembrei que não lhe dissemos que íamos de casa às costas! Realmente...

A gente já tinha passado, numa das vezes que saímos pelo Gerês, por umas termas de água quente, mas nunca parámos, o destino era sempre outro, mas a Isabel conhecia, já lá tinha ido em pequena, que o pai era do Gerês e ela tem lá família, gente boa por acaso, e então "embicámos" para o Gerês, mas com a intenção de ficarmos nos Baños. E consultada a aplicação, não falhou, lá estava a indicação de um local para parquear, que foi o que fizemos, já era bem tarde. Jantámos, já nem me lembro o quê e ainda por lá andava gente de roupão na rua a molhar o rabo na piscina de água quente, de acesso livre. Também há umas termas, com hotel e essas coisas das termas que todas elas têm, vocês imaginam...

 

004.jpg003.jpg

O dia amanheceu farrusco, mas depressa o sol apareceu com pujança e antes do pequeno-almoço já estava dentro de água. Pensava eu que era madrugador, mas já lá estavam uma meia dúzia de compatriotas, cujo tema de conversa era as adaptações que fizeram nas suas autocaravanas e o custo das mesmas e sem discriminação de género, eles e elas eram (pareceu-me a mim que do assunto nada sei) entendidíssimos na matéria. Mas também, um gajo está de molho em água entre os 80 e os 40 graus (á entrada e à saída), se não quer dar em doido, tem que falar de qualquer coisa.

Banho caprichado, e já depois duma telefonadela para o Gerês, lá fomos ter com os primos da Isabel, a Benvinda e o Abílio que nos receberam em sua casa (que tem uma vista para a serra que é de cortar o pio). Visitar o Gerês com guia é outro luxo e conhece-se recantos que o comum dos turistas nem imagina que existam. A visita terminou a apanhar castanhas, algumas maiores que bolas de golfe.

002.jpg001.jpg

 

Passámos a noite aí e logo pela manhã uma directa até Tomar, que era preciso trazer os pais para casa. E de repente já era Domingo e já tinham passado nove dias. 

Mil duzentos e oitenta quilómetros depois, estávamos na Ericeira de novo, sem qualquer problema ou avaria, depois de uma aventura para a qual gostaria de ter engenho para contar de melhor forma, mas parece-me que conseguiram ver aqui um bocadinho duma semana muito bem passada.

A quem estiver tentado, recomendo. Com este itinerário tão extenso em tão pouco tempo talvez não, mas uma coisa mais perto, um fim de semana prolongado, aconselho vivamente. É uma experiência diferente, mas interessante.

 

Nota final 1: Caso interesse, a aplicação que melhor nos serviu foi a park4night (play store da google), tem indicações precisas, localização georeferenciada e encaminhamento por gps.

Nota final 2: Mais uma vez os nossos agradecimentos à Paulinha e ao Diogo, por nos terem emprestado a máquina. A quem interessar, eles alugam. Se for caso disso, é só perguntarem aqui nos comentários e deixarem o mail, para contacto.

Nota final 3: Desculpem o arranjo das fotos, mas têm tamanhos e formas diferentes e a habilidade não é muita...