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Se a inês sabe disto

É greve, é greve!

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Confesso que não conheço todos os contornos da luta encetada pelos enfermeiros, que os conduziu agora a uma greve que se prolongará por cinco dias.

O que eu conheço são as qualidades dos que por necessidade minha já me valeram, bem como a familiares e amigos. E em todos apercebi uma dedicação e profissionalismo excepcional.

Há nesta profissão várias situações, julgo (e se estiver errado que me corrijam na caixa de comentários, p.f.), de formação. No entanto a grande maioria dos enfermeiros hoje está habilitado com uma licenciatura de cinco anos, que calculo seja de elevado grau de exigência técnica e teórica, o que os qualifica como profissionais de excelência. Exercem uma função no sistema nacional de saúde de primordial importância e são, bastas vezes, substitutos dos médicos que não há.

Não sei quanto ganha um/a enfermeiro/a, não é do meu "feitio" preocupar-me com o que outros ganham, sendo que me preocupo sem qualquer dúvida que todos os que exerçam uma profissão, sejam justamente remunerados pelo seu exercício.

Os enfermeiros, pelos vistos, acham-se mal remunerados. Não sei se são, mas admito que tenham toda a razão, afinal salvo algumas excepções, todos os portugueses que trabalham são mal remunerados, num quadro comparativo com os seus parceiros europeus na relação custo de vida/vencimento auferido, logo eles não fugirão à regra. 

Ouvi um enfermeiro na televisão a manifestar-se contra o facto de um colega que inicia a carreira ganhar tanto quanto ele, que já tem uma carreira algo longa, pesume-se pela afirmação. Eu creio que, salvo opinião mais abalizada, o preço da água, da electricidade, dos bens de primeira necessidade enfim, é o mesmo para o enfermeiro em início de carreira como para aquele que está à beira da reforma, portanto o que me parece é que deveria a profissão ser valorizada, em detrimento da carreira, ainda que houvesse uma ligeira compensação pelo tempo de serviço, uma coisa tipo "diuturnidades", que já existiu na administração pública e que ainda existe em empresas do sector privado. A mim parece-me muito mais importante um aumento salarial anual correspondente ao aumento da inflacção e ponderado o aumento da produtividade, que uma estratificação da carreira, mas eu não sou enfermeiro, ainda que funcionário público. Não me parece justo um leque demasiado amplo entre o início das carreiras (generalizando para toda a administração pública) e o topo das mesmas, sendo que o que deverá ser valorizado é o vencimento de ingresso e aumentá-lo substancialmente. Não seria difícil, com a mesma massa salarial. Também me parece que as tabelas salariais não deverão andar muito distantes das dos médicos, neste caso particular.

Há ainda a questão das 35 horas e do valor pago pelas horas extraordinárias, que urge resolver, não só para os enfermeiros, mas para todos os trabalhadores. Se o descanço é um direito, prescindir dele terá que ter uma compensação adequada.

Ainda não disse se estou contra ou a favor desta greve, já estarão os leitores a dizer com algum enfado. Pois bem, o que se me apraz dizer sobre o assunto, é que ao contrário de outros sectores da administração pública, não vi os enfermeiros em qualquer manifestação de descontentamento enquanto o governo anterior, que foi quem mais "cascou" na adm. pública, esteve em funções. Sem lhes retirar a razão que possam ter e estarei convicto que tenham, não deixa de ser sintomático que alguns dos cartazes empunhados por manifestantes digam textualmente "o SEP* não nos representa".

Eu não sou de intrigas, mas terá alguma coisa a ver com a filiação partidária da bastonária da ordem?

Mas sim, a greve faz sempre sentido, se os trabalhadores assim o entenderem.

 

*Sindicato dos Enfermeiros Portugueses