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Se a inês sabe disto

Fria?

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Foi chegar, ver, despir a -shirt, deixar os chinelos e mergulhar, que ali não há tempo para hesitações. Bom, passados alguns minutos tive que tirar as mãos de dentro de água e plantá-las ao sol, mas garanto-vos que o meu eczema no dedo médio da mão direita, apenas com uma visita, apresenta melhoras. Ficámos espantados com a quantidade de carros estacionados, para uma segunda-feira, mas aquilo era "gente e povo" que nem vos conto.

A água é excelente e perdoem a "sem-vergonhice", há aquela parte que não tem pé em que se pode nadar à vontade (obrigado mestre Jacob), que é o melhor de tudo. Parafraseando Octávio Machado, "vocês sabem do que é que eu estou a falar"... Apenas um reparo, que confesso é de ignorante: Todas as infra-estruturas estão no concelho de Ourém (que se candidatou a fundos comunitários e fez um excelente trabalho - a nascente brota naquele concelho), por que carga de água Tomar não leva por diante um plano de pormenor para desenvolver a "parte de cá" da nascente? Se existir, façam o favor de o referir na caixa de comentários, mas parece-me que há ali muito potencial, assim as autarquias ( a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal ) estejam interessadas em investir e deixar margem a quem queira arriscar neste nicho de negócio. Calculo que haverá condicionantes em termos de reservas agrícola e ecológica, mas haverá sempre forma de conciliar todos os interesses, o ambiental, o dos investidores e o dos utentes e ainda o dos cofres dos municípios e do fisco, com a dinâmica que ali pode ser criada.

A propósito, os berbigões no Galfurra estavam de se lhe tirar o chapéu!

A minha passagem por Veneza...

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Hoje apeteceu-me remexer nas poucas fotos que tirei quando estive em Veneza. Fui em trabalho e não houve muito tempo para conhecer a cidade, como ela merece ser conhecida. Tem a fama de ser a mais romântica do mundo! E, de facto, Veneza desperta paixões. Entre um passeio de gôndola ou um simples café no Florian, é mesmo difícil resistir ao charme deste lugar. Aliás, foram poucas as cidades que, até hoje, tiveram o condão de inspirar tantos poetas, tantos filmes, tantas lendas... Apesar do foco no turismo, para os românticos continua a ser um lugar ímpar, onde o pôr-do-sol no Grande Canal tem um encanto especial. Para os mais racionais, a "cidade das gôndolas" pode ser apenas um lugar que nasceu e cresceu sobre uma laguna. Menos poética, esta designação não lhe retira a grandeza da arquitectura e a forma inteligente como os venezianos construíram e embelezaram uma cidade sobre um fundo lodoso. 

A Piazza di San Marco é o coração e a alma de Veneza. E disso não restam dúvidas! Conta-se que quando Napoleão viu esta cidade pela primeira vez, chamou-lhe "o mais belo salão da Europa". E eu concordo! Um passeio nocturno por esta praça é uma experiência que transcende qualquer expectativa. Os famosos Caffé Florian e o restaurante Quadri, com orquestras permanentes, presenteiam-nos com uma deliciosa "competição" entre si. Surpreendeu-me o facto de, numa praça atolada de pessoas, prevalecer o respeito pelos artistas e não se ouvir mais do que um burburinho de fundo. 

A cidade está cortada por canais e é através dos mesmos que chegamos a qualquer ponto de Veneza. O maior de todos, o Grande Canal, é cruzado pelas pontes Degli Scalzi, Rialto e Accademia. Nas suas margens existe um sem número de palacetes, erguidos nos séculos XVII e XVIII, que narram, detalhadamente, a história e extravagâncias desta cidade. 

E como não podia deixar de ser, na terra das gôndolas é imprescindível que passemos pela experiência de passear numa delas. Mas atenção! Para evitar surpresas, tentem combinar previamente um desconto com o gondoleiro. É que o preço de uma hora de passeio pode atingir valores verdadeiramente exorbitantes. E, por norma, esse valor não inclui o acompanhamento musical. Por isso, certifiquem-se bem de todos os detalhes antes do embarque para que o romantismo da coisa não se transforme num pesadelo. 

De resto, os vaporettos são o meio de transporte mais comum por aqui. Mas para quem não domina o italiano, que é o meu caso, nem sempre a aventura de circular neste meio de transporte corre pelo melhor. As paragens têm todas nomes parecidos e muito facilmente vamos desembarcar à outra ponta da cidade. Existe a alternativa dos barcos-táxi mas é uma opção bem mais dispendiosa, principalmente a partir das 20:00. 

No último dia de viagem ainda tive tempo de conhecer a ilha de Lido, a famosa praia dos ricos e famosos. Uma das zonas mais luxuosas da cidade, serviu de cenário ao filme "Morte em Veneza". É lá também que acontece o famoso festival de cinema de Veneza. De regresso ao hotel passamos ainda por outra ilha, Murano, célebre pela indústria do vidro. Valeu pela paisagem mas as peças de vidro que se encontram à venda nas imensas lojas de souvenirs são verdadeiramente caras. 

Em suma, é um destino que vale a pena, merece ser conhecido, merece ser descoberto e é pouco provável que não regressem encantados com aquele lugar. 

 

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O Rocío na Rua da Betesga

Esta é a segunda vez que o Edmundo Gonçalves colabora como autor convidado aqui no blog. Primeiro pedi-lhe que partilhasse as peripécias de uma aventura nos Açores e agora voltei a desafiá-lo! Desta feita para contar-vos um bocadinho de uma recente e maravilhosa viagem, na qual tive o prazer de participar, em terras de nuestros hermanos. Obrigada Mina, Edmundo, Isabel, Célia, Josué e Francisco pela excelente companhia e por nos apresentarem lugares assim...

 

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O Rocío na Rua da Betesga...

Ou um fim de semana de cañas, muitos fritos, tapas e um barrete do tamanho duma enorme romaria, que merecia melhor comedor.

 A coisa estava combinada há algumas semanas, a estadia reservada e a vontade de conhecer uma romaria de que já tínhamos tido em Novembro passado um cheirinho, estava em alta.

Partimos na sexta, 13 (lagarto, lagarto) . O destino era Islantilla, poiso demais conhecido e apreciado e depois de algumas peripécias que me escuso contar, lá chegámos já o sol se tinha posto. Bom, o que se perdeu em tempo, poupou-se em combustível, valha-nos isso…

Alojados e esfomeados, logo ali se partiu para uma farinheira com ovos, uns queijos de ovelha, uma paiola de se lhe tirar o chapéu e mais um presunto de trás da orelha e mais uns filetes de peixe-espada em conserva, pão e vinho, um branquinho no ponto, gelado  ali de repente por método que se explicará lá mais para a frente, se a dona do tasco estiver para aí virada. E tinto, de Tomar, que tem uma propriedade singular e que é a de deixar a Isabel de cu pregado na cadeira…

Sábado pela manhã um passeio pelo calçadão e pela praia dos pescadores, onde encontrámos um restaurantezinho com a esplanada vazia. Aqui as opiniões dividiam-se: uns diziam que se estava vazio era porque não devia ser bom, outros que nunca tinham apanhado barretes nestas situações. Bom, começámos pelas cañas e como vieram geladas, o início foi prometedor. Na segunda rodada já alguém optou por uma mistela chamada tinto de verano (argh…) e lá começaram a vir os “morfes”: adobo, puntillitas, biquerones, choco frito, gambas da costa na chapa e já me passou que mais, mas a reportagem certamente vos dará uma panorâmica do “abuso”. Escusam de saber quantas cañas foram, porque de seguida se decidiu fazer a viagem de quase 100km até Rocío e todos queremos parecer cumpridores.

Ah! Já me passava, todos concordámos que o raparigo que nos serviu, com uma eficiência, rapidez e simpatia enormes, era a cara chapada do César Mourão. Digam vocês, depois de verem a foto, se estávamos toldados pela cerveja, ou se tínhamos alguma razão.

Já em Novembro, como se diz lá em cima, tivemos um cheirinho da romaria, mas tudo o que vimos, comparado com o que acabámos por assistir e apesar de já irmos preparados para isso, ultrapassou todas as expectativas. Aquilo é imponente! Centenas de carroças (pronto, galeras, caleches, charretes e outras paneleirices) puxadas algumas por mulas, mas na sua maioria por várias parelhas de cavalos, mais algumas centenas de cavalos montados por homens e por mulheres e alguns por ambos, com elas à garupa, eles e elas nos trajes tradicionais. De Sevilhanas elas, de ginetes eles.

 

É, digamos, um misto de Fátima sem o ar sofrido, já que aquilo é mesmo uma festa, um misto, dizia, entre Fátima e a (feira da) Golegã.

 

E as casas das irmandades. Pelo som da festa ouvimos que se apresentaram à virgem setecentas e vinte e uma irmandades dos mais variados locais de Espanha, sendo que cada uma delas tem instalações no local, algumas verdadeiros palácios pelo tamanho, que servem para albergar os peregrinos e onde confecionam as refeições; Estão a imaginar o tamanho da coisa, né? Logo à chegada fomos convidados a entrar numa delas; Infelizmente, porque queríamos ver tudo, não estivemos muito tempo, mas fomos visitando algumas ao longo do percurso, já que a entrada é franqueada, ninguém pergunta nada a ninguém, o ambiente é de festa permanente. Em resumo, a festa é grandiosa, bonita e ainda que sendo de tributo a uma divindade cristã, não tem a lamechice (perdoem-me os crentes) de Fátima. É, digamos, um misto de Fátima sem o ar sofrido, já que aquilo é mesmo uma festa, um misto, dizia, entre Fátima e a (feira da) Golegã. Aconselha-se vivamente! Mas se quiserem ir, levem um lanche. É que o jantar foi um autêntico barrete, num restaurante de feira, daqueles improvisados e que até tinha um excelente aspecto, mas… para esquecer. O Josué gostou, mas a gente continua a dizer que foi da cerveja.

 

Domingo foi dedicado ao corpo.

As meninas passaram o dia entre a piscina interior e os banhos de sol. Os homens trataram do almoço, umas migas de espargos com entrecosto frito que nem vos passa, e assistiram ao futebol e beberam uns copos. Pronto, muitos. Afinal, cada um trata do corpo como quer, ou não?!

Segunda, regresso (sem que não se tivesse que dar a volta por duas vezes, uma por uns sacos, outra pelas chaves de casa de alguém) passando por Cabanas de Tavira e pelo Ideal, onde se degustou uma sopa rica do mar e uns pastéis de polvo com arroz de tomate do outro mundo.

Em jeito de curiosidade, como calculam sem qualquer intenção, o valor total das refeições “fora”, foi sempre de 105 Euros. Mais em bebida, mas que é que querem, estava calor…

Em resumo, um belo fim-de-semana. Se quiserem ir, há vários dias com romaria com menos confusão, mas não será a mesma coisa. A vantagem é que os restaurantes de tapas e petiscos estão menos concorridos e a vossa veia petisqueira, se a tiverem como nós, sairá reconfortada. Mas vão, que vale a pena.

 

Procissão Virgem del Rocio

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 O "barrete" no restaurante da festa

 

Um pequeno vídeo que ilustra bem o espírito desta festa...

 

 

 

Em Islantilla...

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O sósia do César Mourão 

 

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 O almoço no restaurante "Ideal", em Cabanas, no Algarve...

 

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Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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