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Se a inês sabe disto

Quem é que usa calças, lá em casa?

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Andou aí pelas televisões e pelos jornais, um estudo ou coisa do género, sobre os hábitos dos casais, no que ao governo da casa diz respeito.

A conclusão, grosso modo, era a de que apesar de nos locais de trabalho se estar a consolidar uma igualdade de responsabilidades e de oportunidades, lá em casa as coisas ainda não são bem assim.

É verdade, a geração anterior à minha, que nasceu antes, durante ou imediatamente a seguir à Segunda Grande Guerra, até aos anos cinquenta do século passado continua, salvo raras excepções, a seguir a cartilha de que lá em casa, quem manda é ela. E este “manda” é tão falso como Judas. Manda nada, trabalha! Ele vê a bola e nalguns casos biscata, ou bebe uns copos com os amigos no café ou na tasca e às vezes, quando é mais urgente, vai ao homem do gás quando a bilha se acabou de repente. A ela cabe-lhe a tarefa da casa. Muitos de nós sabemos o que isso acarreta.

Depois da minha geração, pensei que as coisas fossem diferentes, até porque a maior parte das minhas vivências indiciam que houve efectivamente uma mudança para melhor.

Bom, cá em casa não há essa coisa de eu ajudo a minha mulher, ou de que há tarefas divididas. Aqui cada um faz o que é preciso, quando é preciso, ponto final. Há apenas um acordo pré-nupcial que não sendo de estrita exclusividade, é cumprido com algum rigor, porque cada um não aprecia muito cada uma das tarefas que está acometida ao outro, ainda que se por alguma urgência for necessário, não fique por fazer: Ela passa a ferro, eu cozinho. Se formos a pesar, se calhar eu fico um bocadinho prejudicado, porque quem trata do quintal e do jardim e das árvores de fruto e da relva e de lavar e aspirar o carro sou sempre eu…

‘Tá bem, ela costura, prontos.

A sério que sinto algum incómodo quando leio sobre isto. Estamos a chegar aos anos vinte do século XXI, já era bem tempo disto mudar.

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