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seainessabedisto

Cobardia

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Esta minha imagem de perfil foi obtida na Sagrada Família, a catedral inacabada da autoria de Gaudi, na poderosa Barcelona. Ficámos, naquela visita, alojados num hotel precisamente à entrada das famosas Ramblas, local onde ontem teve lugar mais um episódio de terror e barbárie gratuitos. Imaginei-me ali, a passear descontraído com a família e amigos e de repente ser alvo de um cobarde atentado. Pensar que "eu estive ali" deixa-me uma sensação de impotência que desarma.

Esta questão do fundamentalismo islâmico é demasiado complexa para ser abordada aqui, num simples post, será demasiado pretencionismo talvez, mas é minha convicção de que se todos dermos um pouco, da forma que pudermos, certamente ajudaremos a vencer este inimigo tão cruel como escorregadio, tão silencioso quanto mortífero. Haveria muito para discorrer sobre o tema, mas a verdade é que este atentado sobretudo, me deixou zonzo e condoído pelas vidas cobardemente ceifadas, de vítimas inocentes que certamente nada teriam a ver com esta guerra. É nestas alturas que os instintos mais básicos sobrevêm e a pergunta sacramental se assoma ao espírito do mais pacífico dos seres: Olho por olho?

Digam-me vocês...

Democracia de pacotilha

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Sendo altamente questionável do ponto de vista moral a candidatura de uma pessoa a um cargo no âmbito do qual foi condenado, precisamente por ilegalidades, crimes se quiserem, no exercício do mesmo, as candidaturas de Isaltino Morais e Valentim Loureiro são o espelho da perda de valores a que se chegou, nomeadamente na política.

Se é certo que ambos pagaram a sua "dívida à sociedade", e presumindo que o sistema cumpriu a sua função, nada nos garante contudo que, de novo perante o caldeirão, o rato não tenha a mesma tentação e lá volte a cair. Para o caso desta crónica, no entanto, o que está em causa é o direito. E como muitos de nós sabemos, o direito usa as mais das vezes umas linhas muito tortas e assim sendo estes indivíduos têm toda a legitimidade legal, passe a redundância, para se candidatarem aos cargos de presidente das câmaras onde cometeram os crimes pelos quais foram condenados.

Para o caso, quero trazer aqui o episódio da recusa das assinaturas de Isaltino Morais, por um juíz de direito, com o argumento um pouco rebuscado de que as pessoas que assinaram a proponente candidatura, não  sabiam quem estavam a apoiar. Caramba, num papel onde figura o nome de Isaltino Morais e Câmara de Oeiras, parece-me relativamente fácil perceber que o cabeça de lista seria o ex-presidente da edilidade. E parece-me que não colhe o argumento de que não estavam no documento os nomes dos restantes elementos da lista. Assim de repente, proponho uma revisão das últimas eleições a quem tenha pachorra para ler estas linhas e tente lembrar-se apenas do segundo elemento da lista em que votou. Aposto que uma larga maioria não faz a mínima ideia! O sistema eleitoral português não prevê a eleição uninominal para as autarquias locais, logo não há candidatos a vereador, os vereadores são eleitos pelo método de Hondt, logo a seguir à eleição do presidente, que é o primeiro elemento da lista mais votada. Foi como se apresentou Isaltino Morais aos Oeirenses a quem pediu que confiassem nele, candidato a presidente.

Ao senhor juíz, por muito que pense como eu e ache que a candidatura de Isaltino é amoral ou imoral, só lhe compete fazer cumprir a Lei, por muito que lhe custe. E este senhor juíz até tem a Lei a seu favor: Não querendo trair a sua consciência poderia ter pedido excusa, que é um instrumento criado para defender quem não se sente confortável em decidir. Mas não; Arriscando tomar uma decisão, este senhor juíz, que tem ligações afectivas a Paulo Vistas e cuja mulher trabalha na câmara de Oeiras, colocou em causa a sua idoneidade, a da sua família e até a do actual presidente da CM Oeiras.

e também ele candidato nas eleições de 1 de Outubro. Por muito que eu até concorde com a sua decisão.

Num âmbito mais lato, esta é uma decisão que pode ser muito perigosa. Imaginem que qualquer juíz, em qualquer processo, decide pelo que lhe diz a sua consciência ao arrepio da Lei, contrariando-a se for o caso.

Onde fica o Estado de Direito?

O infante

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Texto de Edmundo Gonçalves 

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Estou de férias por Cabanas, Tavira, desfrutando da melhor praia do Mundo (para mim e mais meia dúzia de entusiastas), onde em Agosto o chapéu mais próximo está a cinquenta metros e o silêncio só é quebrado pelo bater das "ondas" na areia. A água tem estado boa, com 23º de temperatura e as conquilhas ao rodar do pé na areia. Ontem fomos a Espanha, eu e a Mina. Bom, a Ayamonte, não é bem Espanha, apesar do sotaque espanhol daqueles algarvios...

Isto é pertinho, um pouco de N125 e menos ainda de A22, a Via do Infante de Sagres, conforme publicitavam uns cartazes até Dezembro 2011, quando o governo de sua excelência Pedro Passos Coelho decidiu ir mais além que a troika e portajou a pista.

Bom, preços em Espanha à parte (muito mais baratos, desde o combustível ao marisco, até aos charutos e ao Rum vindo directamente de Cuba - e a fruta e os iogurtes e a carne e o peixe), vocês não imaginam o que o meu rico carro se me fartou de chamar nomes! Desde "é pá, leva-me mazé p'a Marrocos que é mais saudável para a minha mecânica" até "se vivesses aqui todo o ano não ganhavas para me manter em suspensão e pneus", foram vinte minutos de terror. É que os meus amigos não imaginam a vergonha que é a N125 de Tavira a Vila Real de Santo António (é o único bocadinho que eu faço) e toda a A22, rivalizando entre ambas na quantidade de buracos. Terei provavelmente, assim por alto, uns milhões de km no "papo" e tenho penado por algumas vias que não lembra ao diabo, mas ter que pagar para circular numa via esburacada como alternativa a outra via igualmente esburacada, é no mínimo maquiavélico.

Então a minha sugestão em forma de pedido ao primeiro ministro, é que, se não consegue ou não quer acabar com as portagens na A22 e voltar a designá-la como Via do Infante, ao menos mande a Infraestruturas de Portugal pavimentar ambas as vias, para que quem ali anda diariamente tenha opção de escolha e então sim, se possa, com alguma água benta pelo meio, admitir as portagens numa infraestrutura totalmente financiada pela União Europeia.

E sabem o que mais me irrita? É que assim que se passa a ponte, pomposamente designada de Internacional do Guadiana, aquilo parece uma alcatifa, um tatami, pronto alcatrão a sério!

 

Fria?

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Foi chegar, ver, despir a -shirt, deixar os chinelos e mergulhar, que ali não há tempo para hesitações. Bom, passados alguns minutos tive que tirar as mãos de dentro de água e plantá-las ao sol, mas garanto-vos que o meu eczema no dedo médio da mão direita, apenas com uma visita, apresenta melhoras. Ficámos espantados com a quantidade de carros estacionados, para uma segunda-feira, mas aquilo era "gente e povo" que nem vos conto.

A água é excelente e perdoem a "sem-vergonhice", há aquela parte que não tem pé em que se pode nadar à vontade (obrigado mestre Jacob), que é o melhor de tudo. Parafraseando Octávio Machado, "vocês sabem do que é que eu estou a falar"... Apenas um reparo, que confesso é de ignorante: Todas as infra-estruturas estão no concelho de Ourém (que se candidatou a fundos comunitários e fez um excelente trabalho - a nascente brota naquele concelho), por que carga de água Tomar não leva por diante um plano de pormenor para desenvolver a "parte de cá" da nascente? Se existir, façam o favor de o referir na caixa de comentários, mas parece-me que há ali muito potencial, assim as autarquias ( a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal ) estejam interessadas em investir e deixar margem a quem queira arriscar neste nicho de negócio. Calculo que haverá condicionantes em termos de reservas agrícola e ecológica, mas haverá sempre forma de conciliar todos os interesses, o ambiental, o dos investidores e o dos utentes e ainda o dos cofres dos municípios e do fisco, com a dinâmica que ali pode ser criada.

A propósito, os berbigões no Galfurra estavam de se lhe tirar o chapéu!

E agora, acabam-se as sardinhadas?

 

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês), organismo científico que aconselha a Comissão Europeia sobre as quotas de captura de peixe, recomenda   a suspensão total da pesca da sardinha em PortugalAté agora este organismo vinha recomendando uma redução na quantidade a pescar anualmente, mas desta vez o corte será radical, até que o stock regresse a níveis aceitáveis. Prevê-se que durante 15 anos, no melhor dos cenários.

Esta medida, a ser implementada, vai colocar em causa um sem número de pessoas e empresas que vivem deste tipo de pescado, desde logo os pescadores e as suas famílias, mas também os armadores e as empresas de conservas e outras a montante e a jusante. A ser implementada esta medida e a ser real o diagnóstico, no entanto já refutado pela associação do sector e pelo secretário de estado José Apolinário, a confraternização à volta do grelhador e o pingo no pão com os pimentos e a salada de tomate, terá os dias contados pelo menos nos próximos três lustros. Portanto, meus caros, hoje que é Sábado e o tempo está de feição, apesar de se prever que com estas notícias os do costume aproveitem para especular no preço do peixe, vão lá à praça ou ao supermercado, peguem fogo ao carvão, cortem o pão em fatias, preparem o vinho, escolham a sombra e toca de se “amandarem” a uma bela duma sardinhada.

Enquanto há.

Cocktail de Camarão - Às Sextas com os Tachos

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 Receita de Edmundo Gonçalves

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 Agora que o tempo está para aí virado, mais uma entrada fácil de preparar e que pode fazer um figurão na recepção a uma visita de amigos. Quantidades para dose individual.

 

INGREDIENTES:

Camarões

½ dúzia de camarões 30/40  

Sal

Água para a cozedura

 

Para o molho

Duas colheres de sopa de maionese

Uma colher de sopa de natas magras

Uma colher de sopa de ketchup

Um “cheirinho” de whisky

Uma colher de chá de mostarda, se em pó tanto melhor

Uma colher de chá de molho inglês

Uma pitada de piri-piri

Limão

 

Para a Salada

1   alface frisada  

 

PREPARAÇÃO:

Numa panela com água a ferver juntar uma pitada de sal e os camarões. Deixar ferver durante três minutos e retirar passando imediatamente por água fria. Reservar. Misturar a maionese, as natas, o ketchup, o whisky, a mostarda, umas gotas de limão  e umas gotas de picante. Misture tudo até obter a consistência desejada. Lave bem a alface, escorra, retire o pé e corte em juliana. Descasque os camarões, deixando a casca do rabo em dois deles e pique os restantes, envolvendo-os depois no molho.

Montar o cocktail: Numa taça de vidro (um copo de gin será óptimo) começar por colocar uma camada de alface, depois o molho com o camarão, de novo alface e terminar de novo com o molho. Decorar com os dois camarões pendurados no rebordo do copo ou taça. 

Servir bem frio, com um vinho verde gelado. Alvarinho de preferência.

 

Três mil Euros

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Foi aprovada na AR legislação que proíbe pagamentos em dinheiro (notas, cash, pilim a sério) de valores superiores a 3 000,00€. Parece-me uma medida acertada, na tentativa de combate à fraude e em concreto à evasão fiscal, que isto de serem sempre os mesmos a pagar impostos, tem que acabar. A coisa dividida por todos, será muito mais suave e a malta não olhará para o chefe das finanças com olhar assassino, sempre que se cruzar com ele no café. Há países à séria onde isto é assim, acreditem! Onde as pessoas pagam “alegremente” os seus impostos, porque sabem que aquilo é mais ou menos equitativo, ninguém se esquiva ao pagamento e melhor, o valor da colecta é gasto de forma razoável e em prol da comunidade.

A propósito e a talhe de foice, uma pequena estória, um episódio que retrata na perfeição o que acabei de escrever: Nas minhas funções profissionais, precisei não há muito tempo da aquisição de um serviço de reparação de um forno crematório ( o assunto não á agradável, mas o exemplo é paradigmático ). O vendedor do dito forno seria o fornecedor do serviço, já que o contrato assim o determinava por o equipamento estar ainda no período de garantia. Foi aberto o procedimento corriqueiro, as coisas estavam a “andar”, veio um técnico de Inglaterra executar o serviço e após o trabalho executado a empresa enviou a factura ( como reparação de rotina só após verificação se saberá o seu custo, por razões óbvias – ninguém consegue entrar dentro de um forno crematório em funcionamento, salvo se estiver em estado de não sentir dor…). O caricato da coisa, é que quando recepcionou a factura, a divisão financeira seguindo o procedimento legal, pediu-me para contactar a empresa em Inglaterra para que nos enviasse declarações de inexistência de dívidas ao fisco e à segurança social, para que o contrato de prestação de serviços fosse celebrado e a factura pudesse ser liquidada. Ora eu, lá enviei um e-mail solicitando o que era exigido. Passaram-se duas ou três semanas e como não havia resposta, vai de “emailar” de novo.

A resposta chegou passados uns dias e era curiosa: “Caro Edmundo, não conseguimos em nenhum “office” as declarações que nos solicitou.” E mais uns considerandos que não vêm ao caso. Lá lhes respondi que sem isso não havia possibilidade de liquidação da factura e a resposta veio de forma taxativa “Edmundo, não passam essas declarações, porque aqui em Inglaterra não passa pela cabeça de nenhum empresário não ter as contas acertadas com o fisco e a segurança social!” Bom, a coisa acabou por resolver-se (de forma legal, atenção!), mas o exemplo serve para aquilo de que falei lá atrás, há países onde pagar impostos é uma coisa rotineira e encarada como uma obrigação para com a comunidade.

Voltando aos três mil Euros. Vocês acham que neste rectangulozinho à beira-mar a coisa vai ser cumprida? Será que não haverá já gente a pensar como poderá fraccionar os valores? Estaremos cá p’ra ver.

Gentil, ma non tropo

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Um senhor de 87 anos, médico e cirurgião reputado, ex-bastonário da ordem até, proferiu numa entrevista a alarvidade de que a homossexualidade é um desvio de personalidade, ou seja, uma anomalia, uma doença portanto. Foi mais longe, ao afirmar que não promoveu pessoas que sabia serem homossexuais, deduz-se enquanto teve lugares de responsabilidade. Estando no seu direito de recusar o casamento e a adopção por homossexuais, bem como as barrigas de aluguer, questões contra as quais se manifestou frontalmente, já como académico eminente lhe fica mal defender situações que se sabe hoje nada terem a ver com nenhum mal-funcionamento do corpo ou da mente humanas. Demonstrar pena por estes homens e mulheres, porque têm uma opção sexual diferente da maioria e considerá-los doentes, está para um académico, pediatra, como para os que quiseram um dia queimar Galileu na fogueira, apenas porque a terra é redonda.

Sendo que aqueles tinham a ignorância religiosa por sua defesa, apesar de tudo. Que um qualquer tipo ignorante e com educação das barracas, trate os homossexuais como diferentes e até os abomine, eu no limite até percebo, foi a educação que infelizmente receberam. Que Gentil Martins, um homem esclarecido, uma referência no tratamento oncológico e pediátrico, um homem da ciência pense desta forma, leva-me a crer que há ainda muito caminho para que todos sejamos iguais.

O Zé das bananas

 

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Foi meu professor de matemática no liceu. O pai negociava em bananas, morava ali perto do parque de campismo, perto da Horta do Barão, salvo erro, mas já perceberam que a minha memória às vezes me atraiçoa…

Era um personagem. Afável, sempre bem disposto, sabia ensinar de forma simples mas eficaz e sempre com uma estória para contar e uma analogia com qualquer situação que se deparasse no momento. Mudou-se para Tomar para ensinar devido a doença do pai, se a memória me não atraiçoa. Para nós, miúdos, era com alguma surpresa que ouvíamos um “setôr” falar com um total à vontade do seu pai, da sua actividade e mais, com muito orgulho. Os olhos luziam-lhe quando dizia “eu sou filho do Zé das bananas”. E quando algum de nós o questionava, porque no nosso imaginário um professor e ainda p’ra mais de matemática, tinha que ter raízes “aristocráticas”, se o pai tinha mesmo um armazém de bananas, ele respondia invariavelmente “ atão vocês não vêm pela minha barriga que eu só como bananas desde pequeno, o meu pai tem um armazém de bananas, o que é que querem?” E para mal dos seus pecados tinha que acumular com o ensino o armazém de bananas.

Não era difícil ouvi-lo também desabafar: “Isto é que é uma porra, agora tenho que tomar conta da chafarica. Qualquer dia deixo “mazé” o ensino e dedico-me às bananas, não consigo dar conta disto tudo. Vocês na imaginam a dor de cabeça c’aquilo dá, é pááááá…” Confesso que não tenho memória se terá cumprido a “ameaça”, mas que estava verdadeiramente determinado, disso não tenho a menor dúvida. Se souberem “apitem”, que gostaria de saber…

Uma memória muito agradável de um ser humano extraordinário.

Chapeux, também para ele.

Tramados pelo futebol

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Três secretários de Estado do actual governo pediram a demissão ao primeiro-ministro, que aceitou. Temos portanto um rombo no governo do país, causado por uma bola. Ou pelo péssimo hábito de se aceitar que a mulher de César possa ser apenas séria, que não o tenha que parecer, também. Este hábito de as organizações oferecerem agrados a particulares com quem se relacionam profissional e institucionalmente está enraizado e serve por vezes até como patrocínio a diversas iniciativas, sendo considerado por vezes mecenato até, logo constituindo um factor para redução de impostos a pagar ao Estado no final do ano. Não foi este o caso do Euro 2016, mas não viria mal ao Mundo que a GALP tenha convidado um grupo de clientes e amigos da empresa, para ir a França assistir a uns jogos de futebol. Faz parte da política de relações públicas e marketing da empresa e é até legal.

De duvidosa moralidade será o convite a membros do governo e pior, que alguns deles tenham aceitado. Mais grave ainda, terá sido a situação do ex-secretário de Estado dos assuntos fiscais, Rocha Andrade, que até estava a ser eficaz no seu papel e a fazer um excelente trabalho, ter-se esquecido que há um diferendo judicial entre a GALP, que para os que andam distraídos, refutou o pagamento do imposto solidário extraordinário durante o período de intervenção da troika colocado às maiores empresas, colocando o Estado em tribunal. Já quanto aos dois outros membros do governo, embora a sua relação com a empresa não fosse tão problemática, não poderiam nunca deixar de ser solidários; Portanto aos três competia, se quisessem ir a França ver uns jogos de bola, comprar os bilhetes e as viagens.

Esta é a faceta portuguesa do “ninguém se deixa corromper por uma viagem”, do facilitismo, do porreirismo. Claro que ninguém se deixa corromper por uma viagem e por uma entrada num jogo de futebol, mas haverá sempre alguém um dia para lembrar, quando alguma posição de favorecimento ou até dúbia, na relação desse governante para com aquela empresa, for tomada, que talvez aquela viagem, ou aquele jantar, ou aquelas férias, ou…Voltamos, sempre, à mulher de César.

Nota 1: A mulher de César que, coitada, nem tem nome.

Nota 2: Faz hoje precisamente um ano que vencemos o caneco!

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PATRÍCIA TEIXEIRA

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