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O Rocío na Rua da Betesga

Esta é a segunda vez que o Edmundo Gonçalves colabora como autor convidado aqui no blog. Primeiro pedi-lhe que partilhasse as peripécias de uma aventura nos Açores e agora voltei a desafiá-lo! Desta feita para contar-vos um bocadinho de uma recente e maravilhosa viagem, na qual tive o prazer de participar, em terras de nuestros hermanos. Obrigada Mina, Edmundo, Isabel, Célia, Josué e Francisco pela excelente companhia e por nos apresentarem lugares assim...

 

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Texto de Edmundo Gonçalves

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O Rocío na Rua da Betesga...

Ou um fim de semana de cañas, muitos fritos, tapas e um barrete do tamanho duma enorme romaria, que merecia melhor comedor.

 A coisa estava combinada há algumas semanas, a estadia reservada e a vontade de conhecer uma romaria de que já tínhamos tido em Novembro passado um cheirinho, estava em alta.

Partimos na sexta, 13 (lagarto, lagarto) . O destino era Islantilla, poiso demais conhecido e apreciado e depois de algumas peripécias que me escuso contar, lá chegámos já o sol se tinha posto. Bom, o que se perdeu em tempo, poupou-se em combustível, valha-nos isso…

Alojados e esfomeados, logo ali se partiu para uma farinheira com ovos, uns queijos de ovelha, uma paiola de se lhe tirar o chapéu e mais um presunto de trás da orelha e mais uns filetes de peixe-espada em conserva, pão e vinho, um branquinho no ponto, gelado  ali de repente por método que se explicará lá mais para a frente, se a dona do tasco estiver para aí virada. E tinto, de Tomar, que tem uma propriedade singular e que é a de deixar a Isabel de cu pregado na cadeira…

Sábado pela manhã um passeio pelo calçadão e pela praia dos pescadores, onde encontrámos um restaurantezinho com a esplanada vazia. Aqui as opiniões dividiam-se: uns diziam que se estava vazio era porque não devia ser bom, outros que nunca tinham apanhado barretes nestas situações. Bom, começámos pelas cañas e como vieram geladas, o início foi prometedor. Na segunda rodada já alguém optou por uma mistela chamada tinto de verano (argh…) e lá começaram a vir os “morfes”: adobo, puntillitas, biquerones, choco frito, gambas da costa na chapa e já me passou que mais, mas a reportagem certamente vos dará uma panorâmica do “abuso”. Escusam de saber quantas cañas foram, porque de seguida se decidiu fazer a viagem de quase 100km até Rocío e todos queremos parecer cumpridores.

Ah! Já me passava, todos concordámos que o raparigo que nos serviu, com uma eficiência, rapidez e simpatia enormes, era a cara chapada do César Mourão. Digam vocês, depois de verem a foto, se estávamos toldados pela cerveja, ou se tínhamos alguma razão.

Já em Novembro, como se diz lá em cima, tivemos um cheirinho da romaria, mas tudo o que vimos, comparado com o que acabámos por assistir e apesar de já irmos preparados para isso, ultrapassou todas as expectativas. Aquilo é imponente! Centenas de carroças (pronto, galeras, caleches, charretes e outras paneleirices) puxadas algumas por mulas, mas na sua maioria por várias parelhas de cavalos, mais algumas centenas de cavalos montados por homens e por mulheres e alguns por ambos, com elas à garupa, eles e elas nos trajes tradicionais. De Sevilhanas elas, de ginetes eles.

 

É, digamos, um misto de Fátima sem o ar sofrido, já que aquilo é mesmo uma festa, um misto, dizia, entre Fátima e a (feira da) Golegã.

 

E as casas das irmandades. Pelo som da festa ouvimos que se apresentaram à virgem setecentas e vinte e uma irmandades dos mais variados locais de Espanha, sendo que cada uma delas tem instalações no local, algumas verdadeiros palácios pelo tamanho, que servem para albergar os peregrinos e onde confecionam as refeições; Estão a imaginar o tamanho da coisa, né? Logo à chegada fomos convidados a entrar numa delas; Infelizmente, porque queríamos ver tudo, não estivemos muito tempo, mas fomos visitando algumas ao longo do percurso, já que a entrada é franqueada, ninguém pergunta nada a ninguém, o ambiente é de festa permanente. Em resumo, a festa é grandiosa, bonita e ainda que sendo de tributo a uma divindade cristã, não tem a lamechice (perdoem-me os crentes) de Fátima. É, digamos, um misto de Fátima sem o ar sofrido, já que aquilo é mesmo uma festa, um misto, dizia, entre Fátima e a (feira da) Golegã. Aconselha-se vivamente! Mas se quiserem ir, levem um lanche. É que o jantar foi um autêntico barrete, num restaurante de feira, daqueles improvisados e que até tinha um excelente aspecto, mas… para esquecer. O Josué gostou, mas a gente continua a dizer que foi da cerveja.

 

Domingo foi dedicado ao corpo.

As meninas passaram o dia entre a piscina interior e os banhos de sol. Os homens trataram do almoço, umas migas de espargos com entrecosto frito que nem vos passa, e assistiram ao futebol e beberam uns copos. Pronto, muitos. Afinal, cada um trata do corpo como quer, ou não?!

Segunda, regresso (sem que não se tivesse que dar a volta por duas vezes, uma por uns sacos, outra pelas chaves de casa de alguém) passando por Cabanas de Tavira e pelo Ideal, onde se degustou uma sopa rica do mar e uns pastéis de polvo com arroz de tomate do outro mundo.

Em jeito de curiosidade, como calculam sem qualquer intenção, o valor total das refeições “fora”, foi sempre de 105 Euros. Mais em bebida, mas que é que querem, estava calor…

Em resumo, um belo fim-de-semana. Se quiserem ir, há vários dias com romaria com menos confusão, mas não será a mesma coisa. A vantagem é que os restaurantes de tapas e petiscos estão menos concorridos e a vossa veia petisqueira, se a tiverem como nós, sairá reconfortada. Mas vão, que vale a pena.

 

Procissão Virgem del Rocio

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 O "barrete" no restaurante da festa

 

Um pequeno vídeo que ilustra bem o espírito desta festa...

 

 

 

Em Islantilla...

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O sósia do César Mourão 

 

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 O almoço no restaurante "Ideal", em Cabanas, no Algarve...

 

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