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Se a inês sabe disto

A propósito do burkini...

 

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Como não podia deixar de ser, o tema gerou controvérsia. Refiro-me ao burkini e ao facto de duas mulheres britânicas terem sido expulsas da piscina de uma unidade hoteleira, no Algarve, por o usarem. Para quem não sabe, o burkini foi concebido para proteger a discrição das mulheres muçulmanas mas que, surpreendentemente, está a ganhar mais terreno do que era inicialmente previsível no universo da moda. Ao ponto da conhecida marca de roupa Marks & Spencer ter apostado até na comercialização de dois modelos de burkini. Em 2011, a chef de cozinha Nigella Lawson foi fotografada, e consequentemente criticada, por ter usado esta peça de roupa que para muitos é símbolo de discriminação e uma afronta à liberdade das mulheres. Certo é que esta moda parece ter vindo para ficar até porque, de acordo com um responsável de marketing da Marks & Spencer, "este tipo de fato-de-banho protege a pele das tão temidas radiações solares, além de ser muito confortável". 

Nestas situações acho que sinceramente cada um sabe de si! Discordo em absoluto que alguém seja obrigado a usar o que quer que seja, por que motivo for. Mas expulsar alguém de uma piscina por usar burkini parece-me altamente discriminatório. Ninguém é obrigado a exibir o corpo em público e as motivações para o seu uso podem ser mais que muitas. Assim como reclamamos o respeito pela nossa cultura e sociedade, não podemos exigir a um muçulmano que deixe de sê-lo, simplesmente porque veio a banhos ao Algarve. 

Alega-se, como forma de justificar a proibição do uso do burkini em determinados países, que o mesmo simboliza um atentado ao direito à Liberdade e Igualdade. Será assim em alguns casos. Não em todos! Não nos esqueçamos que, para muitas mulheres, trata-se apenas de um código de vestuário que adoptam de livre vontade. Se prevalecer a ideia de que a integração dos muçulmanos nas sociedades europeias implica renúncia à sua identidade, não será de estranhar depois a tendência para a radicalização.

 

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Nigella Lawson com um burkini

 

Mas afinal, como surgiu o burkini?

Em 2003, Aheda Zanetti fundou a AHIIDA, uma das maiores marcas de burkinis. A criadora diz que teve ideia de conceber este modelo depois de ver a sobrinha a praticar desporto com o tradicional hijab (véu), que se tornava bastante incómodo. Decidiu aliar o conforto à flexibilidade e assim nasceu o burkini. Hoje, 14 anos depois, esta ideia valeu-lhe reconhecimento a nível mundial com a aprovação e certificação oficial da comunidade islâmica que olham para este fato-de-banho como forma de encorajar as mulheres muçulmanas a praticar desporto.  

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Aheda Zanetti 

E agora, acabam-se as sardinhadas?

 

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês), organismo científico que aconselha a Comissão Europeia sobre as quotas de captura de peixe, recomenda   a suspensão total da pesca da sardinha em PortugalAté agora este organismo vinha recomendando uma redução na quantidade a pescar anualmente, mas desta vez o corte será radical, até que o stock regresse a níveis aceitáveis. Prevê-se que durante 15 anos, no melhor dos cenários.

Esta medida, a ser implementada, vai colocar em causa um sem número de pessoas e empresas que vivem deste tipo de pescado, desde logo os pescadores e as suas famílias, mas também os armadores e as empresas de conservas e outras a montante e a jusante. A ser implementada esta medida e a ser real o diagnóstico, no entanto já refutado pela associação do sector e pelo secretário de estado José Apolinário, a confraternização à volta do grelhador e o pingo no pão com os pimentos e a salada de tomate, terá os dias contados pelo menos nos próximos três lustros. Portanto, meus caros, hoje que é Sábado e o tempo está de feição, apesar de se prever que com estas notícias os do costume aproveitem para especular no preço do peixe, vão lá à praça ou ao supermercado, peguem fogo ao carvão, cortem o pão em fatias, preparem o vinho, escolham a sombra e toca de se “amandarem” a uma bela duma sardinhada.

Enquanto há.

Está quase a chegar o Flower Power Fest Cascais

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Já tenho divulgado por aqui algumas informações sobre o que se vai passar neste festival que pretende recriar um pouco o espírito que se viveu no Woodstock, em 1969. Embora com contornos e motivações diferentes do mediático evento da década de 60, o Flower Power Fest Cascais tem em comum o objectivo de celebrar a música e é disso que se trata. Vamos então directos ao assunto...O Reggae Roots dos Inner Circle e Big Mountain vai ser um dos momentos altos do festival. Por isso, para que possam assistir à actuação destas duas bandas com alguma informação na bagagem sobre elas, fiquem a saber que:

 

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Os INNER CIRCLE foram formados em 1968 pelos irmãos Ian (baixo) e Roger Lewis (guitarra), em Kingston. Em 1974, lançaram o seu primeiro álbum, Rock The Boat, com o selo da Trojan Records. A formação inicial da banda era: Funky Brown (vocal), Prilly (vocal), Stephen Cat Core (guitarra), Ibo Cooper (teclado), além dos irmãos Lewis. Em 1976, Jacob Miller assumiria os vocais do Inner Circle e a banda começaria a fazer sucesso. Pouco tempo depois, os metais foram incorporados à banda, através de Llewellyn Chang (sax alto) e Leighton Johnson (trompet), ambos formados na banda Excelsior High School. Ao final de uma excursão aos Estados Unidos e Bermudas, Ibo Cooper e Stephen Cat Core deixam o Inner Circle para criarem a sua própria banda.
Ao grupo, juntou-se também o guitarrista Joe Ortiz, o qual de um toque de hard rock, jazz e blues ao som o grupo. O estilo da banda foi decisivamente marcado pelo acidente automobilístico que tirou a vida do vocalista Jacob Miller, em 23 de março de 1980. Após a morte de Jacob Miller, a banda se separa, mas, em 1982, ainda lança um álbum chamado Something So Good. Em 1986, os irmãos Lewis reativaram definitivamente os Inner Circle, com um novo vocalista: Calton Coffie, com o qual gravam Black Roses. Em 1987, os Inner Circle lançam o álbum One Way, que contém a canção "Bad Boys", a qual fez grande sucesso e é transformada em trilha a série de televisão COPS.] Desde então, a banda auto-denomina-se "The Bad Boys of Reggae". Em 1993, o single "Sweat (A La La La La Long)" alcançaria o TOP 3 do Reino Unido (a canção "Bad Boys" havia conseguido apenas a 52º lugar) e a décima sexta posição no Billboard Hot 100. Em 1995, o vocalista Calton Coffie adoece e fica por um longo período inativo. Ao recuperar-se da doença, decide abandonar a banda para seguir carreira solo. O seu lugar é então ocupado pelo atual vocalista, Kris Bentley, que se estreou em 1997. Da Bomb, que foi lançado na América um ano mais tarde numa versão ligeiramente reconfigurada intitulada Speak My Language. A banda fez longas tournés pelo mundo e continuou lançando novos álbuns, incluindo Big Tings, de 2000.

 

 

Quanto aos BIG MOUNTAIN, a banda de reggae americana trouxe uma versão muito comercializada da música jamaicana para o mainstream americano quando a sua cover de "Baby, I Love Your Way" de Peter Frampton alcançou o Top Ten no início de 1994. No entanto, os seus três álbuns contêm música reggae roots combinada com algumas covers R & B-ish, e a sua formação inclui dois jamaicanos com excelentes credenciais: o guitarrista Tony Chin e o baterista Santa Davis - ambos tocaram com a banda de Peter Tosh e os Soul Syndicate.

 

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Os Big Mountain foram originalmente formados em San Diego, na Califórnia, como Rainbow Warriors. Depois de vários anos de mudanças vertiginosas na programação e duas mudanças de nome - primeiro para Shiloh e finalmente para Big Mountain - o grupo formou-se com o vocalista / guitarrista Quino, com o guitarrista Jerome Cruz, os bateristas Gregory Blakney e Lance Rhodes, o tecladista Manfred Reinke e o baixista Lynn Copeland.
Essa formação lançou Wake Up em 1992 e prosseguiu com "Touch My Light" no início do ano seguinte. O single alcançou o número 51 na América, mas apenas um ano depois os Big Mountain começaram a experimentar vários guitarristas diferentes. Depois de várias mudanças, Tony Chin tornou-se disponível e juntou-se a Quino e a Copeland com as novas aquisições Santa Davis, James McWhinney (percussão) e os teclistas Billy Stoll e Michael Hyde. Durante as gravações do seu segundo álbum, o produtor de cinema Ron Fair pediu aos Big Mountain para gravarem uma cover de "Baby, I Love Your Way" para o seu filme, Reality Bites. Incluído na trilha sonora e no álbum Unity do grupo em 1994, o single alcançou o número seis nos EUA e tornou-se um sucesso mundial.
Apesar do sucesso dos Big Mountain nos tops, a maioria da comunidade reggae permaneceu fiel à banda.
O grupo encabeçou dois festivais consecutivos de Reggae Sunsplash na Jamaica durante as massivas tornés mundiais que cruzaram a Europa, América do Norte e do Sul, Ásia e Indonésia. O terceiro álbum Resistance foi lançado em 1995, seguido dois anos depois pelo Free Up.
Recentemente os Big Mountain lançaram um novo single “Here Comes The Sun”, um cover dos lendários The Beatles”. 

Continuarei a acompanhar e a partilhar convosco as novidades deste festival que acontece já nos dias 3, 4 e 5 de agosto, na praia de Carcavelos.

 

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Três mil Euros

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Foi aprovada na AR legislação que proíbe pagamentos em dinheiro (notas, cash, pilim a sério) de valores superiores a 3 000,00€. Parece-me uma medida acertada, na tentativa de combate à fraude e em concreto à evasão fiscal, que isto de serem sempre os mesmos a pagar impostos, tem que acabar. A coisa dividida por todos, será muito mais suave e a malta não olhará para o chefe das finanças com olhar assassino, sempre que se cruzar com ele no café. Há países à séria onde isto é assim, acreditem! Onde as pessoas pagam “alegremente” os seus impostos, porque sabem que aquilo é mais ou menos equitativo, ninguém se esquiva ao pagamento e melhor, o valor da colecta é gasto de forma razoável e em prol da comunidade.

A propósito e a talhe de foice, uma pequena estória, um episódio que retrata na perfeição o que acabei de escrever: Nas minhas funções profissionais, precisei não há muito tempo da aquisição de um serviço de reparação de um forno crematório ( o assunto não á agradável, mas o exemplo é paradigmático ). O vendedor do dito forno seria o fornecedor do serviço, já que o contrato assim o determinava por o equipamento estar ainda no período de garantia. Foi aberto o procedimento corriqueiro, as coisas estavam a “andar”, veio um técnico de Inglaterra executar o serviço e após o trabalho executado a empresa enviou a factura ( como reparação de rotina só após verificação se saberá o seu custo, por razões óbvias – ninguém consegue entrar dentro de um forno crematório em funcionamento, salvo se estiver em estado de não sentir dor…). O caricato da coisa, é que quando recepcionou a factura, a divisão financeira seguindo o procedimento legal, pediu-me para contactar a empresa em Inglaterra para que nos enviasse declarações de inexistência de dívidas ao fisco e à segurança social, para que o contrato de prestação de serviços fosse celebrado e a factura pudesse ser liquidada. Ora eu, lá enviei um e-mail solicitando o que era exigido. Passaram-se duas ou três semanas e como não havia resposta, vai de “emailar” de novo.

A resposta chegou passados uns dias e era curiosa: “Caro Edmundo, não conseguimos em nenhum “office” as declarações que nos solicitou.” E mais uns considerandos que não vêm ao caso. Lá lhes respondi que sem isso não havia possibilidade de liquidação da factura e a resposta veio de forma taxativa “Edmundo, não passam essas declarações, porque aqui em Inglaterra não passa pela cabeça de nenhum empresário não ter as contas acertadas com o fisco e a segurança social!” Bom, a coisa acabou por resolver-se (de forma legal, atenção!), mas o exemplo serve para aquilo de que falei lá atrás, há países onde pagar impostos é uma coisa rotineira e encarada como uma obrigação para com a comunidade.

Voltando aos três mil Euros. Vocês acham que neste rectangulozinho à beira-mar a coisa vai ser cumprida? Será que não haverá já gente a pensar como poderá fraccionar os valores? Estaremos cá p’ra ver.

Gentil, ma non tropo

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Um senhor de 87 anos, médico e cirurgião reputado, ex-bastonário da ordem até, proferiu numa entrevista a alarvidade de que a homossexualidade é um desvio de personalidade, ou seja, uma anomalia, uma doença portanto. Foi mais longe, ao afirmar que não promoveu pessoas que sabia serem homossexuais, deduz-se enquanto teve lugares de responsabilidade. Estando no seu direito de recusar o casamento e a adopção por homossexuais, bem como as barrigas de aluguer, questões contra as quais se manifestou frontalmente, já como académico eminente lhe fica mal defender situações que se sabe hoje nada terem a ver com nenhum mal-funcionamento do corpo ou da mente humanas. Demonstrar pena por estes homens e mulheres, porque têm uma opção sexual diferente da maioria e considerá-los doentes, está para um académico, pediatra, como para os que quiseram um dia queimar Galileu na fogueira, apenas porque a terra é redonda.

Sendo que aqueles tinham a ignorância religiosa por sua defesa, apesar de tudo. Que um qualquer tipo ignorante e com educação das barracas, trate os homossexuais como diferentes e até os abomine, eu no limite até percebo, foi a educação que infelizmente receberam. Que Gentil Martins, um homem esclarecido, uma referência no tratamento oncológico e pediátrico, um homem da ciência pense desta forma, leva-me a crer que há ainda muito caminho para que todos sejamos iguais.