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Se a inês sabe disto

Justiça em alta?

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Confesso que sou muito céptico em relação a condenações de poderosos, em processos-crime ou outros, pelo histórico deplorável de décadas de favorecimento, encobrimento, impunidade e conivência mais ou menos encapotada de quem ajuíza (deveria ajuízar) para com quem deveria ser julgado com imparcialidade e no cumprimento das regras e Leis vigentes, que, coitadas, tanto foram atropeladas durante tanto tempo.

Pode parecer ilusão, pode-se pensar que será apenas para inglês ver, mas parece que o paradigma está a alterar-se. 

Neste momento, por razões diversas, um ex-primeiro ministro, o ex-maior banqueiro do país e dois juízes desembargadores, estão a ser investigados pela justiça, para além de outros poderosos.

Provavelmente nem o mais optimista dos leitores desta página, há meia dúzia de anos, se atreveria a pensar que isto pudesse vir a acontecer, quanto mais num tão curto espaço de tempo.

Por enquanto tudo está ainda no campo da investigação e qualquer destes investigados é, à luz da Lei, presumivelmente inocente; No entanto, como dirá o Povo, onde há fumo há fogo e permito-me deduzir que ao avançar para tão complicados quanto mediáticos processos, a investigação não se exporia ao ridículo de acusar gente tão poderosa, até porque lhe compete a ela, investigação, demonstrar a culpabilidade dos ora constituídos arguidos, como a Lei determina e eu acho que deve ser, sem que tivesse algo de muito sólido.

É comum dizer-se que existe uma justiça para os ricos e outra para os pobres. Sem dúvida e exemplos disso são mais que muitos, desde logo pelo acesso à própria justiça, que sendo caro, impede os que têm menos posses de a ela aceder, mas essa é outra face da justiça, importante, mas que nada tem a ver com este facto novo. Hoje a investigação, nomeadamente a Polícia Judiciária, instrui casos bastante bem fundamentados e deduzo que com basta prova, que se sustentarão solidamente em julgamento, presumo.

Os mais pessimistas poderão temer que tudo se fique por águas de bacalhau, mas mesmo que assim aconteça, que o Estado não consiga provar a acusação deduzida, foi ultrapassada uma barreira que parecia ser impossível de transpôr. Hoje os poderosos sabem que também lhes pode tocar a eles serem investigados, e condenados se forem culpados; Pode parecer qualquer coisa sem importância, mas a mim parece-me uma verdadeira revolução.