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Se a inês sabe disto

Pum! Ministra ao ar...

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Agora que se acalmaram os ânimos sedentos de sangue e se casou a culpa, apenas duas ou três questões que se me apraz fazer, em memória dos cerca de 100 que não mais gozarão férias:

Primeira e mais evidente: Com a demissão da ministra está resolvido o problema ou a chuva ajudou?

Segunda e não menos a meter-se pelos olhos "adentro": Mais de 500 fogos no mesmo dia, com uma violência de ignição e propagação nunca vistas, poderiam ter sido combatidos todos ao mesmo tempo, com eficácia?

Terceira  e não menos preocupante: Agora que a ministra foi demitida em directo pelo Presidente da República (que claramente apontou à demissão do governo, demonstrando donde vem e ao que vem, apesar de lhe terem faltado os tomates para se assumir), não terá este comprado uma guerra que talvez lhe chamusque a reeleição?

 

Não sendo mestre na matéria, mas tendo já trabalhado na área, portanto com algum conhecimento adquirido, não será a substituição de uma ministra que resolverá o grave problema dos incêndios florestais (qualquer ministro, vivendo o mesmo cenário e com as mesmas condições de combate, actuaria da mesma forma). Ele só será resolvido quando os interesses instalados deixarem de se sobrepor ao interesse do colectivo e passo a dar nomes aos bois, por ordem aleatória:

O lobby dos aviões;

O lobby dos carroçadores das viaturas de combate aos incêndios;

O lobby dos fornecedores de material de combate e fardamento;

O lobby da celulose;

A cadeia de comando dos bombeiros;

A cadeia de comando da protecção civil;

Os legisladores;

Os sucessivos governos de há anos a esta parte;

Os proprietários.

 

Temos um sistema de ataque a incêndios que está ultrapassado, já que acenta no ataque rápido ao foco. O sistema poderia ser eficaz se a montante e a juzante houvesse uma política correcta de ocupação do solo, isto é, ao impedir a ignição de fogos, o sistema está a permitir o aumento gradual da carga térmica e não havendo posteriormente orientação para a limpeza e manutenção, essa carga vai um dia ser um barril de pólvora. Um pouco paradoxalmente, o sistema funcionando e ao actuar rapidamente, impede a ocorrência de fogos médios, que inevitavelmente um dia permitirão a ocorrência de fogos grandes. Portanto o que há a fazer é adequar o combate ao local onde ele possa ocorrer. O País, sendo pequeno, não é todo igual, nem em termos climáticos, nem em orografia; Combater um incêndio no Alentejo, é completamente diferente que fazê-lo na serra algarvia, ou nas montanhas do interior centro. Os meios deverão ser adequados aos locais das ocorrências e, extremamente importante, deve haver uma comunicação constante entre a meteorologia e a protecção civil. Há hoje possibilidade de prever (passe o exagero) ao minuto as condições de ignição em qualquer local, atentos e medidos os factores que a propiciam. Sendo importante o saber da experiência dos comandos dos bombeiros e não devendo ser descartado no momento do combate, será no entanto obrigatório escutar a previsão meteorológica na prevenção e alocar meios para onde ela prevê que possam ocorrer ignições. 

Doutro modo, há que tratar dos solos. O minifúndio que caracteriza grande parte da mancha florestal do País é, por si, um obstáculo quase intransponível ao rejuvenescimento da floresta. Existe de tudo, desde pequenos produtores florestais que cumprem a Lei e tratam da limpeza e manutenção das suas explorações, até parcelas abandonadas há dezenas de anos dos quais se desconhecem os proprietários. Parece-me que o Estado deverá ser duro para com aqueles que não cumpram a Lei e expedito com as situações de abandono. Em ambos, advogo a expropriação pura e simples, sem compensação financeira, durante um período de tempo que permita o rassarcimento dos custos de limpeza e manutenção. É obrigatório, apesar de outras medidas, o emparcelamento; Os proprietários de pequenas parcelas terão que perceber que juntando-se a outros nas mesmas circunstâncias, se tornarão mais fortes e diminuirão custos de produção, atingindo melhores resultados. Há que acabar com a luta por meio metro de terreno e se isto não for lá por moto próprio, terá que ir por imposição legal.

A reflorestação que ora urge fazer, terá que ser feita com espécies autóctones e adaptadas ao clima e orografias das regiões onde serão plantadas.

No final destas medidas, haverá certamente uma indústria sedenta dos resíduos florestais e da biomassa retirada das florestas: A produção de combustíveis para lareiras, a produção de energia, a produção de fertilizantes naturais, etc.

 

Estas são algumas ideias soltas de quem observa de longe. Certamente quem está por dentro, terá condições para, não acabar com os fogos que eles ocorrerão sempre, mas reduzir grandemente os prejuízos causados por eles.