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Se a inês sabe disto

O Salvador deu um traque

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Texto de Edmundo Gonçalves

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Bocage, o enorme Elmano Sadino, como a ele próprio se referia por pseudónimo, consta ter sofrido de grave flatulência e de não ter pudor algum em libertar-se de gases, independentemente do local e das companhias. Consta que terá, certa noite de baile de gala na corte, soltado descaradamente um traque, perfeitamente audível por sobre o som dos metais e cordas da orquestra de câmara que animava os convivas.

De imediato e em consequência do geral rodar de cabeças em sua direcção, o vate, com a sagacidade e agilidade retórica que se lhe conhecia, ali mesmo, de imediato, apontou uma dama que lhe terá negado favores de alcofa e terá, despudoradamente afirmado “meus senhores, o peido que aquela senhora deu, não foi ela, fui eu!” O Salvador não se peidou, mas terá deixado sair com aquele comentário a despropósito, muito do capital de simpatia que detinha entre os portugueses. Quanto a Bocage, o “conto” não passará disso mesmo, um estória(eta).  Quanto ao Salvador, confesso que, como anósmico, pode peidar-se à vontade que não me incomoda. Acho é que terá que ter cuidado com os traques.