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Se a inês sabe disto

Voar baixinho

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Um dia Passos Coelho, à época primeiro-ministro deste por vezes tão maltratado país, entendeu assim um bocado por dá cá aquela palha, vender a TAP, uma das jóias da coroa do empresariado público. Valha a verdade que não apareceram muitos interessados, até que caiu aí num charter um tal de David Neeleman, um tipo dono de uma companhia de aviação brasileira que veio a saber-se à posteriori, estar em falência iminente e que talvez por causa disso, foi obrigado a levar com o dono da Barraqueiro e de mais uma carrada de empresas de transportes, Humberto Pedrosa, como parceiro na compra da transportadora aérea.

Como alguns de nós, os que vimos notícias sabemos, a TAP tem um negócio ruinoso no Brasil, que é a parte de manutenção da extinta Varig, que tem empurrado para baixo as contas do grupo, negócio esse defendido de forma irracional, digo eu que só sei matemática da escola primária e pouco mais, por Fernando Pinto, o eterno presidente da companhia. Contudo, goste-se ou não do homem, duma coisa não o podemos acusar, é de que não percebe do assunto. Já de Miguel Frasquilho, um rapaz do PSD que de aviões sabe que as viagens dão milhas que se acumulam e depois se pode viajar de borla, não se pode dizer o mesmo. Mas se alguém possa pensar que foi distracção do governo a nomeação de Frasquilho, desengane-se, o rapaz vai sentar o sim senhor na cadeira do conselho de administração, como compensação pela nomeação de um amigo de António Costa, que ao que parece também sabe voar, mas baixinho, Lacerda Machado de seu nome. O PSD contesta a nomeação deste advogado que tem no seu currículo a negociação da reversão da privatização de 50% da empresa. Eu cá não sou de intrigas, mas parece-me que se o governo coloca na administração da TAP o tipo que negociou em seu nome e parece que com resultados positivos aquele dossier, será uma forma de ter na administração alguém que certamente deverá defender os seus interesses, e por extensão os nossos, mas isto sou só eu, que como disse não percebo nada de aviões. Já o que não fará grande sentido é a nomeação do social-democrata, se ela se destina apenas a calar o PSD e o assunto tem todo o “cheiro” de uma compensação.

Já agora, convém lembrar que depois da negociação da reversão da privatização, o Estado ficou com 50%, o consócio liderado por Pedrosa e Neeleman com 45% e os restantes 5% para serem adquiridos pelos trabalhadores, o que a não acontecer não poderão ser adquiridos pelo Estado. O conselho de administração terá doze lugares (entre eles o presidente, nomeado pelo Estado e com direito de veto), seis nomeados por cada uma das partes, sendo que a comissão executiva será de nomeação exclusiva de Neeleman e Pedrosa. Eu cá, que neste particular tenho a mesma formação que o Frasquilho, só que com muito menos milhas, acho, apesar disso, que doze melros naquele poleiro é demasiada gente, mas pronto, sempre poderá ser necessário empurrar um avião para fora do hangar…

Muito bem, concluindo, parece-me mais uma guerrinha de Alecrim e Manjerona, que não levará a lado nenhum. Resta acrescentar que nesta leva de nomeações, virá uma senhora de Serralves, Ana Pinho. Supõe-se que para tratar do museu da empresa…

Ah! Também virá um chinês. Que ao que parece são quem está a injectar dinheiro fresco na TAP.

Rai’s ma parta se não estou a ficar com os olhos em bico!

Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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