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Se a inês sabe disto

São dois bilhetes para o camarote, fáxavôr.

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Diz que um tal de senhor André Costa Monteiro, assessor diplomático do ministério das Finanças (detentor de uma caixa de correio electrónico terminada em ...mf.gov.pt), terá enviado um e-mail a uma tal de senhora Ana Zagalo, responsável pela área de corporate (uma coisa que trata de relações públicas com clientes institucionais, empresas e etc. e tal) do Benfica (detentora de uma caixa de correio electrónica terminada em ...slbenfica.pt), com o seguinte texto: "Estimada Ana Zagalo, escrevo-lhe pois o senhor ministro das finanças gostaria de ir apoiar o Benfica contra o FCPorto. Se fosse possível o senhor ministro gostaria de assistir ao jogo na bancada presidencial (onde gostaria de levar uma pessoa consigo - neste caso o seu filho)". Pede ainda mais três bilhetes, um dos quais para o Sec. Estado do Tesouro, ressalvando que seriam a cobrar ("naturalmente"), seguindo-se os cumprimentos da praxe. 

Uma semana depois, o filho de Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica (detentor de uma caixa de e-mail terminada em @promovalor.pt), terá enviado ao senhor seu pai um e-mail com o sugestivo título "Isenção de IMI - Art. 71.º do Estatuto dos Benefícios Fiscais, alegadamente com o seguinte texto: "Pai, já cá canta!!!!!!  Sem o teu empurrão não íamos lá ;)   Beijo grande". E este já cá canta foi o quê, perguntarão os caros leitores e leitoras? Pois nada mais nada menos que uma isenção de IMI em tempo recorde!

Parece que a Judiciária está a investigar isto, conforme saiu nos jornais.

Para que fique claro, não tenho qualquer afinidade com nenhum dos intervenientes neste imbróglio e o que menos me importa é que Centeno, que é o ministro em causa, seja benfiquista dos quatro costados. Está no seu direito. Já me questiono é se ficará bem a um membro do governo mendigar dois bilhetes para assistir a uma partida de futebol, ou a qualquer outro espectáculo. Pelo simples facto de os governantes deverem ser, a partir do momento em que tomam posse, impolutos como a mulher de César. Ou pelo menos que não deixem o rabo de fora e que para além de terem o dever de ser sérios, também devam parecê-lo. Com a descoberta desta, reforço, alegada correspondência, o ministro pôs-se a jeito, como é hábito dizer-se. Se já não abona absolutamente nada em seu favor (e do primeiro ministro António Costa, já agora) assistir a um jogo de futebol ao lado de um dos maiores devedores ao BES, Luís Filipe Vieira (falamos de, entre dívidas próprias, do grupo pessoal e do grupo Benfica num número a rondar os mil milhões de Euros considerados no rol dos esquecidos, ou seja incobráveis), esta situação que o próprio Centeno criou escusadamente era perfeitamente evitável, bem como evitáveis eram as desculpas com a segurança, que foi o que de melhor arranjou para justificar o acto.

Reafirmo, Centeno é benfiquista e acho muito bem, o facto de ser ministro não o pode inibir de demonstrar a sua preferência clubística e de assistir aos jogos do seu clube do coração, mas seria avisado que adquirisse um bilhete de época, ou em alternativa um bilhete para o jogo em causa, que os há à venda para lugares VIP no estádio do Benfica, que foi onde assistiu ao jogo.

Em seu abono, poderá dizer-se que quem isenta o IMI são as câmaras municipais, não o ministério das Finanças, mas da suspeita não se livra e um homem que até tem feito um bom trabalho no governo, de tal forma reconhecido que foi eleito presidente do euro-grupo, tem que se acautelar e evitar expor-se desta forma. É apenas um conselho, não de amigo, mas de alguém que vai estando agradado com o seu trabalho no governo.

 

Nota: Para que conste, "isto" não se fica apenas por este "caso" Centeno, há "disto" em todo o lado (nuns lados mais e noutros lados menos), por isso não iremos ouvir ninguém da oposição falar sobre este assunto.