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Tramados pelo futebol

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Três secretários de Estado do actual governo pediram a demissão ao primeiro-ministro, que aceitou. Temos portanto um rombo no governo do país, causado por uma bola. Ou pelo péssimo hábito de se aceitar que a mulher de César possa ser apenas séria, que não o tenha que parecer, também. Este hábito de as organizações oferecerem agrados a particulares com quem se relacionam profissional e institucionalmente está enraizado e serve por vezes até como patrocínio a diversas iniciativas, sendo considerado por vezes mecenato até, logo constituindo um factor para redução de impostos a pagar ao Estado no final do ano. Não foi este o caso do Euro 2016, mas não viria mal ao Mundo que a GALP tenha convidado um grupo de clientes e amigos da empresa, para ir a França assistir a uns jogos de futebol. Faz parte da política de relações públicas e marketing da empresa e é até legal.

De duvidosa moralidade será o convite a membros do governo e pior, que alguns deles tenham aceitado. Mais grave ainda, terá sido a situação do ex-secretário de Estado dos assuntos fiscais, Rocha Andrade, que até estava a ser eficaz no seu papel e a fazer um excelente trabalho, ter-se esquecido que há um diferendo judicial entre a GALP, que para os que andam distraídos, refutou o pagamento do imposto solidário extraordinário durante o período de intervenção da troika colocado às maiores empresas, colocando o Estado em tribunal. Já quanto aos dois outros membros do governo, embora a sua relação com a empresa não fosse tão problemática, não poderiam nunca deixar de ser solidários; Portanto aos três competia, se quisessem ir a França ver uns jogos de bola, comprar os bilhetes e as viagens.

Esta é a faceta portuguesa do “ninguém se deixa corromper por uma viagem”, do facilitismo, do porreirismo. Claro que ninguém se deixa corromper por uma viagem e por uma entrada num jogo de futebol, mas haverá sempre alguém um dia para lembrar, quando alguma posição de favorecimento ou até dúbia, na relação desse governante para com aquela empresa, for tomada, que talvez aquela viagem, ou aquele jantar, ou aquelas férias, ou…Voltamos, sempre, à mulher de César.

Nota 1: A mulher de César que, coitada, nem tem nome.

Nota 2: Faz hoje precisamente um ano que vencemos o caneco!

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