Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Se a inês sabe disto

Eu acho que devemos estar preocupados

 

money-549161_960_720.jpg

 

Texto de Edmundo Gonçalves

edmundo.jpg

Mas isto sou eu, que atribuo algum significado ao bem- estar das gentes deste país. Ora bem, quase 50% das famílias portuguesas não paga IRS. Numa conclusão precipitada, a tendência será para dizer: “Boa!”. Há que ter em atenção, no entanto, que isto quer dizer que há metade das famílias que ganham anualmente uma miséria. Melhor, uma miséria um pouco mais miséria que aqueles que pagam, porque os que pagam começam no escalão dos 13.500 Euros, ou seja, aqueles que não ganham 1.000 Euros mensais ilíquidos.

Actualmente o IRS é pago quase integralmente por aquilo que foi em tempos a classe média, gente que hoje se vê em papos de aranha para sobreviver, porque se é verdade que dentre os que pagam estão os que auferem 50.000 Euros, esses são raras excepções ao quadro desolador dos vencimentos em Portugal. Vários organismos internacionais que têm alguma preocupação social, têm alertado para a necessidade de aumento dos salários no nosso país, como condição para o desenvolvimento.

Eu cá não sou economista, mas sei que havendo mais dinheiro para gastar, as pessoas gastam mais (ou aforram mais, que é praticamente o mesmo) e este gasto suplementar fará mexer a economia. Isso tem vindo a ser constatado nos últimos meses depois da saída(?) da crise, com a estabilização, ainda que lenta, das contas do país. Já toda a gente percebeu, mesmo quem está contra só porque sim, que a política de baixos salários empurra para baixo, numa espiral de negativismo que leva a depressão e consequentemente à recessão.

Não sou adepto de gastarmos o que não temos, nada disso, mas ganhando mais consumimos mais, produzimos mais para suprir as necessidades de um maior consumo, logo produzimos mais riqueza, logo temos condições para pagar ainda melhor, logo teremos pessoas teoricamente mais felizes e a felicidade também alimenta. Perguntem aos psicólogos acabadinhos de sair da faculdade e que não têm emprego se não é verdade.