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Se a inês sabe disto

A impunidade gera o desleixo

 

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A impunidade gera o desleixo e a falta de acção punitiva agrava o problema. Esta máxima inventada agora mesmo por mim, aplica-se a muitas situações da vida, mas assenta que nem uma luva à situação caótica da deposição ilegal, indevida e abusiva de resíduos, sejam eles quais sejam, um pouco por todo o lado e um pouco por territórios de quase todos os municípios. Grande parte dos resíduos resultarão, as organizações de recolha já o disseram, de um maior poder de compra dos cidadãos, logo numa maior produção de resíduos e numa deficiente capacidade de resposta nalguns municípios, que estão subdimensionados para a realidade actual, mas é muito responsabilidade dos cidadãos individualmente e também das empresas, principalmente das pequenas empresas de construção civil e das lojas de móveis e remodelações, que impunemente depositam tudo o que é resíduo do seu negócio, ao lado do contentor mais próximo. E isto acontece porque as câmaras municipais se eximem da sua responsabilidade de fiscalizar, por falta de meios humanos a maior parte delas, ou de uma política de efectivo combate à criminalidade (convém lembrar que estas acções de despejos são um crime ambiental à face da Lei) e porque quem legisla não se tem preocupado muito com este problema, grave. Disse atrás que estas deposições, para além de ilegais, são crime, o que quer dizer que o particular ou empresa que for identificado a depositar ilegalmente resíduos, será alvo de um processo contra-ordenacional, que corre trâmites que demoram eternidades a ser resolvidos e os seus autores continuarão impunemente a depositar resíduos da mesma forma.
Se calhar pedia-se a quem legisla uma alteração simples à Lei. Se calhar se se simplificasse a actuação das autarquias junto dos prevaricadores, fazer sentir a quem não cumpre que se for apanhado em flagrante, logo ali, como se faz ao condutor de um automóvel que conduz em excesso de velocidade, se for obrigado a pagar uma coima de valor exemplar e a levantar os resíduos e depositá-los em local apropriado, no limite a apreender-lhe a viatura onde transporte os resíduos, provavelmente as deposições ilegais diminuiriam. Não acabavam, obviamente, que os automobilistas também não deixam de conduzir em excesso de velocidade, mas perante o risco de ficarem sem viatura e o pagamento de algumas centenas, largas, de Euros, pensassem duas vezes em prevaricar. O mesmo serviria para os cidadãos individualmente, que têm hoje, na maioria dos municípios, mecanismos de recolha combinados com as empresas, que a maioria nunca utiliza, precisamente porque se sente impune e no direito de conspurcar o território que é de todos. Até dos cidadãos cumpridores, que não têm que sofrer com a falta de civismo dos seus vizinhos.
Haverá uma outra forma de evitar, talvez, a actuação nefasta de algumas empresas que usam e abusam da deposição ilegal de RCD's (resíduos de construção e demolição) e também empresas de jardinagem e que é revolucionar a política fiscal. Quem recorre aos serviços de um profissional ou pequena empresa para a "obras" lá de casa ou a conservação do jardim, raramente quer factura pelo serviço prestado, porque embora nalgumas circunstâncias o valor seja baixo, não deixa de não levar um acréscimo de 23%. O que acho que devia ser feito a este nível, era a diminuição da taxa de IVA para remodelações e outras intervenções nas habitações até, p.e. 5000€, para 6%. Uma taxa acessível, que o prestador do serviço exigiria cobrar e que seria exactamente o valor que o mesmo pagaria pela deposição em local certificado. Pode considerar-se um valor irrisório pela deposição, mas contabilize-se quanto custa a remoção de uma tonelada de resíduos da rua até chegar ao local de deposição e façam-se contas. Assim de repente: Um camião, dois trabalhadores, combustível, tempo, o custo da deposição e no final ainda provavelmente um trabalhador para varrer os restos.
Não se pretende com isto inventar a roda, mas se todos estiverem interessados em alterar o paradigma, talvez se consiga acabar ou pelo menos minimizar o flagelo que grassa um pouco por todo o país. Se tiver que ser com repressão, que seja!

Da Arménia com amor

 

 

 

 

 

O primeiro sucesso gravado por Aznavour em 1965. Uma canção de sua autoria, bem como uma das canções de língua francesa mais populares e um ícone da Frenchchanson. Tornou-se um hit internacional em 1965 e alcançou Top10 na França (n 1), Brasil e outros países. Sobre um pintor que recorda de sua pouca idade em Montmartre, lembra a sua vida artística, os anos, quando passou fome, mas feliz. De acordo com Aznavour, esta canção é uma despedida para os últimos dias de boémio de Montmartre. A história passa-se em 1945, no final da segunda guerra mundial. Para além de francês, Aznavour gravou em Italiano, Espanhol, Inglês, e versões em alemão, bem como em Portugues. Esta música fazia parte do alinhamento de todos os seus espectáculos. 

 

 

 

 

Parabéns ao Sporting

Não fui votar.

A minha indecisão foi resolvida em tempo e o meu apio seria para Benedito. Mas nem sempre somos nós que comandamos o ritmo dos nossos dias, por isso apenas hoje estou em casa e por isso apenas na madrugada/manhã de ontem, Domingo, soube o resultado da eleição.

Ouvi quase nada da declaração do novo presidente do Sporting, ainda estou a colocar o fuso no lugar, mas pareceu-me entender que já prometeu títulos. Nada a opôr, se não fosse para obter títulos, os sócios (ou votos, se quisermos) não teriam confiado nele e na sua equipa, mas parece-me que será assunto a ser tratado com pinças, para evitar erros recentes, que me parece que não virão a ser cometidos, apesar de tudo (pelo menos é o meu desejo e certamente de todos os sócios e adeptos).

Já aqui escrevi que nada me move contra Frederico Varandas como pessoa e que até nutro alguma simpatia por ele, reconhecendo-lhe, na minha humilde ignorância na matéria, capacidade excepcional na sua área profissional, a ver pelo que dele dizem os seus pares. Não lhe dei o meu apoio apenas pelo "lastro" que carregava na lista, não me incomodando a forma como entende dirigir o clube, afinal todas as fórmulas são boas desde que vencedoras e cá estaremos para ver os resultados, que é o que comanda a vida de quem entra num jogo do qual não domina todas as vertentes, porque honesto, porque não entende o jogo sujo como um fim para atingir resultados.

Frederico Varandas foi eleito com uma diferença de votos não correspondente ao número de eleitores. Teve menos pouco mais de mil votos que João Benedito, ou seja, o segundo classificado teve mais eleitores que o vencedor. Não é novidade, já aconteceu noutras eleições e apesar de não retirar qualquer legitimidade aos resultados, abre a porta a uma discussão entre os sócios sobre a busca de uma nova fórmula de distribuição do número de votos, não perdendo de vista o factor antiguidade, mas permitindo que o leque feche de modo a que não haja uma diferença tão grande, sendo que o que eu defendo é mesmo um sócio/um voto, mas admitindo uma solução como a que referi atrás. Este acto de reflexão servirá também para resolver a questão da segunda volta. Felizmente houve uma concentração de votos em dois (três se considerarmos Ricciardi) candidatos e o espectro de uma clivagem que resultaria da eleição de um presidente com pouco mais de 15% dos votos e seria trágico, foi afastado.

Estas são as regras do jogo e com elas Varandas venceu, está portanto no lugar de presidente em pleno direito e a sua vitória é incontestável. Quando refiro está no lugar de presidente, reporto-me ao que li no post do Pedro Correia, onde o nóvel presidente diz que não é o Sporting. Começa bem, não se confundindo com o clube. Que continue, que terá aqui um apoiante tardio (que a exemplo das colheitas tardias de uvas, poderá ser dos bons) e por tardio quero inferir convicto, que o apoio "institucional" tem, a partir da tomada de posse

Ainda assim quem está mesmo de parabéns é o Sporting, que julgo, espero e desejo, com este resultado inequívoco terá começado a fase de cicatrização das feridas abertas no passado recente.

E agora uns dediquem-se ao seu trabalho de dirigir e outros à sua obrigação de apoiar o clube e as suas mais variadas equipas e atletas. Sem que deixem de estar vigilantes, porque a qualquer altura, quando menos esperarmos, isto pode virar-se tudo ao contrário e se à primeira caem todos, à segunda...

 

Publicado também aqui.

É hoje, é hoje!

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Mais logo, ao final da tarde, abriram mais uma vez as portas daquela que é a maior manifestação cultural e política do nosso país, para mais três dias de convívio, espectáculos, boa comida e boa bebida. Se quiser política também há, mas não chateia.

Porque esta é uma manifestação cultural de elevado conteúdo, que abarca todas as regiões do país e até do estrangeiro, através do Espaço Internacional, onde pontificam tasquinhas dos mais variados cantos do globo, hoje quero falar-vos, se por acaso estão a pensar dar um pulinho à Quinta da Atalaia, de um espaço novo na Festa: A Rota dos Sabores, uma viagem pelos sabores e tradições de Loures, onde poderá saborear o que de melhor por lá se produz em queijaria, salsicharia e sobretudo vinhos, com a casta Arinto como cabeça de cartaz. Vai lá ter queijos diversos, chouriço assado e vinho, muito vinho, desde o Prova Régia, ao Quinta da Murta, até ao Morgado de Sta Catarina e aos espumantes da Quinta da Romeira, numa celebração desta casta tão característica da região. Acrescenta-se ainda a esta oferta digna dos deuses, o pão de Montachique, para que o que vai beber não caia no "vazio".

E depois de estar com o estômago aconchegadinho, circule, que o que mais há por lá são coisas bonitas de se ver, dos espectáculos às exposições e da feira do livro às diversões para graúdos e miúdos.

Se nunca foi, atreva-se. Olhe que o Celinho das selfies adora. E esse é insuspeito.

 

 

Jornalismo de pacotilha

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Foi detido um canalha que supostamente sequestrou uma criança do sexo feminino em Amora, concelho do Seixal, no Sábado, quando brincava num parque infantil.

A criança já havia sido encontrada num local próximo ao do sequestro, na madrugada de Domingo, sem danos físicos aparentes, segundo testemunhas.

A razão do título deste post tem a ver com a sanha de sangue e voyeurismo que toda a comunicação social emprega na descrição do caso.

Para a maioria dos jornais e canais de televisão, o rapto passa a ser acessório, quando há a possíbilidade, ainda que esta seja ínfima, de a criança ter sido violada.

Eu gostava de saber que interesse terá o público no facto de ter havido abuso sexual e mais, como se sentirão os pais e a própria criança no meio em que vivem, convivendo com este facto. Como conviverá esta criança com os colegas na escola, que como sabemos sabem ser imensamente cruéis?

Vivemos de facto tempos em que vale tudo para ganhar audiência, mas que diabo, onde anda o pudor, a vergonha e mais que tudo, o profissionalismo? Ou vivemos um tempo em que por um prato de lentilhas se vende a dignidade pessoal e profissional, ainda que isso leve a que a vida futura de uma criança possa ficar irremediavelmente marcada?

Podres tempos, estes.

 

Nota final: Para que a cobertura da notícia fosse ainda mais abjecta, só faltou dizer que o rapto foi junto ao local onde se realiza a Festa do Avante...