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Se a inês sabe disto

Placebo?

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Eu sou dum tempo em que esta coisa das "drogas" estava muito no início. Pelo menos em Tomar, onde se começou a notar o consumo de substâncias psicotrópicas com a vinda de jovens das ex-colónias, que para o bem e para o mal eram gente de olhos rasgados se comparados com o cinzentismo que ainda se vivia naquela época pós Abril de '74; Portanto pode parecer prosápia minha, mas nunca usei qualquer substância desse tipo, nem como curiosidade, uma vez que era coisa que não circulava no meu círculo de amizades. Havia colegas do Liceu que davam umas "passas" numa "liamba" e havia na cidade alguns jovens, poucos, que se aventuravam por outros caminhos mais duros e complicados. Tão complicados que lhes destruiu a vida irremediavelmente, sendo no entanto, felizmente, casos isolados.

Vem este intróito a propósito da discussão na AR de um projecto de Lei para a legalização da cannabis para consumo terapêutico.

Para quem ande distraído eu cá não sou médico, mas garanto-vos que falo com eles, até devido ao meu estatuto de hipocondríaco ( moderado, mas...) e é consensual entre a comunidade médica que a substância química predominante na sua composição, o tetrahidrocanabiol, é eficaz na terapia de várias maleitas. Assim sendo e estando o facto cientificamente comprovado, perguntar-se-á porque carga de água não pode o comum mortal, se sentir necessidade disso, fazer uso do "produto" para melhorar o seu estado de saúde.

Cá por mim, que já usei roupas de cannabis e são bué de confortáveis, não me incomoda nada que um sujeito que sofra de uma qualquer enfermidade, produza o seu próprio medicamento, que no caso vertente é, como quem diz, que tenha a "erva" num vaso na varanda. Ó pá, desde que devidamente autorizado e controlado, porque razão terá ele que ir dar dinheiro a ganhar a uma qualquer farmacêutica? Diabo, se eu quiser baixar o colesterol, posso usar folhas de freixo para o efeito e dispensar as "estatinas", que ainda por cima têm vários efeitos secundários e ninguém me incomoda por ter um freixo no quintal. Então porque raio não há-de um doente comprovadamente dependente de cannabis, para melhorar o seu estado de saúde, ser autorizado a produzir a planta?

Está bem, pode-se dizer que depois há-de haver quem abuse e que comece a comercializar a coisa com outros que a utilizarão para fins recreativos, seja lá o que isso for, mas deve ser aquelas ocasiões em que a malta quer rir um bocadinho e não está muito para aí virada.

Os americanos, em cada vez mais estados, têm vindo a autorizar o consumo nestes mesmos termos que se pretende agora legislar, mas vindo dos americanos eu desconfio sempre um bocadinho, não vão eles autorizar a malta a fumar umas passas, só para lixar os dedicados mexicanos e panamianos e colombianos e outros sul-americanos comerciantes de "branca". Vejam bem, enquanto a malta fuma umas "ganzas", esquece a coca e a heroína. Mas talvez seja apenas o meu mau feitio contra o tio Sam...

Bom, voltando "à vaca fria", tratem lá disso rapidamente que parece que há gente que precisa dessa terapia e que, à luz da legislação actual e usando este princípio activo, é neste momento criminosa. E parece-me que ser doente já é fardo que baste.