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Se a inês sabe disto

Por uma vez, “bola”

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Encerrou ontem mais um período de transferências no futebol europeu. Este espaço não está fadado para a “bola”, mas não posso deixar passar em claro a pornografia descarada e sem controle “parental” que grassa por essa Europa fora. É certo que hoje grande parte dos grandes clubes europeus são empresas cotadas em bolsa e detidas por magnatas e príncipes das arábias, “carregadinhos de papel”, mas não deixa de incomodar os valores que se vão conhecendo de transferências de jogadores.

Se há uns anos a transferência de Ronaldo de Manchester para Madrid por perto de 100 Milhões de Euros tinha rebentado com a escala, apesar de um ou outro desvario, as coisas acalmaram. Se considerarmos acalmia transferências por números entre 20 e 50 M€. Houve apenas uma “pequena” loucura no ano passado, a transferência de Paul Pogba da Juventus para o Manchester United (por 105M€) e outra já anterior, de Gareth Bale (por 100M€) do Tottenham para o Real Madrid. Bale que é agora cobiçado pelo MU, que estará disposto a pagar a mesma quantia que pagou à Juve pelo francês Pogba, 105M€ aos espanhóis.

No entanto este início de época tem sido o mais louco de todos, com o príncipe do Qatar e dono do PSG (Paris Saint-Germain) a pagar em cash 222 Milhões de Euros ao Barcelona pelo brasileiro Neymar Jr. Esta louca operação financeira (o desporto aqui deixou de contar), criou uma enorme bola de neve, uma vez que o Barcelona, órfão do brasileiro, logo a seguir se chegou à frente com 105M€ pelo francês Ousmane Dembelé de apenas 20 anos e que evoluía nos alemães do Dortmund, igualando a segunda mais cara transferência de sempre e prometendo não ficar por aqui. Já antes o Manchester havia contratado Romelu Lukaku ao Ewerton por 84,5M€, que não perdeu tempo em gastar o dinheiro, contratando o islandês Gylfi Sigurdsson ao Swansea por 50M€,  ao passo que o Chelsea gastou com as chegadas de Álvaro Morata do Real Madrid 65 M€ e de Tiemoué Bakayoko do Mónaco 40 M€. Mónaco que, talvez pelo facto de ter sido campeão francês na época passada destronando o PSG, tem sofrido uma enorme razia já que para além de Bakayoko, perdeu ainda Benjamin Mendy e Bernardo Silva para o Manchester City, por 57,5M€ e 50M€, respectivamente, correndo ainda o risco de perder a estrela a despontar, Kylian Mbappé, de apenas 18 anos, por quem o PSG está disposto a pagar a soma também ela estratosférica de 180 M€  e sem contar com saídas de menor dimensão.

Se França tem sido um furacão, o epicentro deste tem sido Inglaterra, onde chegaram 14 das 25 maiores transferências deste defeso. Para além dos nomes que já referi atrás, chegaram às ilhas Alexandre Lacazette do Lyon para o Arsenal de Londres, por 53 M€, Kyle Walker, dando um pulo de Londres para Manchester, saindo do Tottenham para o City por 51M€, Salah, da Roma para o Liverpool, por 42M€, Ederson, do Benfica para o MCity, por 40M€, Davinson Sánches do Ajax para o Tottenham, pelos mesmos 40M€ e fechando com António Rudiger por 35M€ da Roma para o Chelsea.

Assim numas contas de merceeiro, estamos a falar de 1 Bilião e 115 Milhões de Euros por 16 transferências (1,115B€, Mil Cento e Quinze Milhões de Euros), como disse lá atrás, pornográfico e atentatório da dignidade de milhões de pessoas que na Europa vivem abaixo do nível de pobreza. Sobretudo porque estes não serão os números reais, a esta quantia há que acrescentar os impostos e os ordenados dos jogadores em causa, elevando a fasquia talvez para o dobro destes números. Por apenas dezasseis transferências. Juntem-se todas abaixo dos 35 Milhões e algumas acima desse valor que ficaram por referir ( André Silva saiu do Porto para o Milão por 38M€, p.e.) e chegaremos facilmente a números estratosféricos.

Este post foi escrito e terminado cerca das 12.00 horas de ontem, 31 de Agosto, ou seja, ainda com 12 horas para os clubes poderem negociar, o que poderá ter alterado em muito estes números. Apesar de tudo, o futebol continuará a ser um desporto que encherá estádios e as pessoas continuarão a pagar, algumas com sacrifício, para ter o prazer de ver os seus ídolos em campo.

É que como disse um dia Bill Shankly, jogador e depois treinador de futebol inglês, “o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso.”

Auto e pára o baile

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Texto de Emundo Gonçalves

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Os trabalhadores da Autoeuropa estão hoje em greve. Isto é notícia, é o homem que mordeu o cão, o santo graal de qualquer jornal ou jornalista, já que desde a sua existência, há cerca de vinte e seis anos, excepto para greves ditas nacionais, apenas houve uma paralisação naquela empresa, apontada como um caso de sucesso na relação empregador/empregado.

Ao que consta, as razões dos trabalhadores prendem-se com o alargamento do horário de trabalho, obrigando à prestação de trabalho durante três em cada quatro Sábados, com uma compensação monetária significativamente inferior ao que aufeririam se esse trabalho fosse feito de forma extraordinária. Eu cá estou à vontade para falar nisto, visto que de 1980 a 1990 trabalhei numa empresa que praticava um horário com trabalho ao Sábado. Havia no entanto uma pequena nuance, havia descanso suplementar às Segundas e os Sábados tinham um acréscimo de 50% no vencimento. Este horário vigorava durante um mês, sendo depois substituído por um dito normal, de 2.ª a Sexta-feira (havia mais dois horários, um totalmente nocturno e outro semi, o que permitia que a empresa, um grande estaleiro naval, funcionasse 24 horas sem interrupção). 

Aqui o que está em causa, segundo os trabalhadores, não é tanto a (pequena) compensação financeira, mas o facto de apenas terem um fim de semana completo de quatro em quatro semanas, o que se reflectirá na sua qualidade de vida e das suas famílias, já que a sua vida está organizada em função da situação actual. Nestas grandes empresas, onde existem comissões de trabalhadores fortes, é normal os sindicatos terem um papel aparentemente secundário, deixando o protagonismo da representação  dos trabalhadores à sua comissão. Foi o que aconteceu durante todos estes anos, em que aparentemente se viveu uma paz laboral que permitiu à empresa e aos trabalhadores viverem sem grandes sobressaltos. Há no entanto uma máxima que sempre defendi, eu que também fui dirigente sindical e membro de comissões de trabalhadores e que é a de que a ocupação dos lugares não é eterna, sob pena de o foco do nosso trabalho, a defesa intransigente de quem representamos, se ir perdendo no esfumar do tempo. A Autoeuropa, sendo uma empresa com berço alemão, privilegia o relacionamento leal com os representantes dos trabalhadores. É assim na Alemanha, onde nas médias e grandes empresas, em regra há um elemento do sindicato do sector na administração, o sindicato é um parceiro, nunca um inimigo e creio que eles têm obtido resultados visíveis. Na Autoeuropa o relacionamento tem-se feito através da comissão de trabalhadores. Como disse é normal e já agora, legítimo. Legítimo no entanto é também os trabalhadores não estarem de acordo com as propostas da CT e segundo o que se lê nos jornais, esta terá feito um pré-acordo com a administração da empresa, que os trabalhadores consideraram lesivo dos seus interesses. E que fizeram os elementos da CT? Pois ao invés de se chegarem à frente e junto da administração darem conta do chumbo daquilo que tinham pré-acordado e quiçá até levar uma nova proposta para discussão, imagine-se, demitiram-se! Eu cá não sou de teorias da conspiração, mas aqueles senhores eram da CT só nas horas boas? Só para o tempinho do remanso? Quando foi preciso bater o pé fugiram? E agora, depois de se demitirem da sua obrigação e para a qual foram eleitos, estão todos enxofrados com os sindicatos por estes terem apenas dado voz aos interesses que os trabalhadores querem ver defendidos? Há um tal de Chora, que esteve 20 anos, 20! como coordenador da CT e que todos os jornais e televisões querem ouvir, que se reformou no início deste ano, que tem a opinião de que isto não passa de um assalto dos sindicatos à comissão de trabalhadores. O homem, que se reformou porque diz, já estava farto de “trabalhar”, certamente estará senil. Alguém lhe explique que aquilo está desocupado, os seus antigos companheiros fugiram com o rabo à seringa, deixaram os seus colegas ao “deus-dará”, a casa está devoluta, abandonaram o carro, defraudaram o voto que neles depositaram. Eu, não querendo ser duro, diria que se acomodaram, voltando à minha teoria de que as pessoas não são detentores dos cargos, estão nos cargos. Enquanto se justificar e a sua eficácia e o seu entusiasmo o permitirem. E não vale a pena Chorar, quando se abandona por opção.

Entretanto o bom senso prevaleceu e a administração e os sindicatos resolveram voltar a reunir para encontrar uma solução para o problema. Com responsabilidade de ambas as partes supõe-se. Sem Chor(a)os.

É p’ró menino e p’rá menina

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Texto de Edmundo Gonçalves

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A Porto Editora claudicou. Esteve mal!

Falo da edição de uns manuais de exercícios destinados aos meninos, em azul, e às meninas, em rosa. Ao que consta, salvo algumas diferenças de pormenor (exercícios dirigidos a cada um dos géneros), a dificuldade e complexidade dos trabalhos propostos é semelhante. O que me incomoda nesta onda do politicamente correcto, é que se seja tão fundamentalista que um dia destes temos uma sociedade composta apenas por hermafroditas.

Se alguém está preocupado com o género feminino, elas são já a maioria das estudantes universitárias e com melhores resultados e das licenciadas, portanto estão bem e recomendam-se. O que esta onda esquece é que há coisas que são dos homens e outras que são das mulheres, naturalmente, por questões fisiológicas e morfológicas. Não tenho notícia de que qualquer homem tenha sido mãe, apesar de muitos gostarem de o ser eventualmente. E nas profissões mais duras é raro encontrar mulheres, porque a sua morfologia não está desenhada para trabalhar com “pá e pica”. Há excepções? Pois há, daí haver tanto desejo de mudança de sexo, gente quenão se sente bem no seu corpo e se sente mais do “outro lado”, o que prova que afinal há diferenças de género e não vem nenhum mal ao mundo que os meninos continuem a ser meninos e as meninas continuem a ser meninas, ou que troquem, se for isso que o seu cérebro lhes diga, mas miscigenar não, obrigado. Os homens serão homens e as mulheres serão mulheres, não me parece que seres híbridos tragam grande coisa à espécie, aliás nestes milhares de anos de evolução não tem sido esse o caminho que a raça tem seguido. Senão pensem, esse caminho evolutivo seria o fim das relações, já que cada um se bastaria a si próprio, mas não vamos por aqui…

É hoje raro o homem que não faça tarefas em casa que eram consideradas apenas femininas há meio século. Se algum dos géneros evoluiu no “bom sentido”, no sentido da igualdade, foi o masculino, como era sua obrigação, admito. A igualdade na dignidade, oportunidade, etc. faz todo o sentido, é um imperativo social, mas cada um com o seu passado evolutivo.

No entanto, para que os que leiam esta crónica despretensiosa pensem um pouco, quem é que lá em casa trata das reparações, das obras, de trocar a lâmpada, de meter combustível no carro e de o lavar, por exemplo?

-Ah! Mas isso são coisas de homens, responderão. Ai sim?...

A ver se percebi bem

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O governo, representando o Estado, dono da CGD (Caixa Geral de Depósitos) paga a uma denominada comissão de remunerações o valor de 155 mil euros, pouco mais que duzentos e setenta e oito salários mínimos, composta por três pessoas, o presidente e dois vogais. Podem os estimados leitores pensar deste modo: mas até nem é muito dinheiro, uma média de pouco mais de cinquenta mil Euros anuais para cada um dos três elementos, o que dividido por 14 meses dará uma média mensal a rondar os três mil e setecentos Euros. Mas… Há sempre um mas não é?  Este valor é para o máximo de dez reuniões. Dez reuniões, meus caros, o que altera tudo! Quinze mil e quinhentos Euros por reunião, sendo que o presidente recebe um pouco mais que a simples divisão por três. Mesmo que a puta da reunião (desculpem o mau francês) dure um dia, sete horas de trabalho, são setecentos e trinta e oito euros para cada um, por cada hora passada na árdua tarefa. Não refere se há direito a senha de almoço, mas com umas mãos tão largas, vai daí… Ou então fazem a coisa da parte da manhã e a empreitada sairá por uns míseros mil quatrocentos e setenta e seis Euros à hora. Nem o Ronaldo!

E o que é que de tão importante faz esta comissão? Pois determina os salários dos órgãos sociais da CGD, bem como dos colaboradores com estatuto diretivo que reportam diretamente ao conselho de administração ou a qualquer das suas comissões.

A pergunta simples que qualquer um de nós contribuintes e que ajudamos a pagar este balúrdio, faz é a seguinte: Não haverá no raio do ministério das finanças um grupo de gente com capacidade para fazer este trabalho? Será assim tão difícil calcular os vencimentos dos administradores da CGD? Que os privados tenham uma qualquer comissão de peritos para esta função, admite-se, não têm uma estrutura por detrás, mas o ministério das finanças, senhores?

A mim nem me interessa saber quais os critérios que levam ao valor dos vencimentos propostos, mas será que o recente aumento de comissões a pagar pelos clientes e o encerramento de balcões que tanta falta fazem a algumas populações do interior, é factor relevante para lhes atribuir mais uns pozinhos? Provavelmente conta.

Cobardia

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Esta minha imagem de perfil foi obtida na Sagrada Família, a catedral inacabada da autoria de Gaudi, na poderosa Barcelona. Ficámos, naquela visita, alojados num hotel precisamente à entrada das famosas Ramblas, local onde ontem teve lugar mais um episódio de terror e barbárie gratuitos. Imaginei-me ali, a passear descontraído com a família e amigos e de repente ser alvo de um cobarde atentado. Pensar que "eu estive ali" deixa-me uma sensação de impotência que desarma.

Esta questão do fundamentalismo islâmico é demasiado complexa para ser abordada aqui, num simples post, será demasiado pretencionismo talvez, mas é minha convicção de que se todos dermos um pouco, da forma que pudermos, certamente ajudaremos a vencer este inimigo tão cruel como escorregadio, tão silencioso quanto mortífero. Haveria muito para discorrer sobre o tema, mas a verdade é que este atentado sobretudo, me deixou zonzo e condoído pelas vidas cobardemente ceifadas, de vítimas inocentes que certamente nada teriam a ver com esta guerra. É nestas alturas que os instintos mais básicos sobrevêm e a pergunta sacramental se assoma ao espírito do mais pacífico dos seres: Olho por olho?

Digam-me vocês...

Patrícia Teixeira

Edmundo Gonçalves

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