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Se a inês sabe disto

Tomar promove mostra gastronómica dedicada ao feijão

 

Todos com o Feijão, o Feijão com Todos_ Tomar -

 

 

O feijão é rei e senhor durante um mês inteiro, em Tomar. De 1 a 31 de outubro, a mostra gastronómica “Todos com o Feijão, o Feijão com Todos” dá a provar refeições completas confecionadas à base desta leguminosa. Vinte restaurantes locais prepararam menus especiais que confirmam a versatilidade do feijão. À mesa vão chegar entradas, sopas, pratos principais e até sobremesas com feijão. Para início de refeição, podem saborear-se peixinhos da horta, mexilhoada de feijão, paté de feijão, feijoada de caracóis ou feijão com barriga de porco. Seguem-se as sopas: de feijão com couve, com enchidos, de feijão seco, de feijão branco, de feijão verde, da avó ou da pedra, entre outras.

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No prato principal a oferta é ainda mais variada. Desde as feijoadas – à moda da casa, à transmontana, à portuguesa, de leitão, de polvo, de chocos, com camarão – a iguarias tão diversas como: enguias fritas com arroz de feijão, pataniscas de bacalhau com arroz de feijão, entrecosto com migas e feijão, bacalhau grelhado na brasa com feijão e abóbora, açorda de feijoca com magusto de carnes vermelhas, tripas grelhadas com migas de feijão. E isto é apenas uma amostra daquilo que será possível degustar!

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Chega-se ao final da refeição e às tão desejadas sobremesas. De feijão, claro! Dificilmente se resiste ao bolo de feijão com fruta, à delícia de feijão com abóbora, ao pudim de feijão, ao semifrio de feijão, à tarte de feijão com nozes, aos pastéis de feijão, à laranjada de feijão ou ao doce de Santa Iria.

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Este certame, que se realiza pelo 16.º ano consecutivo, é uma iniciativa do Município de Tomar, em parceria com os restaurantes do concelho. “Todos com o Feijão, o Feijão com Todos” acontece aos fins de semana, no feriado de 5 de outubro, e ainda no dia 20, no qual a cidade celebra a sua padroeira, Santa Iria.

Restaurantes aderentes:

Almourol, Alpendre, Central Tapas Café, Chico Elias, Convento do Leitão, Hotel Estalagem de Santa Iria, Ginginha, Infante, Lúria, Marisqueira de Tomar, Mister Grill, Moinhos, Nabão, Ninho do Falcão, Picadeiro, Pica-Pau Amarelo, Restaurante 1.º de Maio, S. Lourenço, Tabernáculo e Tabuleiro. 

 

Festival do Marisco

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Para quem conhece, o primeiro festival do marisco nasceu em Olhão, vai para trinta e dois anos (assim de memória) e terá lugar aqui mesmo ao pé, de 10 a 15 de Agosto, já depois de amanhã, portanto. Para quem conhece, como disse, é um evento excelente, com uma oferta de muita qualidade em variados pratos de marisco e derivados e também do ponto de vista do divertimento, com a actuação de vários artistas, alguns deles consagrados, no panorama nacional.

Mas não é deste festival do marisco que vos quero falar e para o qual quero chamar a atenção, principalmente aos meus leitores  (perdoem a imodéstia e a prosápia de considerar que tenho um número "de jeito" de pessoas que prestam alguma atenção ao que vou publicando) de Tomar, meus patrícios e conterrâneos. Este festival do marisco, o primeiro, vai realizar-se em São Miguel, Madalena, a cinco minutos da cidade, na Associação Recreativa e Cultural Os Quatro Unidos, já nos próximos dias 19 e 20 de Agosto, conforme podem constatar no programa que vos informa de tudo o que devem saber.

Bom, de tudo não, que não vos diz que na cozinha vão estar este vosso amigo e a sua parceira de sempre, a minha mulher, para vos proporcionar a degustação que os palatos de vossas excelências sem dúvida merecerão.

Vão lá. No Sábado de preferência, que como é a primeira edição as "cascas" provavelmente serão o primeiro pitéu a ir e depois não poderão testemunhar o quão saborosas estavam as ameijoas à Bulhão Pato, os berbigões ao natural, ou a bela da cataplana... Porque os camarões, esses nunca acabam! Apareçam e dêem notícia de que lá estão. Por mim será um gosto imenso rever alguns amigos de infância.

O Zé das bananas

 

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Foi meu professor de matemática no liceu. O pai negociava em bananas, morava ali perto do parque de campismo, perto da Horta do Barão, salvo erro, mas já perceberam que a minha memória às vezes me atraiçoa…

Era um personagem. Afável, sempre bem disposto, sabia ensinar de forma simples mas eficaz e sempre com uma estória para contar e uma analogia com qualquer situação que se deparasse no momento. Mudou-se para Tomar para ensinar devido a doença do pai, se a memória me não atraiçoa. Para nós, miúdos, era com alguma surpresa que ouvíamos um “setôr” falar com um total à vontade do seu pai, da sua actividade e mais, com muito orgulho. Os olhos luziam-lhe quando dizia “eu sou filho do Zé das bananas”. E quando algum de nós o questionava, porque no nosso imaginário um professor e ainda p’ra mais de matemática, tinha que ter raízes “aristocráticas”, se o pai tinha mesmo um armazém de bananas, ele respondia invariavelmente “ atão vocês não vêm pela minha barriga que eu só como bananas desde pequeno, o meu pai tem um armazém de bananas, o que é que querem?” E para mal dos seus pecados tinha que acumular com o ensino o armazém de bananas.

Não era difícil ouvi-lo também desabafar: “Isto é que é uma porra, agora tenho que tomar conta da chafarica. Qualquer dia deixo “mazé” o ensino e dedico-me às bananas, não consigo dar conta disto tudo. Vocês na imaginam a dor de cabeça c’aquilo dá, é pááááá…” Confesso que não tenho memória se terá cumprido a “ameaça”, mas que estava verdadeiramente determinado, disso não tenho a menor dúvida. Se souberem “apitem”, que gostaria de saber…

Uma memória muito agradável de um ser humano extraordinário.

Chapeux, também para ele.

Tomar regressa à Idade Média

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E como este blog tem sido muito acarinhado pelas pessoas de Tomar, graças às memórias que o Edmundo Gonçalves aqui tem partilhado a respeito desta cidade, é com todo o gosto também que vamos divulgando os eventos que por lá acontecem.

Desta vez Tomar volta a ser um burgo medieval e é já de 6 a 9 de Julho. Durante quatro dias a cidade recebe a Festa Templária. Uma viagem histórica cujos protagonistas serão cavaleiros, mercadores, artesãos, saltimbancos, músicos, malabaristas, cuspidores de fogo, entre outras personagens da Idade Média. A atracção principal passa pela recriação do cerco ao Castelo, que ocorreu em 1190. Nesse ano, a 13 de Julho, 900 guerreiros árabes sob o comando do rei de Marrocos, Almançor, cercaram o Castelo Templário. Durante seis dias fizeram várias tentativas para conquistá-lo. Mas lá dentro 200 cavaleiros templários, liderados por Gualdim Pais, travaram o ataque dos muçulmanos tornando este um marco histórico da cidade.

Haverá então um cortejo nocturno que reúne, não só as várias personagens históricas, como as recriações do acampamento templário, o treino dos homens de armas, as danças medievais, a feira de artesanato alusivo à época, o festival de gastronomia medieval nos restaurantes locais, os petiscos nas tasquinhas, os jogos medievais, entre muitas outras actividades que devolvem Tomar ao século XII.

O programa cultural da festa inclui ainda a conferência “Templários – das origens ao terminus”, que terá lugar no Scriptorium do Convento de Cristo, no dia 6 de Julho. Na sexta-feira, 7 de julho, o refeitório dos Frades do Convento de Cristo será o palco de um Jantar Real, com ementa e animação medieval. A Festa Templária, que tem lugar em várias zonas da cidade, do Mouchão Parque ao Convento de Cristo, passando pelo centro histórico, pretende recordar o passado mantendo viva a influência da Ordem de Cristo, sucessora da Ordem Templária.

 

Programa

6 de julho | quinta-feira 

10h00 - 17h00 – Conferência “Templários – das origens ao términus” 

18h00 – Abertura Oficial da Festa Templária 2017: Cerimónia na Praça da República e Cortejo de Abertura da festa pelo centro histórico e Mouchão Parque

18h00 - 24h00 – Feira de Artesanato e Tasquinhas 

19h00 - 23h00 – Festival de Cozinha Medieval nos restaurantes aderentes 

23h00 – Recriação do cerco do Castelo Templário - Mata dos Sete Montes

 

7 de julho | sexta-feira 

18h00 – 24h00 - Feira de Artesanato e Tasquinhas (abertas até às 2h00)

19h00 - 23h00 – Festival de Cozinha Medieval nos restaurantes aderentes 

20h00 – Jantar Real no Convento de Cristo 

23h00 – Recriação do cerco do Castelo Templário - Mata dos Sete Montes

 

8 de julho | sábado 

12h00 - 24h00 - Feira de Artesanato e Tasquinhas (abertas até às 2h00)

10h00 – Visitas Culturais 

12h00 – Festival de Cozinha Medieval nos restaurantes aderentes 

22h00 – Cortejo Noturno

 

9 de julho | domingo 

10h00 – Visitas Culturais 

12h00 - 23h00 – Feira de Artesanato e Tasquinhas 

12h00 - 15h00 / 19h00 - 23h00 – Festival de Cozinha Medieval nos restaurantes aderentes

18h00 - Render da guarda

 

Todos os dias:

Acampamento Templário, personagens históricas, danças medievais, treino dos Homens de Armas, cenas da vida na Taberna e jogos medievais no Mouchão Parque.

Recriações no Centro Histórico (danças medievais e ofícios).

Santa Iria

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Texto de Edmundo Gonçalves

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A minha primeira memória da Feira de Santa Iria tem a ver com uma camioneta enorme, de madeira, que durou até eu me colocar em cima dela para tentar descer um carreiro íngreme que havia perto da casa da minha avó. Deveria ter aí uns quatro, cinco anos, antes de me mudar para a cidade, aos sete. A camioneta provavelmente não seria tão grande como eu a via, deveria ser proporcional ao meu tamanho, de modo que talvez não fosse tão grande assim.

Depois da mudança para a cidade e para a classe do professor Correia, a Feira era o acontecimento do ano, com a parafernália de divertimentos, das barracas de tiros, dos “robertos”, o teatro de marionetas, da barraca dos espelhos, do comércio de tudo e mais alguma coisa, com muita luz e com milhares de pessoas a visitá-la. O circo era o Mariano, onde ouvi e vi pela primeira vez Fernando Farinha que era uma vedeta da rádio, um fadista barreirense adoptado pelo bairro lisboeta da Bica e que mais tarde (o Mundo é um penico) vim a conhecer pessoalmente e a privar. Bom, os meus pais é que gostavam do fadista, eu ia ao Mariano mais por outras atracções. Sempre me fascinou ver os trapezistas, ainda hoje me fascina, voltas e mais voltas e piruetas e mortais;  Aos animais não achava muita piada, mas não perdia a visita às jaulas, com eles ali mesmo à mão, num misto de audácia e “cagufa”. E havia o Poço da Morte, com o Joselito na mota e o pai num carro, num rodopiar louco à volta das paredes, com o rosto tapado, sem mãos, de joelhos e o aplauso efusivo no final “Arrojo, Audácia, Sangue Frio, venha ao Poço da Morte”. Uns heróis! Vim também a encontra-los mais tarde, na Feira Popular de Lisboa, através de um amigo que lá tinha um negócio e que me apresentou ao Joselito. Acreditem que foi uma enorme emoção, não tanto pelo acto, mas pela recordação do fascínio de infância. Acreditem, o Mundo é mesmo um penico!

E os carros de choque, tudo a andar à roda da pista, uma Indianápolis de miniatura, com as faúlhas a saltar da rede electrificada. E o carroussel, “mais uma volta, mais uma viagem, no Maravilha”, aquela bicharada toda a andar à roda sem parar, subindo e descendo, num efeito oito, fazendo um barulho só superado pelo berreiro das cornetas que passavam a música da moda e a voz fanhosa do tipo da cabine de comando “vá lá menina, compre uma senha e leva duas”. Confesso que não vou à Feira há mais de vinte anos, por nenhuma razão que não seja a de não estar em Tomar, mas recordo um episódio engraçado passado com uma rapaziada do Colégio Nun’Álvares, que num dia de soltura  por uma desavença qualquer com o tipo do carroussel, provavelmente porque se estariam a portar “bem”, não os ter deixado dar mais uma voltinha, saltaram p’ra cima daquela coisa e vai de arrancar a bicharada toda e carregar com alguns cavalos, burros, girafas e sei lá mais o quê, para o colégio. Chegaram ao mesmo tempo que a polícia. Segundo um amigo participante na “festa” e que reencontrei mais tarde profissionalmente, o “velho”, como era carinhosamente tratado o proprietário do colégio, o Dr. Raul Lopes, com o seu ar calmo perguntou à trupe “afinal o que é que se passou, porque é que trazem os bichos para o colégio?” “Doutor, o gajo não nos quis deixar andar no carrossel e a gente passou-se”. “Muito bem, os cavalos não saem daqui!”

Salva a honra dos seus alunos e do colégio e evidenciada a sua autoridade, no dia seguinte todos os implicados, numa camioneta, foram entregar os animais sobreviventes ao carroussel. Alguns coxos, outros mancos, mas a bicheza continuou a andar à roda para uma “nova corrida, nova viagem”…

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Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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