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Se a inês sabe disto

Esta coisa complicada da PAZ

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 Edmundo Gonçalves

 

Andam os norte-coreanos nas ruas dando vivas, eufóricos, porque o seu exército, melhor o exército do seu país, fez finalmente um teste com uma bomba de hidrogéneo. Para os leigos na matéria, uma bomba de hidrogéneo é assim como um topo de gama das bombas de destruição maciça e a ser verdade, porque temos que dar um "pequeno" desconto à propaganda do regime de Pyongyang, é um enorme avanço na capacidade destrutiva do país. Isto se os norte-coreanos, a ser verdade a existência da bomba, a conseguirem colocar num míssil intercontinental e que este tenha capacidade de reentrar na atmosfera sem se desintegrar. Melhor será não termos a experiência, à cautela.

 

Para percebermos para que quer a Coreia do Norte um arsenal nuclear, será necessário perceber que ele faz parte dum plano de preservação do regime que vive dificuldades endémicas, entre elas a ameaça permanente da fome, causado pelo isolamento a que se votou, desde a guerra da Coreia e a divisão do país. E também fruto da intolerância de outros países para com o regime. Digamos que com a ameaça da guerra, a Coreia do Norte encontrou um meio de conseguir viver em relativa paz e ao mesmo tempo alimentar o povo e mantê-lo feliz e contente, enquanto vai fazendo acordos que acaba por rasgar, para começar tudo de novo.

 

Com esta ameaça, que a mim me parece precoce mas que um destes dias será uma realidade, à velocidade com que anunciam evolução no arsenal nuclear, entram em pânico o Japão e a Coreia do Sul. E na Coreia do Sul é que bate o ponto! O grande inimigo da Coreia do Norte são os Estados Unidos (e vice-versa, convém não esquecer a história), de quem o governo diz cobras e lagartos e de quem vende a imagem de que querem a invasão do país e a mudança de regime. Talvez não andem muito longe da verdade, por isso a presença dos americanos abaixo do paralelo 38, no sul da penísula, em socorro e ajuda dos seus amigos, é entendido como uma provocação e pretexto para a corrida armamentista, que como vimos já chegou a um estádio que pode ser de não retorno.

 

Entretanto a ONU lá vai aprovando sanções que de nada têm valido, entre cortes nas exportações e nas importações, também porque o maior parceiro comercial, a China, por onde passam mais de 90% das transações, se tem oposto ao corte de fornecimento de petróleo, com o argumento, válido na minha opinião, de que sectores fundamentais para a sobrevivência dos norte-coreanos, como a agricultura por exemplo, seriam seriamente afectados. Contudo, sem petróleo, os foguetes não sairão dos silos e esse é o grande objectivo dos que querem mais sanções.

 

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos, estão na iminência de vender milhares de milhões de dólares de material de guerra à Coreia o Sul, a juntar aos cerca de cinco mil milhões que lhes venderam entre 2010 e 2016. Isto, pelos vistos se os norte-coreanos não serão lá grande coisa, provavelmente terão as suas razões. Ancoradas em ameaças parvas e temerárias, é certo, mas...

 

Neste meio tempo os russos lá vão aconselhando cautela e pedindo para que não haja rendição às emoções (já têm chatices que cheguem ao pé de portas, com a anexação da Crimeia e as relações conturbadas com a Ucrânea) e os chineses dizendo que não permitirão uma guerra na península, quem sabe porque lhes interessa talvez manter em funcionamento centenas de fábricas de têxteis na Coreia, a que só basta juntar a etiqueta Made in China.

 

Neste cenário, ou muito me engano, ou tudo ficará na mesma, ou até talvez com uma pequena mudança: Os ricos ficarão mais ricos e os norte-coreanos provavelmente irão passar um pouco mais de fome. Até se "passarem", um dia.

E assim vai o Mundo, como se ouvia, nos documentários ao intervalo nos cinemas, no regime fascista em Portugal.