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Se a inês sabe disto

Por uma vez, “bola”

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Encerrou ontem mais um período de transferências no futebol europeu. Este espaço não está fadado para a “bola”, mas não posso deixar passar em claro a pornografia descarada e sem controle “parental” que grassa por essa Europa fora. É certo que hoje grande parte dos grandes clubes europeus são empresas cotadas em bolsa e detidas por magnatas e príncipes das arábias, “carregadinhos de papel”, mas não deixa de incomodar os valores que se vão conhecendo de transferências de jogadores.

Se há uns anos a transferência de Ronaldo de Manchester para Madrid por perto de 100 Milhões de Euros tinha rebentado com a escala, apesar de um ou outro desvario, as coisas acalmaram. Se considerarmos acalmia transferências por números entre 20 e 50 M€. Houve apenas uma “pequena” loucura no ano passado, a transferência de Paul Pogba da Juventus para o Manchester United (por 105M€) e outra já anterior, de Gareth Bale (por 100M€) do Tottenham para o Real Madrid. Bale que é agora cobiçado pelo MU, que estará disposto a pagar a mesma quantia que pagou à Juve pelo francês Pogba, 105M€ aos espanhóis.

No entanto este início de época tem sido o mais louco de todos, com o príncipe do Qatar e dono do PSG (Paris Saint-Germain) a pagar em cash 222 Milhões de Euros ao Barcelona pelo brasileiro Neymar Jr. Esta louca operação financeira (o desporto aqui deixou de contar), criou uma enorme bola de neve, uma vez que o Barcelona, órfão do brasileiro, logo a seguir se chegou à frente com 105M€ pelo francês Ousmane Dembelé de apenas 20 anos e que evoluía nos alemães do Dortmund, igualando a segunda mais cara transferência de sempre e prometendo não ficar por aqui. Já antes o Manchester havia contratado Romelu Lukaku ao Ewerton por 84,5M€, que não perdeu tempo em gastar o dinheiro, contratando o islandês Gylfi Sigurdsson ao Swansea por 50M€,  ao passo que o Chelsea gastou com as chegadas de Álvaro Morata do Real Madrid 65 M€ e de Tiemoué Bakayoko do Mónaco 40 M€. Mónaco que, talvez pelo facto de ter sido campeão francês na época passada destronando o PSG, tem sofrido uma enorme razia já que para além de Bakayoko, perdeu ainda Benjamin Mendy e Bernardo Silva para o Manchester City, por 57,5M€ e 50M€, respectivamente, correndo ainda o risco de perder a estrela a despontar, Kylian Mbappé, de apenas 18 anos, por quem o PSG está disposto a pagar a soma também ela estratosférica de 180 M€  e sem contar com saídas de menor dimensão.

Se França tem sido um furacão, o epicentro deste tem sido Inglaterra, onde chegaram 14 das 25 maiores transferências deste defeso. Para além dos nomes que já referi atrás, chegaram às ilhas Alexandre Lacazette do Lyon para o Arsenal de Londres, por 53 M€, Kyle Walker, dando um pulo de Londres para Manchester, saindo do Tottenham para o City por 51M€, Salah, da Roma para o Liverpool, por 42M€, Ederson, do Benfica para o MCity, por 40M€, Davinson Sánches do Ajax para o Tottenham, pelos mesmos 40M€ e fechando com António Rudiger por 35M€ da Roma para o Chelsea.

Assim numas contas de merceeiro, estamos a falar de 1 Bilião e 115 Milhões de Euros por 16 transferências (1,115B€, Mil Cento e Quinze Milhões de Euros), como disse lá atrás, pornográfico e atentatório da dignidade de milhões de pessoas que na Europa vivem abaixo do nível de pobreza. Sobretudo porque estes não serão os números reais, a esta quantia há que acrescentar os impostos e os ordenados dos jogadores em causa, elevando a fasquia talvez para o dobro destes números. Por apenas dezasseis transferências. Juntem-se todas abaixo dos 35 Milhões e algumas acima desse valor que ficaram por referir ( André Silva saiu do Porto para o Milão por 38M€, p.e.) e chegaremos facilmente a números estratosféricos.

Este post foi escrito e terminado cerca das 12.00 horas de ontem, 31 de Agosto, ou seja, ainda com 12 horas para os clubes poderem negociar, o que poderá ter alterado em muito estes números. Apesar de tudo, o futebol continuará a ser um desporto que encherá estádios e as pessoas continuarão a pagar, algumas com sacrifício, para ter o prazer de ver os seus ídolos em campo.

É que como disse um dia Bill Shankly, jogador e depois treinador de futebol inglês, “o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso.”

Auto e pára o baile

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Texto de Emundo Gonçalves

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Os trabalhadores da Autoeuropa estão hoje em greve. Isto é notícia, é o homem que mordeu o cão, o santo graal de qualquer jornal ou jornalista, já que desde a sua existência, há cerca de vinte e seis anos, excepto para greves ditas nacionais, apenas houve uma paralisação naquela empresa, apontada como um caso de sucesso na relação empregador/empregado.

Ao que consta, as razões dos trabalhadores prendem-se com o alargamento do horário de trabalho, obrigando à prestação de trabalho durante três em cada quatro Sábados, com uma compensação monetária significativamente inferior ao que aufeririam se esse trabalho fosse feito de forma extraordinária. Eu cá estou à vontade para falar nisto, visto que de 1980 a 1990 trabalhei numa empresa que praticava um horário com trabalho ao Sábado. Havia no entanto uma pequena nuance, havia descanso suplementar às Segundas e os Sábados tinham um acréscimo de 50% no vencimento. Este horário vigorava durante um mês, sendo depois substituído por um dito normal, de 2.ª a Sexta-feira (havia mais dois horários, um totalmente nocturno e outro semi, o que permitia que a empresa, um grande estaleiro naval, funcionasse 24 horas sem interrupção). 

Aqui o que está em causa, segundo os trabalhadores, não é tanto a (pequena) compensação financeira, mas o facto de apenas terem um fim de semana completo de quatro em quatro semanas, o que se reflectirá na sua qualidade de vida e das suas famílias, já que a sua vida está organizada em função da situação actual. Nestas grandes empresas, onde existem comissões de trabalhadores fortes, é normal os sindicatos terem um papel aparentemente secundário, deixando o protagonismo da representação  dos trabalhadores à sua comissão. Foi o que aconteceu durante todos estes anos, em que aparentemente se viveu uma paz laboral que permitiu à empresa e aos trabalhadores viverem sem grandes sobressaltos. Há no entanto uma máxima que sempre defendi, eu que também fui dirigente sindical e membro de comissões de trabalhadores e que é a de que a ocupação dos lugares não é eterna, sob pena de o foco do nosso trabalho, a defesa intransigente de quem representamos, se ir perdendo no esfumar do tempo. A Autoeuropa, sendo uma empresa com berço alemão, privilegia o relacionamento leal com os representantes dos trabalhadores. É assim na Alemanha, onde nas médias e grandes empresas, em regra há um elemento do sindicato do sector na administração, o sindicato é um parceiro, nunca um inimigo e creio que eles têm obtido resultados visíveis. Na Autoeuropa o relacionamento tem-se feito através da comissão de trabalhadores. Como disse é normal e já agora, legítimo. Legítimo no entanto é também os trabalhadores não estarem de acordo com as propostas da CT e segundo o que se lê nos jornais, esta terá feito um pré-acordo com a administração da empresa, que os trabalhadores consideraram lesivo dos seus interesses. E que fizeram os elementos da CT? Pois ao invés de se chegarem à frente e junto da administração darem conta do chumbo daquilo que tinham pré-acordado e quiçá até levar uma nova proposta para discussão, imagine-se, demitiram-se! Eu cá não sou de teorias da conspiração, mas aqueles senhores eram da CT só nas horas boas? Só para o tempinho do remanso? Quando foi preciso bater o pé fugiram? E agora, depois de se demitirem da sua obrigação e para a qual foram eleitos, estão todos enxofrados com os sindicatos por estes terem apenas dado voz aos interesses que os trabalhadores querem ver defendidos? Há um tal de Chora, que esteve 20 anos, 20! como coordenador da CT e que todos os jornais e televisões querem ouvir, que se reformou no início deste ano, que tem a opinião de que isto não passa de um assalto dos sindicatos à comissão de trabalhadores. O homem, que se reformou porque diz, já estava farto de “trabalhar”, certamente estará senil. Alguém lhe explique que aquilo está desocupado, os seus antigos companheiros fugiram com o rabo à seringa, deixaram os seus colegas ao “deus-dará”, a casa está devoluta, abandonaram o carro, defraudaram o voto que neles depositaram. Eu, não querendo ser duro, diria que se acomodaram, voltando à minha teoria de que as pessoas não são detentores dos cargos, estão nos cargos. Enquanto se justificar e a sua eficácia e o seu entusiasmo o permitirem. E não vale a pena Chorar, quando se abandona por opção.

Entretanto o bom senso prevaleceu e a administração e os sindicatos resolveram voltar a reunir para encontrar uma solução para o problema. Com responsabilidade de ambas as partes supõe-se. Sem Chor(a)os.

É p’ró menino e p’rá menina

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Texto de Edmundo Gonçalves

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A Porto Editora claudicou. Esteve mal!

Falo da edição de uns manuais de exercícios destinados aos meninos, em azul, e às meninas, em rosa. Ao que consta, salvo algumas diferenças de pormenor (exercícios dirigidos a cada um dos géneros), a dificuldade e complexidade dos trabalhos propostos é semelhante. O que me incomoda nesta onda do politicamente correcto, é que se seja tão fundamentalista que um dia destes temos uma sociedade composta apenas por hermafroditas.

Se alguém está preocupado com o género feminino, elas são já a maioria das estudantes universitárias e com melhores resultados e das licenciadas, portanto estão bem e recomendam-se. O que esta onda esquece é que há coisas que são dos homens e outras que são das mulheres, naturalmente, por questões fisiológicas e morfológicas. Não tenho notícia de que qualquer homem tenha sido mãe, apesar de muitos gostarem de o ser eventualmente. E nas profissões mais duras é raro encontrar mulheres, porque a sua morfologia não está desenhada para trabalhar com “pá e pica”. Há excepções? Pois há, daí haver tanto desejo de mudança de sexo, gente quenão se sente bem no seu corpo e se sente mais do “outro lado”, o que prova que afinal há diferenças de género e não vem nenhum mal ao mundo que os meninos continuem a ser meninos e as meninas continuem a ser meninas, ou que troquem, se for isso que o seu cérebro lhes diga, mas miscigenar não, obrigado. Os homens serão homens e as mulheres serão mulheres, não me parece que seres híbridos tragam grande coisa à espécie, aliás nestes milhares de anos de evolução não tem sido esse o caminho que a raça tem seguido. Senão pensem, esse caminho evolutivo seria o fim das relações, já que cada um se bastaria a si próprio, mas não vamos por aqui…

É hoje raro o homem que não faça tarefas em casa que eram consideradas apenas femininas há meio século. Se algum dos géneros evoluiu no “bom sentido”, no sentido da igualdade, foi o masculino, como era sua obrigação, admito. A igualdade na dignidade, oportunidade, etc. faz todo o sentido, é um imperativo social, mas cada um com o seu passado evolutivo.

No entanto, para que os que leiam esta crónica despretensiosa pensem um pouco, quem é que lá em casa trata das reparações, das obras, de trocar a lâmpada, de meter combustível no carro e de o lavar, por exemplo?

-Ah! Mas isso são coisas de homens, responderão. Ai sim?...

A ver se percebi bem

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O governo, representando o Estado, dono da CGD (Caixa Geral de Depósitos) paga a uma denominada comissão de remunerações o valor de 155 mil euros, pouco mais que duzentos e setenta e oito salários mínimos, composta por três pessoas, o presidente e dois vogais. Podem os estimados leitores pensar deste modo: mas até nem é muito dinheiro, uma média de pouco mais de cinquenta mil Euros anuais para cada um dos três elementos, o que dividido por 14 meses dará uma média mensal a rondar os três mil e setecentos Euros. Mas… Há sempre um mas não é?  Este valor é para o máximo de dez reuniões. Dez reuniões, meus caros, o que altera tudo! Quinze mil e quinhentos Euros por reunião, sendo que o presidente recebe um pouco mais que a simples divisão por três. Mesmo que a puta da reunião (desculpem o mau francês) dure um dia, sete horas de trabalho, são setecentos e trinta e oito euros para cada um, por cada hora passada na árdua tarefa. Não refere se há direito a senha de almoço, mas com umas mãos tão largas, vai daí… Ou então fazem a coisa da parte da manhã e a empreitada sairá por uns míseros mil quatrocentos e setenta e seis Euros à hora. Nem o Ronaldo!

E o que é que de tão importante faz esta comissão? Pois determina os salários dos órgãos sociais da CGD, bem como dos colaboradores com estatuto diretivo que reportam diretamente ao conselho de administração ou a qualquer das suas comissões.

A pergunta simples que qualquer um de nós contribuintes e que ajudamos a pagar este balúrdio, faz é a seguinte: Não haverá no raio do ministério das finanças um grupo de gente com capacidade para fazer este trabalho? Será assim tão difícil calcular os vencimentos dos administradores da CGD? Que os privados tenham uma qualquer comissão de peritos para esta função, admite-se, não têm uma estrutura por detrás, mas o ministério das finanças, senhores?

A mim nem me interessa saber quais os critérios que levam ao valor dos vencimentos propostos, mas será que o recente aumento de comissões a pagar pelos clientes e o encerramento de balcões que tanta falta fazem a algumas populações do interior, é factor relevante para lhes atribuir mais uns pozinhos? Provavelmente conta.

Cobardia

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Esta minha imagem de perfil foi obtida na Sagrada Família, a catedral inacabada da autoria de Gaudi, na poderosa Barcelona. Ficámos, naquela visita, alojados num hotel precisamente à entrada das famosas Ramblas, local onde ontem teve lugar mais um episódio de terror e barbárie gratuitos. Imaginei-me ali, a passear descontraído com a família e amigos e de repente ser alvo de um cobarde atentado. Pensar que "eu estive ali" deixa-me uma sensação de impotência que desarma.

Esta questão do fundamentalismo islâmico é demasiado complexa para ser abordada aqui, num simples post, será demasiado pretencionismo talvez, mas é minha convicção de que se todos dermos um pouco, da forma que pudermos, certamente ajudaremos a vencer este inimigo tão cruel como escorregadio, tão silencioso quanto mortífero. Haveria muito para discorrer sobre o tema, mas a verdade é que este atentado sobretudo, me deixou zonzo e condoído pelas vidas cobardemente ceifadas, de vítimas inocentes que certamente nada teriam a ver com esta guerra. É nestas alturas que os instintos mais básicos sobrevêm e a pergunta sacramental se assoma ao espírito do mais pacífico dos seres: Olho por olho?

Digam-me vocês...

Democracia de pacotilha

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Sendo altamente questionável do ponto de vista moral a candidatura de uma pessoa a um cargo no âmbito do qual foi condenado, precisamente por ilegalidades, crimes se quiserem, no exercício do mesmo, as candidaturas de Isaltino Morais e Valentim Loureiro são o espelho da perda de valores a que se chegou, nomeadamente na política.

Se é certo que ambos pagaram a sua "dívida à sociedade", e presumindo que o sistema cumpriu a sua função, nada nos garante contudo que, de novo perante o caldeirão, o rato não tenha a mesma tentação e lá volte a cair. Para o caso desta crónica, no entanto, o que está em causa é o direito. E como muitos de nós sabemos, o direito usa as mais das vezes umas linhas muito tortas e assim sendo estes indivíduos têm toda a legitimidade legal, passe a redundância, para se candidatarem aos cargos de presidente das câmaras onde cometeram os crimes pelos quais foram condenados.

Para o caso, quero trazer aqui o episódio da recusa das assinaturas de Isaltino Morais, por um juíz de direito, com o argumento um pouco rebuscado de que as pessoas que assinaram a proponente candidatura, não  sabiam quem estavam a apoiar. Caramba, num papel onde figura o nome de Isaltino Morais e Câmara de Oeiras, parece-me relativamente fácil perceber que o cabeça de lista seria o ex-presidente da edilidade. E parece-me que não colhe o argumento de que não estavam no documento os nomes dos restantes elementos da lista. Assim de repente, proponho uma revisão das últimas eleições a quem tenha pachorra para ler estas linhas e tente lembrar-se apenas do segundo elemento da lista em que votou. Aposto que uma larga maioria não faz a mínima ideia! O sistema eleitoral português não prevê a eleição uninominal para as autarquias locais, logo não há candidatos a vereador, os vereadores são eleitos pelo método de Hondt, logo a seguir à eleição do presidente, que é o primeiro elemento da lista mais votada. Foi como se apresentou Isaltino Morais aos Oeirenses a quem pediu que confiassem nele, candidato a presidente.

Ao senhor juíz, por muito que pense como eu e ache que a candidatura de Isaltino é amoral ou imoral, só lhe compete fazer cumprir a Lei, por muito que lhe custe. E este senhor juíz até tem a Lei a seu favor: Não querendo trair a sua consciência poderia ter pedido excusa, que é um instrumento criado para defender quem não se sente confortável em decidir. Mas não; Arriscando tomar uma decisão, este senhor juíz, que tem ligações afectivas a Paulo Vistas e cuja mulher trabalha na câmara de Oeiras, colocou em causa a sua idoneidade, a da sua família e até a do actual presidente da CM Oeiras.

e também ele candidato nas eleições de 1 de Outubro. Por muito que eu até concorde com a sua decisão.

Num âmbito mais lato, esta é uma decisão que pode ser muito perigosa. Imaginem que qualquer juíz, em qualquer processo, decide pelo que lhe diz a sua consciência ao arrepio da Lei, contrariando-a se for o caso.

Onde fica o Estado de Direito?

O infante

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Texto de Edmundo Gonçalves 

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Estou de férias por Cabanas, Tavira, desfrutando da melhor praia do Mundo (para mim e mais meia dúzia de entusiastas), onde em Agosto o chapéu mais próximo está a cinquenta metros e o silêncio só é quebrado pelo bater das "ondas" na areia. A água tem estado boa, com 23º de temperatura e as conquilhas ao rodar do pé na areia. Ontem fomos a Espanha, eu e a Mina. Bom, a Ayamonte, não é bem Espanha, apesar do sotaque espanhol daqueles algarvios...

Isto é pertinho, um pouco de N125 e menos ainda de A22, a Via do Infante de Sagres, conforme publicitavam uns cartazes até Dezembro 2011, quando o governo de sua excelência Pedro Passos Coelho decidiu ir mais além que a troika e portajou a pista.

Bom, preços em Espanha à parte (muito mais baratos, desde o combustível ao marisco, até aos charutos e ao Rum vindo directamente de Cuba - e a fruta e os iogurtes e a carne e o peixe), vocês não imaginam o que o meu rico carro se me fartou de chamar nomes! Desde "é pá, leva-me mazé p'a Marrocos que é mais saudável para a minha mecânica" até "se vivesses aqui todo o ano não ganhavas para me manter em suspensão e pneus", foram vinte minutos de terror. É que os meus amigos não imaginam a vergonha que é a N125 de Tavira a Vila Real de Santo António (é o único bocadinho que eu faço) e toda a A22, rivalizando entre ambas na quantidade de buracos. Terei provavelmente, assim por alto, uns milhões de km no "papo" e tenho penado por algumas vias que não lembra ao diabo, mas ter que pagar para circular numa via esburacada como alternativa a outra via igualmente esburacada, é no mínimo maquiavélico.

Então a minha sugestão em forma de pedido ao primeiro ministro, é que, se não consegue ou não quer acabar com as portagens na A22 e voltar a designá-la como Via do Infante, ao menos mande a Infraestruturas de Portugal pavimentar ambas as vias, para que quem ali anda diariamente tenha opção de escolha e então sim, se possa, com alguma água benta pelo meio, admitir as portagens numa infraestrutura totalmente financiada pela União Europeia.

E sabem o que mais me irrita? É que assim que se passa a ponte, pomposamente designada de Internacional do Guadiana, aquilo parece uma alcatifa, um tatami, pronto alcatrão a sério!

 

Fria?

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Foi chegar, ver, despir a -shirt, deixar os chinelos e mergulhar, que ali não há tempo para hesitações. Bom, passados alguns minutos tive que tirar as mãos de dentro de água e plantá-las ao sol, mas garanto-vos que o meu eczema no dedo médio da mão direita, apenas com uma visita, apresenta melhoras. Ficámos espantados com a quantidade de carros estacionados, para uma segunda-feira, mas aquilo era "gente e povo" que nem vos conto.

A água é excelente e perdoem a "sem-vergonhice", há aquela parte que não tem pé em que se pode nadar à vontade (obrigado mestre Jacob), que é o melhor de tudo. Parafraseando Octávio Machado, "vocês sabem do que é que eu estou a falar"... Apenas um reparo, que confesso é de ignorante: Todas as infra-estruturas estão no concelho de Ourém (que se candidatou a fundos comunitários e fez um excelente trabalho - a nascente brota naquele concelho), por que carga de água Tomar não leva por diante um plano de pormenor para desenvolver a "parte de cá" da nascente? Se existir, façam o favor de o referir na caixa de comentários, mas parece-me que há ali muito potencial, assim as autarquias ( a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal ) estejam interessadas em investir e deixar margem a quem queira arriscar neste nicho de negócio. Calculo que haverá condicionantes em termos de reservas agrícola e ecológica, mas haverá sempre forma de conciliar todos os interesses, o ambiental, o dos investidores e o dos utentes e ainda o dos cofres dos municípios e do fisco, com a dinâmica que ali pode ser criada.

A propósito, os berbigões no Galfurra estavam de se lhe tirar o chapéu!

E agora, acabam-se as sardinhadas?

 

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês), organismo científico que aconselha a Comissão Europeia sobre as quotas de captura de peixe, recomenda   a suspensão total da pesca da sardinha em PortugalAté agora este organismo vinha recomendando uma redução na quantidade a pescar anualmente, mas desta vez o corte será radical, até que o stock regresse a níveis aceitáveis. Prevê-se que durante 15 anos, no melhor dos cenários.

Esta medida, a ser implementada, vai colocar em causa um sem número de pessoas e empresas que vivem deste tipo de pescado, desde logo os pescadores e as suas famílias, mas também os armadores e as empresas de conservas e outras a montante e a jusante. A ser implementada esta medida e a ser real o diagnóstico, no entanto já refutado pela associação do sector e pelo secretário de estado José Apolinário, a confraternização à volta do grelhador e o pingo no pão com os pimentos e a salada de tomate, terá os dias contados pelo menos nos próximos três lustros. Portanto, meus caros, hoje que é Sábado e o tempo está de feição, apesar de se prever que com estas notícias os do costume aproveitem para especular no preço do peixe, vão lá à praça ou ao supermercado, peguem fogo ao carvão, cortem o pão em fatias, preparem o vinho, escolham a sombra e toca de se “amandarem” a uma bela duma sardinhada.

Enquanto há.

Cocktail de Camarão - Às Sextas com os Tachos

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 Receita de Edmundo Gonçalves

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 Agora que o tempo está para aí virado, mais uma entrada fácil de preparar e que pode fazer um figurão na recepção a uma visita de amigos. Quantidades para dose individual.

 

INGREDIENTES:

Camarões

½ dúzia de camarões 30/40  

Sal

Água para a cozedura

 

Para o molho

Duas colheres de sopa de maionese

Uma colher de sopa de natas magras

Uma colher de sopa de ketchup

Um “cheirinho” de whisky

Uma colher de chá de mostarda, se em pó tanto melhor

Uma colher de chá de molho inglês

Uma pitada de piri-piri

Limão

 

Para a Salada

1   alface frisada  

 

PREPARAÇÃO:

Numa panela com água a ferver juntar uma pitada de sal e os camarões. Deixar ferver durante três minutos e retirar passando imediatamente por água fria. Reservar. Misturar a maionese, as natas, o ketchup, o whisky, a mostarda, umas gotas de limão  e umas gotas de picante. Misture tudo até obter a consistência desejada. Lave bem a alface, escorra, retire o pé e corte em juliana. Descasque os camarões, deixando a casca do rabo em dois deles e pique os restantes, envolvendo-os depois no molho.

Montar o cocktail: Numa taça de vidro (um copo de gin será óptimo) começar por colocar uma camada de alface, depois o molho com o camarão, de novo alface e terminar de novo com o molho. Decorar com os dois camarões pendurados no rebordo do copo ou taça. 

Servir bem frio, com um vinho verde gelado. Alvarinho de preferência.

 

Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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