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Se a inês sabe disto

Recalcamento?

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Peço desculpa pelo mau francês, mas depois de ter lido partes do acórdão que ilibou o boneco animado que um dia já foi ministro da cultura deste país, do crime de violência doméstica, não posso chegar a outra conclusão: A juíza terá levado, algures durante a sua infância ou adolescência, nos cornos! E é de tal forma grave, que a deferência demonstrada para com o "senhor professor", só será comparável à obediência a que porventura terá sido obrigada pelo progenitor, o que terá condicionado a sua forma de ver o mundo.

Este acórdão será comparável talvez apenas com o do juíz Moura, o tal que acha bem que uma mulher adúltera seja sovada e quiçá, se o "ofendido" for disso, lapidada até ao último suspiro. Esta juíza Ferrer, de quem foi pedida excusa pela acusação e até pelo ministério público (o que provavelmente será caso de Guiness - o livro, não a cerveja), não lhe fica atrás e atira com algumas pérolas como: “...uma mulher destemida e dona da sua vontade”, pelo facto de não ter ido imediatamente à polícia ou à medicina legal, é prova de que não houve agressão, já que alguém com aqueles predicados era o que faria de imediato, ou "a senhora procuradora diz que não tem (Bárbara) de se sentir censurada. Pois eu censuro-a! É que se tinha fundamento para se queixar, devia tê-lo feito", (quando a queixosa disse ter tido vergonha de admitir que era agredida) enveredando por uma conclusão de alguém que não vê um boi do que é o crime de violência doméstica, comprovado quando Ferrer, que sempre tratou (embevecida) o arguido por "senhor professor" e a queixosa por "Bárbara", larga esta pérola: "Causa-me alguma impressão a atitude de algumas mulheres (vítimas de violência), que acabam mortas".

Para a juíza Ferrer, além do crime de ser “uma mulher destemida e dona da sua vontade”, Bárbara é ainda condenada pelo crime de ter "vergonha".

E para fundamentar de forma sólida e irrepreensível este acórdão, que não fica nada a dever ao do Neto de Moura, a juíza Ferrer chama aos autos as declarações prestadas pela agredida nas revistas ditas "sociais". Que como todos sabemos, o que mais espelham é a realidade e a verdade! E então como a agredida disse um dia a uma revista que era feliz no seu casamento, vai de tomar isso como verdade absoluta e fazer destas "declarações" a prova irrefutável de que Barbara estaria a mentir.

A Ferrer sofre de um qualquer recalcamento, é uma conclusão a que se chega, talvez porque ela própria se reveja lá no fundo, coitada, no calvário que Bárbara passou e também ela, “uma mulher destemida e dona da sua vontade”, tenha "vergonha" de admitir que foi de alguma forma agredida. Um dia, numa entrevista, dirá que é feliz com os seus gatos, porque lá no fundo, a agressão de que foi vítima, não a deixou confiar num homem. 

E despedir-se-á com um "Heil!"...

 

 

Nota1: Noutro julgamento, Manuel Maria Carrilho foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão, pelo mesmo crime de violência doméstica, praticado depois do casamento (e outros crimes associados) contra a mesma Bárbara Guimarães. Com outro juíz, claro está.

Nota2Ferrer foi rigidamente educada pelo pai, militar, com quem visitava o campus, aprendeu a montar a cavalo e que vigiava a sua aprendizagem. É apoiante confessa do nazismo e de algumas figuras do regime fascista alemão, chegando a ter fotos de algumas delas no seu gabinete. Segue religiosamente os jogos da selecção alemã e ambiciona acabar os seus dias na Alemanha. Vive com a Frida, uma gata e trata de mais uma vintena de felídeos.

Nota3: Na leitura da sentença, sem que tivesse qualquer prova que o confirmasse, a juíza Ferrer considerou provada a acusação de Carrilho de que a ex-mulher é alcoólica, proferindo: "Este tribunal alerta: a existir, efectivamente, um problema instalado e antes que ocorram danos irreparáveis para próprios e terceiros inocentes, cumprirá, reconhecê-lo com objectividade, enfrentá-lo com medidas de apoio e solucioná-lo". Isto sim, é duma mulher destemida!

Nota4: Em Fevereiro de 2016, acusação e ministério público invocaram falta de imparcialidade e pediram a excusa da juíza, prevendo um resultado tendencioso. Foi o que veio a acontecer. Quod erat demonstrandum.

 

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