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Se a inês sabe disto

Vou ali fazer de xerife de Nottingham, num instantinho. Volto já!

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Na sexta-feira passada o PS, na AR, seguindo a sua recente versão Robin Hood, de retirar uns pozinhos (poucos) aos ricos para distribuir pelos pobres, concordou em votar uma proposta de artigo no Orçamento de Estado que obrigava as empresas produtoras de electricidade por via das energias renováveis, a pagar uma taxa que no fundo visava equilibrar as rendas exorbitantes que estas empresas, com a EDP como quase monopolista à cabeça, cobram por cada kilowatt produzido. Era coisa para render aos cofres do Estado à volta de 250 milhões de Euros, coisa pouca, cerca de 40 Euros por ano a menos na factura de cada consumidor de electricidade, dizem os que fizeram as contas.

Querem ver um exemplo que deve ser caso de estudo para eminentes economistas? Lá vai: A EDP Renováveis produz em Portugal apenas 12% de toda a energia e tem, imaginem, 27% dos seus lucros no nosso país. Com estes números, os consumidores portugueses pagam mais 400 milhões de Euros pela produção de energia renovável que, por exemplo, os espanhóis, onde o governo, de direita, de Rajoy já há muito que tomou medidas no sentido de reduzir os subsídios à produção.

Ao que consta, a votação foi acordada com os ministros da economia e das finanças e com o secretário de estado dos assuntos parlamentares, sob proposta do Bloco de Esquerda. A votação chegou a ser realizada e o artigo aprovado. No entanto, também ao que consta, ninguém avisou António Costa (ultimamente há muitos ministros a não avisarem Costa de muitas coisas...) que não terá concordado com o "negócio" de que teve notícia pela comunicação social e mandou avocar a proposta de alteração para nova votação onde sem surpresa o artigo em causa foi reprovado, com os votos contra do PS ( e do CDS e abstenção do PSD), que tinha votado favoravelmente três dias antes precisamente o mesmo texto, sem que dele se tivesse retirado sequer uma vírgula.

As más línguas tendem em ver aqui pressões das eléctricas durante o fim-de-semana. É possível, afinal na esfera da governação da EDP, por exemplo, gravitam altos quadros do CDS, PSD e PS e não me custa nada pensar que tal se tivesse verificado. O que eu sei é que com este recuo do PS, os consumidores de electricidade continuarão a pagar das tarifas mais caras da Europa e desse galhardete os socialistas não se livram. Lembram-se da estória do escorpião e da rã? Por mais boa vontade com que olhe para Costa e sus muchachos, a sua natureza de sempre deixa-me com o sentimento de que a qualquer momento a ferroada terá lugar. A sua apetência para dar sempre ao grande capital o que o grande capital reclama, leva-o a não deixar de parte a sua versão xerife cobrador de impostos aos pobres, para proveito de muito poucos ricos. Este recuo, é tão claro como água, foi consequência do poderoso lobby da EDP/chineses que mais uma vez dispõem da riqueza do país em seu proveito. Já falei disso aqui, e esta é mais uma evidência que o negócio da venda da empresa serviu para "aconchegar" muitos amigos em lugares bem remunerados e funciona como um sistema de trocas, "pataca a ti, pataca a mim", que isto a vida está p'la hora da morte.

A talhe de foice, sabem que as eléctricas recebem a módica quantia de 200 Euros por Kilowatt produzido em eólica e 300 Euros por kilowatt produzido em fotovoltaica? Pois, até dói o coração quando se ouve falar de mais paineis solares, não é?

Outra vez a talhe de foice, parece que este episódio não terá passado de um arrufo entre o proponente e o PS, não tendo ficado em causa o casamento, mas eu sei de um "conjuge" que se tivesse sido vítima de uma traição deste calibre, o casamento se desfaria. Bom, com esse "conjuge", nem o parceiro pensaria em meter-se na cama com o inimigo, mas Costa sabe a quem pode pregar um belo par de cornos!