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Se a inês sabe disto

Eu até pensava que fosse do vinho

A gente era todos sportinguistas.

Combinámos que cada um levava da sua "pinga" nova e cada um levava do que tivesse para "fazer bóia". Ele era nozes, ele era amêndoas, ela era passas de figo, ele era passas de uva, ele era bolos dos santos, ele era castanhas, ele era presunto, ele era queijo. Houve alguém que teve o bom senso até de levar umas romãs e uns diospiros. E pão!

Lá se montou a pantalha e aquilo foi uma continuação do almoço e estava tudo tão entusiasmado nas provas dos brancos e dos tintos, que as três chegaram e quase que nem demos pelo início da partida. O ambiente era bastante húmido, tanto em Viseu, como lá fora na rua, que chovia que Deus a dava e também lá dentro, que a gente bem ia molhando a palavra a bom ritmo.

"É pá, não jogamos nada", lá dizia um mais insatisfeito, ind'aquilo tinha acabado de começar (salvo seja!); "Ó pá, deixa q'eles cansam-se e a gente apanha-os à mão", lá respondia outro mais optimista (e caçador de prato). E o jogo foi decorrendo e o tinto e o branco correndo e a "bóia" fazendo a sua função. "O careca não percebe nada disto, atão o Jefferson, um cepo?" e o rapaz só pra chaterar, vai de centrar com conta, peso e medida, para o... coiso, a mandar lá p'ra dentro. Claro que o desgraçado que teve a infelicidade de proferir aquela frase lapidar, teve que dar a volta à mesa e servir os restantes de mais uma rodada, p'ra castigo, que não se "invoca" assim o nome de Jefferson em vão! Mas logo a seguir, Bruno Fernandes, que nos pareceu naquele momento ter bebido mais que os dez todos juntos que ali estávamos, estrambelhou e deixou fugir uma bola que por culpa de Bruno Gaspar (faziam-lhe falta umas pingas, para arribar) e também de Renan, que ficou nas covas (provando que o que é de encosta é muito melhor), deu o golo do empate para a segunda equipa de Carlos Lopes. Belo golo, por sinal! "Ó pá, tenham calma, que eles cansam-se, já disse"... "Mas agora vem o intervalo e eles descansam", replicou outro que não deixou de lembrar que as brasas estavam prontas para os rins e o fígado de porco. "Mas eu não vou lá, que eu a grelhar é mais ou menos como o Petrovic a defender".  E lá veio a segunda parte, com o rim e o fígado temperados com azeite, alho e vinagre e uma pitada de coentros que alguém disse que não se podiam gastar muito porque "são verdes". Mai'nada! 

Com mais ou menos atenção "é pá, de quem é este? ganda vinho!", e as nozes e as amêndoas a desaparecerem e as castanham a estalarem nas brasas, Jefferson lá fez um dos 527 cruzamentos que costuma fazer mal, mas só que desta vez outra vez bem e o... coiso, aquele rapaz holandês que o Jesus ensinou a andar (ele é que disse, não me venham cá com coisas), catrapimbas lá p'ra dentro outra vez. O gajo que disse mal do Jefferson... pois, outra volta à mesa, p'a não se armar em parvo!

E ainda o gajo não tinha servido todos (alguns mexem-se, para o arbitro repetir, que é que pensam?) já o Bruno Fernandes tinha curado a bubadêra e fez ali uma tramóia com o... coiso, aquele rapaz, pois aquele que o Jesus, sim! e marcou o terceiro assim meio de trivela, só para me chatear a mim e a mais dois ou três que insistíamos em afirmar que o gajo não estava em campo, estava era escondido atrás do tonel (não confundir com Tonel, p.f.).

Estava o Zé a pedir "um branquinho agora, para limpar o palato" (fino, o menino...), quando o Nani, que só para chatear não quis ser o melhor mas quis rimar, ofereceu um golo cantado a Diaby e assim, entre uma passa de figo e uma castanha, já estávamos a vencer 4-1. "Eu não disse que eles se cansavam?" Esse não se cansou, não levantou o cu do banco nem no intervalo, mas só pela tirada filosófica, foi condenado a lavar a loiça (eram os copos e pouco mais) no final, que não acabou com o jogo em Viseu, tenham calma, que a seguir jogava a "nossa" Juve, ou melhor o "Ronaldo FC". 

Tenho a dizer em defesa de todos, que apesar das divergências de opinião, todos os vinhos passaram na prova com distinção e todos somos todos sportinguistas, "à mesma".

E como disse um, "nem c'agente purdesseconte mais ganhando!" É assim, tudo acaba bem quando se ganha 5-1!*

 

*Contem lá com o golo do Ronaldo, s.f.f.

À boleia da casa rolante

O tempo que isto andou a ser preparado...

É hoje, é amanhã, agora não dá porque eu tenho isto, depois para mim não dá porque tenho aquilo... Não imaginam o que é conciliar a agenda de uma multidão de gente. Três pessoas!

Mas a coisa deu-se e numa sexta à tarde, depois do trabalho, lá pegámos na casa rolante que alminha caridosa e amiga nos fez o favor de emprestar (obrigado Paulinha e Diogo), dicas entendidas... Bom, deixemos pormenores embaraçantes para trás, que isto é o registo de coisas boas, dicas entendidas dizia eu (mais ou menos, pronto), lá saímos da Ericeira com rumo a norte, objectivo Picos da Europa. A vontade de sair era tanta que a primeira etapa foi um esticão enorme até à praia de... Areia Branca! Não comecem a rir, por favor, era já noite e tendo uma casa com rodas para descansar e dormir, não faz qualquer sentido circular de noite, de modo que com os olhos treinados para qualquer eventualidade, alguém viu uma churrasqueira e o primeiro jantar foi frango, comido a ouvir o mar e regado com um belo tinto. Não há registo fotográfico, porque como não se via o mar, não fazia muito sentido ter fotos sem imagens, não é? Isso é para artistas e nós é mais comer e buer .

Bom, mas se no primeiro dia quase nem aquecíamos o motor da fragoneta, no segundo fizémo-nos à estrada que nem doidos! Por aí acima até Vigo, que foi um tiro! Chegámos ao final do dia, que estava nublado e frio, ventoso junto ao mar como podem constatar pelas fotos, onde pensámos em pernoitar, mas o spot indicado na aplicação móvel não era do nosso agrado e no estacionamento em frente à praia, avisou-nos o senhor do talho do Dia onde fomos comprar jantarinho, que a polícia não deixava aparcar. Ora toca de olhar para o GPS e encontrar algum sítio nas Rías Baixas onde estívessemos à vontade e fosse agradável. Opinião daqui e dacoli (quem sofre mais é quem leva o bolo-rei na mão, que mais parece um catavento. Vai para ali, não, vai para acolá... vocês entendem-me, n'é?) lá chegamos a um local excelente onde estacionámos a voiture e a Isabel pôs o jantar a andar, um cordeiro estufado que ficou no fogão enquanto fomos mandar umas cañas abaixo. A comidinha estava no ponto quando chegámos, tinha começado a chover (a noite foi bastante chuvosa, ainda ali chegaram ares do Leslie). Estacionámos a dois metros da água, como podem ver pelas fotos, numa localidade de nome Moaña. Recomenda-se, como se recomenda toda a área das Rías Baixas, com as suas reentrâncias, as suas baías, os viveiros de mexilhão e de ostras às centenas em cada local. Quanto ao marisco, peço desculpa por não ser entusiasta, mas quem está habituado a coisa boa...

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Adiante. A noite como disse foi chuvosa, mas o dia amanheceu limpo e com temperatura amena, chegando o sol a aparecer radioso. Próxima etapa, Pontevedra, seguindo sempre pela costa, onde chegámos por volta da hora de almoço, pretexto para umas tapas e um Albariño e mais cañas e uma voltinha pela cidade, claro.

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- Então e agora vamos para onde?

- Olha vi aqui no folheto do turismo que há um festival de marisco em Ogrove.

- É pá, e onde é que é isso? (como se isso importasse alguma coisa, mas fica sempre bem perguntar...)

E lá fomos para Ogrove, para o festival do marisco. Pela costa, sempre pela costa que o sol estava lindo e o mar uma delícia para a vista. Foi tão fácil estacionar junto ao recinto que até dissemos que deviam estar à nossa espera. E estavam. Provavelmente para os ajudar a carregar o material. Eu já disse que o marisco espanhol, pronto, tem lá as suas particularidades que eu não gosto de ser maldizente, mas um gajo chegar a um festival do marisco e aquilo ter acabado de fechar portas, é um galo do camândrio! Olha, fomos às imperiais, para vingança! E como ali já tínhamos visto o que (não) tínhamos de ver, ala para Santiago! Chegámos também cedo, a aplicação tinha vários locais para estacionar a carripana, mas ou o cabrão do GPS estava doido, ou sei lá, mandáva-nos sempre para parques de estacionamento subterrâneos, o que calcularão não é o mais apropriado para uma viatura daquelas... Bom, voltas e voltas que nos deram um conhecimento de guia profissional depois, lá encontrámos um local muito bom, no campus universitário a cerca de 500 metros da catedral, sossegado, que se verificou ter apenas um inconveniente, durante a noite: Choveu e como estávamos sob as árvores, a água caía em pingas amodes assim como bolas de golfe e a noite foi um pouco agitada, mas sem problema de maior. Tínhamos a recordação, de uma visita anterior há mais de 25 anos, das tascas próximo da catedral e dos petiscos e foi para onde embicámos. Pronto, foi o único barrete, mas vivendo e aprendendo... Desde camarões ao alho vindos directamente do pacote dos congelados, a ameijoas com molho de guizado, imaginem como estava o polvo e o resto que já nem me lembro do que foi. Safaram-se as patatas, vá lá...

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Lembram-se que vos disse lá atrás que o nosso destino era os Picos da Europa, portanto havia que seguir, que o tempo não estica e a distância é muita, mas como na passeata nocturna por Santiago nos ofereceram um folheto sobre Finisterra, conforme o pensámos, melhor o fizémos e toca de fazer um "desviozinho" (andar a passo de caranguejo a bem dizer) ao ponto mais ocidental de Espanha, à Costa da Morte, ao Cabo Finisterra, onde viemos a saber (vivendo e aprendendo) termina qualquer peregrinação a Santiago, de modo que vinte e quatro horas por dia se vêem peregrinos a subir e descer a encosta até ao marco Zero de Santiago, a pé ou de transporte.

Pelo caminho, que se fazia hora disso, fizemos um almocinho a bordo, "dentro de água" em Muros, que, acho que já vos disse, sempre que possível a viagem foi feita pela costa. E junto à costa também, demos de caras com uma maravilha, um rio que desce em cascata até quase ao mar, donde dista nem 500 metros, em Ézaro, antes de uma povoação com um nome esquisito, CEE. Coisa estranha...

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Aí, na CEE, abastecemo-nos no supermercado e seguimos então para o Cabo Finisterra, já a noite se fazia anunciar. Apesar da curta distância, o dia foi-se rapidamente e chegámos lá acima, ao farol, já a noite tinha ganho a disputa, como podem verificar pelas fotos:

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Se por acaso fizerem uma viagem com um meio de transporte semelhante a este que nos deu boleia, saberão que há que encher o depósito de gasóleo, mas também o depósito da água e despejar o das águas sujas, bem como a cassette do wc. Para o gasóleo há as bombas de gasolina mas isso já devem saber, para as restantes tarefas há locais próprios que terão que procurar, mas há parques gratuitos que possuem estas facilidaddes e algumas bombas de gasolina também. Vem isto a propósito do estacionamento para pernoitar; É conveniente não descurar estes pormenores e a segurança. No Verão há sempre mais companhia, mas também há menos espaço livre para estacionar, logicamente. Nesta viagem e nestes locais junto ao mar, com muitos portos e marinas, foram estes os locais preferencialmente escolhidos e não nos demos mal. A partir daqui deixámos o mar (viríamos a encontrá-lo na paragem seguinte, na Corunha e depois de mais uma maratona, em Gijon), mas nunca tivémos dificuldade em estacionar em segurança.

Feito este "compasso de espera" (como se diz na gíria futebolística), siga a viagem. Depois de dormirmos no porto de Finisterra, ali mesmo à babuge do mar, saímos em direcção à Corunha, por AE (quase todos os que aqui vierem dar uma cuscada saberão, mas em 90% das AE não se paga portagem. Como cá, sim...), foi relativamente rápido, são cerca de 100km. Estacionámos num parque próprio, o único em que pagámos para estacionar, mas que ficava mesmo no centro e almoçámos umas "merdas". que estavam boas, por acaso! Como a Corunha pouco tem para ver e já por lá tínhamos andado, ganhámos coragem para nos pormos ao caminho até Gijon, que apesar de ser feito por AE, não deixam de ser quase 300 km. 400 e qualquer coisa km com o bolo rei nas mãos (desde Finisterra) não mata, mas desmoraliza um bocado, de modo que tivemos que afogar as mágoas numas garrafas de cidra e nuns bocadillos, enquanto dávamos uma volta nocturna pelo centro. A casa ficou numa ponta da cidade, junto à praia, bem acompanhada por mais uma dúzia de "comadres". Sítio muito bom, com um parque de merendas muito limpo que de Verão deve estar lotado, mas onde uns aceleras andaram até às tantas a fazer rallye...

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Pequeno almoço tomado, dia de rumar directamente aos Picos. De Gijon a Cangas de Onís, onde almoçámos (um entrecosto que fez a espanholada andar toda de nariz no ar) e depois uma saltada a Covadonga e subida aos lagos. Quero dizer-vos que a impressão que tinha dos Picos era de que eram grandes e imponentes, mas quando lá estivémos na outra viagem que referi lá atrás, fui de carro e a estrada já era estreita. Imaginem agora de autocaravana... Houve uma passageira que teve que mudar de lugar por causa das vertigens. É que aquilo é estreito, muito estreito, mas também é alto, muito alto, com ravinas que... uffffff. Chegámos até ao primeiro lago, a partir daí o guarda florestal aconselhou-nos a não arriscar, porque para além de estreito, provavelmente iríamos já apanhar a noite na descida e contrariadíssimos, principalmente a Mina que adorou ir no lugar do pendura na subida, descemos e novamente passando por Cangas, rumámos a Leon, atravessando os Picos a meio.

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Já se estava fazendo noite e era necessário encontrar lugar para parar a máquina e dormir. Paragem em Oseja de Sajambre para procurar poiso. Uma esplanada, já o dia se queria ir embora, consulta na aplicação por um sítio para parar. A pouco mais de 1 km, dizia, um local onde cabem 5 autocaravanas, sossegado. 'Bora lá, mas antes temos que lanchar, Que é que tem, ai não tenho nada, só bocadillos e tapas e tal. Olha, trás mazé um prato de presunto e queijo e cidra, que a gente trata disso! E assim foi, nem ar apanhou!pagos os 15 Euros pela pratada de jamon serrano e queso de oveja e dos botellas de cidra (de lá veio uma caixa de 12 que já foi toda), vamos lá encontrar o local. Nem dez minutos e lá estava ele. Não era bom, era espectacular!   Imaginem estas três alminhas, sózinhas, no meio de nenhures dentro de uma autocaravana, escuro como bréu, sem se ver um palmo em frente do nariz, a escutar o barulho de um riacho no fundo da ravina, o barulho da bicheza toda, grilos, mochos, ralos, sei lá, uma barulheira que se silenciou de repente e que só foi quebrada durante a noite com o uivo dos lobos. É de facto espectacular!

De manhã apareceram as cabras selvagens, a beber no riacho. Belo aperitivo para o pequeno almoço.

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Partida em direcção a Leon, ainda por estrada de Montanha até à barragem de Riaño, mais um local, já quase no sopé dos Picos, a visitar pela enorme lagoa artificial lá no alto. E pelo caminho,  num pueblo de que não me recordo o nome agora, demos de trombas com uma queijaria artesanal, onde enfeirámos uns belos queijos de ovelha e um requeijão que nos soube pela vida. A distância não é muita, mas atendendo ao tipo de estrada (30/40 km/h em pelo menos metade do percurso de 120km), chegámos a Leon já perto da hora de almoço. As senhoras foram às compras e o motorista foi dando andamento ao almoço, elas compraram umas coisas e almoçámos ali junto ao rio, mais uma vez próximo do centro, dez minutos a pé, num parque grátis apenas para autocaravanas. Visita rápida e já por volta das quatro da tarde pensámos em sair em direcção ao Gerês, à Portela do Homem. São cerca de 250 km, mais coisa, menos coisa, uma boa parte por AE, mas outra é por "caminhos de cabras" e essa parte foi feita já de noite bem cerrada. Bom, fez-se, com recurso ao GPS, mas a "miúda" às vezes é lenta e manda-nos sempre pelo caminho mais curto, que por vezes não é o adequado ao veículo... mas também, só agora me lembrei que não lhe dissemos que íamos de casa às costas! Realmente...

A gente já tinha passado, numa das vezes que saímos pelo Gerês, por umas termas de água quente, mas nunca parámos, o destino era sempre outro, mas a Isabel conhecia, já lá tinha ido em pequena, que o pai era do Gerês e ela tem lá família, gente boa por acaso, e então "embicámos" para o Gerês, mas com a intenção de ficarmos nos Baños. E consultada a aplicação, não falhou, lá estava a indicação de um local para parquear, que foi o que fizemos, já era bem tarde. Jantámos, já nem me lembro o quê e ainda por lá andava gente de roupão na rua a molhar o rabo na piscina de água quente, de acesso livre. Também há umas termas, com hotel e essas coisas das termas que todas elas têm, vocês imaginam...

 

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O dia amanheceu farrusco, mas depressa o sol apareceu com pujança e antes do pequeno-almoço já estava dentro de água. Pensava eu que era madrugador, mas já lá estavam uma meia dúzia de compatriotas, cujo tema de conversa era as adaptações que fizeram nas suas autocaravanas e o custo das mesmas e sem discriminação de género, eles e elas eram (pareceu-me a mim que do assunto nada sei) entendidíssimos na matéria. Mas também, um gajo está de molho em água entre os 80 e os 40 graus (á entrada e à saída), se não quer dar em doido, tem que falar de qualquer coisa.

Banho caprichado, e já depois duma telefonadela para o Gerês, lá fomos ter com os primos da Isabel, a Benvinda e o Abílio que nos receberam em sua casa (que tem uma vista para a serra que é de cortar o pio). Visitar o Gerês com guia é outro luxo e conhece-se recantos que o comum dos turistas nem imagina que existam. A visita terminou a apanhar castanhas, algumas maiores que bolas de golfe.

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Passámos a noite aí e logo pela manhã uma directa até Tomar, que era preciso trazer os pais para casa. E de repente já era Domingo e já tinham passado nove dias. 

Mil duzentos e oitenta quilómetros depois, estávamos na Ericeira de novo, sem qualquer problema ou avaria, depois de uma aventura para a qual gostaria de ter engenho para contar de melhor forma, mas parece-me que conseguiram ver aqui um bocadinho duma semana muito bem passada.

A quem estiver tentado, recomendo. Com este itinerário tão extenso em tão pouco tempo talvez não, mas uma coisa mais perto, um fim de semana prolongado, aconselho vivamente. É uma experiência diferente, mas interessante.

 

Nota final 1: Caso interesse, a aplicação que melhor nos serviu foi a park4night (play store da google), tem indicações precisas, localização georeferenciada e encaminhamento por gps.

Nota final 2: Mais uma vez os nossos agradecimentos à Paulinha e ao Diogo, por nos terem emprestado a máquina. A quem interessar, eles alugam. Se for caso disso, é só perguntarem aqui nos comentários e deixarem o mail, para contacto.

Nota final 3: Desculpem o arranjo das fotos, mas têm tamanhos e formas diferentes e a habilidade não é muita...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A impunidade gera o desleixo

 

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A impunidade gera o desleixo e a falta de acção punitiva agrava o problema. Esta máxima inventada agora mesmo por mim, aplica-se a muitas situações da vida, mas assenta que nem uma luva à situação caótica da deposição ilegal, indevida e abusiva de resíduos, sejam eles quais sejam, um pouco por todo o lado e um pouco por territórios de quase todos os municípios. Grande parte dos resíduos resultarão, as organizações de recolha já o disseram, de um maior poder de compra dos cidadãos, logo numa maior produção de resíduos e numa deficiente capacidade de resposta nalguns municípios, que estão subdimensionados para a realidade actual, mas é muito responsabilidade dos cidadãos individualmente e também das empresas, principalmente das pequenas empresas de construção civil e das lojas de móveis e remodelações, que impunemente depositam tudo o que é resíduo do seu negócio, ao lado do contentor mais próximo. E isto acontece porque as câmaras municipais se eximem da sua responsabilidade de fiscalizar, por falta de meios humanos a maior parte delas, ou de uma política de efectivo combate à criminalidade (convém lembrar que estas acções de despejos são um crime ambiental à face da Lei) e porque quem legisla não se tem preocupado muito com este problema, grave. Disse atrás que estas deposições, para além de ilegais, são crime, o que quer dizer que o particular ou empresa que for identificado a depositar ilegalmente resíduos, será alvo de um processo contra-ordenacional, que corre trâmites que demoram eternidades a ser resolvidos e os seus autores continuarão impunemente a depositar resíduos da mesma forma.
Se calhar pedia-se a quem legisla uma alteração simples à Lei. Se calhar se se simplificasse a actuação das autarquias junto dos prevaricadores, fazer sentir a quem não cumpre que se for apanhado em flagrante, logo ali, como se faz ao condutor de um automóvel que conduz em excesso de velocidade, se for obrigado a pagar uma coima de valor exemplar e a levantar os resíduos e depositá-los em local apropriado, no limite a apreender-lhe a viatura onde transporte os resíduos, provavelmente as deposições ilegais diminuiriam. Não acabavam, obviamente, que os automobilistas também não deixam de conduzir em excesso de velocidade, mas perante o risco de ficarem sem viatura e o pagamento de algumas centenas, largas, de Euros, pensassem duas vezes em prevaricar. O mesmo serviria para os cidadãos individualmente, que têm hoje, na maioria dos municípios, mecanismos de recolha combinados com as empresas, que a maioria nunca utiliza, precisamente porque se sente impune e no direito de conspurcar o território que é de todos. Até dos cidadãos cumpridores, que não têm que sofrer com a falta de civismo dos seus vizinhos.
Haverá uma outra forma de evitar, talvez, a actuação nefasta de algumas empresas que usam e abusam da deposição ilegal de RCD's (resíduos de construção e demolição) e também empresas de jardinagem e que é revolucionar a política fiscal. Quem recorre aos serviços de um profissional ou pequena empresa para a "obras" lá de casa ou a conservação do jardim, raramente quer factura pelo serviço prestado, porque embora nalgumas circunstâncias o valor seja baixo, não deixa de não levar um acréscimo de 23%. O que acho que devia ser feito a este nível, era a diminuição da taxa de IVA para remodelações e outras intervenções nas habitações até, p.e. 5000€, para 6%. Uma taxa acessível, que o prestador do serviço exigiria cobrar e que seria exactamente o valor que o mesmo pagaria pela deposição em local certificado. Pode considerar-se um valor irrisório pela deposição, mas contabilize-se quanto custa a remoção de uma tonelada de resíduos da rua até chegar ao local de deposição e façam-se contas. Assim de repente: Um camião, dois trabalhadores, combustível, tempo, o custo da deposição e no final ainda provavelmente um trabalhador para varrer os restos.
Não se pretende com isto inventar a roda, mas se todos estiverem interessados em alterar o paradigma, talvez se consiga acabar ou pelo menos minimizar o flagelo que grassa um pouco por todo o país. Se tiver que ser com repressão, que seja!

Da Arménia com amor

 

 

 

 

 

O primeiro sucesso gravado por Aznavour em 1965. Uma canção de sua autoria, bem como uma das canções de língua francesa mais populares e um ícone da Frenchchanson. Tornou-se um hit internacional em 1965 e alcançou Top10 na França (n 1), Brasil e outros países. Sobre um pintor que recorda de sua pouca idade em Montmartre, lembra a sua vida artística, os anos, quando passou fome, mas feliz. De acordo com Aznavour, esta canção é uma despedida para os últimos dias de boémio de Montmartre. A história passa-se em 1945, no final da segunda guerra mundial. Para além de francês, Aznavour gravou em Italiano, Espanhol, Inglês, e versões em alemão, bem como em Portugues. Esta música fazia parte do alinhamento de todos os seus espectáculos. 

 

 

 

 

Parabéns ao Sporting

Não fui votar.

A minha indecisão foi resolvida em tempo e o meu apio seria para Benedito. Mas nem sempre somos nós que comandamos o ritmo dos nossos dias, por isso apenas hoje estou em casa e por isso apenas na madrugada/manhã de ontem, Domingo, soube o resultado da eleição.

Ouvi quase nada da declaração do novo presidente do Sporting, ainda estou a colocar o fuso no lugar, mas pareceu-me entender que já prometeu títulos. Nada a opôr, se não fosse para obter títulos, os sócios (ou votos, se quisermos) não teriam confiado nele e na sua equipa, mas parece-me que será assunto a ser tratado com pinças, para evitar erros recentes, que me parece que não virão a ser cometidos, apesar de tudo (pelo menos é o meu desejo e certamente de todos os sócios e adeptos).

Já aqui escrevi que nada me move contra Frederico Varandas como pessoa e que até nutro alguma simpatia por ele, reconhecendo-lhe, na minha humilde ignorância na matéria, capacidade excepcional na sua área profissional, a ver pelo que dele dizem os seus pares. Não lhe dei o meu apoio apenas pelo "lastro" que carregava na lista, não me incomodando a forma como entende dirigir o clube, afinal todas as fórmulas são boas desde que vencedoras e cá estaremos para ver os resultados, que é o que comanda a vida de quem entra num jogo do qual não domina todas as vertentes, porque honesto, porque não entende o jogo sujo como um fim para atingir resultados.

Frederico Varandas foi eleito com uma diferença de votos não correspondente ao número de eleitores. Teve menos pouco mais de mil votos que João Benedito, ou seja, o segundo classificado teve mais eleitores que o vencedor. Não é novidade, já aconteceu noutras eleições e apesar de não retirar qualquer legitimidade aos resultados, abre a porta a uma discussão entre os sócios sobre a busca de uma nova fórmula de distribuição do número de votos, não perdendo de vista o factor antiguidade, mas permitindo que o leque feche de modo a que não haja uma diferença tão grande, sendo que o que eu defendo é mesmo um sócio/um voto, mas admitindo uma solução como a que referi atrás. Este acto de reflexão servirá também para resolver a questão da segunda volta. Felizmente houve uma concentração de votos em dois (três se considerarmos Ricciardi) candidatos e o espectro de uma clivagem que resultaria da eleição de um presidente com pouco mais de 15% dos votos e seria trágico, foi afastado.

Estas são as regras do jogo e com elas Varandas venceu, está portanto no lugar de presidente em pleno direito e a sua vitória é incontestável. Quando refiro está no lugar de presidente, reporto-me ao que li no post do Pedro Correia, onde o nóvel presidente diz que não é o Sporting. Começa bem, não se confundindo com o clube. Que continue, que terá aqui um apoiante tardio (que a exemplo das colheitas tardias de uvas, poderá ser dos bons) e por tardio quero inferir convicto, que o apoio "institucional" tem, a partir da tomada de posse

Ainda assim quem está mesmo de parabéns é o Sporting, que julgo, espero e desejo, com este resultado inequívoco terá começado a fase de cicatrização das feridas abertas no passado recente.

E agora uns dediquem-se ao seu trabalho de dirigir e outros à sua obrigação de apoiar o clube e as suas mais variadas equipas e atletas. Sem que deixem de estar vigilantes, porque a qualquer altura, quando menos esperarmos, isto pode virar-se tudo ao contrário e se à primeira caem todos, à segunda...

 

Publicado também aqui.