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Se a inês sabe disto

O incendiário

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O Kim Jon qualquer coisa tem andado a queimar imenso combustível, todos sabemos, na experimentação de mísseis que consigam atingir o coração dos Estados Unidos, a quem consideram o seu inimigo principal. Parece-me, já aqui o escrevi, que isso não passa de fogo de palha e que o que a Coreia do Norte quer é atenção e ajuda dos seus amigos e vizinhos.

Não poderemos por isso considerá-lo um verdadeiro incendiário, será mais aquele tipo que faz uma queimada que por qualquer eventualidade se pode descontrolar e por isso temos que o ter debaixo de olho.

Já o Trump fia mais fino.

Esta bizarria de reconhecer Jerusalém como capital de Israel (que o é de facto, mas isso são outros quinhentos), ultrapassa já em muito o fogo controlado, é uma afronta à proibição de deitar foguetes. 

Com a entrada em vigor de uma decisão que vem do já longínquo governo de Clinton (de 1985) e que por razões politicamente avisadas, foi sendo adiada, Trump conseguiu virar contra si todos os holofotes, dos mais moderados aos mais radicais, da esquerda à direita, dos cristãos aos muçulmanos e até aos judeus (excluído o governo sionista de Israel). Hoje já os grupos radicais islâmicos iniciaram mais uma intifada e já se ouve o troar das armas em Jerusalém e na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e em Hebron e em Al-Bireh e tumultos na Turquia e no Paquistão e na Tunísia.

Desde que foi eleito, Trump não tem feito mais que atirar gasolina para as fogueiras que lhe aparecem pela frente (e algumas que ele próprio vai ateando) e qual elefante em loja de artigos de porcelana, tem partido o que, apesar de tudo, os seus antecessores foram aguentado com pinças. Neste caso a paz possível numa zona do Mundo tão volátil que ao menor sopro, ateia.

Qual Nero, Trump delicia-se com o fogo e se até hoje as suas diatribes têm tido poucos efeitos colaterais, desta vez corremos o risco, todos, de ali se iniciar algo mais que uma guerra por um pedaço de território.

Felizmente alguns americanos começam a ver o buraco onde se meteram e já ontem um senador do seu partido (Republicano), propôs uma moção para o impeachment do presidente. É certo que foi recusada até pela esmagadora maioria dos Democratas, o que demonstra também um pouco a forma como aquela gente olha para o Mundo; Mas agindo como se nada fosse com eles, correm no entanto o risco de um dia, quando este Nero dos tempos modernos deitar fogo à sua própria casa, poder ser tarde demais.