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Se a inês sabe disto

Trumpalhadas!

161107120239-01-trump-parry-super-169.jpg Texto de Edmundo Gonçalves

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A simpatia ou a falta dela pelo nóvel presidente dos EUA, é irrelevante para a prosa que se seguirá.

Habituámo-nos a ver os presidentes do país autodenominado da Liberdade e da igualdade de oportunidades, como representantes de um povo constituído por uma mescla imensa de raças e credos, descendentes de gente oriunda dos quatro cantos do mundo, que viram na América, como comummente lhe chamamos todos, a oportunidade de vida digna que não teriam nunca nos seus lugares de origem. Aos EUA arribaram essencialmente pessoas de parcos recursos e muito pouca educação e cultura, que fizeram pela vida e “deram” o país que hoje conhecemos.

Dir-se-ia que com tão más referências, dificilmente dali sairia algo “de jeito”. Contudo, falta de cultura e pouca educação não são necessariamente sinónimos de delinquência e esses homens e mulheres que viram ali uma fuga para a Liberdade, acabaram construindo um país moderno, desenvolvido, mais ou menos democrático, mas acima de tudo pujante e onde o trabalho é recompensado. 

Os presidentes eleitos teriam então, quase obrigatoriamente, que ser descendentes dessa mole que foi desembarcando ao longo de mais de dois séculos, na América.

Ora o país da modernidade, que deu ao Mundo presidentes bons e maus, que isto é como os melões, fez eleger a seguir ao primeiro negro a ocupar a Casa Branca, um descendente de alemães e escoceses. Donald Trump é o 45.º presidente dos EUA, um país nascido da vontade dos que para ali emigraram, dos que já ali tinham nascido e com forte influência da revolução francesa, onde o lema Igualdade, Liberdade, Fraternidade foi o mote para a realização do sonho de gente com ambições legítimas à autodeterminação.

É agora Trump o homem mais importante do Mundo, como os americanos adoram dizer. Talvez seja, se se considerar essa importância sob a forma restritiva do lado bélico da questão. E é aí que reside a preocupação de muito boa gente por esse Mundo fora. Atenta a forma istriónica e irresponsável como governa e as decisões add-hoc que toma diariamente, ao arrepio da própria legislação dos EUA, Trump é hoje um perigo para o Mundo. Os exemplos de governação desgovernada, passe o termo, vão desde a negação da génese do país ao impedir a entrada de alguns  estrangeiros, até à invenção de atentados terroristas não só nos EUA, como noutros países, como a Suécia.

Há muita informação e conhecimento nos Estados Unidos, as grandes empresas de I&D, novas tecnologias, etc. são americanas (ainda que grande parte dos seus quadros sejam oriundos de todo o lado), bem como são as universidades americanas das mais prestigiadas do Mundo. Há contudo a famosa ignorância do americano médio, que infelizmente é um facto real; É comum o americano médio considerar Portugal uma província de Espanha, reflexo de uma política virada para dentro e que lhes retirou alguma massa crítica. Esta “ignorância” possibilitou a eleição mais inesperada e estapafúrdia de que há memória, desde a independência do Estados Unidos, com um sistema eleitoral sui generis que possibilitou a eleição de Trump com menos 2,8 milhões de votos que a sua adversária, Hillary Clinton.

Há contudo esperança. Hoje, menos de 38% dos americanos aprova Donald Trump. Há um velho ditado que se adapta que nem uma luva neste caso: “aprender com os próprios erros”. 

Será que os americanos já tomaram consciência do seu tremendo erro?

Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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