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Se a inês sabe disto

Sanções para quê?

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Começo este postal por comparar a realidade concreta de dois países. Um deles "sem problemas", o outro afundado numa quase guerra civil. Comparados os números, seria interessante reflectir um pouco sobre eles:

Dívida pública: 103,44 mil milhões de euros;

Dívida pública: 249,1 mil milhões de euros;

Reservas de petróleo: 300 milhões de barris de petróleo bruto, a maior do Mundo, seguida da Arábia Saudita.

Reservas de petróleo: Continua a procurar-se, mas até agora...

Este pequeno intróito serve para comparar dois países, duas realidades. Um deles prepara-se para aplicar sanções ao outro e ao contrário do que se possa pensar, não é o que detém os números mais simpáticos.

Falo da Venezuela e de Portugal. O nosso país apresenta números de dívida duas vezes e meia superiores àquele país da América Latina e ao contrário da Venezuela, petróleo nem vê-lo; ou melhor, vê, mas compra cada gota que consome.

No entanto, ao contrário de Portugal, onde todos os indicadores apontam para uma saída airosa da crise, a Venezuela afunda-se cada vez mais no seu próprio petróleo, literalmente. Eis uma bela lição para quem vem defendendo que o nosso país se dedique a vender apenas sol, que dirija o foco dos negócios apenas para o sector turístico. A Venezuela, acreditando que o preço do petróleo não desceria nunca abaixo dos 100 dólares o barril e que poderia até duplicar esse valor (até Marcelo acreditava e disse-o num dos seus shows de Domingo à noite na TV), apostou tudo neste sector. Hoje vive uma enorme crise, precisamente porque colocou os ovos todos no mesmo cesto e para seu azar, o barril de petróleo anda pelos 50/60 dólares. Quando o montante da venda deste produto financiava em mais de 80% o orçamento do estado, percebe-se o rombo que estão a ter as finanças venezuelanas, um país que desde a chegada ao poder de Hugo Chávez, revolucionou o ensino, a saúde, os transportes, a habitação, etc. não chegando portanto o dinheiro para financiar e cobrir todas estas necessidades.

Fruto de falta de investimento na modernização do sector de exploração e extracção, é hoje muito complicado para a empresa de petróleos venezuelana concorrer com outros produtores e os custos de extracção são incomportáveis, já para não falar de outras fontes de extracção, como o petróleo de xisto, p.e.

Em resumo muito breve, esta baixa de preços determinada pela OPEP, de que a Venezuela faz parte mas que é dominada pelos países do Golfo, tem como intenção clara a tentativa da Arábia Saudita dominar aquela região, estrangulando o Irão a quem foram levantadas sanções e que pode vender agora livremente o seu crude. A Venezuela sofre por arrasto.

Hoje a União Europeia decidiu sanções contra a Venezuela. Sempre pronta a ser forte com os fracos, a UE prepara-se para embargar a venda de armas e equipamento que possam ser utilizados na repressão interna. Uma medida inóqua, direi, uma vez que me "cheira" que não deverá ser nos países da UE que o governo de Nicolas Maduro se fornecerá, se quiser comprar armas para "reprimir" os seus compatriotas, mas antes na China, seu principal parceiro e credor, que se estará positivamente marimbando para o que pensa e diz a UE. Ou então manda meia-dúzia de amigos a um supermercado qualquer de Miami e compra o stock de carabinas.

Não sou particularmente admirador de Maduro. Um gajo que vê num pintassilago a imagem e a voz de alguém, ou é maluco ou quer fazer dos outros malucos, mas se houvesse vontade, primeiro interna e depois dos credores, a Venezuela teria tudo para ser uma economia saudável, muito longe, para melhor, que Portugal.

Tem apenas um senão: Coluna vertebral!